Antis Ki eu Morra

 

 

“Agacê Catimbó e Charuto com Xodó Milho”
www.myspace.com/antiskieumorra
www.fotolog.com/antiskieumorra
Jonzin – vocal
Júlio – baixo
Walter – guitarra
Negão – bateria

1. Pra começar, falem-nos um pouco sobre o nome da banda: quem teve a idéia? Qual a grande sacada desse nome?

Jonzin: Na verdade, o primeiro nome da banda foi Guela Seca e tinha também outra formação: Rafael Boy Chato (batera), Anderson (guitarra), Renan (baixo) e Jonzin (vocal e único integrante que sempre fez parte da banda). A decisão de mudar de nome veio com algumas mudanças na formação! Foi idéia de Jonzin e todo mundo gostou. Daí a única discussão da galera foi pensar em como escrever o nome (Antes Que Eu Morra, Antes Q U Morra ou Antiskieumorra). Acabou prevalecendo a última. Mas foram raras as vezes em que ele foi escrito corretamente. Geralmente colocam nos cartazes Anteskieumorra, Anteskeumorra ou Antiskeumorra (risos).
O sentido desse nome é o mais literal possível. Fazer um som rápido antes de morrer, já que não sabemos se o Capeta vai deixar a gente tocar lá no Inferno (risos). Na real, o sentido desse nome vale para qualquer pessoa.

2. Vamos dizer que eu nunca vi a banda em ação e nem ouvi falar de vocês… Como vocês descreveriam o som do Antiskieumorra?

Jonzin e Júlio: Um som rápido, definido por nós simplesmente como hardcore. Já chamaram a gente de powerviolence e fastcore; mas a gente nunca se prendeu muito a isso não. Estamos sempre tentando colocar alguma coisa diferente. Temos, por exemplo, uma música com um reggae no meio (“Estrangeiros”, que fala dos problemas gerados pelo turismo em nossa cidade).
Mas, principalmente, pretendemos fazer um som divertido, principalmente pra nós. Pensamos que se nós nos divertimos tocando, quem tá vendo a banda vai seguir o exemplo.

3. Pergunta clássica: quais as influências da banda? Rolou muito cover no início da banda ou vocês já começaram mandando ver com músicas próprias?

Banda: Podemos apontar como nossas maiores influências as bandas que marcaram nossa adolescência roqueira (risos), como Ratos de Porão, DRI, DFC, Presto?, Mukeka di Rato. Além de Sepultura, Slayer, Agathocles, Pig Destroyer, Cripple Bastards, entre muitas outras coisas (até mesmo polka e bolero javanês) (risos). Não podemos deixar de citar bandas locais como Frattelli e Tormento, é claro. Até mesmo outros tipos de som, como reggae, hip hop e música regional podem ajudar a gente na hora de escrever as letras e tal
No começo, a gente tocava muitos covers sim, principalmente do Mukeka, do Ratos, do DFC e do Presto? Hoje a gente evita tirar muitos, mas estamos preparando uns legais aí para esse ano, porém não mais de um por show!

4. E como é que é esse lance de fazer som underground em Natal, no nordeste?

Negão: Fazer a coisa movimentar é difícil e em Natal não é diferente. Eu toco em banda desde o 1998 e as questões são as mesmas: não tem espaço, não há união, todos querem tocar, mas ninguém se dispõe a cooperar. Quando as coisas parecem que vão dar certo sempre tem um ou outro pra puxar o tapete! Isso dá até um certo gás pra fazer um lance mais irado.

5. Vocês já lançaram duas demos, tem muita diferença de um trabalho pro outro? A banda tem se modificado com o tempo?

Júlio: Entre as duas demos não há tanta diferença não. A não ser que as músicas da segunda (Agacê Catimbó e Charuto com Xodó Milho) são mais variadas nas bases. A pegada é a mesma: rápida!
Mas a banda mudou bastante depois destas duas gravações, com a entrada de Walter, na guitarra (que chegou a participar da gravação da 2ª demo, mas não da composição das músicas), e Negão, na batera. Os caras trouxeram novas influências e isso só veio a somar no som da banda, que ficou mais “cru”, com mais violência e um pouco menos de velocidade (se bem que ainda fazemos músicas rápidas, mas não nos prendemos só a isso).
Estamos esquematizando uma gravação para esse ano e aí todo mundo vai poder sacar a diferença.

6. Muitos corres pra lançar material ou foi tranqüilo? A galera colabora comprando os CDs, camisetas da banda? Dá ao menos pra cobrir o que é gasto na tentativa de divulgação?

Júlio e Negão: Na verdade, sim! Muitos corres! Hoje todo mundo da banda trabalha e uma parte dos salariozinhos minguados vai pra essa parte de divulgação. Essa grana que a gente gasta com divulgação quase sempre retorna! Muito mais com as camisetas do que com os cd’s. No caso das demos, a gente tenta baratear o máximo, pra mais pessoas conhecerem o som da banda, mas não ficamos no prejú por causa disso não.

7. “Fé no Futuro e Borracha no Passado” e “Império do Terror” são algumas de suas músicas que falam sobre um tema sério, a situação do povo, da sociedade atual, mas vocês também têm umas letras escrachadas… O que vocês mais gostam de fazer?

Júlio: As duas coisas! Achamos perfeitamente possível falar de um assunto sério sem perder a ironia e o sarcasmo! Esse é o melhor tipo de escracho pra a gente! Por exemplo, temos sons como “Cuspir pra cima” e “Partido Suíno”, que falam de questões sociais, mas de maneira engraçada.
A ironia não anula a seriedade dos temas, saca? Outras músicas, como as que você mesma disse, vão direto ao ponto, de forma mais séria e contundente.

8. E Jonzin, continua se especializando em piadas pros próximos shows? (Risos)

Jonzin: Sim, sim, é claro! Ando assistindo muito Jô Soares e lendo a Revista Seleções, onde se podem encontrar as piadas mais sem graça do mundo! (risos)

 

9. Além fronteiras do RN, por onde a banda já deu o ar da graça? Alguma previsão de tour ainda para esse ano? Por onde gostariam de tocar?

Júlio: Já pintou alguns convites pra tocar fora do estado (como em Recife e Maceió, por exemplo); mas acabou nunca rolando. Dentro do estado já fizemos som em Mossoró, Caicó e Currais Novos.
Temos muita vontade de fazer um rolé pelo Nordeste, mas não há nada previsto para esse ano. É claro que o Sudeste ou Centro-oeste do país também não seria má idéia para os integrantes da banda. A verdade é que para onde chamarem, se rolar segurança de não ser rolé furado, a gente vai: Eslovênia, Japecanga, Cabrobó, Transilvânia, sei lá (risos)!

10. Agradeço a atenção e colaboração de vocês. Deixem seu recado!

Júlio: A gente agradece também poder falar do nosso som aqui!
Jonzin: Beijin, beijin, tchau, tchau!
Por: Trenda (Daniely Barbosa)

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Cremo é idealizador e fundador do Cultura em Peso, Asatrú, amante incondicional da fotografia e da cena underground, na qual vive intensamente há 16 anos. Formado em Redes para Computadores, é ex-vocalista das bandas La Tormenta (Grind) e Dead Bush (Punk), ambas de Minas Gerais. Ouve de Punk Rock a Metal Extremo, tendo como principais bandas na sua playlist Ratos de Porão, Napalm Death, Extreme Noise Terror, Circulo Activo, Amon Amarth, Elluvetie e Lacerated and Carbonized. Literalmente um Viking que não marca território: o mundo é sua morada. Lê constantemente sobre política, religião, história das guerras e a autodestruição humana que não aprendeu até hoje a viver com as diferenças. Some com a cena ou suma dela mesmo, agora!

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