Itself

 

Entrevista realizada em 25/09/2009
Feita por Laurencce Martins
Com Ricardo Falcon (Itself)

Hey bangers, aqui é Laurencce Martins da sessão Death Metal do Cultura em Peso. Já que o assunto é Death Metal, falemos então do gênero. Hoje vai rolar uma entrevista com o guitarrista e baixista de uma banda que está se consagrando no cenário mundial da música extrema. Uma banda que recentemente lançou o álbum “Make My Suffer Short” e que teve nada mais nada menos que Nilton Wood fazendo participação na linha de baixo. Estou falando de ITSELF. Direto da capital paulista, o nome da vez é Ricardo Falcon.

1 – Fala Ricardo, como vão as coisas por aí?

Tudo certo Laurencce!
Antes de mais nada quero agradecer o espaço concedido.

2 – Cara, eu estava olhando o myspace de vocês e vi que os integrantes da Itself são Ricardo Falcon (você) e Estavan Furlan, apenas. Primeiramente eu queria você me explicasse que loucura é essa de fazer Death Metal com dois integrantes.

Loucura seria se tivessem mais integrantes hahaha. Chegou em um ponto que a banda estava sendo prejudicada pela falta de interesse de outros membros,então decidimos continuá-la em forma de dupla. Garanto que flui de uma maneira melhor e mais rápida. Banda é igual uma sociedade! (Já imaginou abrir uma empresa com mais 3 ou 4 sócios? é mais ou menos por aí que funciona). – Um é pouco, dois é bom e três é demais.

3 – Do que se trata o álbum Make My Suffer Short?

São basicamente canções de ninar com as temáticas meigas do que se passa na cabeça de um doente psiquiátrico, englobando desde um psicótico, esquizofrênico, até um serial killer. Make my suffer short significa alguém agonizando em uma cama, sem conseguir formar uma frase com nexo, apenas urrando palavras de uma dor interna.

4 – Como é o processo de composição da Itself?

A parte de composição é bem balanceada. Sempre fazemos pré produções em Protools para ouvir o que estamos tocando e conseguir fazer o melhor arranjo possível de letras, baixo etc.

5 – Eu soube recentemente que vocês estão se mudando para a Europa. Qual o objetivo da Itself no cenário do velho continente?

O objetivo é de divulgar nosso trabalho e alcançar novas oportunidades. O cenário europeu não é tão limitado quanto o daqui.

6 – O que você acha da cena brasileira?

A cena brasileira é limitada, tanto em questão de qualidade de produção quanto em público. Existem ótimas bandas por aqui, mas quando chega num ponto que você quer levar isso como um sustento e profissionalismo, você fica limitado e sem saída. Isso também responde o porque da ida para a Europa.

7 – E qual é a sua visão sobre a cena mineira?

Não gosto de separar por regiões (cena mineira, paulista, sulista…). Vejo a cena brasileira como uma só. Mas posso te garantir que a comida mineira é muito boa hahaha.

8 – Muitas pessoas aderem a música como um estilo de vida, independente de trabalhar com música ou não. Para você, a música representa um estilo de vida ou é só uma coisa que apenas vem a somar?

Hum, é muito abrangente isso. Mas acabou se tornando um estilo de vida pra mim, pois eu vivo em função disso, cada vez mais convivendo com produtores, músicos etc. A rotina muda muito.

9 – Quando você ouve ou lê a palavra Metal, o que vem à sua cabeça? Ou, qual a representação dessa palavra para você?

Sempre que eu leio a palavra metal sozinha sem um prefixo acompanhando, lembro da galera falando rock paulera hehehe. Para muitos representa algo underground; sujo, mas para mim representa algo trabalhado e que exige muita dedicação e estudo.

10 – Como você se envolveu com a música e quando você começou a ouvir Metal?

Cresci ouvindo rock, pois meu pai tinha uma banda, ele é guitarrista, porém não exerce mais tal função. Aos 7 anos de idade queria tocar bateria e fiquei na esperança de ganhar uma até os 10 anos. Como meu pai já tinha um puta equipamento bacana, acabei desencanando da bateria e fui aprender guitarra.
Queria ser músico, não importava se fosse guitarra ou bateria. Comecei ouvir metal aos 7 anos de idade com o basicão: Iron, Metallica, Megadeth etc.
Aos 10 anos foi quando comecei a ouvir alguma coisa mais pesada como Sepultura, Meshuggah, Pantera…

11 – Como foi trabalhar com Nilton Wood? Para você, o que especificamente ele acrescentou ao álbum Make My Suffer Short?

Foi ótimo trabalhar com ele! Fez 3 solos perfeitos no cd! O Nilton me deu muita ajuda também para eu conseguir gravar o álbum. Um ótimo professor!

12 – Você acredita em sorte? Você acha que as bandas que conseguem viver apenas de música no Brasil podem ser consideradas “sortudas”?

Sim, acredito na sorte, em estar na hora certa e no lugar certo. Mas do que adianta sorte se você não tem qualidade? As bandas de metal que conseguem viver só de música no Brasil tiveram que batalhar muito para chegar nesse ponto.

13 – Quais são as suas influências pessoais e as influências do Itself?

Ouço muito Technical death e death metal polonês. Tenho como influência também alguma coisa de jazz e música erudita.

14 – Além das influências do Metal, você tira inspiração de alguma banda que não seja do gênero?

Sim. Como disse acima, tenho influência da música erudita e de alguns elementos mais “recentes” da mesma como o dodecafonismo. Se é pra citar algum compositor serve como base Stravinsky.

15 – É difícil ver por aí uma banda em que o baterista é o vocalista. É bem ousado. Qual a sua percepção de se tocar em uma banda em que a voz vem lá de trás do palco?

Como estou acostumado, para mim é normal. Só muda o posicionamento de palco.

16 – Qual foi o show mais marcante que você assistiu e qual o mais marcante que você já fez?

Todos os shows que fizemos foram marcantes para mim porém o que teve um significado maior foi em Porto Alegre, na turnê do HATE e Destroyer666.
Fizemos um ótimo show e também presenciamos um ótimo show do HATE. Com certeza ficou para a história.

17 – O que você recomenda para as bandas que estão iniciando a trajetória no mundo da música?

Muito estudo, dedicação e planejamento.

18 – Jogo rápido:

Uma música: The fury – Decapitated
Uma banda: Vader
Um filme: Borat
Um livro: Humano, demasiado humano – Friedrich Nietzsche
Uma frase: O gênio é composto por 2% de talento e de 98% de perseverante aplicação. (Ludwig Van Beethoven)

19 – Bom pessoal, eu falei com Ricardo Falcon da banda Itself, que em breve mostrará o seu trabalho ao vivo também para o cenário europeu. Ricardo, muito obrigado pelo bate-papo. Nós, do Cultura em Peso, de Uberlândia e região desejamos todo o sucesso na caminhada da banda. Pra fechar, deixa uma mensagem para os bangers que visitam o Cultura em Peso, para os bangers brasileiros e para os fãs de Itself.

Muito obrigado pela entrevista Laurence!
Muito obrigado a todos também que nos acompanham e que nos dão suporte!
Quem ainda não conhece o trabalho da banda é só entrar no nosso website em forma de portal, podendo assim redirecionar para outros links ( Myspace, twitter, orkut etc.)

É Itself, é Death Metal, é PORRAAAADA!

 

Contato: http://www.itself.com.br

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Cremo é idealizador e fundador do Cultura em Peso, Asatrú, amante incondicional da fotografia e da cena underground, na qual vive intensamente há 16 anos. Formado em Redes para Computadores, é ex-vocalista das bandas La Tormenta (Grind) e Dead Bush (Punk), ambas de Minas Gerais. Ouve de Punk Rock a Metal Extremo, tendo como principais bandas na sua playlist Ratos de Porão, Napalm Death, Extreme Noise Terror, Circulo Activo, Amon Amarth, Elluvetie e Lacerated and Carbonized. Literalmente um Viking que não marca território: o mundo é sua morada. Lê constantemente sobre política, religião, história das guerras e a autodestruição humana que não aprendeu até hoje a viver com as diferenças. Some com a cena ou suma dela mesmo, agora!

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