Pseudo-Alternative

 

Você já deve ter ouvido por aí termos como “traidor do movimento” ou “poser”, mas o que se entende realmente por estas questões? Então vamos lá! todos nós sabemos que a famigerada alcunha de Poser define uma pessoa que quer mostrar-se ser algo que não é ou não pode ser. É bem comum encontrarmos no underground (ou em qualquer outro meio, porém vamos nos limitar a este que mais nos interessa)pessoas que fazem juras de amor a posturas ideológicas, a conceitos, princípios e filosofias de vida, contudo com o passar do tempo notamos que algumas dessas pessoas amadurecem suas idéias e pensamentos fortalecendo cada vez mais sua conduta ao qual escolheram para viver, no entanto também se observa indivíduos que se perdem totalmente no “caminhar da carruagem” e estes são em geral os mais radicais, extremos, conservadores e inquisidores de suas visões ideológicas no inicio de todo processo de desenvolvimento da mesma.
Com base nesses argumentos empíricos acima citados, irei expor meus pensamentos a respeito deste tema tão polêmico… Poser é Poser caralho!!! Brincadeiras a parte vamos argumentar com mais embasamento hehehe. Fico impressionado com a capacidade de algumas pessoas em serem tão inconstantes, ridículas e superficiais, pois quando vejo um garoto que começou a descobrir idéias alternativas de mundo ou bandas que tem “algo a dizer”, no dia seguinte ele já começa a discursar em prol de uma causa e se coloca como o rei da cocada preta do underground, daí em diante ele começa a colecionar discos, zines e materiais de diversos tipos advindos da cultura alternativa, porém quando ele começa a entender que a parada não é brincadeira, não é só visual, amigos “loucos”, drogas, curtição e “uhu eu sou doidera” a ficha cai e quando isso acontece, ele percebe onde se meteu. A partir daí ele passará a ter uma pressão social antagônica que o fará “provar” se ele quer mesmo aquilo para vida dele ou não, mas o que o faz tomar essa decisão não são influências de A ou de B, é sua própria identidade com o movimento ao qual se vinculou, se ele for verdadeiro como se costuma dizer nesse meio, ele segurará firme a barra, mas se caso não conseguir é porque não passou de uma bela aventura modista e infantiloide, ou seja, mais um pseudo-alternativo que encontramos por aí todos os dias.
Não é para qualquer um ter disposição, verdade na sua postura, convicção, objetivo, caráter e fidelidade a um seguimento de vida contracultural/alternativo, uma vez que implica em diversos conflitos sociais nos meios mais diversos como: família, religião, amigos, escola etc. e muitos não suportam esse fardo. Não é que você tenha que se tornar prisioneiro de uma filosofia de vida asfixiante onde você não possa fazer isso porque acredita naquilo, mas deve-se assumir algo quando se tem a certeza que aquilo que se está buscando é realmente válido e definitivo para nós, porém podemos mudar alguns conceitos ou idéias, no entanto nunca se perde a essência do que se é de verdade, e aí está o ponto X do Poser ou Pseudo-alternativo. Esse tipo gente são as típicas pessoas que sofrem uma espécie de fragmentação da personalidade ou uma crise de identidade, dessa forma fica pulando de galho em galho sem rumo e sem uma base formada em sua personalidade, está apenas de passeio por grupos sociais diversos buscando uma aceitação em várias tribos diferentes, sendo que este individuo sente uma necessidade imensa de ter status, de ser o cara “conhecido”, de ter acessibilidade a tudo e a todos, assim seu ego fica suprido por ter potencial carismático para estar em qualquer grupo social que deseje, porém sem se comprometer com o objetivo e ideal de cada um deles. Sabe aquele famoso “eu sou eclético”? tome cuidado quando escutar um, pode ser um Poser! Não dizendo que não possamos ter um gosto variado de coisas, mas no caso de um desses seres sem autenticidade que estou relatando… é perigoso! digo isso porque não consigo entender como um ser humano em sã consciência pode escutar com um ouvido Bad Brains e com o outro Bom Jovi e Ivete Sangalo, proferir idéias libertárias e ser fã do Big Brother Brasil, falar mal dos pagodeiros e viver em shows de pagode e derivados ainda por cima tentando de forma desesperadora justificar tal ato com o pretexto de pegar mulher e beber, não há coerência nisso tudo.
Existem muitos que entram de gaiato em vários movimentos alternativos e não perdem seus vícios sociais tradicionalistas, anacrônicos e retrógrados não porque não querem, mas por nunca terem vivido e aceitado realmente tal ideologia. Não sou dono da verdade e nem quero ser, no entanto fatos são fatos. É por essas e outras que eu não prefiro ser uma metamorfose ambulante, pois na minha concepção, na minha visão isso não passa de “Poseria crônica cognitiva psicológica doentia fraudulenta asmática do cu do burro”. No mais é isso queridos leitores e até a próxima!

HÁ UMA PROFUNDA SABEDORIA NO AFORISMO SOCRÁTICO QUE DIZ:

‘ Quem conhece a virtude, pratica-a. ’ Conhecer a virtude não é conhecer ou possuir apenas o simbolismo fraseológico em que ela é enunciada; é possuí-la e, por conseguinte, realizá-la na conduta.

Ejaculado por: Márcio “Pigmeu”

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Cremo é idealizador e fundador do Cultura em Peso, Asatrú, amante incondicional da fotografia e da cena underground, na qual vive intensamente há 16 anos. Formado em Redes para Computadores, é ex-vocalista das bandas La Tormenta (Grind) e Dead Bush (Punk), ambas de Minas Gerais. Ouve de Punk Rock a Metal Extremo, tendo como principais bandas na sua playlist Ratos de Porão, Napalm Death, Extreme Noise Terror, Circulo Activo, Amon Amarth, Elluvetie e Lacerated and Carbonized. Literalmente um Viking que não marca território: o mundo é sua morada. Lê constantemente sobre política, religião, história das guerras e a autodestruição humana que não aprendeu até hoje a viver com as diferenças. Some com a cena ou suma dela mesmo, agora!

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