Produção de um cd parte 1

TRIÂNGULO VERMELHO
FAZENDO UM CD

Saudações a todos, mais uma vez estou de volta somando com meu camarada Cremogema aqui no “Cultura Em Peso”, reativando essa coluna que trata exclusivamente de nossa cena local. Depois de intermináveis nove meses envolvendo pré-produção e gravação do novo cd do U-Ganga (Vol.3: Caos Carma Conceito) finalizamos em 100% toda a correria e o material deve ficar pronto em outubro. E é sobre esse processo que irei falar , porém não focando no lado musical da banda que toco, mas sim nas etapas que usamos nesse processo, aproveitamento de tempo e grana, contatos com selos etc…Não tenho pretensões de fazer um “Guia Prático de Como Gravar Um Cd” , apenas tento aqui resumir o processo pelo qual passamos, e quem sabe, servir de ajuda para alguém que se prepara para iniciar uma jornada parecida.

Composição coletiva – Uberaba

Um cd obviamente começa pelas músicas e iniciamos o processo de composição tão logo finalizamos o “Na Trilha Do Homem De Bem” (2006). Desde então fomos montando o quebra cabeças das novas composições, separando letras, idéias etc… Como moramos em cidades diferentes usamos bastante o expediente de filmar essas idéias (ou gravar em mp3) e mandamos um pro outro. Montamos um banco de dados com essas idéias musicais de todos e fomos moldando as composições a partir do que achávamos mais interessante entre trocentos riffs, batidas, refrões e por ai vai… Nesta fase o produtor e o estúdio onde iríamos gravar já estavam definidos (Orbis Estúdio , em Taguatinga com Riti Santiago na produção).

Ambiente relax, cervinha… Aí sai ! – Araguari

Optamos em repetir a parceria do cd anterior por termos um bom diálogo com o Riti e gostarmos do trabalho deles tanto em nosso segundo cd quanto nos de bandas como Violator, Rumbora, Deceivers etc, que também gravaram por lá. Um bom estúdio e um bom produtor podem ser essenciais para que o resultado saia a contento. É importante também que o produtor goste das músicas e que as pessoas envolvidas realmente conheçam o estilo de música a ser gravado. Mas o principal é ralar nos ensaios.

Manu e Christian – Uberlândia

A banda se reunia de 15 em 15 dias para um ensaio com todos juntos, onde geralmente as dúvidas eram tiradas e letras e melodia eram colocadas juntas pela primeira vez. Não tinha um local certo e durante esse processo ocorreram ensaios tanto em Araguari (mais para compor) quanto em Uberlândia e Uberaba (banda toda) variando os estúdios de acordo com a agenda dos mesmos. Nessa fase optamos por parar com as apresentações e focar só em ensaios, sendo que o show de despedida da tour do “Na Trilha..” foi no Jambolada de 2008, em Uberlândia. Nove meses iriam separar essa apresentação e a próxima…Inicialmente os ensaios foram feitos apenas com as guitarras e o baixo ligados me volume mínimo , meu irmão ou eu batucando nas pernas e voz só de guia. Todo mundo sentado, na relax… Após montado o esqueleto passávamos pra fase de tocar com tudo ligado. Acho isso importante pois ir direto pra ensaiar “no talo” pode esconder alguns vacilos caros a uma gravação.

Vouglas (DJ convidado) e Thiago – Uberlândia

A partir do momento que já tínhamos um número razoável de composições marcamos a primeira visita do Riti . Usamos o estúdio Unimusic em Uberlândia para esses ensaios com o pordutor , pois além do mesmo possuir uma excelente infra estrutura é gerido por amigos e está no meio do caminho (já que a banda tem integrantes em Araguari, Uberlândia e Uberaba). Após essa fase onde ouvimos as opiniões do Riti (concordando em alguns casos e discordando em outros) separamos algumas composições como já definidas, outras que mereciam ajustes e mais algumas que foram pro lixo. Na verdade nesse cd optamos por compor mais músicas do que iríamos gravar para que o padrão de qualidade ficasse alto (ao menos pra gente heheheheheheh). Também escolhemos os nomes das pessoas que gostaríamos ter participando do trabalho como convidados e nessa parte também o critério foi antes de tudo amizade.

Christian e Marco – Uberlândia

Mais alguns meses se passaram até que tudo estivesse pronto e o cd tivesse sua “cara” definida. Com todo o repertório em cima começamos os ensaios com click (metrônomo), tanto individuais quanto com a banda toda (nesse caso o Marco usava um fone de ouvido já que ele dita o ritmo sendo baterista), e digo que isso é essencial pro tipo de música que fazemos. Juntamente a este processo foi criado todo o conceito do cd novo (trabalho que fica mais nas minhas mãos) e a arte gráfica (por conta do Marco), e ambos também tiveram a calma/prazo necessários pra ficarem a contento.
Músicas prontas, coladas, 90 % da idéias finalizadas (no caso do U-Ganga gostamos de reservar sempre uns 10% livres pra acrescentar algo me estúdio), e o principal, grana na mão pra bancar a gravação. Na segunda parte falarei sobre os caminhos pra levantar essa grana (com certeza não foi Papai quem bancou), o processo de captação em si e os contatos pra lançar o trabalho. Até lá!
El Joker
Contatos: [email protected]

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Cremo é idealizador e fundador do Cultura em Peso, Asatrú, amante incondicional da fotografia e da cena underground, na qual vive intensamente há 16 anos. Formado em Redes para Computadores, é ex-vocalista das bandas La Tormenta (Grind) e Dead Bush (Punk), ambas de Minas Gerais. Ouve de Punk Rock a Metal Extremo, tendo como principais bandas na sua playlist Ratos de Porão, Napalm Death, Extreme Noise Terror, Circulo Activo, Amon Amarth, Elluvetie e Lacerated and Carbonized. Literalmente um Viking que não marca território: o mundo é sua morada. Lê constantemente sobre política, religião, história das guerras e a autodestruição humana que não aprendeu até hoje a viver com as diferenças. Some com a cena ou suma dela mesmo, agora!

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