Diskontroll

 

1 – Dê quem foi a idéia de formar o Diskontroll e como tudo começou?
Bonga: A idéia foi minha e do ex-baterista Denito (Defy, Disarm). Queríamos montar uma banda d-beat, algo como um neto do Discharge e um filho do Disclose, hehehe. Lembrando que hoje existem diversas bandas neste estilo no Brasil e uma certa cena já se formou, mas no começo de 2006 o lance era o underground do underground, hehehe. Tanto que para achar um guitarrista e um baixista tivemos que colocar anúncios na Internet.

2 – Qual foi a maior gig já feita pela banda até hoje,e por qual motivo?
Bonga: Não consigo apontar a maior gig, pois pode ser com relação a público, experiência, diversão, etc. Eu destaco duas gigs em Outubro de 2007:
– O festival de dois dias “Brutal Thrash”, em Londrina, onde creio que tocamos para o nosso maior público (cerca de 200, 300 pessoas eu acho). Tocamos no sábado com Armagedom, Social Chaos, etc e no domingo tocaram Rattus, See You in Hell, etc. O Diego tinha acabado de entrar na banda, mas tocou mesmo assim, na correria, e acabamos fazendo um dos nossos melhores shows e a galera despirocou.
– Outro foi a festa de despedida do See You in Hell (primeira tour no Brasil) e do Germinal. O lugar era pequeno e estava completamente lotado de amigos. Fizemos o nosso melhor show musicalmente falando e numa data bastante especial.
Josimas: para mim o show no brutal trash e foi sem duvida o melhor da diskontroll… mas teve um no noise terror que não me lembro bem a data, que foi com uma energia realmente insana…quando terminamos de tocar eu estava tremendo em êxtase.

3 – O Diskontroll já passou por algum “mau-pedaço” em sua carreira,
chegando ao ponto de todos desistirem de continuar?
Bonga: O momento mais difícil para todos nós, principalmente para mim, foi a saída do baterista e já citado formador da banda, Denito. Por alguns dias pensamos em terminar com a banda, pois seria muito difícil continuar sem ele, tanto pela amizade e o jeito de tocar, quanto por ele ter iniciado a banda junto comigo. Foi difícil, pois nenhum substituto vinha na nossa cabeça e quando aparecia um nome, achávamos que não daria certo. Até que um dia lembramos do Zorel, fizemos o convite e agora estamos botando as coisas para andar novamente.
Josimas: para mim também, a saída do Denis foi algo marcante dentro da banda…

4 – Todos sabem da postura anti-racista e anti-homofóbica da banda. Algum membro do grupo já chegou a receber algum tipo de “ameaça” de algum pseudo grupo racista?
Bonga: Por enquanto não, mas sabemos que andando por aí podemos ser reconhecidos e sofrer algum tipo de violência por parte destas organizações reacionárias.
Josimas: nunca recebemos ameaças verbais ou escritas mas creio que a ameaça esta nas ruas mesmo, pois não estamos lidando com uma brincadeira infantil e sim com um grande numero de pessoas que só tem do seu lado a força como melhor argumento.

5 – A banda sempre procurou privilegiar as iniciativas dentro do conceito “Faça Você Mesmo” e de integração de todas as cenas do underground.Este tipo de postura tem conseguido chamar a “atenção” e aumentar o público da banda?
Bonga: Primeiro gostaria de deixar claro que tentar realizar as iniciativas dentro de um esquema DIY e unir as cenas que realmente tem a ver conosco é uma coisa natural, não forçada para chamar a “atenção” ou aumentar o nosso público.
Agora, respondendo a pergunta, acho que no início chamávamos mais a atenção dentro do Brasil do que agora, pois, como falei no início, em 2006 a cena d-beat/crust estava começando a tomar forma e o pessoal olhava a gente nas gigs vestidos de preto, tocando d-beat e para alguns era uma coisa nova, então creio que ajudamos a trazer algumas pessoas para o “lado negro da força”. Hoje já há bastante bandas no estilo em diversos lugares do país, então dividimos os olhares com outros grupos, o que é maravilhoso!
Sobre o público da banda, estamos satisfeitos com o nosso público, que não é grande, mas é fiel e é isso que importa.
Agora juntando tudo que você disse, há punks, crusties, headbangers, etc que curtem nosso som. Acho que isso ocorre por a Disköntroll misturar bastante influências musicais e a gente tocar tanto em sons punks no subúrbio, quanto em casas grandes de metal, desde que seja um esquema correto e bacana.
Josimas: acreditamos no “faça você mesmo’ por ser a única forma que acreditamos de se fazer as coisas… Levar o faça você mesmo em tudo que temos em nossas vidas.

6 – A banda já é conhecida fora do Brasil?
Bonga: Não diria que é conhecida, mas acho que também não é totalmente desconhecida. Na Europa temos dois materiais lançados. Um split CD DIY com o Dödsdom e um split 7″ com o Full of Hatred. Fora alguns zines que já saímos, destaco o Attack Fanzine da Suécia e o Agitate da Inglaterra. O pessoal gosta bastante da gente lá no Sudoeste da Ásia, no MySpace muita gente escreve pedindo material e elogiando o trabalho, além do que será lançada nossa discografia 2006/07 em K-7 por lá.

7 – Já receberão alguma proposta de ir tocar em outro país?
Bonga: Várias, mas nunca conseguimos ir em decorrência das trocas de formação e de questão pessoais (somos em cinco e conciliar as atividades de todos na mesma época é complicado). Já marcamos uma tour no México em Fevereiro deste ano, mas não conseguimos ir por conseqüência da troca de formação. O pessoal da Malásia (Anti Protokol) queria levar a gente lá, mas não rolou. Uma pessoa na Espanha convidou a gente para uma tour na Europa no ano que vem, mas acho que não vai rolar também. Semana passada recebemos o convite para tocar na Argentina. Enfim, são vários, todos no esquema “pague as passagens que vocês terão tudo aqui”, mas por enquanto não conseguimos ainda por causa de nós mesmos, mas é bom que quando quisermos é só escolher o país, pois, ainda bem, temos bons amigos e contatos na maioria, que ficariam muito felizes em receber a gente.

8 – O grupo tem um enorme respeito dentro da cena nacional,seus shows estão quase sempre lotados,e já tem um público bem fiel.Dê onde veio todo este “reconhecimento” por tudo que já fizeram,ao longo desses anos?
Bonga: É muito legal ouvir isto de você, valeu mesmo. Eu não sei, apenas fazemos as nossas coisas da maneira que achamos que devem ser feitas. Respeitamos as pessoas, buscamos sempre o contato com a galera que curte nosso som, buscando uma amizade ou pelo menos uma troca de idéias e experiências, procuramos fazer bastante shows em diversos lugares diferentes, entre outras coisas que ajudam a rolar isso que você disse na pergunta.
Josimas: acho que o que buscamos mesmo é fazer algo que curtimos muito, tocar, encontrar amigos, falar sobre as coisas que queremos, viver de forma diferente mesmo dentro de toda essa merda e somos sempre nós mesmos, abertos e sinceros.

9 – Qual melhor material já gravado pela banda,na opinião de vocês?
Bonga: Isso é muito difícil responder, é a mesma coisa que escolher entre um dos filhos. O primeiro, o split com o Dödsdom, mostra um Disköntroll com apetite, jovem e cheio de energia, porém ainda sem uma cara própria. Já os 7″ splits com o Full of Hatred e o The Path já mostram um Disköntroll mais maduro, com uma identidade própria. O split que ainda vai sair com o Nulla Osta já aparece com novos elementos e um trabalho entre as duas guitarras mais entrosado. Agora em Julho vamos gravar as músicas para o split 7″ com o Social Chaos e o split LP/CD com o Cancer Spreading. Será o primeiro material com o novo baterista e a nova baixista, vamos ver como vai ficar!
Josimas: os splits com full of hatred e the path, da mesma sessão de gravação;;pelo menos ate o momento.

10 – Bate e volta:
3 melhores bandas nacionais/ Bonga: Armagedom, Lobotomia (80´s) e ROT. Josimas: cólera, armagedom e doutrina decadente.
3 melhores bandas internacionais/ Bonga: Discharge, Motörhead e Black Sabbath
josimas: disorder, the varukers, conflict e tragedy
3 melhores discos. Bonga: Discharge – Why, Black Sabbath – Black Sabbath, Motörhead – Ace of Spades
josimas: Tragedy – vengeance, disorder – complete disorder, conflict – Increase the Pressure e Inocentes – pânico em SP

11 – O que acham desta emergente cena crust nacional?
Bonga: Acho bem bacana, pois nestes últimos dois anos surgiram diversas bandas, distros, selos, coletivos, além de uma galera que começou a comparecer nos shows, comprar materiais, etc. Espero que o lance não seja apenas algo passageiro, pois, sejamos sinceros, o d-beat/crust entrou em moda na cena underground punk/hardcore nos últimos tempos e uma galera do nada começou a andar todo de preto e dizer amar Amebix e Discharge. Isto é bom, pois há mais gente nos shows e comprando materiais (alguns nem isso fazem e ficam apenas atrás do computador baixando mp3) e apenas o tempo dirá quem está nessa apenas por moda ou realmente curte a parada e leva a cena como algo realmente considerável em sua vida.
Josimas: Vejo coisas boas e ruins , como em tudo, né? O bom é que tem surgido boas bandas, galera super gente boa, bons zines (em papel), bons amigos… infelizmente também surgem os que estão nessa somente por estética e acabam não construindo algo coerente, nem com a própria vida. Vivem uma mentira, um mundo fantasioso quando estão de preto, nos shows, nos bares, depois voltam para suas casas e vivem iguais seus pais ou até pior que eles…para mim, cada escolha é verdadeira e a vivo em todos os momentos,

12 – Fugindo um pouco dos assuntos da entrevista mais vemos nestes tempos grupos terroristas mais poderosos que nações,armas nucleares em mãos perigosas,e o planeta dividido.Vivemos um momento de maior tensão em décadas!!! Será que o mundo irá entrar em guerra? Ou já entrou?
Bonga: Agora eu te pergunto, alguma vez as guerras pararam pelo mundo? Todos os dias assistimos a conflitos, basta ligar a TV no noticiário diário ou acessar sites de notícia na Internet para sacar o que estou dizendo. Primeira e Segunda Guerras, Guerra Fria, Guerra Santa, apenas citando as mais “importantes” do século XX. Mas se a gente começar a falar de novas guerras que podem surgir, pelo que estou vendo a Coréia do Norte está criando um poderoso armamento nuclear e os EUA estão putos com isso. Se os EUA resolver cantar de galo para cima da Coréia, assim como fez com o Iraque, pode dar merda grande e vai feder para todo mundo. Outra coisa que gostaria de citar é que guerras na minha opinião não são necessariamente conflitos entre dos países ou etnias, mas também pode ser a guerra entre o tráfico e a polícia (citada em nossa música ‘A Mesma Chacina Todos os Dias’), a guerra para chegar ao trabalho, enfrentando um transporte público desrespeitoso, etc.

13 – Qual a “diferença” da cena de outros lugares e regiões onde o Diskontroll já tocou,se comparando com São Paulo?
Bonga: Na cidade de São Paulo rolam no mínimo dois, três shows diferentes a cada fim de semana e destaco um ponto positivo e um negativo referente a este lance. O positivo é que grande parte das bandas têm oportunidade e espaço para mostrar seu som e acabam tocando pelo menos uma ou duas vezes por mês. O ponto negativo é que satura demais e grande parte dos shows acabam ficando vazios ou com uma galera apática, pois está acostumada com shows sempre, não é mais um acontecimento. Tocamos em Belo Horizonte e Divinópolis (Minas Gerais) ano passado e foi muito legal. Lá quando rola alguma banda de outro Estado ou país, que foi o caso na oportunidade (tocamos no mesmo dia que o Nulla Osta e o Armagedom) é realmente um acontecimento e toda a cena cola na gig, sejam crusties, grinders, punks, bangers, pessoal que curte hardcore norte-americano, etc. A gig fica cheia e o pessoal está na pilha e agita em todas as bandas, compra material e se diverte pra caralho. Ou seja, acho que em sampa temos mais quantidade e em outros lugares mais qualidade, tanto em relação ao público, quanto até mesmo organização, hospitalidade e equipamento, pelo menos nas oportunidades que tivemos de tocar em outros Estados (Paraná e Minas Gerais). No restante do Estado de São Paulo depende muito da cidade e do organizador. Já tocamos duas vezes na mesma cidade e, por exemplo, uma vez foi foda e da outra vez nem tanto.

14 – Qual a opinião da banda diante deste “ganguismo” todo que infelizmente chegou a “sujar” a cena punk daqui de São Paulo.Estas tretas,brigas,prisões que andaram aparecendo nos jornais,revistas,tv etc durante estes tempos?.
Bonga: Eu posso responder nesta que a banda é totalmente contrária a atos ganguistas e a vanglorização disto, mesmo no início da década de 80. Ainda bem que nunca tocamos em lugares com presenças de gangues, mas com certeza não seria do nosso agrado.
Esses lances que aconteceram realmente sujaram mais ainda o imagem do punk na sociedade em geral (de forma negativa em minha visão), mas isso graças a mídia sensacionalista, que aumenta os fatos e distorce a realidade, principalmente quando os jornalistas falam daquilo que não sabem ou não vivem. Mas, como tudo que é noticiado, depois de alguns meses é esquecido pela mídia e pela sociedade. Mas gostaria de deixar claro que não é a minha intenção, e não queria que fosse a da cultura punk, de agradar a sociedade. Acho que o punk deve ser realmente repudiado e odiado e causar realmente um choque, não ser politicamente correto e assistencialista como a Igreja, porém não por vias de tretas ou preconceitos, que foram os casos que aconteceram recentemente em São Paulo.
Josimas: o ganguismo é algo muito podre dentro do punk, isto impede totalmente que o punk viva de forma intensa e construtiva. Há algumas gangues que conseguem sair da coisa da violência mas a maioria é só treta.

15 – Quais são os planos futuros da banda? Pretendem gravar algum material novo?
Bonga: Agora em Julho vamos gravar as músicas para o split 7″ com o Social Chaos e o split LP/CD com o Cancer Spreading. Pretendemos que os materiais estejam disponíveis ainda neste ano. Temos ainda para sair o split com os croatas do Nulla Osta, mas estamos sem selo ainda. Também falta chegar no Brasil o split 7″ com o The Path, este está uma enrolarão do caralho! Outro plano é a gente se organizar para realizar uma turnê no exterior.

16 – Uma palavra final a todos os fãs e admiradores da banda.
Bonga: Não temos fã, ainda bem, hahaha. No Gods, No Masters. Aos nossos admiradores e amigos desejo força para enfrentar essa existência que insiste em deixar a gente triste e detonar nossos desejos. Apareçam nas gigs e comprem nosso material, p/ gente ficar rico e tocar no Credicard Hall.
Josimas: A cena underground/alternativa em nos metemos, significa uma alternativa a algo e esse algo é a vida medíocre que todos levam portanto devemos analisar em cada minuto de nossas vidas o que vemos de ruim na vida social e o que devemos construir de diferente, senão, cairemos na vida exatamente igual a que odiamos, mesmo que vestidos de preto e coma camiseta da banda que mais gostamos…mas será que as frases que cantamos das bandas que mais gostamos é algo que realmente acreditamos?

Obrigado pela entrevista e pelo apoio.

Stay Crust,Stay Punk,Stay Free!!

WWW.MYSPACE.COM/DISKONTROLL

Comentários

comentários

Cremo é idealizador e fundador do Cultura em Peso, Asatrú, amante incondicional da fotografia e da cena underground, na qual vive intensamente há 16 anos. Formado em Redes para Computadores, é ex-vocalista das bandas La Tormenta (Grind) e Dead Bush (Punk), ambas de Minas Gerais. Ouve de Punk Rock a Metal Extremo, tendo como principais bandas na sua playlist Ratos de Porão, Napalm Death, Extreme Noise Terror, Circulo Activo, Amon Amarth, Elluvetie e Lacerated and Carbonized. Literalmente um Viking que não marca território: o mundo é sua morada. Lê constantemente sobre política, religião, história das guerras e a autodestruição humana que não aprendeu até hoje a viver com as diferenças. Some com a cena ou suma dela mesmo, agora!

Matérias relacionadas