Estado Deplorável

 

Perguntas: Prude

Respostas: Ismael

1-Este ano vocês lançaram o álbum ORDEM E PROGRESSO, que mostra uma excelente produção com instrumental e letras muitos bons. Fale do processo de produção do disco.

Bem, cara. Pra falar do álbum ORDEM E PROGRESSO teremos de voltar a 2006, quando lançamos a demo Medíocre Sociedade. O produtor daquela demo foi Darlon Souza, o mesmo do cd e, de alguma forma, sempre foi um “quinto integrante” da Estado. Unindo as nossas influências toscas, a nossa caminhada no underground e o vasto conhecimento musical do Darlon a gente conseguiu chegar à nossa identidade como banda. O álbum de estreia da gente foi um apanhado das três primeiras demos com algumas composições novas. As letras já estavam prontas em sua maioria e algumas saíram durante as gravações, como “41”. A produção foi toda por conta do Darlon com pitacos da galera da banda. Eu quebrei o pé na época das gravações, não podia dirigir e o Darlon tinha que me buscar em casa pra gravar. Ele ficava bem puto com isso e acho que este fator contribuiu bastante também.

2-O disco foi prensado com verbas de incentivo à cultura, certo? Como foi para conseguir tais verbas?

A lei de incentivo à cultura favorece este tipo de empreendimento sem prejudicar outros setores mais carentes do atendimento público. As verbas são descontadas das empresas e repassadas à União. O município, por sua vez apresenta projetos e estes são financiados com estes recursos. Felizmente a gente foi contemplado com 100% das verbas necessárias para a produção do álbum. Não sei até hoje quais foram os critérios para seleção do nosso projeto, mas posso afirmar que a seriedade das letras e da proposta da banda contribuiu pra isso.

3-Vocês colocaram o disco para download gratuito mesmo existindo sua versão física. Por que desta atitude por parte da banda?

Poxa, nesta hora temos de ser coerentes. O álbum foi pago com dinheiro público, certo? Como iremos cobrar das pessoas para ouvi-lo? Sem contar que se dependêssemos da musica pra viver morreríamos de fome. Acho que esta história de as bandas se sentirem ofendidas com download é mais coisa de gravadora que propriamente dos músicos. As gravadoras que se fodam, eu mesmo baixo gigas e gigas de música.

4-A parte sonora chama muita atenção de cara, mas após mais algumas ouvidas e lendo as letras no encarte, percebem-se letras muito bem escritas. Quem as escreve?

As letras são escritas na maioria por mim, Ismael, e pelo antigo guitarrista, Marcelo. Entretanto todos na banda dão pitaco, tipo, “essa letra aí tá muito idiota” ou “dá pra melhorar?”, e ainda com a entrada do João na banda acrescentou-se em criatividade sonora e agressividade.

5-O que te influencia na hora de escrever as letras e compor as músicas?

O cotidiano. As letras aparecem na cabeça e temos de escrever na hora, em qualquer pedaço de papel ou até guardanapo. Se não for assim, elas somem e não voltam nunca mais.

6-Como é ter uma banda de punk rock no interior catarinense, há uma cena e consequentemente, um circuito de shows?

Eu não vou aqui ficar chorando que é difícil, não tem espaço e blá blá blá. Sabemos da nossa realidade e insistimos em fazer musica punk. Fazemos porque gostamos e não pra agradar determinada cena ou tipo de pessoas. Quem gostar, gostou. Mas a maioria não gosta (risos).

7-Voltando a falar do álbum, como está a repercussão?

Tá bem legal cara. Esses dias eu abri um blog da Turquia com uma resenha do álbum e o link pra download. Mesmo não entendendo nada do que estava escrito lá, achei o máximo! Porra! Estão nos ouvindo na Turquia!!!

8-Fazer turnês fora de Santa Catarina está nos planos ou é difícil conciliar banda e vida particular dos integrantes?

Queríamos fazer turnê pelo MUNDO! Alô, galera da Turquia, chamem a gente!

9-Gostaria que tu falasse do que te influenciou a ser e a montar uma banda punk, desde música, literatura e até filmes.

Uma banda chamada Ramones e um cara chamado Nietzsche. Somados a filmes B. Acho que foi isso. É um clichê fudido falar que gosta de Ramones né? Mas foi o início de tudo. Se não fosse essa banda talvez não conheceríamos o Cólera, Garotos, Ratos, Cock SParrer, La Polla Records, 4 Skins, Angelic Upstarts, Agnostic, Sepultura, Rancid, Social Distortion, Lynyrd Skynyrd, Menudo, Justin Bieber e Lady Gaga (risos).

10-Muito obrigado pela entrevista. Pra encerrar, fale dos planos futuros da banda.

A gente é que agradece. Temos planos de lançar um novo álbum em 2011 e continuar a saga da ESTADO pelas ciladas em que a gente se mete. Queremos ainda fazer uma parceria com o RESTART e cantar no show de fim de ano com o Roberto Carlos. Se conseguirmos tudo isso, só faltará dar um selinho na HEBE. Tomara que ela esteja viva até lá.
http://www.myspace.com/estadodeploravel

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Cremo é idealizador e fundador do Cultura em Peso, Asatrú, amante incondicional da fotografia e da cena underground, na qual vive intensamente há 16 anos. Formado em Redes para Computadores, é ex-vocalista das bandas La Tormenta (Grind) e Dead Bush (Punk), ambas de Minas Gerais. Ouve de Punk Rock a Metal Extremo, tendo como principais bandas na sua playlist Ratos de Porão, Napalm Death, Extreme Noise Terror, Circulo Activo, Amon Amarth, Elluvetie e Lacerated and Carbonized. Literalmente um Viking que não marca território: o mundo é sua morada. Lê constantemente sobre política, religião, história das guerras e a autodestruição humana que não aprendeu até hoje a viver com as diferenças. Some com a cena ou suma dela mesmo, agora!

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