Religiões, Crenças e Afins

Religiões, Crenças e Afins

Pelo que se sabe o homem sempre buscou respostas para sua origem e fim, usando-se de vários meios e métodos para tal, desde conceitos, teorias e idéias científicas, abstratas e subjetivas, sendo que nenhum deles provou a existência de uma força sobrenatural, nem tão pouco sua inexistência. Dentre todas estas tentativas ou opções gostaria de destacar as de cunho abstrato como religiões, crenças, seitas, doutrinas, cultos etc., pois estas são as que mais geram discussões, controvérsias, desavenças, disputas e guerras entre povos.
Mas o que vem a ser uma religião? No senso comum geralmente entende-se religião por uma instituição (física ou não) que trabalha questões espirituais (por vezes mentais e corporais também), onde cada uma delas tem suas próprias leis, códigos, costumes, condutas, ritos e tradições, sendo ensinada a doutrina para que o praticante possa alcançar certos objetivos e verdades. A concepção que se tem hoje em dia na contemporaneidade é de que religião é apenas um local físico, “de quatro paredes” como igrejas, centros, sinagogas, templos ou qualquer tipo de construção dita religiosa, isso já se estabeleceu e consolidou-se como tal, porém a palavra religião em sua origem designava outro sentido, ela vem do latim religare, que significa religar-se, o homem com o divino ou seu Deus. Também um dos motivos do surgimento das religiões é exatamente este, o da religação do homem com o criador/seu Deus, com isso parte-se de um ponto da história onde houve essa ruptura entre criador e a criatura, por este motivo o ser humano (em sua maioria) vive em busca de uma reaproximação com seu Deus.
Nos cinco continentes podemos encontrar milhares de religiões e crenças afirmando que a sua doutrina e preceitos são a resposta para a vida, a verdade. Contudo uma verdade anula a outra, sendo assim como podemos definir qual religião fala a verdade ou é a verdadeira, a suprema? Não podemos, pois cada ser social é livre para acreditar no que bem entende. Se um cara falar para mim que o Deus dele é um tijolo ou um saco de pipoca, quem sou eu para dizer o contrário? Por mais ridículo, absurdo, estranho e esdrúxulo que possa ser a crença de outrem, não temos a obrigação de aceitar, mas devemos respeitar a escolha de cada pessoa, ao menos que essa escolha religiosa seja maléfica e prejudicial a terceiros, um exemplo disso são os grupos religiosos fanáticos que usam da violência para impor suas doutrinas. Há também religiões que impõem suas crenças de forma indireta, colocando os valores sociais e culturais mais aceitos pela sociedade como centro e ponto de julgamento de cada sujeito, dessa forma aquele que não está em acordo com esses valores e normas de conduta ou não as pratica são rotulados de pecadores, errados, transgressores, rebeldes etc.
Alguns pensadores entendem a religião como uma forma disfarçada ou mais eficiente de induzir as pessoas a um comportamento ético desejável, não deixa de ser verdade, no entanto o objetivo de várias delas em sua essência é buscar uma espécie de correção ou pureza de condutas, mas o que se constata ao pesquisarmos a história das religiões no mundo é o enorme interesse de classes e grupos dominantes em manter o controle social usando-se das doutrinas religiosas de forma distorcida e tendenciosa para alcançar esse objetivo, por vezes empregando a morte como punição aos que não se agregam aos princípios de tais religiões.
O mundo hoje está envolto a conflitos de cunho religioso, porém a maioria das guerras travadas por esses motivos não correspondem aos princípios das religiões envolvidas nessas batalhas, com isso vemos uma grande contradição. Como uma religião prega a paz e o amor e ao mesmo tempo lidera e apóia guerras? Com esse paradoxo colocado podemos verificar os verdadeiros motivadores e interessados nesses conflitos ditos religiosos. Muitos inocentes são manipulados e usados nessas guerras devido à alienação e lavagem cerebral (manipulação psicológica através do uso distorcido da doutrina religiosa) causando o fanatismo, estes atos de persuasão são praticados por pessoas que usam de má fé a crença dos mais frágeis e ignorantes para conseguir conquistar objetivos particulares e ambiciosos (territórios, petróleo, riquezas, domínio de povos etc.).
Por estes motivos comentados acima, não consigo concordar com os discursos e palavras de ordem de extermínio ou destruição das religiões, proferidas por parte de militantes de movimentos ditos contraculturais/libertários ou não, já que ser libertário e a favor da liberdade não é proibir, reprimir ou censurar de qualquer forma que venha limitar o processo de escolha de condutas de vida das pessoas, pois seria uma grande contradição aos princípios de liberdade, porém é válido usar-se de “ferramentas” pacificas como o intelecto, para se desmistificar muitos dos dogmas religiosos, com isso muitas religiões com o passar do tempo vem perdendo crédito perante seus fies, já que muitas se mostraram charlatãs, fraudulentas e falsas, como exemplo poderia citar Galileu (com o movimento da terra) tão combatido pelos católicos, porém ele estava certo em suas afirmações; Genner com a sua vacina contra a varíola, que afirmaram pretender ele inocular a bestialidade no homem; os espíritas que afirmam ter contato e comunicação com os mortos, no entanto quando cientistas pondo em cheque tais ligações sobrenaturais da referida religião, descobriram grandes fraudes, pois foi dado pelos cientistas aos praticantes desta doutrina nomes e histórias de pessoas fictícias com o pedido de se fazer contato mediúnico com elas, para surpresa de todos, houve o tal contato com sujeitos que nunca existiram! Deve ter sido constrangedor para os fraudadores saber que aquelas pessoas que eles diziam ter conversado e psicografado palavras advindas delas nunca terem existido. A função da ciência de ser uma espécie de “tira-teima” e “destruidora de dogmas” de certos ritos religiosos é maravilhosa, pois aos poucos ela vai dissolvendo as mais absurdas crenças e diminuindo a margem para se criar doutrinas fraudulentas, porém sabe-se que a ciência não pode avaliar a existência de Deus, e também os cientistas acham difícil acreditar em um Deus distinto para cada religião. O Deus de um católico é diferente do Deus de um muçulmano. Um dos dois tem que estar errado. Por este motivo comentei acima que uma verdade anula a outra, ao ponto que com o passar do tempo a própria ciência possa reduzir o número de religiões no mundo a poucas ou até mesmo uma só, sem ser necessário o uso da violência e imposição para isso. Se um dia for possível chegarmos a esse ponto de seleção de religiões, a célebre frase “A fé em Deus mora no limite aonde chega à ciência” faria todo sentido para os céticos, pois seria supostamente o ponto final da ciência. O ilustre cientista físico alemão Albert Einstein uma vez admitiu: “As grandes mentes científicas em geral tem uma religiosidade própria… A religiosidade assume a forma de fascínio pela harmonia da lei natural, a qual revela uma inteligência tão superior que, comparados com ela, todo o pensamento e ações sistemáticas dos seres humanos se tornam insignificantes”. Não há o que contestar na genialidade de grandes homens como Einstein. Para ele crer em Deus não é ignorância, fuga da realidade ou irracionalidade e sim humildade para entender as limitações do homem.
A filosofia desempenha esse papel de “desmistificador” e “clareador de mentes” com muita habilidade, capacidade e presteza, não sendo necessário o uso da violência, leis, regras e imposições em geral para se alcançar isso. O alvo principal desse tipo de ataque seria as elites sedentas de poder e ambição que manejam habilmente e distorcem as religiões para fins convenientes a eles. Penso que Compete à razão filosófica tentar provar a veracidade das idéias religiosas, se é que todas podem ser provadas. Onde, porém, buscar tais provas? Historicamente, têm sido elas buscadas no raciocínio abstrato, na análise e na comparação de idéias, na experiência sensorial, no senso comum, nas explicações cientificas, no sentimento moral entre outros meios mais.
Mesmo aceitando que essa é a tarefa da filosofia, isso não quer dizer que o filosofo acredita que é assim que as pessoas aceitam ou recusam uma religião, ou seja, com base em argumentos. As religiões seguem seu caminho independente disso, e a preocupação com argumentos justificadores é, quando muito, secundaria. Mas os argumentos mostrariam se as pessoas são racionais na sua crença. Atualmente, alguns filósofos, tendo em vista o desenvolvimento histórico das explicações filosóficas, julgam que a filosofia pode ajudar a melhor compreender as idéias religiosas e a auxiliar as religiões a se livrarem de alguns elementos supersticiosos indevidamente acrescentados a fé básica, especialmente aqueles relacionados a confusões conceituais, derivadas de um uso inadequado da linguagem, ou a compreensão equivocada de teorias e hipóteses cientificas, ou a preconceitos de natureza não religiosa.
Um ponto interessante nas discussões religiosas é o caso de haver pessoas que negam a existência de qualquer forma de força sobrenatural, como os ateus, Mas o fato da negação de tal força por parte deles, já os insere de forma indireta na questão da credulidade abstrata/sobrenatural, pois quem nega algo, prediz que tal coisa existe para ser negado, uma vez que não se nega o inexistente. Há também os agnósticos e os gnósticos, duas linhas de pensamento bem peculiares, sendo que a primeira admite ser impossível ter o conhecimento objetivo sobre a questão — portanto agnóstico, ou seja, o agnosticismo é a doutrina ou atitude que admite uma ordem de realidade que é incognoscível, a grosso modo diríamos que os agnósticos são aqueles que têm dúvidas sobre a existência de Deus. O segundo é um ecletismo doutrinário (tendo influências que combinavam alguns elementos da astrologia e mistérios das religiões gregas, mistérios de Elêusis, bem como os do hermetismo, com as doutrinas do Cristianismo e tem como base as filosofias pagãs) que visa conciliar todas as religiões por meio da gnose. O Gnosticismo usa de explicações metafísicas e mitológicas para falar da criação do universo e dos planos espirituais, mas nunca deixa de relacionar esse mundo externo e mitológico a processos internos que ocorrem no homem. Preconiza que a salvação só é obtida através do conhecimento (gnose).
Devido à diversidade de pensamentos sejam eles metafísicos, religiosos, espirituais, transcendentais, abstratos, subjetivos, mitológicos e sobrenaturais vemos que a eterna batalha entre os que crêem, os que têm dúvidas e os que não crêem em determinadas forças não físicas nunca se cessará, contudo para se ter paz, boa convivência e harmonia no mundo é preciso que o ser humano desenvolva uma maior tolerância e respeito quanto as crenças alheias, uma vez que é intrínseco ao homem estas questões mesmo que alguns neguem fatos de cunho abstrato. A ciência pode sim explicar muitas coisas que acontecem no plano físico, mas ainda assim, há falhas nessas explicações, há simplesmente muitas indagações sem respostas, espaços não preenchidos e que nunca poderão ser. É nessa hora que evocamos a um Deus que preencha estes vazios, vazios que nenhum físico ou químico é capaz de preencher. Não consigo acreditar que o homem é só uma pilha de átomos, que nasce apenas para morrer e virar adubo para as plantas. Sem falar dos sentimentos humanos que não derivam de processos químicos, sendo que estes só aparecem após as manifestações dos sentimentos, é como se de repente você encontrasse na rua uma pessoa que nunca viu antes e pela qual instantaneamente um súbito sentimento de amor verdadeiro florescesse no seu coração (apesar de que acho que isso é quase impossível hoje em dia), esse feito não seria derivado de uma combinação químico-hormonal e sim de uma força transcendental, que em seguida manifestaria a parte física, se duvidas pergunte a algum cientista sobre esta questão! Os números, cálculos ou teorias não podem responder a tudo, e também a religião não prova a existência de Deus. A prova da existência de um Deus na minha humilde opinião está no coração daquele que o busca. Quando se tenta explica racionalmente a religião ela perde o seu sentido, uma vez que não há meio de explicar concretamente a existência ou a inexistência de forças sobrenaturais.
Respeito à confissão religiosa de qualquer um ou de sua ausência, ao menos que esta venha a prejudicar outrem. Contudo todos que tem alguma crença assim como eu, deve ter cuidado para não se tornar fantoche nas mãos de pessoas com más intenções, não podemos deixar que nossas vidas sejam conduzidas por interpretações de escrituras feitas de forma errônea ou tendenciosa por lideres religiosos, temos que ter um senso crítico apurado para não nos deixar levar por charlatães que objetivam apenas arrecadar dinheiro, bens e poder. Gostaria de ressaltar que tudo que foi dito neste texto reflete a minha opinião libertária sobre o assunto, não desmerecendo outras visões ou colocando-as como falsas. Meu objetivo com este tema tão delicado e polêmico foi o de mostrar uma posição não preconceituosa quanto às religiões em geral (com exceção das religiões que praticam o mau a terceiros como já foi citado), mesmo que a maioria delas batam de frente com meus princípios e idéias. Espero que eu tenha conseguido se expressar de forma clara para o bom entendimento de vocês. Abraços brutos pra os homens e delicados para as mulheres, e até a próxima cambada.

PEIDADO POR: Márcio “Pigmeu”

Comentários

comentários

Cremo é idealizador e fundador do Cultura em Peso, Asatrú, amante incondicional da fotografia e da cena underground, na qual vive intensamente há 16 anos. Formado em Redes para Computadores, é ex-vocalista das bandas La Tormenta (Grind) e Dead Bush (Punk), ambas de Minas Gerais. Ouve de Punk Rock a Metal Extremo, tendo como principais bandas na sua playlist Ratos de Porão, Napalm Death, Extreme Noise Terror, Circulo Activo, Amon Amarth, Elluvetie e Lacerated and Carbonized. Literalmente um Viking que não marca território: o mundo é sua morada. Lê constantemente sobre política, religião, história das guerras e a autodestruição humana que não aprendeu até hoje a viver com as diferenças. Some com a cena ou suma dela mesmo, agora!

Matérias relacionadas