Dragan

 

 

 

Entrevista com Dragan Matori por Joanna de Assis em 18 de setembro de 2009

Dragan você está se tornando o croata mais brasileiro de todos, rsss… Já esteve no Brasil com Nulla Osta em 2008 e God´s Cracked Skull em 2009. Qual das tours mais gostou e por quê?

Bem, a primeira tour foi especial por causa do sentimento no inesperado e desconhecido, o que é sempre interessante, por outro lado a segunda tour foi realmente maravilhosa. Reencontrar os amigos e sair com eles mais uma vez também é muito bom. Não sei dizer qual das duas foi melhor.

Fale-nos um pouco do cenário underground na Croácia. O que difere do Brasil?

A Croácia é um país pequeno, mas a cena é bem grande. Começando nos anos 70 quando as primeiras bandas começaram a aparecer. Na minha cidade (que tem a população de aproximadamente 60 000 habitantes), é fácil encontrar de quinze a vinte bandas tocando de tudo desde rock, punk, hardcore, metal até hip-hop, eletrônico. E estou falando apenas da cena D.I.Y. aqui! O maior problema é que as bandas da Croácia não são internacionalmente conhecidas. Recentemente que Nulla Osta e outras tantas bandas estão tentando arduamente mudar este fato com constantes tours, tocando fora da Croácia o máximo possível. Assim, acabo de diferenciar a cena croata da brasileira. Há muitas bandas daí tocando em vários cantos do mundo há vários anos, assim podemos dizer que há algo acontecendo por aí, um “hardcore brasileiro”. Não é possível dizer o mesmo das bandas croatas e da cena aqui. Simplesmente não temos esta reputação.

O que tanto te atrai em nosso país?

Esta é uma pergunta fácil. O clima do país é ótimo, principalmente para nós europeus, as pessoas são legais e amigáveis e a cena é muito interessante cheia de bandas, assim é fácil gostar!!

Recentemente me contou que tem mais uma banda a Homo Homini Lupus, quais as novidades desta banda? Também toca baixo nela? E podemos esperá-la por aqui também?

Toco baixo em Homo Homini Lupus e já estamos quase prontos para gravar o terceiro álbum até o fim deste ano. Como vocês devem saber o nosso segundo CD “What a Fucking Waste of Life” foi lançado pelo selo mexicano EBM Records e pode ser encontrado no Brasil, e as músicas e lançamentos do HxHxLx também fazem parte do projeto God´s Cracked Skull. Como estávamos em tour por aí, recebemos convites para tocar com Homo Homini Lupus. Mas com certeza não nos próximos anos. O mundo é enorme e temos grandes planos para o futuro…, falaremos mais sobre este assunto quando for à hora!

Sabemos que na Europa sempre há festivais de Hardcore/punk, principalmente agora no verão. Qual deles é o mais interessante para você? Em qual deles gostou de tocar? Em qual gostaria de participar?

Há vários festivais de verão onde nunca tocamos, pois esta é a época do ano quando eu e meus colegas de banda temos mais obrigações e trabalho. Mas com certeza temos a intenção de visitar estes festivais que são em sua maioria no norte da Europa. O Monte Paradiso hardcore punk festival de Pula que faz aniversário ano que vem, é uma grande parte das nossas vidas, já que somos grande parte deste festival, que é por isto o nosso favorito. Não são muitos festivais a ter dezoito anos de história.

Qual das suas bandas gosta mais e por quê? Conte-nos dos projetos de cada uma. Gosto de tocar com todas as minhas bandas. Não prefiro uma à outra porque elas são de estilos diferentes. Nulla Osta é mais hardcore, enquanto Homo Homini Lupus é mais crust – grind. Também fui membro de uma banda de metal chamada Mercenary Cockroack, no baixo obviamente, e tocávamos death – grind. Assim me divirto com cada banda de uma forma diferente. Sobre os planos… Posso dizer que ambas Nulla Osta e Homo Homini Lupus estão preparando material novo que devemos gravar nos próximos meses. Há um tour na Grécia para Nulla Osta em breve. Estaremos em tour em outubro deste ano e depois voaremos ao Reino Unido para alguns shows.

Banda favorita, melhor letra, livro, filme e música.

A coisa mais apropriada a dizer é que não acredito em ídolos e não tenho um. Desta pergunta posso dizer que tenho muitas influencias em ramos diversos e que gosto de ler, assistir e ouvir muitas coisas bem diferentes.

Com qual banda mais gostou de dividir o palco? E com quais ainda gostaria de tocar?

Nestes anos todos tocamos com muitas bandas e seria impossível listá-las todas aqui. Tive a honra de dividir palco e van com muitos pioneiros da cena hardcore punk. Não tenho nenhum desejo de tocar com alguém especial. Mas cada experiência é única em aprendizado.

Um desejo. Uma decepção.

Mais lançamentos, mais turnês e amigos pelo mundo.

Dragan Matori em uma palavra.

Um eterno otimista.

Dragan Matori
E-mail: [email protected]
Myspace: www.myspace.com/nullaostapula
www.myspace.com/hhlpula
www.myspace.com/mercenarycockroach
Site: www.nullaostapula.tk

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Cremo é idealizador e fundador do Cultura em Peso, Asatrú, amante incondicional da fotografia e da cena underground, na qual vive intensamente há 16 anos. Formado em Redes para Computadores, é ex-vocalista das bandas La Tormenta (Grind) e Dead Bush (Punk), ambas de Minas Gerais. Ouve de Punk Rock a Metal Extremo, tendo como principais bandas na sua playlist Ratos de Porão, Napalm Death, Extreme Noise Terror, Circulo Activo, Amon Amarth, Elluvetie e Lacerated and Carbonized. Literalmente um Viking que não marca território: o mundo é sua morada. Lê constantemente sobre política, religião, história das guerras e a autodestruição humana que não aprendeu até hoje a viver com as diferenças. Some com a cena ou suma dela mesmo, agora!

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