Krow

 

 

Entrevista realizada em 23/10/2009
Feita por Laurencce Martins e Luís Felipe
Com Joca Ribeiro e Mark Sanchez

Fala galera. Aqui é Laurencce Martins juntamente com Luís Felipe, da sessão Death Metal do Cultura em Peso, hoje cobrindo o Jambolada 2009, um dos maiores festivais de música independente do país. Vamos falar agora com uma das bandas que tem conseguido um respaldo nacional, que recentemente lançou o seu primeiro full-lenght e que amanhã vai dividir o palco com nada mais nada menos que o Sepultura. Estou me referindo à banda Krow.

Laurencce: Começando com a pergunta clássica, qual a expectativa pro show de amanhã?

Mark: A expectativa é grande, eu acho que por a gente estar tocando em um festival que já tem um certo renome nacional, assim como tocar com uma banda que eu cresci ouvindo, que é o Sepultura. Então a gente tem que mostrar o porquê a gente está na cena aqui.

Laurencce: E qual é a sensação, ou o que vocês estão sentindo, de tocar com essa banda de renome mundial que é o Sepultura?

Joca: Falar que nós não estamos nervosos seria mentira (risos). Estamos nervosos pra caramba, mas é um “nervoso” em termos de “ansioso”. Estamos querendo subir no palco, estamos na garra, na loucura. Queremos subir e fazer o melhor show das nossas vidas e mostrar pra galera que nós estamos aqui pra crescer e não pra morrer. E nós temos muito orgulho de tocar com os caras (Sepultura), pois eles são daqui, são de Minas. E isso, aqui no Brasil e lá fora, só cresce, poder dizer: “Minas Gerais tem metal extremo”. Famoso Triângulo Satânico Mineiro (risos). Então, existem várias bandas gigantes, só que Sepultura e Sarcófago são lendas, e a gente tocar com uma dessas lendas é um negócio que é difícil de descrever.

Laurencce: A Krow é uma banda relativamente nova, porém vocês já estão começando a ganhar espaço no cenário nacional e internacional, uma vez que vocês já estão com uma turnê agendada no Chile. Como é olhar pra trás e ver essa rápida ascensão que vocês tiveram na cena?

Mark: Eu acho que é conseqüência de muita garra. A gente abraçou mesmo a causa, e falamos pra nós mesmos: “é o que a gente quer, então temos que dar o sangue””. Então é negócio é se organizar, em relação ao tempo, investir grana, pois não adianta você ficar parado no seu quarto que as coisas não vão acontecer. E eu me sinto muito orgulhoso de começar a crescer no cenário do Triângulo mesmo. É um orgulho, cara, pois tem muita banda boa aqui, e a gente está numa fase muito boa de safra de bandas, e fazer parte disso é bem legal e surpreendente, pra falar a verdade.

Laurencce: Como está sendo a recepção do Before the Ashes?

Joca: Cara, o Before the Ashes foi lançado no mês de agosto. Nós fomos até Fortaleza e tocamos num festival lá sensacional (Forcaos), junto com a Funeratus, que é uma banda das antigas, o Taurus também, e o Violator, da cidade Mococa, que é uma cidade de um dos nossos selos (FreeMind), grande “Balan”. E então, cara, eu vejo assim, algumas músicas que você imaginava que seriam as mais fortes do disco, para o público acaba não sendo. Então algumas outras músicas o público acha muito mais interessante do que a gente pensou que ia ser. E isso é do caralho, cara. Está sendo muito bem recebido, temos várias resenhas positivas na internet, e isso até me assusta um pouco, pois ainda não tivemos uma resenha negativa… eu acho que essas resenhas é tudo mentira mas tudo bem (risos). Estamos muito satisfeitos e isso só anima mais a gente para trabalhar mais e criar mais. Vamos continuar trabalhando agora e Before the Ashes é o que tá na veia.

Laurencce: Vocês acabaram de lançar o Before the Ashes. A banda foca apenas nesse trabalho ou já vai planejando o trabalho futuro? Como funciona essa dinâmica?

Joca: Bom, isso não é tão planejado assim. Nós estamos começando a turnê “Before the Ashes”, que começou em Fortaleza, está aqui em Uberlândia, vai passar pelo Chile, tem umas outras datas fechadas aqui já no estado de Minas e em São Paulo, até no nordeste de novo, temos uma turnê que ainda não fechamos no Norte, mas que pode acontecer e que eu acho muito interessante pois tem uma cena fortíssima lá. Então estamos extremamente focados em divulgar esse CD, só que como as nossas músicas são geralmente criadas a partir de acontecimentos cotidianos, isso vai acontecendo meio que naturalmente. Você viaja, você vê uma coisa, assiste uma notícia…

Laurencce: Coisas do mundo cotidiano, essa é a temática da Krow?

Joca: Essa é a temática da Krow, a gente comenta e dá a nossa opinião sobre coisas que acontecem no dia-a-dia. É uma critica construtiva ou destrutiva, dependendo do acontecimento, sobre as coisas do nosso dia-a-dia.

Mark: Sem contar que durante os ensaios a gente sempre tenta fazer alguma coisa diferente. Você sabe como é, a gente está tocando ali e já surge uma base nova e aí vai acontecendo…

Joca: Você cria uma letra e tal, e tem uma base ali… Então, durante o ensaio, quando se ensaia de duas a três vezes por semana, em um momento que você está de “bobeira”, sai uma coisa nova, alguém manda um riff ali, e você pensa: “isso dá uma música nova”, e aí flui…

Luís Felipe: Como vocês percebem o amadurecimento (como músicos e como ser humano) quando vocês olham pra trás?

Mark: Cara, você olha pra trás e vê tanta coisa que já passou, que você está vivendo, e você pára pra refletir sobre isso. E eu acho, cara, que tudo que você passa na vida, até mesmo as experiências ruins, você tem que acrescentar alguma coisa na sua vida. Nem as coisas ruins que acontecem você deve deixar de aprender alguma coisa boa. Então isso é muito legal, é foda! É foda você olhar o que ocorreu no passado e o que você vai colher no futuro, é espetacular.

Joca: Eu percebo que em termos de evolução, esse amadurecimento está muito ligado à sua vida naquele momento. A gente cria as músicas que estão ligadas diretamente com as nossas vidas, com a minha, a do Mark, do Guilherme e do Sapão (Raphael). As vivências que a gente tem vão se tornando mais complexas, mais interessantes, mais intrigantes e mais desafiadoras. Você ouve as músicas do Krow e percebe-se esse amadurecimento, até pelo lado técnico, pois querendo ou não, ninguém parou de treinar… E cada vez que a gente amadurece mais como pessoa, a nossa música também vai amadurecendo, ou pelo menos fica diferente, sei lá (risos), pode até ficar pior, mas fica diferente (risos).

Laurencce: Além do Sepultura, quais são as influências musicais da Krow?

Joca: (risos) Nossa, cara, é muita banda… Kreator, Destruction, Morbid Angel…

Mark: Cara, é Vader, é Slayer, Sarcófago, Possessed, a gente vai falar aqui até amanhã sobre as bandas que nos influenciam (risos)… De um modo geral, somos influenciados pelo Thrash e Death Metal

Laurencce: Tem alguma banda que é mais forte pra vocês?

Mark: Sim, cara, são três bandas na verdade. O Behemoth, o Slayer e o Vader, que é a raiz da banda. A árvore (Krow) cresceu dessas bandas aí.

Joca: O legal também é que todos da banda gostam de conhecer coisa nova.

Laurencce: Vocês focam somente no Metal ou pega alguma coisa fora também?

Joca: Cada um tem seu estilo próprio, mas a gente escuta de tudo, como punk, hardcore, heavy-metal ao black-metal…

Laurencce: E tem algo fora dessa vertente da música pesada?

Mark: Tem sim, o Blues por exemplo, que a gente ouve muito. Na nossa música tem muita levada de Blues. Sem deixar de lado também a influência da música brasileira… assim como o Sepultura tem, aquela levada “meio samba”… A gente busca isso também… essa mistura brasileira.

Joca: Até porque, cara, se você é daqui do Brasil e conhece baião, conhece samba, conhece forró, e todos esses estilos extremamente regionais, você não vai fazer um som polonês. Você tem que colocar a sua raiz no som, mesmo que sejam detalhes, eu acho isso extremamente importante e isso dá riqueza na música. Cara, e em termos de Rock N’ Roll, a gente escuta de tudo, porém sempre que a gente pode pegar alguma coisa de fora, a gente pega.

Luís Felipe: Joca, qual é a sua influência pessoal, uma vez que as linhas de bateria do Before the Ashes estão fora do comum (risos)?

Joca: (risos), cara, eu me influencio muito por bateristas como John Bonham, do nosso querido Led Zeppelin, Dave Lombardo… falando assim, só dos caras de fora… Tem bateristas gigantescos como o “Inferno” do Behemoth, o Daray do Vader… Não que eu faça igual a eles, mas você acaba criando alguma coisa parecida, pois isso está no seu sub-consciente. Eu ouço muito jazz, blues, e coisas fora do Metal que eu gosto de escutar. Se tratando de metal “podreira”, esses caras que citei, fica difícil não ser influenciado por eles… Até mesmo pelo nosso querido Manu, grande Manuel que tocava no Sarcófago, me influencia pra caramba, velho. Os caras inventarem “metranca” naquela época, se isso não te influenciar…

Laurencce: Vocês acreditam em sorte?

Mark: Claro (risos)…

Joca: (risos), Eu faço questão de acreditar. Mas eu acho que é o seguinte. A sua sorte é influenciada pelo que você faz. Não adianta ficar parado em casa, que a sorte não vai te achar. Tem que correr atrás. Como no nosso caso, todo mundo tem o seu emprego e corre atrás. Como eu falei uma vez para o “Barão” lá no programa dele: “já que o rock não me paga, eu tenho que pagar meu rock”, não é? (risos). Então todo mundo aqui corre atrás, tem seu emprego… só que, cara, você tem que trabalhar igual um louco, igual cachorro. Eu acredito na sorte, mas você tem que trabalhar pra ela te achar.

Laurencce: Pra fechar, deixa uma mensagem pro pessoal do Cultura em Peso, para os “headbangers” do Brasil e pro pessoal que curte a Krow.

Joca: TRIÂNGULO SATÂNICO MINEEEEIRO (risos)…

Mark: (risos)… eu ia falar isso (risos)… Eu quero deixar um abraço pra galera toda aí está lendo, e dizer que temos que valorizar as bandas de Minas Gerais e do Brasil.

Joca: Tem muita coisa boa aqui. Tem gente que dá muita importância só pra gringo. Tem muito gringo que é do caralho, mas aqui também tem muito cara que faz som fudido. Vamos dar apoio pra quem está aqui, pois aqui tem metal de verdade.

Mark: A diferença do brasileiro pro europeu é que lá eles já tem tudo pronto. Aqui nós temos que trabalhar, dar o sangue, como numa obra de construção mesmo (risos), suar, é o dobro do esforço… É isso aí, um abraço pra galera e valeu demais brotheeeeer, valeu primo!

Laurencce: Valeu galera, obrigado pela entrevista e boa “sorte” na caminhada de vocês.
Luís Felipe: Valeu pessoal e até a próxima.

Contato:

www.myspace.com/krowmetal

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Cremo é idealizador e fundador do Cultura em Peso, Asatrú, amante incondicional da fotografia e da cena underground, na qual vive intensamente há 16 anos. Formado em Redes para Computadores, é ex-vocalista das bandas La Tormenta (Grind) e Dead Bush (Punk), ambas de Minas Gerais. Ouve de Punk Rock a Metal Extremo, tendo como principais bandas na sua playlist Ratos de Porão, Napalm Death, Extreme Noise Terror, Circulo Activo, Amon Amarth, Elluvetie e Lacerated and Carbonized. Literalmente um Viking que não marca território: o mundo é sua morada. Lê constantemente sobre política, religião, história das guerras e a autodestruição humana que não aprendeu até hoje a viver com as diferenças. Some com a cena ou suma dela mesmo, agora!

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