Questões de Gênero no meio Punk!

 

Será que existe mesmo preconceito com relação à presença feminina dentro da cena punk?

Primeiramente gostaria de deixar bem claro que esse texto não foi escrito para este, aquele ou aquela pessoa, mas sim como forma de desabafo a muitas coisas sujas que vem acontecendo dentro e fora do meio punk. Não é minha intenção apontar o dedo na cara de ninguém, ou fazer algum tipo de generalização inconseqüente. O que faço aqui é colocar algumas questões que vem me chateando, bem como, acredito eu, também a muitas outras garotas punks no Brasil; no que diz respeito a certas atitudes sujas e descaradas, que vem sido tomada por parte de muitos indivíduos ditos punks.
Alguns indivíduos se acham no direito de tratar garotas punks como objeto sexual, tentando transformá-las numa imagem quase perfeita da submissão feminina mascarada de liberdade ou até mesmo como exemplo de falta de intelecto e vontade própria são os protagonistas do problema, o qual descrevo. Achar que uma garota só possa ter voz ativa no meio punk apenas se estiver com alguma figura masculina ao seu lado é de fato algo muito decepcionante.
É desanimador observar tal percepção em indivíduos que, a meu ver, deveriam ser os primeiros a abolir tal tipo de reprodução de comportamento depreciativo por parte de toda uma sociedade. Bem sei que, como qualquer ser humano, um indivíduo punk não é melhor nem pior do que qualquer outra pessoa que não tenha escolhido essa filosofia de vida, mas espera-se o mínimo de bom senso em questões relativas a preconceito, discriminação, entre tantas outras coisas vis que circundam o meio em que vivemos é reflexão básica de um indivíduo que tenha envolvimento com cultura punk.
Nenhuma garota gosta de ser ou se sentir leiloada, desprezada, disputada em algum joguinho medíocre, taxada de burra, vazia e desinteressada em conhecer sua própria cultura. Convenhamos que, de fato, não é a imagem mais desejada que qualquer pessoa queira ter. É difícil imaginar como um indivíduo envolvido com cultura punk possa ser tão viciado em reproduzir costumes que diz ele combater, ainda por que é muito comum presenciar atitudes machistas e depreciativas com relação às garotas envolvidas com o meio punk. O que leva alguém a pensar que possa se considerar superior à outra pessoa, apenas pelo seu gênero?
É de fato muito embaraçoso presenciar esse tipo de comportamento. Muito dos valores agregados em nossa sociedade estão embutidos em nossa cena de forma tão avassaladora que por vezes chega a assustar. Nós, garotas punks, ao contrário do que se pensa, somos uma parte forte deste movimento que cresce a cada dia, temos nossas opiniões e apesar de a maioria não ser provida de força física propriamente dita, nossa capacidade intelectual e motivacional não nos difere em nada de qualquer pessoa que faça parte do meio punk. Estamos espalhadas por aí produzindo, tocando, nos informando, vivenciando o punk da forma mais sincera que possa ter.
Enquanto existirem indivíduos com esse tipo de concepção, esta discussão se fará necessária. E espero sinceramente, que as coisas comecem a tomar um novo rumo no que diz respeito à forma de tratamento entre homens e mulheres não só no meio punk, mas no mundo em geral.
(por: Välériä Rå Pünx)

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Cremo é idealizador e fundador do Cultura em Peso, Asatrú, amante incondicional da fotografia e da cena underground, na qual vive intensamente há 16 anos. Formado em Redes para Computadores, é ex-vocalista das bandas La Tormenta (Grind) e Dead Bush (Punk), ambas de Minas Gerais. Ouve de Punk Rock a Metal Extremo, tendo como principais bandas na sua playlist Ratos de Porão, Napalm Death, Extreme Noise Terror, Circulo Activo, Amon Amarth, Elluvetie e Lacerated and Carbonized. Literalmente um Viking que não marca território: o mundo é sua morada. Lê constantemente sobre política, religião, história das guerras e a autodestruição humana que não aprendeu até hoje a viver com as diferenças. Some com a cena ou suma dela mesmo, agora!

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