Entrevista com a banda portuguesa Darkside Of Innocence

 

Perguntas: Cremogema

Respostas: Sara e Pedro

Bom é um prazer falar com você nesta ligação Brasil – Portugal, e lhes digo que fiquei realmente surpreso com o trabalho “Infernum liberus”, pois não conhecia até então a banda.
1- Vocês podem me dizer como foi a produção deste álbum, onde gravaram, como escolheram as canções?
Pedro:
Bem, eu é que agradeço em primeiro lugar pelo convite aos Darkside of Innocence e pelo interesse no nosso trabalho!!! É muito gratificante para nós receber tais elogios já que este álbum foi muito difícil de realizar, muito frustrante e cansativo, obrigado.
Bem… começo por dizer que este é um trabalho que levou imenso tempo até ver a luz do dia… como referi atrás foi um trabalho muito desgastante principalmente na produção que foi extremamente difícil de realizar, não só pela quantidade de elementos neste álbum como pelas dificuldades com membros, problemas de PC… por ai fora. Em relação á gravação, temos 1 estúdio ao qual chamamos arcádia (ahaha) onde gravamos e produzimos todo o álbum noites a fio, foi imensamente desgastante… já as musicas apareceram naturalmente ao longo destes 4 anos, fizemos imensas modificações á nossa musica e esse foi outro processo muito lento e complicado de digerir mas creio que no final conseguimos captar bem a essência que pretendíamos!

2- Então queres dizer que foi uma alta produção? A banda possui seu próprio estúdio para ensaios e gravações?
Sim tentamos fazer uma produção que estivesse á altura de um álbum sinfónico! O mais difícil foi misturar os elementos mas creio que no final conseguimos retirar o que pretendíamos! Sim possuímos o nosso espaço onde podemos estar á vontade sem pressão alguma.

3- Considero este, um passo muito adiante a outras bandas, mas como chegar a este ponto em tão pouco tempo de carreira, afinal a banda começou os trabalhos em meados de 2005…
Não sei, acho que se tratou apenas de um processo evolutivo e natural! Lutamos muito para conseguir chegarmos onde chegamos, ouvimos muita musica, passamos muito juntos… as nossas inspirações e valores deram-nos força para conseguir tirar o que queríamos de um álbum conceptual como é “Infernum Liberus EST” Demos muitas voltas á musica, ficamos sem inspiração algumas vezes e o pior foi desgostarmos do que havíamos feito até uma certa data…
O álbum teve 2 fases, uma em que estávamos a explorar a nossa veia enquanto artistas e a outra em que já sabíamos melhor o que queríamos… Foi engraçado como deitamos, quase todas as musicas que havíamos feito no lixo (ahahaha) para passarmos á segunda fase e voltar a compor de uma forma diferente e mais concreta o que planeamos!

4- Sara, o que fazer neste momento em que o Pedro cita de vocês não estarem satisfeitos o necessário? O que foi realizado para mudar os caminhos deste trabalho?
Eu sou nova na banda não tenho muito para dizer, mas quando entrei ganhei uma amizade enorme com os rapazes, por vezes passávamos noites, unidos a gravar, ate porque eu ficava nervosa, e na brincadeira surgia-nos ideias. Acho que o mais importante é quando a banda trabalha com união.

5- Pedro, você pode nos contar como surgiu a banda e de onde tirou o gosto pela música obscura?
Tudo começa com a minha adolescência! Na altura comecei a conhecer temas, pelos quais me interessava muito desde muito miúdo; como a poesia romântica arcaica, depressiva e utópica, o estilo e as roupas medievais, as histórias fantásticas marcando essa era e a cultura negra envolta do mesmo! Todas estas características faziam parte de bandas pelas quais me comecei a interessar por volta dos 17 anos, dentro do género mais obscuro da música e falando relativamente ao Metal e seus derivados. A banda começa comigo ao ser inspirado por essas características que me apaixonavam verdadeiramente e com um amigo meu que tocava guitarra, começara a tocar á pouco tempo foi mesmo a ideia de trazer esses ideais para a nossa música igualmente! Mais tarde o meu grande companheiro André Reis entrou marcando toda a diferença na banda, já o Pedro baterista, chegou mais tarde ajudando bastante á nossa musica! Foi uma fase muito experimental, não sabíamos tocar nada, apenas sentíamos a musica!

6- E como vocês encontraram a Sara, por onde caminhava essa voz incomparável ?
Foi realmente maravilhoso ter encontrado uma voz tão versátil como a da Sara, estamos muito satisfeitos para dizer a verdade! Apareceu num timing perfeito, na altura estávamos a separar-nos da nossa antiga vocalista Cátia Marques que ainda continua actualmente a fazer narrações para os Darkside of Innocence
E a sara candidatou-se a voz feminina, foi apenas uma questão de momentos até percebermos o que tínhamos nas mãos com os primeiros castings… a busca foi demasiado curta… não valia a pena!

7- Sara, como você recebeu o convite? Já tinha experiência nesta área ?
Não, na verdade nunca tinha feito um casting nem tinha cantado para alguém, cantava em casa, não tinha qualquer experiência, nem aulas de canto… nada eu
conheci o baterista Pedro Bandeira, na minha escola onde ele anda, ele sabia que eu gostava de cantar então pediu-me um vídeo meu, para ver a minha voz.
depois ele mostrou o vídeo ao Pedro Bruno e pediram-me então para fazer um casting eu estava muito nervosa, mas segui em frente!

8- Para chegar neste resultado final você fez algum aperfeiçoamento?
Antes de entrar na banda não explorava a minha voz, quando entrei os rapazes ajudaram-me muito porque como já disse não tinha qualquer experiência, mas a voz saiu naturalmente nao sei bem explicar…

9- Jogo rápido:
Pedro :
4 bandas nacionais: Antichton , Necris Dust, Thee Orakle e Epping Forest
4 bandas internacionais: Cradle of Filth, Dimmu Borgir, Opeth, Black Dahlia Murder
1 cd: Cruelty and the beast
1 livro: depois da noite de Luis costa pires (pouco li mas a história é bastante pessoal)
1 frase: Não tenho ou não me ocorre nada de momento…
Darkdise of Innocence: é a minha vida!
Nos tempos livres: Dedicar o tempo que tenho á banda
Portugal: é o V Império! (Ahahahah)
Música: fazê-la com conta, peso e medida!

Sara:
4 bandas nacionais: Não conheço muitas, e as que conheço não gosto, tirando moonspell
4 bandas internacionais: opeth , otep , Arch Enemy e Cradle of filth
1 cd : não tenho preferências
1 livro: não gosto de ler (hahahaah)
1 frase: prefiro ter uma desilusão do que viver na ilusão
Darkdise of Innocence:
Nos tempos livres: muita musica, e ensaio sempre, mesmo quando estou sozinha
Portugal: É o mesmo…!
Música: a minha vida, tudo o que faço a musica tem de estar presente ^^, a musica é vida
para mim

10 -como tem sido feito o trabalho de divulgação do álbum?
Até agora posso adiantar que estamos completamente estupefactos com a grandiosa recepção que temos tido com este álbum, fiquei muito surpreendido com o número de sites, pessoas de todo o mundo em enormes quantidades interessadas em “Infernum Liberus EST”! Estou mais que satisfeito e o álbum é super recente… Estou muito orgulhoso! Temos usado vários meios para divulgar o álbum como a Internet que se revela muito importante nos dias de hoje!


11- E a agenda da banda? Como tem se comportado?
De momento não estamos com muitas ideias em tocar ao vivo, principalmente porque não me encontro nas melhores condições e estou a recuperar de algumas complicações vocais! Vamos apenas tocar em concertos cruciais e futuramente então investiremos em algo grande, possivelmente numa tour europeia para já.

12- Pessoas interessadas em adquirir o material da banda, como pode fazê-lo?
Podem fazer o download do “Infernum Liberus EST” através do nosso myspace ou basta procurar no google por “Infernum Liberus EST”.

13- E como tem sido o cenário português para vocês?
Bem Só posso dizer que não podíamos estar mais satisfeitos!
Portugal tem aberto os braços de uma forma incrível á nossa musica e é um prazer enorme viver num pais como Portugal! Sou nacionalista a 100 por cento no que toca ao povo português ao contrário do que é falado por ai, os portugueses são verdadeiros guerreiros que apoiam a música nacional! Falo por experiência própria e espero que o futuro traga ainda melhores razões para poder falar!

14- Por qual razão colocar o álbum todo para download?
Bem foi uma decisão um pouco conturbadora para nós, que planeávamos um lançamento faz já algum tempo, achamos ser a melhor maneira derivado ao imenso tempo que perdemos com este álbum! Os nossos gostos musicais mudaram imenso, crescemos enquanto artistas e quisemos antes valorizar o que realmente é importante para nós agora; Dar a conhecer ao mundo o que são os Darkside of Innocence!

15- Em sua essência como você classifica a musica gótica hoje? Como você analisa o cenário de uma forma ampla, esta existindo muito modismo?
Bem essa é uma questão que eu estudei bastante tempo e cheguei á conclusão que falar em música gótica, musicalmente falando, é muito difícil! A música não se define com um rótulo a dizer gótico, porque não existem riffs ou melodias tipicamente góticas, o gótico é sim a alma da banda em questão! A musica pode ajudar dando ambientes que fazem relembrar os grandes tempos medievais e a arquitectura, o típico órgão de igreja com acordes menores é também outro exemplo que influencia o nosso pensamento e indica-nos a presença de índices góticos, mas nunca se diz que a musica é gótica senão for virada para uma alma com temas assim; o romantismo negro, a era medieval, o fantástico obscuro, a fantasia, utopias, o vampirismo, andando por ai fora, fazem parte dessa conjuntura de características a meu ver… Poucas bandas hoje em dia remetem a essa cultura como ela é na verdade, bandas como; Cradle of Filth, Theatre des Vampires… são por exemplo e a meu ver, bandas com alma gótica pois representam a cultura como ela é na verdade! Existe uma mentalidade distorcida sobre o que é a musica gótica, não que eu queira inventar ou falar sobre novas teorias e do que é ou não feito o ser gótico mas para mim parece-me impensável, dizer que o gótico é musica x
ou musica y sendo assim… Poderíamos falar em musica satânica ou católica; nunca se dizia que a musica Satânica é satânica porque tem riffs pesadões… se a mesma falasse em deus e na paz do mundo, essa não seria musica satânica seria sim musica católica com um background pesado e o mesmo acontecendo para o contrário… a musica católica não seria católica porque era calminha mas sim porque espalhava uma palavra sobre as ideias da igreja sendo não…
Não acho que exista moda alguma, acho sim que existe uma distorção na mente das pessoas para o que é o gótico e sim, essa distorção é que é a moda!

16- Falando em igreja como você encara religião perante vampirismo, goticismo e musica?
Não tenho uma perspectiva muito acentuada no que toca á igreja acho que hoje em dia as pessoas têm a liberdade de agirem como quiserem, cada 1 segue o que sente, ninguém anda a imbuir os ideais forçosamente como fora feito á muito tempo atrás eles têm a mesma idéia que os góticos, satânicos e por aí fora têm da igreja ambos são capazes de se respeitar, mas não entendem que hoje em dia essa disputa não faz sentido ambos não são capazes de se respeitar, não entendem que hoje em dia essa disputa não faz sentido isto a meu ver claro e obviamente que existem diferenças em todos os lados
não vale a pena generalizar.

17- Agradeço pelo tempo disponibilizado e peço que deixe aqui sua mensagem e contactos da banda por favor:
bem eu é que agradeço pela entrevista e amabilidade!
interessados em contactar os Darkside of Innocence podem fazê-los através do myspace:
www.myspace.com/darksideofinnocence ou [email protected]
Quero agradecer a todos aqueles que nos acompanham desde sempre!!! Ás pessoas que nos apoiam e estão connosco no nosso legado!
Bem eu é que agradeço pela entrevista e amabilidade!
Um obrigado a todos pela imensa força!!! Boa sorte para o “cultura em peso”, mais uma vez obrigado pela disponibilidade!!!
May Sophia be with you!!!
Darkside of Innocence – Sophia’s Heirs!

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Cremo é idealizador e fundador do Cultura em Peso, Asatrú, amante incondicional da fotografia e da cena underground, na qual vive intensamente há 16 anos. Formado em Redes para Computadores, é ex-vocalista das bandas La Tormenta (Grind) e Dead Bush (Punk), ambas de Minas Gerais. Ouve de Punk Rock a Metal Extremo, tendo como principais bandas na sua playlist Ratos de Porão, Napalm Death, Extreme Noise Terror, Circulo Activo, Amon Amarth, Elluvetie e Lacerated and Carbonized. Literalmente um Viking que não marca território: o mundo é sua morada. Lê constantemente sobre política, religião, história das guerras e a autodestruição humana que não aprendeu até hoje a viver com as diferenças. Some com a cena ou suma dela mesmo, agora!

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