Entrevista com Winny da Errana

 

Perguntas: Cremogema
Respostas: Winny Pazi

1- Winny Pazi qual o maior obstáculo para difundir a cultura gótica no Brasil e fazer a junção dela a música?

Primeiramente é importante ressaltar que a cultura gótica nada mais é que, não uma, mas varias formas de expressões artísticas, onde a “beleza” esta no lúgubre. Juntar um tema onde o terror, a morte, o amor e o sobrenatural encontram-se em meio a cenários medievais, conventos e florestas cheias de seres místicos é fácil, difícil é lidar com o “pré-conceito” existente até mesmo entre os ouvintes de metal no Brasil. E é justamente esse “pré-conceito” que acaba dificultando a divulgação da cultura gótica no Brasil.

2- Asperguntas clichês não podem faltar em uma entrevista; como surgiu a banda? Em que momento você decidiu reunir pessoas em prol do gothic metal?

No final de 2001, eu havia acabado de sair de uma banda de metal melódico, onde eu era vocalista, decidida a montar uma banda de gothic metal. Meu primeiro contato com esses estilo foi simplesmente apaixonante, a musica era Cassandra da banda Theatre of Tragedy, e houve naquele momento uma afinidade muito grande entre mim e o estilo. Essa musica é ainda hoje uma das minhas favoritas. Logo depois vieram bandas como Tristania (a qual eu tive o prazer de ir ao show em 2002), Within Temptation ainda com CD Enter, e várias outras. O próximo passo, e talvez o mais difícil naquela época, era encontrar bons músicos que tivessem afinidade e se identificassem com esse estilo, que naquela época era pouco conhecido. Foi então, que um amigo em comum me apresentou ao Thyago (guitarrista), e assim nasceu a Errana.

3- De onde surgiu a idéia de mesclar bossa nova a música da banda?

Essa mescla aconteceu de forma natural e muito espontânea. Talvez pelo fato de alguns dos músicos da Errana terem formação em musica popular, ou mesmo por causa das influencias de cada um. O fato é que tudo o que é ouvido em nossas musicas ocorreu naturalmente.

4- Em todos estes anos de banda, o que você pode nos reportar?

São sete anos de banda, e muitas, mas muitas historias, situações, pessoas. Coisas engraçadas e desagradáveis. Prefiro deixar as experiências desagradáveis de lado e tirar apenas o aprendizado, e relembrar as coisas engraçadas, os momentos especiais. Dentre esses momentos estão: o primeiro show, os primeiros fãs, a primeira música composta.

5- O que representou o lançamento do single “Gray Butterfly” para a Errana?

Após o lançamento da single Gray Butterfly as portas se abriram para a Errana. Conseguimos destaque na cena gótica nacional, ficando em primeiro lugar por meses em sites como PalcoMP3 (Terra) e Bandas de Garagem (Uol). Enfim, foi com “Gray Butterfly” que a Errana conquistou definitivamente seu espaço entre as melhores bandas de Gothic metal do Brasil.

6- De 2008 para cá quais foram as maiores mudanças na vida banda?

Após o lançamento da demo “Tears Machine” tivemos de nos adaptar a rotina de shows e a nova agenda da Errana. A banda passou a exigir mais de todos nós, afinal com esse crescimento surgiram novas oportunidades e junto com isso novas responsabilidades. Porem, mesmo eu passando a maior parte do meu tempo mergulhada nos assuntos da banda (afinal, além de vocalista sou também produtora da Errana), o que estamos recebendo em troca é muito maior do que qualquer esforço ou sacrifício, o reconhecimento do nosso trabalho é muito gratificante. Hoje a Errana esta tocando em várias rádios de vários países do mundo, como EUA, Romênia, Itália, França, Venezuela, Alemanha, Argentina, México, entre outros, ou seja, conseguimos conquistar um público dentro e fora do nosso país, e estamos muito felizes por representarmos o Gothic Metal nacional lá fora.

7- Bate e volta:
4 bandas nacionais: Seduced by Suicide, Thy Light, My Threnody e Miasthenia
4 bandas internacionais: Anathema, Amorphis, My Dying Bride e Hypocrisy
1 livro: Para além do bem e do mal – Friedrich Wilhelm Nietzsche
1 cd: Aégis – Theatre of Tragedy
Nos tempos livres: Cantar, dança do ventre, ler, internet, teatro, cinema, fotografia, shows….arte em todas as suas manifestações.
Uma frase: Me ame ou me odeie é o mais ou menos que incomoda.

8- O sucesso que vem tendo desde 2008 é fruto de segredo?
Não há segredos. Há sim, muito trabalho, dedicação e divulgação.

9- Quais as novidades que você pode revelar sobre o álbum que sai este ano?

Bom, posso adiantar apenas, que nosso novo CD será temático e esta provisoriamente intitulado de Aeon.

10 – Quais os desejos da banda para este ano?

Esperamos que 2009 seja tão surpreendente quanto foi para nós, 2008. E é claro esperamos que nosso novo CD dê continuidade ao trabalho que iniciamos com o lançamento da nossa demo “Tears Machine”.

11- Como é realizada a produção das músicas e letras da banda?

“Tears Machine” foi composta de forma tranqüila e natural. As letras já estavam prontas e foram compostas entre 1998 e 2002 por mim mesma. O que fizemos no processo de composição da demo, foi trabalhar as idéias uns dos outros, transformando e moldando essas idéias a outras idéias, e assim sucessivamente. Já no nosso novo trabalho, pelo fato de Aeon ser um Cd temático, a composição das músicas dependente muito das letras, que por sua vez dependem do tema central. Sendo assim, esta é uma nova forma de compor músicas para a Errana, porém não menos divertido e envolvente.

12- Influências?

Cada um dos músicos da Errana tem uma influencia diferente, por exemplo, eu mesma adoro o doom, black e death metal melódico, porém temos o William (teclado) que gosta mais de metal tradicional, o Cido (baterista) já gosta mais de melódico, love metal, o Rodrigo (baixo) curte um prog metal, então fica difícil dar uma referência sobre as influencias da banda. Costumo dizer que, como no inicio da banda tocávamos covers de bandas como Within Temptation, After Forever, Tristania, Trail of Tears, Lacuna Coil, etc, essas as principais influencias da banda.

13- Defina a cultura gótica e qual a diferença para os centros europeus?

Como eu disse no inicio da entrevista, a cultura gótica é uma cultura rica e cheia de raízes em todos os aspectos artísticos. Você encontrará a cultura gótica presente na literatura, na música, escultura, pintura, arquitetura entre outras manifestações da arte. Pra mim a maior diferença entre a cultura brasileira e a européia esta na forma de interpretar esta cultura. Enquanto a cultura gótica européia esta sempre criando e se modificando a brasileira simplesmente imita. O brasileiro precisa entender que não existe o termo “Ser gótico é…”, não há porque ficar procurando um padrão para o ser ou não ser gótico até porque o gótico é um movimento artístico e sendo assim, esta sempre se transformando e se renovando, criando dessa forma novas raízes. Musicalmente, posso dizer que não há novidades entre as bandas brasileiras de Gothic Metal, ouvindo a maioria delas a impressão que temos, é de que suas composições são exatamente iguais. Agora, compare as bandas de Gothic Metal da Europa, mesmo sendo do mesmo estilo, existe uma diferença musical muito grande entre uma banda e outra, e é sobre isso que estou falando. Não quero que me julguem erroneamente, não estou generalizando as bandas nacionais, afinal no Brasil há excelentes bandas de Gothic Metal como a Silent Cry, a Ravenland, a Noturna, entre outras, que fique claro aqui, que cito apenas o meu ponto de vista em relação a musicalidade entre as bandas da Europa e as bandas do Brasil.

14- Mensagem da banda?

A Errana agradece a todos os amigos, fãs e colaboradores, porque se não fosse o apoio de vocês, não chegaríamos onde estamos hoje.
Obrigada Cremogema pela oportunidade e apoio.

15 – Contatos?

E-mail: [email protected]
MSN: [email protected]
Fone: (19) 9113.9316 Winny Pazi
(19) 9195 4546 Thyago Bachin

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Cremo é idealizador e fundador do Cultura em Peso, Asatrú, amante incondicional da fotografia e da cena underground, na qual vive intensamente há 16 anos. Formado em Redes para Computadores, é ex-vocalista das bandas La Tormenta (Grind) e Dead Bush (Punk), ambas de Minas Gerais. Ouve de Punk Rock a Metal Extremo, tendo como principais bandas na sua playlist Ratos de Porão, Napalm Death, Extreme Noise Terror, Circulo Activo, Amon Amarth, Elluvetie e Lacerated and Carbonized. Literalmente um Viking que não marca território: o mundo é sua morada. Lê constantemente sobre política, religião, história das guerras e a autodestruição humana que não aprendeu até hoje a viver com as diferenças. Some com a cena ou suma dela mesmo, agora!

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