Ameba

 

Entrevista com Enieverson “Ameba” por Joanna de Assis

De onde veio o apelido Ameba?

 

Não é pela atual banda Amebix, (inclusive eles têm um som foda!). Este é um tosco apelido que inventei quando adolescente e pichava os muros com pincel atômico “AMEBA”. Ao longo me muitos anos venho me apresentando às pessoas com este codinome. Equivocados estão aqueles que acham que uma ameba não tem cérebro.

 

Ícone punk, rssss, amigo! Sou sua fã. Conte-nos da sua punkeragem pela vida.

 

Fui protagonista de muitas atividades de cunho Punk-Anarquista, militante do saudoso MxPxLx (Movimento Punk Libertário), membro do Centro de Cultura Libertária CxCxLx, atuei como Anarcopunk, editei fanzines e junto com outros punxs montamos um programa de rádio que se chamava “Minutos de Ódio”. Esse programa durou mais de três anos no ar. Fui co-fundador do AxEx em 1986. Participei de um grupo de percussão chamado MST (Movimento Som e Terapia), com este grupo fiz várias apresentações como no Festival de Inverno de Outro Preto, FIT (Festival Internacional de Teatro), Praça 7, etc… Nossas apresentações foram experiências bem performáticas que incluíam inchadas em meio aos instrumentos de percussão denominadas “Saque Sonoro”.

Quero ressaltar que nos lugares onde morei, sempre hospedei gente proveniente de outros estados e de outros países, tal intercâmbio de aprendizado inestimável. No tocante a punkeragem, os conflitos com policiais e Skins sempre foram uma constante em minha sobrevivência.

 

 

 

Fale-nos de seus projetos musicais.

 

Se tratando de música, confesso que sou uma negação completa. Mas mesmo assim, insisto com o Atack e temos como projeto manter as apresentações, gravar sempre que possível. Nossa revolta/inconformismo é bem fértil, daí iremos compor muitos petardos.

 

Como descreve a cena Punk ontem e hoje, o que espera do amanhã?

 

A cena Punk dos anos 80 no Brasil foi de fato um fenômeno de contracultura, naquela década, vários jovens tiveram suas vozes amplificadas. O movimento Punk serviu como veículo de comunicação de uma juventude de periferia, marginalizada em um país que vivia resquícios da ditadura militar. O som das diversas bandas causava espanto e o comportamento, bem como o visual chocavam. Hoje em certos setores do movimento Punk nota-se um amadurecimento político, uma consciência de classe definitiva, muitos enxergam o movimento com admiração e respeito. Para mim é uma dinâmica e eterna escola!!! É certo que o movimento Punx de hoje é o resultado de tudo aquilo que ocorreu no passado e a cena do futuro será reflexo de tudo que for feito hoje. E o presente é o que mais importa. É necessário destruir e também edificar muitas coisas neste exato instante.

 

Atack Epiléptico, ainda vive, ainda bem! Conte-nos sobre os projetos da banda.

 

Já estamos com um novo trabalho pronto, que terá dois títulos: Misantropia: o Legado e Abduzidos pela Desgraça. Este trabalho, este som envolve várias fases do AxEx, terá sons antigos inéditos e sons atuais. Estamos estudando a melhor forma de colocar este novo trampo em circulação na praça. Não sei dizer se vai sair pela Cogumelo e ainda tempos material suficiente para um próximo CD com a atual formação, estamos batalhando nisso.

Sua paixão, sua arte, seu sonho.

 

Minha paixão é o ideário anarquista, com todas as vertentes possíveis. Minha arte vem das minhas mãos. Há anos venho prestando serviços como profissional em marcenaria. Só é digno de se chamar homem, todo aquele que trabalha com as mãos. Meu sonho é ver a humanidade fora do pesadelo do capitalista! Meu egoísmo é querer o máximo de bem estar para todos.

 

Banda favorita, melhor letra, livro, filme e música.

 

Banda Atack Epiléptico, letra Terra dos Pindoramas (AxEx), livro 1984 de George Orwell. Filme, todos os nacionais do passado e do presente. Música: o som proveniente do instrumento Didgeridoo, que é de origem australiana, criado há mais de 40 mil anos pelos Aborígenes. É considerado um dos mais velhos instrumentos do mundo. O som é encantador (chapante), é como um mantra e remete a um forte primitivismo. Sou aficionado pelo som do Didgeridoo.

 

Sei que já participou de curtas metragens e documentários, fale sobre isso.

 

Participei de dois curtas, um se chama “Carne Grega” não é pornô, porém há imagens de nu e seminu. Foi filmado dentro de um apartamento no centro de Belo Horizonte, Edifício JK nos anos 90. Nessa ocasião eu tinha dreads e no elenco somente eu e uma mina, Luna, que hoje vive na Espanha, o cara que fez mora em Sete Lagoas e eu possuo cópia do mesmo. Já o outro se chama “O bolo de Maria Joana” que foi filmado dentro da Favela da Serra. Faço o papel de um traficante, esse curta é hilário, foi feito pelo companheiro Evandro. Já o documentário é sobre as bandas dos anos 70, 80 e 90 onde tem imagens do Atack tocando e entrevista, esse documentário foi feito pelo Rodrigo Minele.

Ameba

E-mail: [email protected]

Cel: 31- 9682-1972

http://www.myspace.com/atackepileptico

 

Joanna Assis : E-mail: [email protected]

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Cremo é idealizador e fundador do Cultura em Peso, Asatrú, amante incondicional da fotografia e da cena underground, na qual vive intensamente há 16 anos. Formado em Redes para Computadores, é ex-vocalista das bandas La Tormenta (Grind) e Dead Bush (Punk), ambas de Minas Gerais. Ouve de Punk Rock a Metal Extremo, tendo como principais bandas na sua playlist Ratos de Porão, Napalm Death, Extreme Noise Terror, Circulo Activo, Amon Amarth, Elluvetie e Lacerated and Carbonized. Literalmente um Viking que não marca território: o mundo é sua morada. Lê constantemente sobre política, religião, história das guerras e a autodestruição humana que não aprendeu até hoje a viver com as diferenças. Some com a cena ou suma dela mesmo, agora!

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