Entrevista com Daylights Dies

 

Para realizar esta entrevista, entrei em contato com o pessoal da Daylight Dies por e-mail. Passado 12 horas recebi a resposta de que sim, eles nos concederiam a entrevista. Porém eu precisa preparar a matéria e as questões, e isso acabou demorando cerca de dois dias. Então, me veio a surpresa, o próprio Jesse Haff me enviou um e-mail cobrando esta entrevista, pois ele estava muito ansioso e realmente adoraria falar aos fãs da banda e leitores do Cultura em Peso!
Percebi naquele momento que a Daylight Dies era uma banda realmente surpreendente.
A entrevista rolou via MSN, e foi muito interessante e divertida, pois Jesse é extremamente simpático e muito carismático como vocês perceberão a seguir.
Fãs de Katatonia, Opeth, Paradise Lost e Anathema ouçam Daylight Dies, com certeza vocês irão adorar.

1-A Daylight Dies, foi comparada a grandes bandas do estilo, como Katatonia, Paradise Lost e Opeth. Como vocês se sentem em relação a isso?

Todas essas bandas são brilhantes e têm nos influenciado em um ponto ou outro, ao longo do nosso desenvolvimento como banda. Portanto, para nos é realmente uma honra sermos comparados a essas bandas.
Nós temos nossa própria “voz musical”, mas não seriamos os mesmos sem a influencia dessas bandas.

2-“Lost to the Living’’ foi um álbum aclamado pela mídia, recebeu grandes elogios de nomes como Pré-Fix Magazine, Terrorizer Magazine, Revolver Magazine, entre vários outros. Para a banda, o que mudou depois de “Lost to the Living’’?

“Lost to the Living” foi para nós uma evolução natural que se deu a partir do álbum anterior “Dismantling Devotion”.
Compomos as musicas de forma mais rápida no “Lost to the Living”, mas, em geral, a abordagem em geral, foi semelhante ao “Dismantling Devotion”.
Buscamos sempre variar na forma de compor as musicas e na sonoridade delas, fazendo experimentos que nem sempre dão certo (risos).
Estamos todos muito orgulhosos de “Dismantling Devotion”, mas com Lost to the Living”, nós aprendemos muito e neste mesmo álbum temos desde musicas mais delicadas, suaves até musicas mais agressivas e rápidas, estamos felizes com ambos os álbuns.

3-O álbum “Dismantling Devotion”” anterior ao “Lost to the Living” foi um álbum muito bem recebido pela mídia também, tanto que alguns duvidaram que fosse realmente difícil de ser superado. Porém vocês lançaram o -“Lost to the Living”, que é um álbum ainda mais profundo, maduro e superior ao “Dismantling Devotion”..Vocês consideram este álbum, a obra prima da Dayligth Dies?

Isso é muito lisonjeiro de sua parte Winny, obrigada pelo comentário! (risos)
Em vez de simplesmente fazer melhor ou pior, encaro-os como indivíduos diferentes – expressões precisas de nossa voz em um determinado momento de nossas vidas.
Por isso, faz todo sentido se alguém preferir mais um álbum a o outro, e eu acho que essa tendência vai continuar .
Musicalmente iremos continuar mudando pois nossa musicas refletirão o modo de pensarmos sobre as coisas do mundo à medida que nos envelhecemos.
Só nos preocuparemos em manter sempre, uma reflexão honesta.

4-Conte-nos, de onde surgem as inspirações para as excelentes letras? E as músicas, como a Daylight Dies compõem?

As letras são inspiradas nas nossas experiências pessoais, em oposição à fantasia ou ficção.
Por exemplo, eu escrevi a letra “Descending”, do álbum “Lost to the Living”, e essa música fala sobre o pânico ocasional que nasce dentro de nós todos, quando as nossas vidas estão indo exatamente para onde queremos… fala também dos anseios da juventude e das memórias de ontem.
Fala sobre aqueles momentos em que passamos as noites em claro, fala de momentos em que despertamos em um estado de pânico, e isso tudo é muito real.
O restante das letras do álbum, também são honestas reflexões de experiências de Nathan, Guthrie e Egan. Muitas vezes o principal é passar o tema de que é preciso evitar o monótono, o comodismo e aqueles momentos em que nos esquecemos de viver.

5-Com todo esse sucesso (muito merecido), vocês não se sentem pressionados em relação à composição do novo álbum?

Nem um pouco, porque ainda somos uma banda muito underground, apesar da impressão positiva da mídia e dos fãs.
De qualquer forma, nos sempre estamos procurando melhorar, fazendo criticas verazes sobre o que estamos compondo.
Nós somos os primeiros a perceber quando uma idéia é apenas um pedaço de “merda”… por isso, se estamos satisfeitos com o material, isso já é o suficiente para liberá-lo, afinal ele já passou pelo teste mais duro. (risos)

6- Sobre a arte da capa do “Lost to the Living“, qual o significado dela e que relação ela tem com as musicas do álbum?

A capa é um cara jovem, dormindo. É uma referência ao título do álbum, que significa essencialmente adormecer para a “vida”. Dentro do álbum ainda temos mais uma imagem, que é a de um senhor bem velho, dormindo .. referenciando a passagem de uma vida inteira neste estado.
Layout e letras sempre foram uma parte importante em nossos álbuns.

7- Desde o inicio da carreira, vocês sempre dividiram o palco com grandes bandas como Katatonia, Lacuna Coil, Emperor, Moonpell, Soilwork, Darkane. O que você pode nos reportar dessa experiência? Conte-nos algumas situações que marcaram a banda durante esses shows e turnês.

Tivemos muita sorte. Aprendemos muito e em todas as turnês essas grandes bandas foram extremamente gentis e respeitosos conosco.
A maioria das bandas grandes que vem de outros paises, acabam desrespeitando ou ignorado a banda de apoio, mas este não foi o nosso caso.
Não sei se é porque respeitam a nossa música, ou se apenas nos “esquivamos da bala” de excursionar com bandas idiotas.

8- Conte-nos um pouco da história da banda.

Comecei a tocar com o guitarrista Barre Gambling, a mais ou menos 14 anos.
Nossa primeira gravação, foi feita em 1999 e rapidamente lançamos o EP “Idle”.
Nós fizemos algumas mudanças de músicos e vocalistas, entre eles saiu Guthrie Iddings e entrou Nathan Ellis nos vocais, bem como acrescentamos Charley Shaclekford na guitarra.
Em seguida, mudamos para o selo Candlelight Records e lançamos o álbum “Dismantling Devotion”, fizemos algumas turnês e no ano passado lançamos o álbum “Lost to the Living”.
Desde então, excursionamos com Candlemass, Soilwork, Swallow the Sun e Darkane.
Também gravamos um vídeo oficial para a música “Lies that Bind” do álbum Dismantling Devotion.

9- Quais são as principais influencias de cada um dos membros da Daylight dies?

Basicamente coisas antigas como Metallica, Queensryche, Saturnus, Katatonia, Opeth, Paradise Lost, Tiamat, Slowdive, This Empty Flow, Sentenced, Shape of Despair, Amorphis, Anathema, Ulver, David Sylvian, o antigo Sepultura, Depeche Mode, The Cure, etc.

10- Quais são os planos para o próximo álbum da Daylight Dies?

O plano é… ?! (risos)
Não temos planos… certamente esperem mudanças .. mas ainda assim seremos a Daylight Dies.

11- Vocês podem nos descrever como é um show da Daylight Dies?

Cinco cabeludos fodões bangeando e botando pra quebrar! (risos)

12- Tem planos de tocar no Brasil e América do Sul?

Claro. Adoraríamos tocar na América do Sul e no Brasil, mas isso é com o selo e os promotores.
Pois sai caro como o inferno. (risos)

13- Você gosta ou conhece alguma banda brasileira?

Claro… Sepultura é uma das melhores bandas de todos os tempos.

14- Como é o relacionamento da Daylight Dies com os fãs e onde fica a maior base de fãs da banda?

Os nossos fãs têm se transformado muitas vezes em amigos… por isso é fantástico.
Partilhamos algo em comum dentro de nós, a música nós uniu!
Não sei exatamente onde fica a nossa maior base de fãs. Eu suponho, quer os EUA ou na Europa, mas talvez existam alguns da América do Sul que ainda não conhecemos.
Estou indo Bolívia ainda este ano, ficarei atento para ver se vejo camisetas da Daylight Dies por lá!!! (risos)

15- Recentemente vocês lançaram um concurso “jantar com Daylight Dies- Official”, conte nos como surgiu à idéia do concurso, como funcionou e finalmente como foi o esperado jantar?

Foi realmente uma piada… nós realmente não esperávamos que alguém respondesse a este concurso, mas as pessoas realmente responderam!!!
Nenhum de nós tinha dinheiro pra pagar um jantar especial, mas mesmo assim nos demos um jeito.
O mais incrível foi ver que a pessoa que foi sorteada ficou tão feliz que até se propôs a pagar o jantar!
Claro que nós não aceitamos… (risos)

16- Deixe uma mensagem aos fãs da banda no Brasil.

Obrigado pelo vosso apoio e procurem seus promotores locais para que a Daylight Dies possa tocar ai no Brasil !!!
Você pode fazer com que isso aconteça!

17- Deixe suas impressões sobre o trabalho que estamos realizando com o site Cultura em Peso Underground.

Acho que vocês são uma forma de aproximar os fãs de nós, bandas. Considero o trabalho de vocês de extrema importância para o underground mundial.
Winny, parabéns, você é muito simpática e inteligente. Espero que possamos um dia estar em seu país, e espero poder com esta entrevista, conquistar alguns fãs no Brasil e América do Sul!

Obrigada pelos elogios e por nos conceder um pouco do seu tempo para a realização desta entrevista, desejo mais sucesso ainda a Daylight Dies.

 

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Cremo é idealizador e fundador do Cultura em Peso, Asatrú, amante incondicional da fotografia e da cena underground, na qual vive intensamente há 16 anos. Formado em Redes para Computadores, é ex-vocalista das bandas La Tormenta (Grind) e Dead Bush (Punk), ambas de Minas Gerais. Ouve de Punk Rock a Metal Extremo, tendo como principais bandas na sua playlist Ratos de Porão, Napalm Death, Extreme Noise Terror, Circulo Activo, Amon Amarth, Elluvetie e Lacerated and Carbonized. Literalmente um Viking que não marca território: o mundo é sua morada. Lê constantemente sobre política, religião, história das guerras e a autodestruição humana que não aprendeu até hoje a viver com as diferenças. Some com a cena ou suma dela mesmo, agora!

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