Geração XXI

Todos sabem que estamos vivendo a contemporaneidade, nesse contexto encontramos vários avanços e muitos regressos, sejam eles de ordem social, política, ambiental, cientifica etc. Porém, o ponto ou o foco principal do assunto ao qual quero abordar diz respeito a um vício social, comportamento ou conduta nociva as novas gerações, já que se tratando de futuro dependemos muito dos jovens, pois estes são os principais construtores do que há de vir pela frente.
Com o início da era virtual, da informática, dos avanços tecnológicos ocorreu que a população mundial sofreu em curto prazo mudanças bruscas nos quesitos comportamental, cultural e social. São notórias essas mudanças, uma vez que termos como web, download, byte são bem comuns ao nosso vocabulário no dia-a-dia e objetos como celular, computador, palm top e equipamentos eletrônicos diversos já são dominados facilmente pelos jovens. Então, será que com todas essas modificações e globalização da informação as novas gerações estão bem mais preparadas para lidar com os problemas-clichê do nosso planeta do que as gerações passadas?
A geração do século XXI em sua maioria está deixando de lado hábitos saudáveis e construtivos como a leitura, a criação de discussões de cunho sócio-político, a busca por conhecimento, o questionamento do mundo vivido e cultivando cada vez mais coisas fúteis, superficiais, imediatistas, modismos e lixo cultural supérfluo passageiro. As conseqüências dessa nova postura se refletem diretamente na sociedade em geral, pois colhemos o que plantamos e todas as ações sociais produzidas por nós vão formular o mundo que iremos viver. A memória da população (principalmente dos jovens) sofreu, sofre e sofrerá enquanto não agirmos um corte brutal provocado pela desinformação e por uma política de Estado repressora e manipuladora destinada a apagar o passado (para não aprendermos com ele), já foram muitos anos de deliberada ocultação e manipulação de fatos históricos, não permitamos mais isso. Se cultivarmos valores retrógrados e lixo cultural nunca teremos uma civilização sábia e livre de verdade, sendo que estas ações a serem desenvolvidas e executadas são primordiais para se alcançar a emancipação do homem pelo homem. Não culpo totalmente os jovens por agirem assim, já que a parcela maior é das elites que preferem omitir verdades e fatos ou manipulá-los, mantendo dessa forma mais uma geração apática, conformada e alienada, assim se torna bem mais fácil para os dominantes manter o poder e a opressão sobre os menos favorecidos. Porém, todos nós ao menos uma vez na vida temos a oportunidade de conhecer novos horizontes, novas possibilidades, novos caminhos que nos levem a ser um ser humano melhor e com conhecimento para ser livre das artimanhas de pequenos grupos oligárquicos que tentam criar impérios de dominação, basta cada um de nós agarrar com unhas e dentes essas oportunidades, pois podem ser únicas.
Se você perguntar a várias pessoas (principalmente jovens) se elas possuem computador ou já foram a uma lan house, se têm alguma conta ativa em sites de relacionamento (Ex: Orkut) ou se sabem manusear um computador ao menos basicamente, com certeza você vai perceber um número alto de indivíduos que têm acesso e dominam essas coisas. Mas quando perguntamos de que forma cada uma dessas pessoas usa essas ferramentas virtuais e eletrônicas, constatamos que a utilidade dada pela maioria não tem como objetivo construir ou acrescentar boas idéias ao mundo que vivemos. Um bom exemplo disso são as inúmeras “comunidades” idiotas e fúteis existentes na internet, sejam em blogs ou sites. Não entendo como um ser humano em sã consciência perde seu tempo fazendo páginas de idolatria e admiração a sujeitos como Paulo coelho, Belo, Carla Perez, Luciana Gimenez, Brad Pitt, Lula, FHC, Bush, Barack Obama, mulher tamarindo/goiaba/melancia/pé-de-moleque/açaí e toda essa corja de idiotas da mídia. E nem comentei sobre os imbecis mor que se rasgam todo e até brigam pela televisão na hora da novela e dos reality shows estúpidos que alimentam a bestialidade da ignorância humana, este tipo de gente passa seu tempo livre consumindo excrementos audiovisuais que controlam suas vidas sem elas ao menos perceberem, vão envenenando-se até chegar o fim de suas miseras existências vazias.
Quando escrevo estas linhas me vem à mente um tanto de gente que foi importante para a construção do que sou hoje. Nomes que jamais iremos encontrar (a maioria deles) em jornais, revistas ou TV. São nomes que considero importantes pelo que produziram como seres humanos e não apenas como parasitas midiáticos. Trago dentro de mim memórias e conhecimentos vivos, que de certa forma fazem com que eu tenha força, coragem e preparo para bater de frente com o mundo “normal” á que somos obrigados a aceitar. Sinto uma vergonha alheia com um misto de revolta quando indago um jovem da mesma geração que eu sobre algum assunto político básico ou qualquer tema que é de interesse público e ele não faz a mínima idéia do que se trata. Esse quadro nada mais é do que reflexo dessa nova safra de jovens idiotas que ficam horas em frente a um computador dopando suas mentes com assuntos e coisas escatológicas achando que são espertos e inteligentes por estarem inseridos no mundo virtual, nem percebem que isso é uma falsa impressão de liberdade, que poderiam usar o computador e a internet como mais uma ferramenta de mudança social, política e cultural. Os poucos jovens com as características desprezíveis que estou descrevendo, quando resolvem ler alguma coisa geralmente são os recadinhos dos perfis de seus amigos da esquina de sua rua, o site de fofocas dos atores mais “quentes” do momento, o blog da Britney Spears, a revista tititi, o livro de auto-ajuda de 1,99, as liquidações da vitrine do shopping e todos os besteiróis “enlatados” que disponibilizam para consumirmos.
Diga-me quem foram as pessoas que serviram como influência para formar sua personalidade que te direi quem tu és! Que livro você me aconselharia a ler? Que pessoas você considera importante e por quê? São afirmações e perguntas básicas que diz muito de um sujeito. Não é o fato de você usar MSN, Orkut, My space etc. que o faz ser uma pessoa vazia e superficial, mas sim o uso alienado dessas ferramentas. As aplicações inteligentes e construtivas desses novos meios de comunicação são a chave para alicerçarmos uma civilização mais justa e livre, uma vez que através desses condutores de informação podemos alcançar diversas pessoas no mundo todo, criando desta forma uma grande rede de conhecimento que gere uma nova sociedade. Vamos deixar de tolices e imbecilidades que não acrescentam nenhum beneficio ao nosso planeta, vamos começar a agir de forma coletiva destruindo o individualismo competitivo capitalista, vamos despertar para a vida real, chega de pegar assuntos mastigados e pela metade, vamos pesquisar, ganhar conhecimento, não permitamos ser mais uma geração perdida e conformada, vamos alimentar e fortalecer as mentes e o nosso intelecto para acordarmos do domínio direto e velado que existe sobre todos nós. Leia! Questione! Procure o porquê dos por quês! Isso não é uma utopia, buscar isso não é uma utopia, apenas nos fizeram crer que é. Em todos os tempos existiram jovens conscientes, politizados, críticos, alienados, perdidos, rebeldes, modistas, inteligentes, superficiais, criativos e todos os adjetivos bons e ruins que você conheça e queira usar. Isso nunca foi privilégio da atualidade, no entanto temos em mãos nos dias de hoje “armas” poderosas e meios suficientes para darmos um passo a mais na evolução humana, contudo não me refiro a “evolução” capitalista que só destrói a natureza e o próprio homem para fins econômicos e de dominação, falo de uma evolução sustentável, cooperativa, que ande junto aos princípios ecológico-ambientais, que valorize a vida, a amizade, o amor, a paz, o respeito mútuo e a liberdade.
Não podemos generalizar, pois não são todos os jovens que estão alheios a tudo que está acontecendo ao nosso redor, no entanto existem muitos deles que focam e gastam muita energia em condutas, movimentos ou grupos sociais que só geram mais desgraças, malefícios e violência. Posso citar como exemplo, torcidas organizadas, gangues em geral entre outros mais que desperdiçam sua vida e tempo praticando tolices e alienação, já que poderiam estar canalizando toda sua força e juventude na mudança social, cultural e intelectual do nosso planeta para assim iniciarmos uma nova sociedade embasada na liberdade, respeito, amor e cooperativismo. Muitas pessoas não fazem nem idéia do que seja o “Terrorismo Midiático” ou a manipulação de informações de empresas de comunicação que utilizam notícias falsas e tendenciosas para agredirem de forma massiva e permanente povos, governos (não que eles sejam totalmente bons), etnias, grupos sociais etc. que lutam pela paz, justiça social, inclusão liberdade e outras questões, já que estas pessoas estão bem distantes da informação útil e atoladas em uma fossa de alienação. Estes indivíduos desconfiam e não crêem no que elas desconhecem, por isso quando alguém fala que a coca-cola promove guerras fica difícil delas engolirem essa história, pois formam sua opinião através da mídia em geral e de pessoas “influentes” da TV, ou seja, já que não passou no jornal das oito que a coca-cola é uma multinacional criminosa, os fantoches nunca acreditarão, mas como iria passar tal fato nas redes de comunicação se por trás dos bastidores encontra-se a poderosa coca-cola como grande investidora e patrocinadora de tudo e de todos? Isso foi só um exemplo da falta de informação que nos deixa a mercê dos poderosos. Eles ditam regras, leis, condutas, preceitos, conceitos, princípios e toda uma gama de situações do nosso cotidiano que não conseguimos captar a “olho nu”. Somente buscando informação, nos intelectualizando podemos romper as rédeas da dominação, e não me refiro a conhecimento didático que adquirimos em escolas e universidades não, estes são extremamente importantes, mas não e o bastante, temos que ir além do conhecimento formal advindos dos “tetos do saber”, já que eles refletem a ideologia estatal na esmagadora maioria das instituições educacionais. Precisamos “discutir” com os autores nas entrelinhas dos livros, não devemos absorver sem questionar os argumentos, leiam diversas opiniões sobre o mesmo assunto, reflitam e tirem assim suas conclusões sobre o que você leu e absorveu.
Geralmente gerações mais antigas e sem nenhuma instrução tecnológica por vezes acusam os jovens que usam o computador e a internet de serem “perdidos” e alienados devido ao uso dessas ferramentas, porém a análise destes sujeitos é equivocada pelo fato de não conhecerem realmente o computador, o mundo virtual e toda sua potencialidade, pois como foi citado antes as pessoas temem o que não compreendem. O pré-julgamento feito a respeito dos jovens pelos mais antigos é construído a partir do resultado do mau uso destas tecnologias, já que boa parte da nossa geração está perdendo uma ótima oportunidade de causar um impacto positivo na nossa existência, porque usam de forma indiscriminada e inútil essas “armas” tão poderosas, dessa forma é gerado esse distanciamento e conflito dos mais velhos com os mais novos. O discurso praticamente é o mesmo da geração passada, frases como “No nosso tempo não era assim…”, “a juventude de hoje não é como a de antes” são bem comuns de escutarmos, daí começa uma seqüência de comparações entre o passado e o presente que não levam a nada e só cria um vácuo imenso entre as gerações.
Todos sabem que a internet é um grande meio de comunicação em massa, por este motivo automaticamente ela se converte em uma faca de dois gumes, tanto pode produzir o bem como o mau. A grande rede se torna uma alienação quando as pessoas não a usam com o objetivo de construir algo bom, quando é posta como ferramenta de destruição e disseminação de futilidades. A internet vicia, o entretenimento digital é fácil e convergente, isso atrai muitas pessoas. Nenhuma idade está livre de se viciar na internet, tanto que alguns a chamam de “máquina do capeta” (kkkkk) ou “droga do século XXI”. O essencial é ter consciência de seu uso, de que sua saúde, vida, liberdade e contexto social hoje têm ligação direta com o mundo virtual, acredite ou não, e que ainda existe vida fora da internet! O momento não é só para festa. É tempo de refletir, planejar e executar ações sobre o futuro da humanidade ou ela pode em pouco tempo não existir mais (o que não faria muita falta ao planeta). E para todos… bons acessos e até a próxima.

Exorcizado por: Márcio “Pigmeu”

 

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Cremo é idealizador e fundador do Cultura em Peso, Asatrú, amante incondicional da fotografia e da cena underground, na qual vive intensamente há 16 anos. Formado em Redes para Computadores, é ex-vocalista das bandas La Tormenta (Grind) e Dead Bush (Punk), ambas de Minas Gerais. Ouve de Punk Rock a Metal Extremo, tendo como principais bandas na sua playlist Ratos de Porão, Napalm Death, Extreme Noise Terror, Circulo Activo, Amon Amarth, Elluvetie e Lacerated and Carbonized. Literalmente um Viking que não marca território: o mundo é sua morada. Lê constantemente sobre política, religião, história das guerras e a autodestruição humana que não aprendeu até hoje a viver com as diferenças. Some com a cena ou suma dela mesmo, agora!

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