Jallu Jari-Pekka

 

Perguntas: Joana

Respostas: Jari-Pekka

Jallu, você sabe que sou uma grande fã de The Phoenix Foundation e que amo suas letras. Tive uma oportunidade maravilhosa de ir ao show em Vastavirta (Tampere, Finlândia) em 2008 e fui presenteada com o álbum Falling e vários outros EPs de excelentes trabalhos seus. Conte-nos qual a maior diferença entre os dois últimos LPs. Ainda estou louca para ouvir o último, obrigada por me enviar!

O novo álbum é como um recomeço em vários níveis. As letras são basicamente sobre como superar um relacionamento destrutivo. È também um álbum de estréia com uma banda totalmente nova.

Como é para você tocar em bandas tão distintas como Wörm, TxPxFx e Kieltolaki. Há mais alguma que me esqueci de mencionar? O que podemos esperar de cada uma?

Estas são todas bandas onde compus a maioria das coisas, mas também toquei guitarra em The Stakeout e Bridget. Wörm foi um projeto que quisemos realizar com Jukka (Kämäset Levyt Records, Sotatila, Riistetyt) e Pena (Deep Turtle, Transkaakko). Desejo que a gente faça algo novo no future, mas sinceramente tenho minhas dúvidas. Jukka vive em Tampere e estamos todos muito ocupados com nossos outros projetos. Gravamos quinze novas músicas em abril para gravar um LP com Kieltolaki, deverá ser lançado pelo Feral Ward Records. Com The Phoenix Foundation gravamos quatro faixas que serão lançadas em dois split de sete polegadas. Um com uma banda australiana chamada Gifthorse, pelo Poison City Records and o outro com uma banda japonesa chamada Her Spectacles, que sairá em três selos diferentes.

Como ser um cara emocional entre a maioria dos punxs que prefere demonstrar o oposto?

Err… Sou emocional? Não me sinto muito diferente dos outros na cena. Apenas gosto de escrever sobre coisas pessoais, já que sinto que este tipo de Ietra se encaixa muito bem com o som da The Phoenix Foundation.

Conheço um pouco da sua arte gráfica, você ainda desenha e trabalha em capas de discos? Quais os novos projetos? Podemos organizar uma exposição aqui em Belo Horizonte?

Geralmente crio as capas das minhas bandas. Não desenho muito ultimamente. Curto trabalhar de forma “old school” com colagens. Acabei de fazer a capa do LP da Kieltolaki e também para o novo EP da Sotatila. Fiquei muito instigado e feliz quando Jukka me pediu para fazer esta capa. Eu não me importo em fazer artes para outras bandas que não as minhas. Poderíamos sim ter uma exposição, mas alguém deverá organizar para mim…

Brasil e Finlândia (Suomi) são países que tem uma grande identidade em função do hardcore/punk. Muitas de nossas bandas são e foram influenciadas pelas bandas daí. Ambos os países tem grandes bandas dos anos 80 e 90 que ainda estão ativas. O que pensa sobre isso?

O antigo hardcore finlandês é algo que cresci ouvindo, mas me interesso pelo old school hardcore/punk de todo o mundo. Gosto de algumas bandas antigas no Brasil como Olho Seco, Cólera e Ratos De Porão. Também amo as compilações paulistas de metal. É bom ver que bandas antigas ainda estão ativas e fazendo as mesmas coisas que faziam há anos e anos. Eu planejo estar ativo na cena pelo resto da minha vida.

Pensa em uma tour latino-americana? Quando nós brasileiros poderíamos esperar por isso?

Amaria fazer isso, mas não vejo ainda objetivo concreto, já que nunca lançamos nenhum trabalho nosso por estas bandas. Assim, não creio que há muita gente que sequer ouviu The Phoenix Foundation ou Kieltolaki. Mas com certeza estou muito interessado na possibilidade um dia…

O que espera da cena punx européia e finlandesa nos próximos anos?

Novas bandas e modas vêm e vão, mas sempre há gente importante ativa na cena. Espero que estes continuem e que sempre apareçam pessoas novas também. Não sei exatamente o que esperar do futuro, mas que continue como sempre foi no sentido independente e genuíno D.I.Y.

Sei que você é vegan e que isso é bastante comum aí na Suomi e na Europa, principalmente entre punks. Há quanto tempo é vegan e em quais aspectos este hábito modificou sua vida? Sente falta de comer carne, por exemplo?

Sou vegan desde 1995. Não sigo nenhum tipo de política há algum tempo e sinceramente não me importo se os outros têm. Realmente foi uma coisa de punk a fazer, mas agora já estou muito acostumado para mudar meus costumes. Tenho certa repulsa a carne, ovos ou qualquer derivado de leite, assim nunca senti falta disso. Fui diagnosticado intolerante a lactose quando criança, dessa forma já não utilizava muito leite e derivados. Também adoro cozinhar, acho que a comida deve ser bem variada, costumo trocar a carne por tofu, soja ou “seitan” caseiro.

Quais são as suas bandas favoritas, artistas, livros, músicas, letras e filmes?

São muitas bandas para listar. Escuto muita coisa diferente. Antigo hardcore punk escandinavo (Kaaos, Riistetyt, Varaus, Mellakka, Anti-Cimex etc), anarcho punk inglês (The Mob, Zounds, Omega Tribe, Rudimentary Peni, Alternative etc), bandas de metal dos anos 70 e 80 (Black Sabbath, Deep Purple, Motörhead, Judas Priest, Dio, etc), punk melódico (Hüsker Dü, Political Asylum, Rites of Spring, Moving Targets, Leatherface, etc). Amo bandas como Amebix, Discharge, Crucifix, Joy Division, Bauhaus, etc e etc… A lista seguirá para sempre. Nunca li muito, mas gosto de passar meu tempo vendo filmes. Ultimamente tenho assistido muitos italianos dos anos 70 e início dos anos 80. Filmes de Lucio Fulci, Ruggero Deodato, Dario Argento, etc. Também admiro muito os trabalhos dos diretores Alejandro Jodorowsky, Jan Svankmajer, Rolf De Heer e Shinya Tsukamoto, para nomear alguns.

Expresse suas ambições e gritos.

Não tenho muitas ambições e planos. Apenas tento ser feliz e fazer as coisas que amo. Se alguém se diverte ou se inspira com as coisas que faço, isso é sempre bom. Espero viver minha vida com o mínimo de trabalho desagradável e com muito tempo para mim e para as pessoas que gosto. Esta é a coisa mais importante…

Acabo de receber o último álbum da The Phoenix Foudantion e posso dizer que está simplesmente maravilhoso! Todos os amigos que tiveram oportunidade de ouvir também amaram.

Jari-Pekka “Jallu”

E-mail: [email protected]
Myspace: www.myspace.com/phoenixfound
www.myspace.com/kieltolaki

Comentários

comentários

Cremo é idealizador e fundador do Cultura em Peso, Asatrú, amante incondicional da fotografia e da cena underground, na qual vive intensamente há 16 anos. Formado em Redes para Computadores, é ex-vocalista das bandas La Tormenta (Grind) e Dead Bush (Punk), ambas de Minas Gerais. Ouve de Punk Rock a Metal Extremo, tendo como principais bandas na sua playlist Ratos de Porão, Napalm Death, Extreme Noise Terror, Circulo Activo, Amon Amarth, Elluvetie e Lacerated and Carbonized. Literalmente um Viking que não marca território: o mundo é sua morada. Lê constantemente sobre política, religião, história das guerras e a autodestruição humana que não aprendeu até hoje a viver com as diferenças. Some com a cena ou suma dela mesmo, agora!

Matérias relacionadas