Uganga

 

 

Perguntas: Cremogema
Respostas: Manu (El Joker) e Marco Paulo

1- É sempre uma honra falar com o Uganga , principalmente quando é uma palinha pro Cultura em Peso. Tudo na paz , gravação finalizada, o que você tem pra falar do novo material para nós ?

Manu “Joker”: Tudo na relax total mano! Cara o que tenho pra falar é que terminamos mais um trabalho, nosso terceiro, e estamos muito satisfeitos com o resultado. Acho que dentro do que queríamos que era uma pegada mais próxima do que a banda é ao vivo, sem maquiagem, fomos muito bem sucedidos. É nosso trabalho mais bem feito, produzido e executado. E é o mais pesado também, com certeza.

Marco: Tivemos tempo pra planejar tudo da melhor forma….pensar nos detalhes, nas participações, fazer uma pré-produção bem feita….e principalmente, a banda estava num clima foda, de amizade, entrosamento. Então a expectativa é a melhor possível. Acreditamos muito nesse novo CD.

Manu: Certeza, isso que o Marco falou é real…Essa banda já foi pro estúdio outras vezes em clima de guerra, e felizmente isso é passado.

2- É o primeiro trabalho do Thiago junto a banda, em que aspectos a entrada dele foi importante na produção/ gravação deste trabalho ?

Manu: Em vários aspectos com certeza. Mesmo com parte do material já composto ele trouxe sua pegada pro cd e é co-autor de várias faixas como Asas Negras, que ele meio que deu o “start” junto com o Marco. Ao vivo também melhorou muito pois pela primeira vez acho que realmente temos uma dupla de guitarristas bem entrosada. Já passaram caras muito bons pelo UGanga mas a interação que temos hoje nas duas guitarras é muito foda!

Marco: Quando eu soube que ele havia se juntado a banda eu ainda estava no exterior, e achei foda! Eu já conhecia o cara, já trocávamos idéia, sabia que ele tinha gostos musicais em comum com os integrantes do UG e isso foi muito importante pra ajudar no entrosamento, até porque ele entrou numa fase de composição, ensaios, e pouco depois já estávamos indo pro estúdio….E essa amizade que já havia antes acabou fazendo com que parecesse que a gente tocava junto a mais tempo.

Manu: Foi muito natural a parada. Nós estávamos procurando guitarrista e já tínhamos até feito alguns contatos quando eu soube que ele tinha saído do Dharma Kaos e voltado pra Uberlândia. Acertamos em cheio na escolha.

3- Como foi feita a escolha do titulo do album ? Que critérios foram usados para escolher as musicas que fariam parte do cd ?

Manu: Esse nome apareceu numas conversas que rolaram entre mim o Marco e o Eliton Tomasi (da produtora Som Do Darma, que trabalha com o UGanga). A idéia foi usar o número 3 como ponto de partida já que é nosso terceiro cd, a banda é de 93, tem 13 faixas etc… Optamos por um título também com 3 palavras todas começadas com “c” (a terceira letra do alfabeto) e dividimos o cd em três “partes”. Mas não é um álbum conceitual, apesar do foco no número 3.

Marco: É um nome foda, algo que se você pára e pensa sobre. Tem várias idéias, vários significados, mas todos acredito chegam no mesmo ponto que é uma parada meio “causa e feito”. Uma ação gera uma reação….O que você planta você colhe, esse tipo de coisa.

Manu: Vivemos no Caos e o nosso Carma será de acordo com o nosso Conceito (risos).

Marco: Sobre a escolha das músicas, foi com base na sonoridade mesmo…No que estava nos agradando. Fizemos um intensivão de ensaios e pré-produção no fim do ano passado e fomos selecionando as músicas que nos agradavam mais, que formariam um conjunto melhor pra esse álbum.
Manu: Pela primeira vez tínhamos mais material do que iríamos usar e isso possibilitou , ao meu ver, um padrão mais alto na seleção das faixas que entraram no disco.

4- Lendo as letras da banda , pude perceber que em todas as letras existe a divisao de idéias da banda , nenhuma letra é feita por um so integrante, isso é uma regra em si da banda ?

Marco: Não….odiamos regras (risos)! Não temos uma fórmula pré-estabelecida de composição. Na maioria das vezes as letras são escritas pelo Manu, e ele sempre está mostrando pra gente. Daí sempre surgem algumas colaborações. Em outros casos a gente escreve algo, passa pra ele e ele insere em algo que já estava escrevendo. Rolaram também algumas participações de amigos, integrantes de bandas parceiras…
Manu: Eu na verdade me envolvo mais com essa parte, até organizando as idéias que vem dos outros integrantes/colaboradores. Eu diria que 80% das letras foram escritas por mim mas na banda o Marco sempre colabora, desde o primeiro cd, e tenho outros parceiros com quem sempre escrevo como o Breno Angelotti e o Paulista (guitarrista do Olorum) que não são da banda mas estão bastante próximos. E nesse trabalho em especial tivemos alguns colaboradores com quem trabalhamos pela primeira vez e você é um deles (risos)! Achei muito louco termos feito essa letra juntos, até porque nesse som em especial usei várias partes de textos que me foram passados por amigos como você, o Panda (da banda de Death Metal paulista Oligarquia) e o X do Câmbio Negro . E o melhor é que tudo se encaixou perfeitamente no contexto do som (a faixa “Sua Lei, Minha Lei).

Cremogema: Essa parte eu juro que não lembrava! (risos)

Manu: (Risos) Pode crer, eu sou meio arqueólogo mesmo. Nêgo as vezes me manda uma parada, seja uma parte de uma letra ou um riff e esquece. Passa uma cara e de repente vira um som novo (risos). Na verdade por morarmos em cidades diferentes usamos muito esse lance de mandar vídeos, arquivos de mp3 ou textos um pro outro. Mas no final é no ensaio com abanda toda que as coisas realmente tomam forma.

5- “Fronteiras da tolerância” ,e “zona arida” sons ja conhecidos do publico da banda ,fizeram parte do “caos carma ,conceito”, por que estas musicas tiveram um pré – lançamento ?
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Marco: Essas músicas refletem bem essa “nova fase” da banda, a proposta de estar mais pesado, mais focado nas raízes thrash / hardcore, e são duas músicas que particularmente eu acho do caralho! Foram umas das primeiras músicas compostas pra esse trabalho, e achamos interessante já estar tocando em alguns shows que fizemos como Udi Rock Scene e Jambolada, pra já dar uma prévia pro pessoal do que estava por vir e também pra dar uma “testada” nesses sons ao vivo, ver a reação do público… Como elas soariam no palco…

Manu: “Zona Árida” é da fase que o Guilherme (Krow) ainda estava dando uma força na outra guitarra, inclusive gravamos uma demo com essa formação antes do Marco ir pra Austrália e o Tibanha (Scourge) cantou comigo no refrão. Na gravação do cd novo o Guilherme (Krow) fez a parte do Tibanha e o Sapão os backings na parte mais core. Mas a música mais antiga desse cd é “Iso 666” que fizemos logo depois do “Na Trilha Do Homem De Bem” (2006). Elas entraram pois, como o Marco disse são músicas que agradam bastante a todos na banda.

6- Essa relação de proximidade com o publico que o Uganga tem, aconteceu de forma natural ou já foi planejada em tempos anteriores ? O que essa proximidade traz de positivo ao trabalho do grupo?

Manu: Não sei se entendi bem a pergunta mas creio que o fato de sermos público também, antes de termos nos tornado banda, é parte disso tudo. Estamos ralando no underground só com o Uganga a 15 anos, não montamos nada correndo pra participar de festival ou seja lá o que for… Hoje em dia a molecada já quer ser professor antes de entrar no jardim da infância (risos). Uma brutalidade de boutique (risos). Acho que as pessoas vêem isso no UGanga, uma banda que toca com o coração, por amor a camisa e não pra fazer média. É que nem o KL Jay dos Racionais MC´S fala: “As ruas estão olhando, observando” (risos).

7- Foi isso mesmo Manu, você entendeu certo. O novo álbum tem previsão para lançamento?

Manu: Outubro de 2009 sem mais atrasos por favor!!!!!!!!!!!!
Marco: Nessa semana estamos finalizando a faixa multimídia que virá junto com o CD. Ela vai conter uns trechos de ensaios, de shows, depoimentos da banda, fotos…
Agora é reta final mesmo, finalizar isso, mandar pra prensagem e abrir uma gelada pra comemorar!

8- Como a banda pretende lançar o material? Algum selo / gravadora em vista?

Manu: Aqui no Brasil, além da Incêndio, que é o selo da banda, fechamos com a Freemind (SP) e com nossos conterrâneos do Goma Discos aqui de Minas. Na Europa a correria tá por conta da Metal Soldiers de Portugal e todos estão bastante animados com o resultado final. Com essa parceria forte e mais algumas distribuidoras que também irão trabalhar o cd creio que teremos um divulgação foda. Vale lembrar que a primeira prensagem será em edição digipack luxo pra valorizar mais ainda o trabalho em época de mp3 (risos).

9 – Jogo rápido:
Manu:
Uganga: Família, irmandade e um dos meus carmas (risos)
Musica : A maneira que escolhi pra levar a vida
Paz : Busca eterna
Triangulo mineiro: Casa
Política : Um mal necessário para que o mundo exista. Porém os políticos em sua grande maioria são uns ladrões filhos da puta. E é por isso que o planeta ta indo pro saco.
Vida e morte : Parte do ciclo
1 livro: O Passo Decisivo (Krishnamurti)
Televisão: Muito lixo e alguma coisa legal.
Esperança: Sempre, sem ela não tem razão pra continuar a vida.
Nos tempos livres: Esporte, família, namorada, blunt e MÚSICA!
O ser humano: O animal mais idiota de todos
Uma frase: Om Shanti (saudação Hindu)

Marco:
Uganga: Prazer, correria e amizade.
Musica: Combustível pra vida.
Paz: Salvação do mundo.
Triangulo mineiro: Foda!
Politica: Dinheiro sujo.
Vida e morte: Causa e efeito.
1 livro: The Art Of Modern Rock
Televisao: Idiot Box
Esperança: Paz
Nos tempos livres: Design gráfico, skate, amigos, baladas.
O ser humano: Um mistério.
Uma frase: O presente é o passado do futuro.

10- Uganga ja faz 15 anos de estrada , a um tempo atras vocês me disseram sobre um dvd , ele ainda esta em pauta ? Seria ele um material comemorativo pra esse tempo todo de estrada ?
Marco: Sim, ainda temos planos de lançar esse DVD. A idéia inicial era sair com o novo CD, mas rolou a entrada do Thiago, a minha viagem pro exterior…E também temos certeza que essa turnê de divulgação do novo álbum vai ser a mais foda de nossa trajetória até agora. Assim decidimos esperar um pouco , documentar essa turnê e lançar algo um pouco mais pra frente. Vai ser algo comemorativo dos 15 anos da banda, desde sua primeira formação, contando toda a trajetória, depoimentos de ex-integrantes, cenas de shows das antigas, algo bem completo mesmo. Mas como se trata de uma banda independente, nem sempre as coisas saem como e quando a gente espera (risos). Mas vai sair sim!

11- Quem produziu o álbum , onde foi gravado , masterizado e remasterizado , arte de capa?
Manu: Optamos por repetir a parceria com o Riti no novo cd. Fizemos o anterior com ele e o pessoal do Orbis Estúdio (DF) e gostamos bastante do resultado. Ele é um cara que conhece bem os extremos com que trabalhamos, tocou no Cirrhosis e somos amigos a uns 20 anos. Hoje ele toca no More Tools que é death metal e no 2Dub que é dub com eletrônica. E foi baterista do grande Cãmbio Negro, uma das bandas mais foda do rap nacional e uma das primeiras a fundir rap e rock pesado. Além de tudo ele curte muito nosso som e todos esses fatores aliados a qualidade do estúdio foram decisivos na escolha. A masterização foi feita no Music Lab na Alemanha por Harris Johns, que já trabalhou com Kreator, Sodom, Cro-Mags, RDP e Sepultura , só pra citar alguns. O cara é foda!

Marco: Sobre a capa, assim como no nosso segundo CD, a arte ficou por minha conta. Busquei fazer algo diferente do que anda rolando no cenário de música pesada em geral, fugindo de caveiras e coisas do tipo. Acho que consegui isso, essa diferenciação do que anda rolando em matéria de capas de bandas de som pesado…Vale lembrar que eu sou o responsável pela arte mas o conceito da parada foi feito em conjunto. Eu e o Manu trocamos muitas idéias até chegarmos ao resultado final.
Manu: Você até vai achar uma caveira por lá (capa), mas vai dar trabalho (risos)

12- Marco , você como baterista carrega a responsabilidade de manter o ritmo da banda , pois se a bateria nao for bem fica dificil sair alguma coisa. Como você se prepara para cada show? Como cria as ideias para cada musica na hora de compor ?
Marco: Felizmente no Uganga há dois bateristas, já que o Manu ainda toca e foi o batera da banda por vários anos. Isso ajuda muito na hora de compor as músicas. Até porquê somos de escolas musicais diferentes, temos influências diferentes e tal. Dai vamos trocando idéias, cada um sugerindo uma coisa, até chegarmos a um resultado final. Sobre a preparação, procuro dar uma alongada boa antes do show…De preferência uma meia hora antes, e não estar muito bêbado também ajuda (risos)! Mas totalmente sóbrio também não curto, é bom tomar algumas geladas de leve, antes, pra ficar mais solto. E um blunt também cai bem (mais risos)!
Manu: Eu na verdade troco umas idéias com o Marco sobre arranjos etc, mas no final é o estilo dele que prevalece e acho que o trabalho de batera ficou nervoso!

Marco: E fora isso, é ouvir muita coisa, tirar influências de tudo e tentar aplicar isso na minha criatividade como baterista. Se fosse citar alguns bateras que me influenciam, diria o Manu (primeira pessoa q vi tocar batera na minha vida), Chad Sexton (311), Joey (Slipknot), Travis Barker (Blink, Transplants) e Iggor (Sepultura).

13- As letras são tratadas de forma que podemos pensar que são experiências próprias ou ja passadas por alguém próximo, todas de forma que contestam as atitudes do ser humano. De que forma a banda espera que isso seja recebido pelo publico ?
Manu: Da maneira que cada um quiser receber. Sei que existem pessoas que curtem nossas letras e que se identificam com o que é falado ali, mas também existem aqueles que estão mais ligados no som e só querem curtir. Sem problemas… Procuro escrever sobre o que vivo e acredito e se de alguma maneira alguém tirar algo de positivo já tá valendo. Mas em momento algum queremos dizer o que está certo ou errado, só deixar ali nossa opinião. Acho um saco essas bandas que ficam pregando em cima do palco (risos).

14- Qual foi a principal dificuldade durante os dias de gravação ?
Marco: Difícil falar alguma dificuldade. Acho que esperar a gravação acabar pra ouvir as músicas logo (risos). Foi muito relax! Ficamos com o estúdio fechado pra gente durante toda a gravação…Estávamos num clima bom, todo mundo feliz por estar ali, todos buscando dar seu máximo, .foi tudo muito tranqüilo.
Manu: Esse foi o cd mais fácil de ser feito até por termos ajuda financeira. Tendo em vista que grana é o maior problema pra maioria das bandas dessa vez a coisa foi mais fácil pois tivemos apoio da prefeitura de Araguari e dos selos. Pra mim o pior foi gravar os vocais na seqüência do instrumental. Como fiquei muito envolvido com a produção nessa hora a pilha tava meio zuada já, e por isso tive que voltar uns 15 dias depois pra terminar.

15- Expectativa pro lançamento? Alguma tour , show de lançamento a vista pra divulgação ?
Marco: A expectativa é a melhor possível! Já postamos algumas músicas em nosso MySpace e a receptividade tem sido foda! Agora é esperar o cd completo chegar e cair na estrada de vez. Já temos alguns shows marcados mas como ainda não sabemos a data exata que o CD irá chegar ainda não fechamos nenhum lançamento oficial. Mas já estamos tocando as faixas desse novo trabalho. Os próximos shows são em Uberaba dia 25/09 na Uniube, e dia 11/10 em Patos de Minas. E em breve teremos também a data do lançamento em Araguari.
Manu: Os planos são tocar mais do que na tour anterior onde fizemos umas 50 apresentações. Estamos vendo com o pessoal da Metal Soldiers um giro na Europa ano que vem, já temos datas em Portugal e na Espanha mas a idéia é fazer algo maior. Também temos contatos no Chile com o pessoal da Monejo Records e da banda Conspiracion, e deve rolar algo por lá logo. Mas esses giros fora queremos fazer bem planejados pois aqui ninguém é “barão” e com certeza papai não vai bancar esse rolê. Tem que valer a pena e ao menos empatar nos gastos. Também estamos vendo umas datas pelo interior de São Paulo com o Seu Juvenal. Agora com o cd saindo o corre será intenso!

16- pra finalizar a mensagem da banda e os contatos. Valeu por disponibilizarem mais uma vez o tempo de vocês !

Marco: A gente só agradece! A parceria já está firmada não é de hoje e com certeza vai longe! Um salve a todos os leitores do “Cultura Em Peso”, estamos juntos na correria sempre!

Manu: Sempre que precisar estamos junto camarada! Um salve a todos que leram essa bagaça. Muito obrigado, saúde e merecimento pra geral!

Para ouvir uma música inédita da banda no myspace do cultura em peso clique aqui

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Cremo é idealizador e fundador do Cultura em Peso, Asatrú, amante incondicional da fotografia e da cena underground, na qual vive intensamente há 16 anos. Formado em Redes para Computadores, é ex-vocalista das bandas La Tormenta (Grind) e Dead Bush (Punk), ambas de Minas Gerais. Ouve de Punk Rock a Metal Extremo, tendo como principais bandas na sua playlist Ratos de Porão, Napalm Death, Extreme Noise Terror, Circulo Activo, Amon Amarth, Elluvetie e Lacerated and Carbonized. Literalmente um Viking que não marca território: o mundo é sua morada. Lê constantemente sobre política, religião, história das guerras e a autodestruição humana que não aprendeu até hoje a viver com as diferenças. Some com a cena ou suma dela mesmo, agora!

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