Entrevista com Onanizer

 

01 – Olá a todos! Como estão as coisas na República Tcheca?
– Olá Egon, todo bien, heh. Depois de voltar de nossa turnê latina, nós infelizmente tivemos que voltar a nossa vida “normal” de novo. De volta ao trabalho, escola, afazeres diários. Não é fácil depois de 4 meses festejando com algo que nós nos acostumamos rapidamente, heh.

02 – Diga-nos uma breve biografia do Onanizer. Apresente os membros da banda.

Ok, mas realmente breve pois este tema geralmente é entediante para os leitores, heh, além de poder encontrar toda nossa biografia em nosso myspace… Bem, nós começamos em 96 na pequena cidade As, então como você pode imaginar, alguns de nós são muito velhos agora, heh. Desde aquela época nós fizemos o que geralmente todas as bandas fazem, tocando em shows, gravando merdas e por ae vai. Nós trocamos de integrantes algumas vezes, geralmente foi porque eu me mudava para alguma nova cidade. A última vez foi há 2 anos, quando eu me mudei da cidade grind Ceske Budejovice (INGROWING, ISACAARUM…) para a capital Praga. Eu arrumei o novo baixista Kravon, um cara de 22 anos de idade da Eslováquia, estudante universitário (provavelmente pra sempre, heh) o único que não pode vir (sem dinheiro e tempo) para a viagem à América Latina. Então o vocalista Ondra, 19 anos, também estudante, está terminando a escola este ano (depois de 4 meses ausentes e alguma dificuldade, heh), ambos são vegetarianos por sinal… Então há os 3 canibais – Koller, 30, que é um dos membros fundadores, e no início ele costumava fazer os vocais. Ele não esteve na banda durante 2 ou 3 anos, mas se reuniu a nós novamente em Praga, mas como baterista desta vez. O trabalho dele é um pouco difícil de descrever, ele é algo como um explorador de canais (esgotos), heh, se eles entopem, ele tem que limpá-los literalmente levar toda a merda embora. Desde o início também está na formação o outro vocalista, Mesy, padeiro, 33 anos, mas ele vive há 6 anos em Londres, então ele não ensaia conosco e não toca em todos os shows, especialmente nos shows pequenos na República Tcheca. Talvez seja por isso que ele ainda está na banda como ele não liga de eu me mudar de lugar para lugar, heh. E finalmente eu, Karel, 30, guitarrista, recepcionista em hotel, o único que incomoda os outros com todos os shows e gravações de novos materiais, também co-fundador desta ótima banda, heh. Hm, não muito breve certo? haha

03 – Quais os materiais vocês já lançaram? Vocês tem alguns lançamentos futuros? Estão trabalhando com algum selo em especial, ou trabalham com todos?
– Nós começamos em 97 com um videotape ao vivo feito por nós mesmos, já que era mais barato do que gravarmos uma demo normal em estúdio e tipo uma forma original de começarmos. Um ano depois nos finalmente lançamos algumas faixas de estúdio no MC conhecido como “Ansikte Mot Ansikte”. Algumas daquelas m´suicas também saíram no 7´´ EP split com CAUSE OF EFFECT da Finlândia. Então saiu o CD, “Rop”, gravado em 99, mas lançado em 2003. Um split CD ao vivo horrível de 2002, que não recomendo a ninguém ouvir. 2005 foi o ano de “Too Good To Be True” CD, 2007 segundo split 7’’ EP, desta vez com os doentios franceses do HxCxF e em 2008 nosso último material, na América Latina conhecido como “Latinamerican promo CD” mas em breve lançado em uma versão remasterizada no México pela Cadaver Terror Prodcs. Como um split CD com a inglesa de fastcore bastarda JOE PESCI. Com certeza muitos planos para lançamentos/splits futuros, como nós conhecemos em turnê boas bandas dispostas a dividir a música delas com a gente. Fiquem atentos para isso! Nós não trabalhamos com nenhum selo em especial, não necessariamente, nós somos livres, todos os materiais foram lançados sob diferentes selos ou cooperação de muitos deles.

04 – Como você vê o grindcore na República Tcheca? Vocês tem uma grande cena? E o público, é muito insano nas gigs?
– Muito frequentemente. Nós temos muitas gigs toda semana, se não é grind, então pelo menos é algo hc/punk, crust ou death metal acontecendo. Algumas vezes talvez são muitos deles e as pessoas são mimadas e não vão em um número grande de multidão. Então, sim, muitos shows, muitas bandas, por exemplo dêem uma sacada no LYCANTHROPHY, GRIDE, INGROWING, FLESHLESS, PIGSTY, JIG-AI, apenas para dar nomes a algumas conhecidas. Eu acredito que vocês todos conhecem o SEE YOU IN HELL, ISACAARUM, PANDEMIA ou TORTHARRY, que tocaram no Brasil também. A mais conhecida provavelmente é o KRABATHOR, infelizmente não está na ativa mais. Apenas encontrem cada myspace das banda, onde vocês encontram links para uma infindável lista de outras. No que diz respeito ao público, é variado. Em alguns lugares você vai a loucura, em outros são mais frios e você apenas bate palmas. Geralmente a cena crust/grind é mais louca do que os shows de death metal, mas isso é meio que normal em todos os lugares, pois os punks agitam mais do que os metaleiros. Com certeza, ainda nada é comparado ao Brasil, heh.

05 – Quais são as influências do som do Onanizer? Vocês escutam outros tipos de metal e rock, ou talvez outros estilos de música?
– No início nós ouvíamos muito do começo do KATAKLYSM, BRUTAL TRUTH, NAPALM DEATH, AGATHOCLES, CRIPPLE BASTARDS, ANAL CUNT, ROT…, então essa é a influência básica. Pra mim continua sendo o grindcore e estilos similares como o fastcore, powerviolence ou hc extremo, música inicialmente. Também pego algo dentro do hc/punk ou crust, o que eu não ouvia freqüentemente antes. Não me importo também em ouvir death metal (mas old school ou melódico, não o brutal death) ou black metal. Eu acho que sou o único na banda que escuta black metal, heh. Mas é isso, eu estou nessa seção extrema, não ouvindo outra coisa. Nós todos gostamos de grindcore, por isso nós tocamos isso, mas por exemplo Mesy é fanático também por música árabe tradicional, ele conhece quase todas as bandas ou cantores do Oriente Médio, heh. Koller é o único que gosta também do estranho pop/rock/comercial HC, ambos também são grande colecionadores da tradicional música Andean. Ondra escuta muito de crust e hc/metalcore moderno e Kravon é louco principalmente por fastcore/powerviolence massacre, mas porque garotas frequentemente visitam as merdas de shows pop/rock, heh.

06 – E sobre shows? Conte-nos alguma coisa interessante que ocorreu em algum show.
– Você quer dizer durante nossos shows? Não ocorrem muitas coisas interessantes durante os shows como elas deveriam acontecer de maneira diferente, geralmente por um acidente de percurso, erros inesperados, cordas que arrebentam com fãs bêbados que empurram a banda, nada além disso. Mas bem, eu vou tentar encontrar alguma coisa para vocês. Uma vez havia um velho de 80 anos que foi até o palco, pegou um dos microfones e começou a cantar com a gente, nós podíamos nos livrar dele, heh. Há muito tempo nós tocamos em 2 shows em um dia, o primeiro foi cancelado porque não tinha pessoas suficientes, e o segundo nós tivemos que terminá-lo depois de 5 minutos porque alguns quarentões do lugar vieram até nós e nos disseram que era o suficiente e que parássemos pois eles queriam alguma farra com músicas do Led Zepellin. Como não havia nenhum público, nós paramos. Apenas um dia perfeito… Recentemente no Chile Kooler quebrou o pedal do bumbo da bateria que já estava ruim, então ele improvisou com uma peça (ele utilizou o termo chaleira, não entendi bem ao certo….??) no lugar e finalizou a gig com aquilo… Quando nós tocamos na Polônia um bando de nazis vieram ao clube, nós sobrevivemos com muita sorte porque a polícia estava acidentalmente passando pelo lugar. 2 pessoas do nosso grupo (inocentes, é claro) terminaram na prisão, felizmente apenas por 2 dias, (parecia que seria bem mais tempo), o que quase parou nossa turnê no inicio… E por ae vai, não sei se isso é “interessante” o bastante para vocês…

07 – Sobre a turnê latino Americana, o que você tem a dizer? Vocês curtiram os shows? Eu ouvi dizer que um idiota roubou vocês na América do Sul. Muitas perdas?
– Nós amamos! Viajar 4 meses através de todos os países da América do Sul e Central do Brasil e subindo ao México foi ótimo, especialmente para europeus, totalmente diferente e incrível. As pessoas são diferentes, de um sangue muito quente eu deveria dizer. Sim, ocorreram alguns problemas algumas vezes como roubos por exemplo, mas na verdade nós contávamos com isso, isso pode acontecer em uma viagem tão longa. Nós perdemos muitas coisas durante a turnê, de todas as coisas a roupas até a câmera de vídeo. Em Santiago do Chile foi provavelmente nossa maior perda pois algum idiota pegou do nosso backstage todo o material de merchandise, distorção da minha guitarra com coisas extras como cordas, cabos e a câmera de vídeo. De volta à Europa nós voltamos quase pelados, mas vivos. Em Valparaiso/Chile uma vez, “boas acomodações” nós todos pegamos por quase um mês de fugas, porra, não muito agradável devo dizer, heh.

08 – Vocês aproveitaram as coisas no Brasil? Vocês tem planos de voltar para o Brasil para mais gigs?
– Não posso dizer nada de errado sobre o Brasil e nós definitivamente queremos voltar e ver mais lugares que nós não vimos, é um país muito especial com uma cultura totalmente diferente da que nós conhecemos e é isso que nós gostamos, experimentar novas coisas. Nós fizemos muitos amigos aí e fazer uma turnê novamente é bem possível. Nós ficamos uma semana no Estúdio Noise Terror em São Paulo e nos apaixonamos pelo Diego e pelas pessoas de lá, hehe. Também não posso esquecer dos grandes caras do SCUD, a turma de Belo Horizonte, Paulo de Divinópolis, Vinicius e Deisy no Rio, Suino em Florianópolis, Thiago em Slvador da Bahia e muitos outros, como os caras do EXPURGO por exemplo, hehe, todos muito gente fina e que nos ajudaram muito em nosso primeiro destino da turnê.

09 – Quais são os temas das letras do Onanizer?
– Nada de temas especiais, apenas a merda que geralmente acontece no mundo, que de alguma forma nos afeta e nós queremos falar sobre. Sem gore, pornô ou glâdulas.

10 – E sobre o Obscene Extreme Festival? Vocês já tocaram lá? Vocês vão lá todo ano? O que você acha deste festival e das bandas que tocam lá?
– Ah sim, o melhor festival de todos, encontro de todos os grinders mais malucos, não apenas da República Tcheca. Eu acompanho todos os anos desde o início. Todo ano eu sei que mais e mais pessoas vão e então todo anos fica mais e mais difícil ver todas as bandas já que encontra constantemente amigos por toda parte, então metade do festival você conversa e bebe com eles, heh. Eu não curto muito algumas bandas de gore e brutal death que tocam lá, prefiro grindcore que é o principal estilo do festival, mas pelo menos você pega este tempo livre pra tocar idéia, enquanto estas bandas guturais estão no palco. E sim, nós tocamos lá duas vezes já. A primeira vez foi em 1999 e depois em 2005, grande experiência e honra para nós. Espero estar lá no próximo ano pela terceira vez…

11 – Como vocês fazem para trabalhar nas músicas juntos? Eu me lembro que Mario disse que ele morava em Londres. Vocês tem algum tipo de problema no processo de composição, ensaios, etc?
– Sim, como eu disse anteriormente, Mesy “Mario” vive em Londres então é literalmente impossível de ele comparecer nos ensaios. Nós geralmente gravamos o material para ele, mandamos para ele com algumas letras e ele aprende em casa. Então antes de uma gig em turnê, que ele vai participar, ele vem para a República Tcheca, vamos dizer uma semana antes, temos um ou dois ensaios com ele e é isso. Não é fácil, nem o ideal, nós deveríamos ter alguém conosco praticando todos os dias e tocando todos os shows, então neste momento estamos pensando muito como separar isto… Por outro lado o processo de composição é o mesmo como em toda banda qualquer, eu acho. Eu trago alguns riffs para praticar, com a bateria nós fazemos uma estrutura básica – música “nua”, e então algumas sessões nós a cobrimos com roupas, quando todos podem dizer como ela deve ser, se curta, longa, mais vezes, menos… até que nós todos estamos felizes com aquilo.

12 – Obrigando por nos responder e deixe uma mensagem para nossos leitores. Sucesso ao Onanizer e saudações do Brasil.
– Muito obrigado pelo interesse no Onanizer, nossa primeira entrevista no Brasil na verdade. Espero que você deixe passar minhas as vezes respostas muito longas em alguns locais, apenas corte fora ou delete completamente se você se entediou com alguma, hehe. Eu tenho certeza que nós vamos voltar ao seu país algum dia novamente. Por enquanto, talvez nós nos vemos no Obscene Extreme deste ano! Qualquer um que for lá, deixe-nos uma mensagem para que nós possamos beber algumas “cervezas” juntos, porque NOS SOMOS PUNX DE JABAQUARA! Saúde! Qualquer um que tiver interesse em ver algumas fotos de nossa tour, acessem www.flickr.com/photos/onanizer.

13 – Envie o contato do Onanizer.
Nosso shitspace em – www.myspace.com/onanizer

 

Por Egon.

 

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Cremo é idealizador e fundador do Cultura em Peso, Asatrú, amante incondicional da fotografia e da cena underground, na qual vive intensamente há 16 anos. Formado em Redes para Computadores, é ex-vocalista das bandas La Tormenta (Grind) e Dead Bush (Punk), ambas de Minas Gerais. Ouve de Punk Rock a Metal Extremo, tendo como principais bandas na sua playlist Ratos de Porão, Napalm Death, Extreme Noise Terror, Circulo Activo, Amon Amarth, Elluvetie e Lacerated and Carbonized. Literalmente um Viking que não marca território: o mundo é sua morada. Lê constantemente sobre política, religião, história das guerras e a autodestruição humana que não aprendeu até hoje a viver com as diferenças. Some com a cena ou suma dela mesmo, agora!

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