Claudinei – Armagedom

Perguntas: Joanna

Respostas: Claudinei

Entrevista para Claudinei dos Santos Ferreira por Joanna de Assis

1- Como e quando começou sua relação com a música e o punk?
Acho que a musica já tava no sangue desde que nasci. Mas no inicio da década de 80, as bandas de metal e punk que eram novidade viraram minha cabeça completamente, e naquela época eu falei: “Esse é o som que vai me acompanhar pra sempre “ e aqui estou até hoje.

2- Fale um pouco do cenário punk paulista do passado e de hoje. O que mudou? Quais as perspectivas futuras para o estilo?

A cena punk de hoje realmente não é mais a mesma. Ao mesmo tempo que antigamente a cena era melhor em alguns aspectos, como por exemplo a novidade, as bandas, a filosofia, o 1º festival e tal, em outros era totalmente negativa com aquelas historias de brigas entre gangs. Era punk contra punk, metal contra punk, um não ia no show de outro. Tinha uns fulanos que se diziam punk, mas na verdade eram uns loucos literalmente circulando no meio e usando visual e acabavam queimando o filme, que já não era bem visto.
Já hoje em dia ainda tem uns “loucos” por ai, mas a coisa não é tão violenta como antes. Obviamente a filosofia não muda pra quem realmente é punk. Hoje no caso das bandas, já tem uma melhor condição de tocar no que diz respeito a equipamentos, instrumentos, gravação e tal. O público já se mistura mais. No show de uma banda punk, você encontra punk, headbangers, góticos, descolados e afins convivendo pacificamente. Pelo menos na maioria das vezes (rs,rs,rs,)
Já quanto ao futuro do estilo eu não sei , só espero que continue de forma positiva com muito barulho na orelha (rs,rs,rs)

3- Em quais bandas toca e já tocou? Fale um pouco de cada uma delas. Qual instrumento toca? Pratica muito?

Atualmente toco contrabaixo na banda Armagedom aqui de Sampa e que faz um som Dethcore old school ou Primitivecore. Esse último adjetivo eu tirei de uma resenha gringa do nosso último disco “Sem esperança” que eu li na internet , (rs,rs,rs). Não faço parte da formação original, mas já estou tocando com os caras a 10 anos. No retorno da banda em 1999, após um período de pausa , fui convidado a tocar com eles e me sinto totalmente a vontade pra falar sobre a banda. Antes disso toquei em algumas bandas que não tiveram nenhuma ou pouca expressão no cenário underground. Comecei tocando bateria numa banda chamada Crânio Seco que fazia um som punk rock hardcore, depois montei uma banda chamada Nonconformity que fazia thrash metal e que não durou muito. No final dos anos 90 continuava tocando bateria , porém agora numa banda chamada Nonplusultra que fazia um som punk também. E foi nessa época que fui pro Armagedom , só que tocando contrabaixo. Por um breve período fiquei tocando no Armagedom e no Nonplusultra simultaneamente , inclusive cheguei a tocar com as duas bandas no mesmo show e foi muito legal. Depois de um tempo o Nonplusultra acabou e eu fiquei tocando somente no Armagedom. Depois de um tempo por volta de 2004 toquei também numa banda chamada Kaostika que fazia um som meio stonerock-punk-metal. Chegamos a gravar um Cd demo com 4 sons, que inclusive foi bem aceita pela critica especializada, mas infelizmente ficou só nisso e a banda acabou. Costumo tocar bastante em casa pra me exercitar, mas assim, relax, sem compromisso entendeu? Porque senão vai virar um negocio chato e maçante. Tem que ser natural e divertido.

4- Quais as suas bandas favoritas? Elas influenciam no seu processo de criação?

Tem várias bandas de metal e punk que curto e que me influenciam sim quando estou compondo, porém não influenciam no som exatamente, pois geralmente o som é bem diferente do som do Armagedom. Dentre as minhas bandas favoritas antigas e mais novas estão GBH, EXPLOITED, DRI, DISCHARGE, NUCLEAR ASSAULT, DORSAL ATLANTICA, KORZUS, R.D.P., ULSTER, SEPULTURA , CLAUSTROFOBIA, NAPALM DEATH, SOCIAL CHAOS, SORCERY, ONSLAUGHT, SACRED REICH, KREATOR, SUICIDAL TENDENCIES, LOBOTOMIA, KAOS 64, SLAYER, VENON, C.O.C, CROWBAR, FULL BLOW CHAOS, MESHUGGAH, DEATH, SOILWORK, TRIVIUM, ARCH ENEMY e por ai vai.

5- Qual o seu álbum favorito? Cite sua música preferida.

Álbum preferido é difícil dizer porque tem vários discos geniais então fica complicado citar algum. A mesma coisa vale pra música favorita. Mas vou falar um negocio pra você, aquele som Easy Lover do Phill Collins e Philip Bailey é simplesmente do caralho. Em se tratando de música, ela tem um arranjo legal, um riff legal, um solo simples mas muito bem elaborado, uma linha de baixo fudida…um puta som..to falando sério.

6- Sei que já fez uma turnê Européia com o Armagedom em 2008, em quais países tocou e de qual mais gostou? Qual a principal diferença em relação ao público nacional?

Na verdade foram duas tour européia, 2005 e 2008. Passamos por Alemanha, Suécia, Holanda, Dinamarca, Itália , Áustria , Polônia, Republica Theca e Finlândia. E a Finlândia com certeza é a casa do Armagedom. Não desmerecendo os outros países , mas por motivos óbvios pra quem é fã do Armagedom (rs,rs,rs)
O público europeu é diferente sim. Eles são mais loucos (no bom sentido), pelo menos conosco foram sempre muito receptivos. Aqui o público também é legal, mas se minha banda tocar numa sexta-feira aqui no Brasil, já corre o risco de não ir ninguém no show, imagina no meio de semana? (rs,rs,rs,rs). Lá a gente tocou no meio de semana e tinha um bom público. Pode até ser porque éramos banda de fora e tal, mas ai já é questão de cultura. Aqui no Brasil os hábitos são outros.


7- Sei que você já teve um estúdio de gravações e ensaios, pretende retomar a idéia?

É verdade . Os assuntos música, áudio, gravação, mixagem e masterização sempre me fascinaram. Eu tenho o projeto de montar outro estúdio sim. É um projeto que depende de vários fatores, mas assim que for possível, estarei com outro estúdio montado.

A Armagedom passa agora por algumas modificações com a saída do Edu dos vocais, quais são os planos para o futuro da banda?

8- Sim. A saída do Edu ocorreu numa boa e continuamos amigos pois antes de tudo somos amigos. Atualmente estamos procurando um vocal, mas a banda não para. Continuamos ensaiando comigo e o Javier fazendo os vocais. Inclusive estamos compondo novas músicas que farão parte de um próximo disco.

9- Os fãs mineiros aguardam ansiosamente um retorno da Armagedom. Para quando podemos esperar uma turnê nacional?

O pessoal de Minas é muito foda, e ficamos felizes em tocar ai. Assim que pintar um convite e que as datas se encaixem, você pode ter certeza que iremos inserir o primitivecore em seus cérebros sedentos por noisemusic.

10 – O que diria aos fãs?

Escutem muito som , curtam a vida porque ela é uma só, mas com responsa, valeu?
Se cuidem.

 

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Cremo é idealizador e fundador do Cultura em Peso, Asatrú, amante incondicional da fotografia e da cena underground, na qual vive intensamente há 16 anos. Formado em Redes para Computadores, é ex-vocalista das bandas La Tormenta (Grind) e Dead Bush (Punk), ambas de Minas Gerais. Ouve de Punk Rock a Metal Extremo, tendo como principais bandas na sua playlist Ratos de Porão, Napalm Death, Extreme Noise Terror, Circulo Activo, Amon Amarth, Elluvetie e Lacerated and Carbonized. Literalmente um Viking que não marca território: o mundo é sua morada. Lê constantemente sobre política, religião, história das guerras e a autodestruição humana que não aprendeu até hoje a viver com as diferenças. Some com a cena ou suma dela mesmo, agora!

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