Simbiose

 

Cremogema:
Estou com Jonhy e Hugo da banda Simbiose de Portugal. Quando surgiu a visão de vocês de vir ao Brasil para estar tocando?

Simbiose(Jonhy):
A banda começou em 1991, e …durante todo este tempo tivemos várias alterações de formação, mas após 16 anos finalmente conseguimos realizar o sonho de vir ao Brasil dar uns shows violentos para a galera.

Cremogema:
Como vocês estão vendo a receptividade do Brasil e como vocês viam o Brasil de lá (Portugal) antes de vir para cá?

Simbiose(Jonhy):
Muito acima de toda expectativa que alguma vez nós imaginamos, tanto calor humano e uma recepção maravilhosa de toda a gente que temos conhecido e tem ido nos concertos. Muito boa a recepção e tem sido muito intenso é muito bacaninha toda a galera.

Cremogema:
Mantendo a sequência de tocar todo dia, como que está a resistência do corpo num ambiente diferente do de vocês?

Simbiose(Hugo):
Não é facil, por que como você sabe as distâncias são longas, e se dorme pouco tempo e ai o corpo sente, mas também na europa a gente faz mais ou menos isso quando é turnê européia. É quase a mesma coisa
entendeu.

Cremogema:
Em 16 anos de banda quantos materiais já foram lançados?

Simbiose(Hugo):
E cara …(rsrsrs) três cd’s, vários split’s com outras bandas, um 7 polegadas (vinyl), um single, uma demo, várias coisas.

Cremogema:
Dos shows que vocês já fizeram no Brasil, qual foi oque mais empolgou?

Simbiose(Hugo):
O que mais empolgou foi o primeiro, por que não tocamos, a polícia não deixou a gente tocar, ontem com o Coléra foi muito legal, primeiro por que nós conhecemos os “Coléra” faz tempo e gostamos da banda, foi muito legal o show lá também.
(Na ocasião o Show foi no Distrito Federal, e a polícia fechou o local com várias viaturas e o comandante com fuzil na mão disse: “qualquer tentativa de resistência será destruída”, assim os portugueses não puderam
tocar)

Cremogema:
Das turnês que vocês já fizeram, qual foi a mais cansativa?

Simbiose(Jonhy):
Normalmente as mais longas, duas semanas já começa a ser muito cansativo quer pisicológicamente, quer fisicamente,
(hugo interrompe)- Está não podemos dizer por que está começando agora entendeu, daqui duas semanas podemos responder se está foi a mais cansativa ou não, rsrsrsrs, por que está num clima diferente, está calor,
(Cremogema-Hoje tá frio, mais cedo estava calor),
(HUGO)-sim está fresco, mas em Portugal está 1 grau,0 grau.

Cremogema:
Bom, e qual a formação atual da banda?

Simbiose(Jonhy):
Lúis na bateria
Diffs no baixo
Nuno na guitarra
Jonhy e Hugo na voz

Cremogema:
A banda segue uma linha de hard core grind ou de grind core puro?

Jonhy: Crust puro,isso mesmo, Cremogema: Aqui no Brasil está sendo divulgado como grind core.
Jonhy: Não faz mal, é mais próximo do grind core, do que outro tipo de música, é até melhor assim mesmo, pois nos identificamos mais com o grind, está bem assim.

Cremogema:
A organização dos eventos onde vocês já tocaram tanto nas gigs da Europa como do Brasil, tem uma diferença muito grande?

Simbiose(Hugo):
É diferente, por que lá na europa há menos público, pois somos menos né, o Brasil é um país muito grande, populoso, então do nada imagina , isso aqui é uma cidade pequena ,do nada tem aqui 200 pessoas vendo o
show, as vezes em Lisboa não tem isso, as condições são melhores para
tocar, mas, o ambiente não é melhor entendeu. Então as vezes é muito subjetivo você estar falando se é melhor ou se é pior, se tem as mesmas condições, lá é diferente. É legal aqui.

Cremogema:
Há muita censura da mídia não só em Portugal como na Europa para o som underground?

Simbiose(Hugo): Recriminação?
Cremogema: isso!
Hugo: Não fazem divulgação, mas o underground sempre foi assim , você gravava k7’s para o seu amigo, divulgava com a galera das outras bandas, sempre foi assim o undergound, nunca precisou de uma mídia para rolar o material. Hoje com a internet é muito mais fácil. As bandas tem site. Eu acho que o underground nunca precisou de … por isso que é underground. Por isso não faz parte da mídia.

Cremogema:
Bom, quando vocês começaram em 1991, a internet não tinha tanta força, como vocês faziam pra divulgar o material e ter uma expansão maior?

Simbiose(JONHY):
Era tudo por escrito, tudo por carta, recebiamios correspondência com
a galera de todo mundo, desde Malásia e singapura ate mesmo muito no Brasil. Tínhamos muitos correspondentes no Brasil, e era tudo por carta. Trocávamos demo tapes, discos, com outras bandas, material de outras bandas, camisetas tudo. Demorava muito mais meses, demorava muito tempo mesmo, para responder e receber ansiosamente uma troca de uma demo tape por exemplo. Hoje em dia com a internet tudo é muito mais rápido, tudo muito mais facilitado. É instântaneo quase.
(Hugo): Ali você escrevia e gravava a k7, eu também ainda não estava na banda, mas fazia muito isso, corresponder com uma pessoa e gravar discos.
Você escrevia na carta, eu tenho um disco… antes de dormir você escrevia um monte de cartas, gravava a k7, mandava e esperava um mês e meio, dois meses esperando que voltasse a resposta e assim você mandava outra.
Era diferente cara, mas havia mais contato com as pessoas, hoje em dia é um pouco virtual também. As cosias custavam mais a fazer e a galera dava mais valor ao que acontecia.

Cremogema:
E como vocês conseguiam esses contatos? Por exemplo fazer um contato com o Brasil por carta, como vocês conseguiam estes contatos?

Simbiose(Jonhy): Por fanzine por exemplo, uma fanzine portuguesa chegava ao Brasil, por que um cara teve por ai e levou material, e outra galera viu lá na fanzine e decidiu escrever e as coisas se propagavam assim e um vai divulgando todos. Ou você conhecia um fulando de um editora e ficava com o contato, escrevia uma carta para lá e mandava uma k7, coisa assim. E era assim que funcionava. Como aqui funcionava igual. A gente sempre escreveu com galera aqui do Brasil.

Cremogema:
A amizade com o Coléra já dura quantos anos?

Simbiose(Hugo): Quando eu falei conhecia a banda, nunca tivemos com os caras, mas para nós foi muito legal estar com uma banda antiga aqui do Brasil, que nós respeitamos e gostamos. Poh tocar com o Coléra
é legal, você vir no país dos caras e tocar com eles. Vamos ter um monte de shows com banda que a gente gosta, com Agrótoxico, Periferia SA, com Ação Direta. Já tocamos com o Ação Direta lá em Lisboa, também com Olho Seco, Ratos de Porão, então a gente já esta por dentro da cena punk, hard core, metal… do Brasil.

Cremogema:
Quais são as influências da banda?/

Simbiose(Hugo): Muitas… desde de punk, hard core, metal, rock, tudo
misturamos.

Cremogema:
E oque vocês transpiram nas letras?

Simbiose(Jonhy): Essencialmente tem a ver com o podre, o crust não ia poder falar da praia, da galera ai beijando, guria com o guri. Fala desde a industrialização, de política, dos problemas causados pelo Bush.
Não é nada de novo, não há nada que já tenha sido falado em bandas de crust há 20 anos atrás, mas também não fazia sentido deixar de falar do lado social, do lado negro, podre e hipócrita da humanidade.

Cremogema:
Oque os europeus pensam do Brasil, é que por aqui tem somente futebol, carnaval e samba, é essa imagem que vocês estão vendo aqui? Ou é totalmente diferente daquilo que vocês estavão pensando?

Simbiose(Hugo): Bom, o cara que vem da europa, não vem pra este lugar aqui, não vai ver punk e metaleiro aqui, vai para um hotel, e vai ver futebol, vai ver as meninas dançando, a praia lá na Bahia, esses turistas que vem para cá só conseguem conhecer este lado do Brasil. Agora nós não, nós estamos com a galera que curte o nosso som, com relidades diferentes, aqui temos dois olhos para a realidade do Brasil. Que para nós é um país muito grande com muita potência, só que por causa do políticos e governantes deste país, por causa da corrupção, por causa do crime ,por causa da droga não está conseguindo evoluir.

Cremogema:
Qual a visão de vocês em relação as drogas na nossa juventude? Quanto mais a nossa geração cresce, as drogas crescem junto.

Simbiose(Jonhy): Desde o ínicio da civilização há o consumo de droga, a droga no meio da natureza ela existe ao lado do homem. Até o fim da humanidade vai haver droga, o combate a droga muitas vezes é hipocrisia, muitas vezes os próprios governos patrocinam o consumo da droga, patrocinam o mercado da droga. Os próprios que dizem que querem combater a droga. Não da para combater aquilo que existe lado a lado com o homem ,cabe a cada um, aqueles que realmente consumem pensar por eles próprios.
(Hugo): Saber oque realmente estão fazendo, todos nós aqui já fomos moleques, já consumimos muitas drogas, e cara quando você deixar de ser você próprio e não conseguir pensar por você próprio e estiver dependente de alguma coisa seja ela qual for, droga, álcool, então você já não é nada. A mensagem que podemos deixar para as gerações mais novas é que nunca deixem de pensar por si próprios.
(Jonhy): As outras drogas fudidas, olha a religião, ela é uma droga, a televisão é uma droga, agora depende da maneira que tu vê uma droga.

(Hugo): Já tem cara viciado na internet, há estudos que há cada vez
mais pessoas dependentes.

Cremogema:
Qual o show que marcou no sangue de cada um?

Simbiose(Jonhy): É complicado, uns por umas razões, outros por outras razões, uns pela proximidade com a galera, outros pela intensidade. Mas tem vários, este que tocamos com o “Ratos de Porão” foi bom, uns com os alemães da “tankar” foi brutal também, e temos na memória concertos
bem pequenos com 40, 50, 60 pessoas, muito intensos, mas eram pessoas que estavam ali com espírito, e isso é muito valisoso e estes concertos são muito significativos para nós. Lembramos disso com muito boa recordação, as vezes muito não quer dizer que seja melhor. Como por exemplo hoje aqui em Anápolis parece que vai ter este estilo, este sentimento, parece que vai ser próximo da galera.

Cremogema:
Contatos da banda?

Simbiose(Jonhy): Temos o site oficial, embora um pouco desatualizado, www.simbiosecrust.com , e tem um que a galera toda procura bandas que é o www.myspace.com/simbiose, este é o melhor para conhecer a banda.

Cremogema:
Os integrantes vivem apenas da banda ou tem profissão definida?

Simbiose(Jonhy): Toda galera trabalha, seja a Simbiose ou bandas já grandes em Portugal trabalham, é muito díficil viver da música, e para nós é mesmo amor a camisola, fazemos viver isso há uma intensidade assim.

Cremogema:
Qual as profissões de cada um de vocês?

Simbiose(Jonhy): Eu por exemplo trabalho com informática, assistência, outros com vendas, motorista, loja de música, é variável.

Cremogema:
Como vocês conseguiram conciliar trabalho e banda para vir ao Brasil?

Simbiose(Jonhy): Nós já vinhámos a planear vir para cá desde de 2002, tem sido muito complicado por causa das férias, pois somos 6 e so vieram 5 por que o outro guitarra ficou preso em Portugal, então era díficil todos tirarem férias juntos. Tinha que ser planejado com muita antecedência.

Cremogema:
Se não existisse o Simbiose na vida de cada um oue seria de vocês?

Simbiose(Jonhy): Uma merda. É quase meu sangue, tem muito significado,
eu tenho 33 anos, a banda na minha vida tem 16, já é metade da minha vida. Daí pode tirar o valor que ela tem. E eu sei que para eles é a mesma coisa. Se não fosse essa banda tinha outra, por que a vida não pode ser acordaste de manha, saiste para o trabalho, so isto não pode ser. A vida tem muito mais valor, muito mais significado para além do trabalho. Para fazer coisas de interesse, objetivos.

Cremogema:
Qual a mensagem da banda por esta pequena passagem que vocês fizeram ao Brasil que ainda vai continuar muito e para um 2008 melhor?

Simbiose(Jonhy): Em todo lado está muito difícil, em Portugal também está assim, a nível musical para as bandas e organizações, a aparecer nos shows e dar ai apoio moral as bandas, e ter esperança que as coisas
melhorem um pouvo neste sentido, e consciência, ser justo. (Hugo): O que eu digo para toda a gente é que o mundo melhore, por que vivemos em um mundo de merda, no Brasil, em Portugal, todo lugar é um
mundo de merda. A proposta que faço para toda a gente é que se conscien tizem do que são e doque querem ser e que não se acomodem a vida moderada e que façam oque puder para ter sua liberdade é isso que eu tenho para falar de 2008, é isso ai.

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Cremo é idealizador e fundador do Cultura em Peso, Asatrú, amante incondicional da fotografia e da cena underground, na qual vive intensamente há 16 anos. Formado em Redes para Computadores, é ex-vocalista das bandas La Tormenta (Grind) e Dead Bush (Punk), ambas de Minas Gerais. Ouve de Punk Rock a Metal Extremo, tendo como principais bandas na sua playlist Ratos de Porão, Napalm Death, Extreme Noise Terror, Circulo Activo, Amon Amarth, Elluvetie e Lacerated and Carbonized. Literalmente um Viking que não marca território: o mundo é sua morada. Lê constantemente sobre política, religião, história das guerras e a autodestruição humana que não aprendeu até hoje a viver com as diferenças. Some com a cena ou suma dela mesmo, agora!

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