Spiritual Carnage

Entrevista realizada em 18/03/2011
Feita por Laurencce Martins
Com SPIRITUAL CARNAGE (Guilherme Aguiar, Greco e Hemar Messiah)

Olá amigos, aqui é Laurencce Martins, de volta a um dos sites mais pesados da cena extrema nacional: CULTURA EM PESO. Hoje falaremos sobre uma banda que já tem quase 1/4 de século de existência, a SPIRITUAL CARNAGE. Vamos conhecer mais um pouco dessa banda de Death Metal que vem levantando a bandeira do gênero há vários intensos anos. Representando a banda, os guitarristas Guilherme Aguiar e Greco e o vocalista Hemar Messiah dão a letra.

Laurencce: Como vai pessoal, tudo bem? Primeiramente, obrigado por contribuir com a cena extrema.

Guilherme: Nós da SPIRITUAL CARNAGE que agradecemos pela oportunidade de falarmos alguma coisa pro pessoal da Cultura em Peso e mostrar nosso trabalho pra galera em geral por meio de vocês! De certa forma todos nós contribuímos para a cena extrema brasileira, seja como banda, seja como público ou seja pela mídia especializada responsável pela circulação de informações.

Laurencce: Para o pessoal conhecer mais sobre a banda, de onde surgiu a idéia do nome SPIRITUAL CARNAGE?

Hemar: Quando eu e o Skowronski fundamos a banda, discutíamos muito sobre as causas de tragédias, miséria, epidemias, chacinas, enfim, destruição do planeta e da humanidade, e chegamos à conclusão que tudo no fundo era relacionado à igreja, pensamentos políticos egoístas do poder, crenças, fanatismo religioso, etc. Falta de espiritualidade, embora eu ache que essa é a grande causa de tudo: falta de espiritualidade. Foi baseado nestas conclusões, e toda essa carnificina que a humanidade vem gerando nos dias de hoje e ontem, que tivemos a idéia de colocar esse nome: CARNIFICINA ESPIRITUAL ou CHACINA ESPIRITUAL, também achamos que com esse nome, poderíamos abrir um leque de idéias na composição das letras.

Laurencce: A banda já tem quase 25 anos de existência, mas só recentemente (2006) gravou o primeiro trabalho oficial (VOICES OF DARKNESS). Parabéns pela conquista mesmo depois de muitos anos pós surgimento da banda. Gostaria que tu colocasse para os leitores a razão de insistir nessa área que é pouco valorizada em termos quantitativos que é o metal extremo.

Greco: Reconhecemos que deveríamos ter feito mais no que diz respeito a gravações pelo tempo que a banda tem. Mas nessa época não era fácil ter uma banda, instrumentos, e tínhamos que viajar para gravar se quiséssemos mais qualidade de som. Mesmo assim fizemos muitos shows, gravamos cinco demos, o cd Voices of Darkness e conseguimos manter a banda ativa esse tempo todo. Acredito que a razão por continuarmos é o extremo gosto pela música pesada e justamente a valorização e incentivo por parte do público metal, que mesmo não sendo tão grande quanto em outros estilos populares, mas são extremamente fiéis.

Laurencce: Percebe-se que a cena do estado de Goiás está ficando cada vez mais forte, tanto por parte das bandas quanto por parte dos festivais que ocorrem com maior frequência e intensidade. A SPIRITUAL CARNAGE logicamente participa dessa corrente. Quero saber como você vê a cena goiana estando dentro dela:

Guilherme: Em nossos shows vemos uma galera nova e aqueles que sempre nos apoiaram nesses 22 anos, e conseguimos atrair tanto o pessoal do Death, Thrash e Black Metal. Com isso, renovamos a cada dia nosso público e fazemos com que cada vez mais as pessoas possam ter acesso ao nosso som e história, já que fomos os primeiros a tocar música extrema em Goiânia. Muitas bandas já se foram, muitas estão nascendo, outras já procuram seu espaço, e percebemos que a cabeça da galera mudou, o som mudou e principalmente a atitude mudou. É tudo muito fácil hoje compor e produzir um álbum ou música, uma vez que a internet e recursos da mesma possibilitaram tal ação. Isso é um ponto positivo, pois facilita às bandas produzirem mais de forma mais econômica. Por outro lado, perde-se aquele tesão em ouvir algo velho, estudar muito pra compor algo e sentir e viver realmente o que se está produzindo. Aqui no SPIRITUAL ainda tem gente que grava em gravador e compõe no violão os riffs e mostram com o maior orgulho pro resto da banda! Hahah! É tudo muito old-school mesmo!
Com relação aos festivais fico muito feliz que a cada ano estão maiores, com maior público e mesclando bandas novas com as veteranas. Novos produtores surgindo, bandas de fora vindo à Goiânia e movimentando o circuito. A SPIRITUAL CARNAGE tira o chapéu para a maioria dos produtores daqui, excluindo é claro aqueles que promovem eventos cover e não valorizam os artistas autorais. Isso é uma cultura bastante deplorável.

Laurencce: Voltando à banda, vocês já participaram de vários eventos que envolveram artistas consagrados, tanto nacionais quanto internacionais. Algum em especial? Por qual razão?

Greco: Todos foram importantes e gratificantes pelo fato de sempre termos sido convidados por organizadores que reconhecem a nossa trajetória e que nos respeitam como pessoas e músicos. Sepultura, Krisiun, Master, Cannibal Corpse e muitas outras bandas fazem parte da lista, mas para o Destruction teve um gosto especial por se tratar de uma banda que a gente gostava desde moleques e até então era inimaginável que pudéssemos tocar no mesmo palco.

L: Quais as suas influências pessoais dentro e fora da música?

Guilherme: Eu tenho muita influência de música oriental! Gosto muito de Ravi Shankar e todos aqueles tempos musicais estranhos da música oriental. Como pessoa, admiro muito Chuck Schuldiner (Death), Ihsahn (Emperor) e Paul Speckmann (Master), por todos esses anos vivendo e respirando o underground. Gosto muito também do jeito empreendedor do Peter (Vader), a genialidade do Devin Townsend (Strapping Young Lad) e a inclusão do som oriental no ocidental de bandas como Nile, Behemoth e Melechesh!
Fora da música admiro muito o pensamento de Sartre e Heidegger, que às vezes, me ajuda muito nas composições da banda. Os outros integrantes também têm suas influências diversificadas.

Hemar: Black Sabbath, Destruction, Kreator, Morbid Angel, Death, Slayer, etc.

Greco: Minhas influências são o que eu ouço, ou seja, quase todas as bandas de death metal do mundo, algumas thrash e algumas heavy metal.

Laurencce: Criar aparentemente parece um trabalho complexo. Como vocês mesclam suas influências com o processo criativo?

Guilherme: Na banda todos criam e dão sugestões. O Greco e o Hemar vêm com riffs gravados no gravador e no violão (hahahaha!) e eu já digitalizo e venho com uma parada mais produzida. Todos nós temos as mesmas influências musicais, daí facilita muito o trabalho, pois nós meio que já sabemos qual a intenção da música nos riffs de cada um. Somos muito influenciados pela própria banda!

Laurencce: O novo trabalho da SPIRITUAL CARNAGE já tem nome? O que os admiradores do gênero podem esperar?

Guilherme: Ainda não temos o nome, mas já temos muitas idéias e até já pensamos na arte da capa! Tudo será muito pensado e feito com muito trabalho, pois esperamos um bom resultado de nossas composições. Terá músicas curtas, grandes, old-school e uma mescla do tradicional com o metal mais técnico.

Laurencce: Vocês acham que existe uma receita para que uma banda conquiste seu espaço? O que você sugere para as bandas que estão começando?

Guilherme: Não é uma receita, mas se não trabalhar forte e persistir no que quer, nada na vida flui. O que uma banda precisa ter em mãos é seu material gravado. Isso é fato. O que ocorre hoje em dia e me deixa bem descrente das novas bandas, é que gravam uma música, veja bem, UMA música, colocam no Myspace e já saem querendo tocar o terror nos festivais. Quando tem essas enquetes ou votações pra alguma banda abrir show gringo ou participar de alguma coisa, ganha justamente essa banda que tem UMA música gravada, porque elas não focam no trabalho intenso e a longo prazo, promovem uma onda de ‘som novo’ e ganham porque têm mais amigos na votação que as outras. Isso não é conquistar espaço com o público e produtores. É mais uma onda passageira que na maioria das vezes acaba com o fim da banda.
Outra coisa é nunca pagar para ter destaque, ou seja, comprar tudo e todo mundo pela frente pra falar da sua banda! Pagar um espaço reservado em uma revista especializada para merchan e promo é uma coisa, agora pagar pra tocar, comprar produtores e sair enfiando dinheiro em todo mundo é detestável!

Laurencce: Jogo Rápido

Guilherme:
Uma banda: Morbid Angel
Um álbum: Altars Of Madness (Morbid Angel)
Uma música: Spheres Of Madness (Decapitated)
Um livro: Na verdade um ensaio: O Existencialismo é um Humanismo – Jean Paul Sartre
Uma frase: “The final swing is not a drill
It’s how many people I can kill” – Slayer (War Ensemble)

Laurencce: Pessoal, parabéns pelos anos dedicados ao metal extremo, pela luta e por tornar esse gênero mais rico. Pra fechar, mandem uma mensagem aí pro pessoal que acompanha o Cultura em Peso.

Guilherme: Nós da SPIRITUAL CARNAGE que agradecemos a todos que nos apóiam nesses longos 22 anos! Tanto o público, como outras bandas, nossas influências e toda a mídia que suporta e acompanha esse gênero tão ímpar!
Em breve estaremos com material novo e tocando em todas as partes do Brasil e fora também! Continuem apoiando as bandas que gostam, lendo sobre o que acontece em sua volta e, principalmente, tenham atitude! Não se acomodem e deixem que os outros façam por você!
Vida longa à Cultura em Peso!

Laurencce: Valeu por terem participado da coluna aqui com a gente, estamos aguardando o novo som. Um grande abraço.

Guilherme: Muito obrigado pelo espaço e esperamos voltar por aqui já com a divulgação do nosso novo trabalho!

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Cremo é idealizador e fundador do Cultura em Peso, Asatrú, amante incondicional da fotografia e da cena underground, na qual vive intensamente há 16 anos. Formado em Redes para Computadores, é ex-vocalista das bandas La Tormenta (Grind) e Dead Bush (Punk), ambas de Minas Gerais. Ouve de Punk Rock a Metal Extremo, tendo como principais bandas na sua playlist Ratos de Porão, Napalm Death, Extreme Noise Terror, Circulo Activo, Amon Amarth, Elluvetie e Lacerated and Carbonized. Literalmente um Viking que não marca território: o mundo é sua morada. Lê constantemente sobre política, religião, história das guerras e a autodestruição humana que não aprendeu até hoje a viver com as diferenças. Some com a cena ou suma dela mesmo, agora!

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