Udi Rock 2011

Udi Rock 6ª Edição- 15/16 Outubro – Uberlândia MG

O já tradicional festival mineiro teve em sua edição 2011 dois dias de shows na casa Acrópole e mais uma vez mostrou a força da cena local, que com certeza merece destaque não só em Minas mas em todo país. O primeiro dia, que infelizmente teve pouco público em relação as edições anteriores, foi mais eclético enquanto o segundo priorizou o peso do HC/Punk e do Metal
Dia 15
Os trabalhos no sábado foram iniciados pelo trio Maldito Sudaka que me surpreendeu pois já imaginava outro grupo pseudo-cabeça e queimei a língua! Os caras mandaram ver num híbrido de funk/rock/samba/soul muito legal e me levaram a abrir a primeira de muitas latas de cerva no dia. Destaque pro baterista que também é percussionista do Porcas Borboletas. Na seqüência o Anil de Araguari mostrou o repertório do recém lançado cd “Livre, Sem Destino” (Incêndio- 2011) e quem conhece a banda já sabe o que rolou, um rock pesado com cara anos 70 e pegada bluesy pra ninguém botar defeito. Essa banda não para de evoluir e creio que seja questão de tempo para se tornar mais conhecida na cena rock nacional. Destaque pros riffs de Maurício que honram a escola de mestres como Steve Ray Vaughan. A terceira banda na minha opinião é uma das mais legais do país, Seu Juvenal (Uberaba/Ouro Preto). Os caras não deram a mínima pro pouco público (nada a ver bandas desse quilate tocarem nesse horário, mas…) e detonaram num set que priorizou o cd mais recente, o elogiado Caixa Preta (Valvulado – 2010), além de tocarem sons que estarão no próximo disco já em fase de produção. O rock pesado totalmente influenciado pela cena de Seattle (Nirvana a frente) feito pelo Leave Me Out começou a encher mais na frente do palco já que os caras são locais e tem uma (merecida) base de fãs na cidade. Eles também lançaram cd a pouco e mostraram que não estão pra brincadeira, show correto e repertório acertado, ponto pra eles. No dia que teve como headliner o gaúcho do Júpiter Maçã (banda que não me diz nada e a qual não assisti o show) ainda rolou o rock sujo do Rotten Hell (de Udi, que conta com integrantes do Attero e Krow), o hard glam do Killer Klowns (Udi), o som garageiro do Bang Bang Babies (GO), Transpanumbras(MG) e Haxixins (SP), sendo que essas duas últimas também não assisti. Um dia legal com bandas excelentes, outras nem tanto e outras bem chatas, mas essa é só minha opinião (e nesse texto ela que vale)
Dia 16
Cheguei um pouco atrasado no segundo dia e perdi as 3 primeiras bandas Combate, Benflas e Mula Di Freti (homenagem ao Mukeka Di Rato?). Quando entrei meu chapa Padero e sua crew mandavam ver num set nervoso despejando doses nada homeopáticas de NY HC e criando uma bela roda na frente do palco. Os caras evoluíram muito e suas composições soam melhores a cada dia, bom começo de tarde! Em seguida uma banda que eu não conhecia , Burnahead (Udi), que mistura thrash metal e hard rock e o resultado me agradou bastante. Bons vocais, riffs duetados e cozinha eficiente foram os ingredientes do prato servido em pouco mais de 30 min. Eu já estava na pilha de conferir o Lycantrophy de Ituiutaba (MG), os caras tem sido bastante elogiados e pude comprovar que merecem cada crítica positiva pois seu Death/Thrash com muitas referências Black metal (em especial nos vocais rasgados) se mostrou ainda melhor ao vivo. A bateria no cd de estréia foi gravada por Ricardo Confessori (Angra, Shaman) que também produziu o disco mas o novo batera conseguiu segurar bem a bronca e o resultado foi um set excelente e muito bem recebido por todos. WC Masculino de Goiânia é uma banda já veterana de Punk/HC com toques de metal e também agradou. Músicas diretas, performance energética e conhecimento inegável de causa garantiram mais um bom show e o público(que nessa hora já era mais numeroso) soube reconhecer isso. O que falar do Attero? O s caras são referência pra cena de Uberlândia e acabam de soltar um puta disco (Contraste- One Voice 2011). Com certeza uma das bandas que mais queria ver e definitivamente não decepcionaram. O set foi baseado nos 2 lançamentos mais recentes o ep “Ruínas” e o já citado “Contraste” e foi porrada atrás de porrada inclusive com participação do Padero dividindo os vocais com Carlinhos em uma das faixas (que no cd teve participação de Gregório do Deceivers). Depois de tanto tempo parados é bom ver o Attero de volta e que o próximo show não demore! Era hora do Krow, orgulho do death metal mineiro, detonar sua fúria na cabeça dos presentes que antes do início do set já gritavam pela banda. Guilherme e seus asseclas detonaram com tudo num set hiper profissional, energético e com a galera nas mãos. Resultado? Uma das melhores apresentações dos caras e com certeza um dos destaques do Udi Rock. Além de tocarem sons já conhecidos da primeira demo e do cd Before The Ashes mostraram faixas do aguardado segundo álbum “Traces Of The Trade” que deve estar saindo do forno quando estiverem lendo essa resenha. Fechando o festival vieram os capixabas do Mukeka Di Rato com seu som tosco, energético e bastante interação com a platéia. Tenho bastante respeito pela trajetória dos caras apesar de não curtir muito o som e acredito que a impressão que tiveram da nossa cena foi a melhor possível já que durante todo seu set o mosh pit não parou um minuto.
Conclusão
Acho que entre mortos e feridos salvaram-se todos, o festival marcou território mais uma vez, alguns shows ficarão na cabeça dos presentes por muito tempo e espero que no ano que vem estejamos todos de novo celebrando essa festa do rock mineiro, sem se importar se fulano é de qual coletivo, ou se não é de nenhum, ou se é de todos…Meio confuso? Abraço!

Manu “Joker” toca nas bandas Uganga e Angel Butcher , faz parte do Zine Páginas Vazias e é Arquiteto.

 

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Cremo é idealizador e fundador do Cultura em Peso, Asatrú, amante incondicional da fotografia e da cena underground, na qual vive intensamente há 16 anos. Formado em Redes para Computadores, é ex-vocalista das bandas La Tormenta (Grind) e Dead Bush (Punk), ambas de Minas Gerais. Ouve de Punk Rock a Metal Extremo, tendo como principais bandas na sua playlist Ratos de Porão, Napalm Death, Extreme Noise Terror, Circulo Activo, Amon Amarth, Elluvetie e Lacerated and Carbonized. Literalmente um Viking que não marca território: o mundo é sua morada. Lê constantemente sobre política, religião, história das guerras e a autodestruição humana que não aprendeu até hoje a viver com as diferenças. Some com a cena ou suma dela mesmo, agora!

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