Moretools

 

04/08/2009

Perguntas: Laurencce
Respostas: Rhavi
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1 – Hey bangers. Aqui é Laurencce Martins e hoje vamos falar com Rhavi, vocalista da banda candanga Moretools. Rhavi, primeiramente quero dizer que é um prazer falar contigo. Gostaria que tu falasse um pouco sobre o surgimento da Moretools.

Logo de cara gostaria de parabenizá-los pelo trabalho realizado por todos do Cultura em peso, que faz um papel muito importante de divulgação das bandas e fortalecimento da cultura underground.

Bem, a MORETOOLS surgiu no ano de 2003, nesse ano teve aqui em Brasilia o show da banda polonesa VADER. Nesse show rolou um reencontro entre o Riti (Bateria) e o Hudson (guitarra) que já haviam tocado juntos na banda Satan’s Pray. Nesse dia, na atmosfera malígna do Vader, ambos tiveram a idéia de voltar a fazer um som juntos, só que algo mais calcado no Death Metal/Grind Core, assim surgiu a MORETOOLS. Eu particularmente entrei na banda em setembro de 2003, na época tinham umas 4 músicas prontas e outro vocalista que dividia comigo os vocais, então muita coisa rolou (como pode ser visto em maiores detalhes no nosso release), mas a gente sempre manteve a coisa ativa até que em 2004 apareceu o J.H. (baixo – Deceivers) e o Alu (guitarra), então efetivamente completaram a máquina de metal extremo MORETOOLS, e estamos aí na ativa com essa mesma formação desde então.

2 – Uma dúvida que a maioria dos fãs de Metal tem é sobre o nome da banda. Por que a escolha do nome “Moretools”?

Bem, a história do nome da banda é o seguinte: depois de muito debate havíamos adotado o nome MORTUUS, inclusive no nosso primeiro show (lançamento do 1º Cd do Violator) usamos o nome MORTUUS, então descobrimos algumas bandas homônimas e estávamos novamente no dilema: escolher um novo nome? Nosso baterista, o Riti, trabalha no “Orbis estúdio” e na ocasião ele estava gravando o D.F.C., muito bem, tava todo mundo ralando, concentrado na gravação, então entraram no assunto de banda e foi citato pelo Riti que a gente tava atrás de um novo nome, e o Miguel do D.F.C. soltou na lata: “porque vocês não trocam pra MORETOOLS?”. Tudo isso porque eles estavam usando um programa de gravação chamado PROTOOLS, mais o antigo nome MORTUUS = MORETOOLS.

No início devo admitir que achava o nome um tanto incomum e até estranho quando traduzido ao pé da letra (mais ferramentas), depois finalmente entendi o conceito do nome da banda, a MORETOOLS é bem isso mesmo, cada integrante da banda é uma engrenagem ou ferramenta que unidos formam a maldita banda MORETOOLS.

3 – Quando foi lançado o single e qual a mensagem geral que o mesmo passa ao ouvinte?

Entre Junho e Agosto do ano passado. A gente resolveu divulgar nosso ep / single. Então a gente enviou o mesmo principalmente pra revistas e zines especializados e pra poder se inscrever em festivais, tipo o Porão do Rock que tivemos o prazer de tocar no ano passado. Agora o single está disponível também no nosso myspace (www.myspace.com/moretools), ou seja, as três músicas disponíveis são as mesmas contidas no single. Liricamente falando, o intuito da banda não é bem de passar uma mensagem, e sim mostrar uma visão “pessoal” bem ríspida e grotesca a respeito do nosso mundo, como a cada dia a violência e a intolerância estão cada vez mais na nossa cara, basta, por exemplo, assistir qualquer noticiário na TV, só falta escorrer sangue pelo monitor pois diariamente são noticiadas atrocidades de todo tipo, a tal ponto que torna a violência banal. Agora, o homem é sempre o ponto X da questão… quem comete tais barbáries somos nós contra nós mesmos… sendo assim, eu vejo o som da banda como a trilha sonora do doomsday, que graças a nossa contribuição como raça humana está bem proximo.

4 – Eu ouvi as três faixas que vocês disponibilizaram no Myspace e a prióri não me veio à memória nenhuma banda específica. Quais são suas influências pessoais e as influências da banda?

Isso é bem engraçado, pois há pessoas que acham nosso som com cara de old school. Por exemplo, recentemente tive o prazer de conhecer os caras da banda “Ill Nino”, e os mesmos ao ouvir o som da banda acharam “old school”, tipo CARCASS, MORBID ANGEL, NAPALM DEATH. E também já ouvi de outras pessoas comparações com o KATAKLYSM, por exemplo, que tem uma sonoridade bem atual. Na verdade cada um da banda tem suas próprias influências, mas digamos assim, death metal, grindcore, thrash metal, black metal, hardcore. Tudo isso nos influencia porém não temos nenhuma preocupação de como irão nos rotular, isso ai já não é problema nosso (risos).

5 – Depois desse single, quais são os planos da banda?

Juntamente com as músicas disponibilizadas no single temos um total de doze gravadas, que por acaso acabaram de ser mixadas nessa semana. E agora estamos procurando fazer contato com selos/gravadoras, procurando alguma parceria pra viabilizar o lançamento do nosso primeiro CD, que deverá conter também um video clip em forma de faixa interativa, vídeo esse gravado com uma produção bem profissioal com câmeras HD e etc. Então serão doze músicas mais um video clip no CD. Nossas pretensões são de realizar um show de lançamento do CD ainda esse ano.
Fora isso, a banda pretende tocar no máximo de lugares possíveis, pois apesar dos quase seis anos de existência da banda muitos não a conhecem pela falta de que faz ainda não termos lançado de fato nenhum material oficial.

6 – Como é o processo de composição da Moretools?

É bem “relax” e descomplicado. Cada um basicamente mostra os riffs que fez em casa e rola uma big jam no ensaio com total liberdade pra um opinar no riff do outo e etc. Ultimamente nego tem mandado as ideias pela internet também. Tipo, nego manda o que anda compondo e é bem legal, pois quando a gente tá ensaiando aquele riff não é mais novidade não perde tempo um ensinando pro outro e etc. Todos dão pitaco tanto nas músicas quanto nas linhas de vocais e etc, algo bem democrático.

7 – Como você vê a cultura underground da cena de Brasília?

Acho legal, mas acho que já foi muito melhor. Eu vejo que os produtores daqui, em geral, têm muita dificuldade de produzir seus eventos. Então, se não fosse a batalha incansável por figuras como o Fellipe cdc do DEATH SLAM, ou o “Kbça” da loja Abril pro Rock, que realmente estão sempre produzindo seus shows aqui e ali, seria muito foda, pois são muitos raros os espaços com portas abertas pro metal. Agora a cena no que diz respeito às bandas, eu acho que temos uma excelente leva, são muitas e inúmeras bandas de altíssimo nível, nos mais variados estilos, e temos bandas como o VIOLATOR, que já se consagraram não tão somente no Brasil, mas sim em todo o mundo. Atualmente é muito dificil você ter esse destaque e reconhecimento justamente por existir muita banda boa por aí, a diferença é que agora temos a internet como vitrine.

8 – No meio underground sempre houve o seguinte questionamento: “bandas de músicas próprias devem tocar covers?” Você acha que a reprodução de músicas de outros artistas pode atrapalhar o desenvolvimento da arte?

Eu acho que cada banda tem sua fórmula, então pra mim não existe isso de ser correto ou não tocar covers. Particularmente, com a MORETOOLS, nesses quase seis anos de banda, nunca tocamos nenhum cover em show. Agora em nosso último ensaio brincamos com umas musicas do DEICIDE e foi bastante divertido (risos), acho que vamos incluir um cover sim , quem sabe?
Em resumo não há regras, pois sempre fomos meio que contra isso de cover, mais bem que é divertido!

9 – O Metal brasileiro é reverenciado no mundo inteiro, saga que se fortaleceu com bandas como Sepultura, Sarcofago e Dorsal Atlântica, por exemplo. O que você acha da nova geração do Metal nacional?

Acho muito foda, depois dessa geração de grandes bandas que foram destacadas por você eu incluiria também o KRISIUN, que vem se superando e reinventando a cada trabalho. Acho que atualmente temos muitas bandas em relação à quantidade, mas poucas com originalidade e profissionalismo.

10 – Uma pergunta que sempre gosto de fazer aos amigos: como você conheceu o metal e qual foi o primeiro álbum que você comprou?

Conheci aqui em casa mesmo. Meus pais tinham uma estante completamente lotada de discos de vinil, no meio desses achei o “The number of the beast” e o “Piece of mind” do IRON, a partir daí o resto é história. Meu primeiro disco comprado com o troco economizado do lanche foi o “Ride The Lightning” (METALLICA). Muitos anos depois meu primeiro CD foi o “…and justice for all”.

11 – Qual foi o show que você assistiu que foi mais marcante na sua vida?

Pô, esse ano eu vi dois que realmente foram memoráveis: IRON MAIDEN e HEAVEN AND HELL. Minha vida não foi mais a mesma.

Agora o mais marcante mesmo: FAITH NO MORE aqui em Brasília em 1992. Eu tinha doze anos e azarei na alta: “Pai me leva num show?”. Num é que ele levou.

12 – E o que você tocou e que mais te marcou, qual foi e por quê?

Esse útimo que tocamos no festival ROLLA PEDRA, na torre de TV bem no centro de Brasília, um evento de graça, com ótima estrutura, tanto pras bandas quanto pro público, que deu um show a parte agitando sem parar da primeira à última musica. Cada show é único, mas esse em especial teve uma energia vinda da galera muito brutal.
Podem conferir um video desse show no link abaixo:

O link do video se encontra no fim da matéria!

13 – Você acha que a música tem influência no seu caráter?

Cara, eu não viveria sem música ou teria sérios problemas de convívio social (risos). Pra mim, tocar em uma banda é a fuga dessa vida entediante, é meu momento de descarga total, tipo válvula de escape mesmo. Long living Rock’n Roll!

14 – O avanço da tecnologia facilitou a divulgação das bandas undergrounds, por outro lado facilitou a pirataria – ainda que poucos vejam o fato como algo ilegal. O que você acha dessa briga que rola entre as gravadoras e os sites/softwares que fornecem mp3?

Eu acho que o mercado fonográfico está passando por uma fase mutante aonde as grandes gravadoras tem que repensar seu modo de explorar o mercado. Para as bandas nunca foi tão fácil divulgar seu trabalho, pois a WEB tem as ferramentas perfeitas pra isso. Só que o número de bandas é uma crescente infinita e você tem muitas bandas mas nem todas tem qualidade, isso é um fato. Agora sobre baixar musicas pela internet é aquele velho dilema, o artista deve ser remunerado pelo seu trabalho, isso é um fato, concordo plenamente. Agora, em contrapartida, meus arquivos de milhões de mp3 baixados com alegria diariamente é um outro fato: o que fazer?

15 – Jogo rápido:

Uma música: The King Of A Stelar War – Rotting Christ.
Uma banda: Cannibal Corpse.
Um livro: Putz… os de redes de computadores pra faculdade.
Uma frase: Kill or be Killed (Human target Six Feet Under)

16 – Pra fechar, deixa uma mensagem pro pessoal que acessa o Cultura em Peso, para os fãs de Moretools e para os bangers do Brasil.

Valeu aí pela divertida entrevista. A MORETOOLS está com seu primeiro disco quase pronto e esperamos vê-los por aí na estrada. Ao cultura underground, sobrevive movida pelo inconformismo, então vamos fazer valer, manifeste-se! We are all Moretools.

17 – Contato:

www.myspace.com/moretools

Por ai já da pra entender o que é a Moretools.

Rhavi, valeu pela entrevista e foi um grande prazer falar com você.

PORRAAAADA!

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Cremo é idealizador e fundador do Cultura em Peso, Asatrú, amante incondicional da fotografia e da cena underground, na qual vive intensamente há 16 anos. Formado em Redes para Computadores, é ex-vocalista das bandas La Tormenta (Grind) e Dead Bush (Punk), ambas de Minas Gerais. Ouve de Punk Rock a Metal Extremo, tendo como principais bandas na sua playlist Ratos de Porão, Napalm Death, Extreme Noise Terror, Circulo Activo, Amon Amarth, Elluvetie e Lacerated and Carbonized. Literalmente um Viking que não marca território: o mundo é sua morada. Lê constantemente sobre política, religião, história das guerras e a autodestruição humana que não aprendeu até hoje a viver com as diferenças. Some com a cena ou suma dela mesmo, agora!

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