Produção de um cd parte 2

TRIÂNGULO VERMELHO
Por Manu “Joker”
FAZENDO UM CD – PT 2

Salve a todos! Estou aqui de volta pra continuar falando da nossa correria pra produzir/gravar e lançar o terceiro cd do Uganga (“Vol.3: Caos Carma Conceito” 2009), que acaba de sair. Na primeira parte enfoquei o processo de pré-produção, montagem das músicas, definição de estúdio, produtor etc… Com essas etapas concluídas já tínhamos em mãos todos os custos necessários pra a conclusão do projeto. Como somos uma banda independente (mesmo com apoio, dessa vez, de 4 selos na parte de distribuição/promoção) resolvemos apostar num projeto para captação de verba municipal, e depois de muita ralação pra deixar tudo “nos conformes”, conseguimos bancar os custos do novo cd da maneira que queríamos. Ao mesmo tempo o Marco já estava trabalhando esboços para a capa e conversamos bastante nessa fase sobre o conceito das letras, arte etc…Eu fiquei responsável por 90% das letras assim como já vinho fazendo desde o início, e ele vinha com as imagens… Acho que mais uma vez a parceria funcionou pois tanto eu quanto ele estávamos mais abertos a contribuições dessa vez.

Arte do novo cd (Por: Marco Henriques)

Inscrevemos nosso projeto pela lei municipal de incentivo a cultura no Município de Araguari (cidade onde 4 dos 5 integrantes da banda nasceram), obedecemos tudo o que foi pedido, caprichamos no material e conseguimos. É legal ter alguém da banda envolvido nesse processo e no nosso caso o Ras (baixo) foi quem ficou com essa parte, porém sendo ajudado por todos. Conversar com quem já fez projetos assim antes também é muito válido e tivemos suporte de amigos como o Sapão, Guilherme e do Alê (Valvulado Discos) nessa parte. Caso nosso projeto não fosse aprovado teríamos metade do orçamento gasto para bancar (a banda) toda produção. Creio que mesmo assim o resultado seria legal, mas tendo as condições nece$$árias pudemos fazer tudo com a calma e cuidado ideais, e isso a meu ver fez a diferença. Resumindo, a verba tá aí, seja federal, estadual ou municipal. O lance é ficar de olho no edital …Rimou! (risos)

Marco, Ras e o produtor Riti Santiago (Orbis – 2009)

As gravações rolaram de maneira muito tranqüila durante 12 dias de janeiro de 2009. A rotina foi a básica “estúdio-casa” com eventuais almoços na rua. Taguatinga agora já não foi tão novidade (a banda gravou o segundo cd “Na Trilha Do Homem De Bem” 2006 , no mesmo local) , estávamos mais “em casa”. O Orbis apesar de ficar numa área bem comercial é perto do Pistão Norte, que tem uma área verde legal com pista pra corrida, barras etc…Eu aproveitei bastante esse lugar pra relaxar e suar um pouco…Sem distrações o foco foi só estúdio e com isso cada um gravou suas partes bem rápido.
Sempre trabalhamos dentro de um esquema disciplinado de horários quando estamos gravando pois ai acaba sobrando tempo para alguns experimentos, convidados, enfim… Não tem essa de namoradas, amigos, festa no estúdio…É trampo!! No Jamaican style , mas trampo (risos)! E ai mais pro final sobra tempo pra algo mais relax e desencanado. Dessa vez recebemos a visita no Orbis de dois camaradas que participaram do cd: X (Câmbio Negro) e Zacca (Seu Juvenal).

Zacca gravando a faixa “Milenar” (DF -2009)

O Zacca veio num final de semana…Viajou por 13 horas, chegou, gravou sua parte quase de prima (uma terceira guitarra na faixa “Milenar” onde o mesmo é co-autor) e o resto foi festa. O “X” fez uma festa na hora de gravar (risos). Depois de muito papo sobre o Câmbio Negro e altas cervas o cara foi para um canto, escreveu a letra na hora e mandou bronca! Uma honra com certeza pra todos nós do Uganga!!!

Uganga, Riti, Dj Eremita e “X” (Câmbio Negro) no Orbis Estúdio

Os outros convidados, Jhasko (ex-Sarcófago), Guilherme (Krow), Sapão (Attero) e Leospa (ex-Uganga) gravaram suas partes no Unimusic, em Uberlândia (valew galera!), tendo o Paçoca na mesa e o Marco (batera do Uganga) coordenando a bagaça. Ele já tinha terminado suas partes em Taguatinga e voltado pra casa mais cedo, e isso ajudou na agilidade do processo. Na verdade enquanto os caras gravavam em Udi a gente ia se falando via skype…Esse é o lado bom da tecnologia e tem que ser usado. Nessas sessões fizemos inclusive um lance mais inusitado desse cd que foi gravar violinos (Jhasko) para um som “Primeiro Inquilino”. Mas não estamos querendo fazer algo mais complexo tipo My Dying Bride, foi só uma viagem que o Jhasko fez, bem legal por sinal, que entrou no som tipo um sampler…Trouxemos a influência clássica dele pro nosso som e casou muito bem… Logo vocês poderão conferir e tirar suas próprias conclusões.

Fábio Jhasko gravando (Unimusic – 2009)

Finalizando as participações tivemos o mestre Johnny Murata (do trio de jazz fusion Lumina) detonando numa intro fodassa de sitar. O cara gravou tudo em sua casa no interior de São Paulo e mandou tudo já pronto. Todos ficamos de boca aberta e acabou sendo a faixa de abertura do cd!!!! Valew mestre Johnny, OM SHANTI!!!!!!!
Nos 12 dias que ficamos no Orbis Estúdio, 90% do cd estava pronto. Optei por gravar alguns vocais 15 dias após o término das gravações pra dar um refresco pra garganta e nessa fase foram mais algumas sessões em Taguatinga (Orbis) e Uberlândia (Unimusic)
Agora, enquanto o Riti (produtor) mixava o cd nós teríamos tempo para organizar a correria do lançamento, fechar parcerias com selos e até conseguir masterizar o trampo com um cara que gravou clássicos absolutos do metal/hardcore. Na terceira parte a gente fala disso…Abraço
El Joker

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Cremo é idealizador e fundador do Cultura em Peso, Asatrú, amante incondicional da fotografia e da cena underground, na qual vive intensamente há 16 anos. Formado em Redes para Computadores, é ex-vocalista das bandas La Tormenta (Grind) e Dead Bush (Punk), ambas de Minas Gerais. Ouve de Punk Rock a Metal Extremo, tendo como principais bandas na sua playlist Ratos de Porão, Napalm Death, Extreme Noise Terror, Circulo Activo, Amon Amarth, Elluvetie e Lacerated and Carbonized. Literalmente um Viking que não marca território: o mundo é sua morada. Lê constantemente sobre política, religião, história das guerras e a autodestruição humana que não aprendeu até hoje a viver com as diferenças. Some com a cena ou suma dela mesmo, agora!

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