Entrevista com Darkside of Innocence

 

1- Boa noite Pedro, é um prazer falar novamente sobre a D.O.I.
Mais um material de vocês a vista é muito bom estar entre os primeiros a ouvir este material, que esta perfeito.
Como foi a preparação deste material?

Boas Cremo. Deste lado posso dizer que está tudo bem. Aproveito desde já para congratular o excelente trabalho feito e o óptimo jornalismo do Cultura em Peso.
Bem, a verdade é que foi uma composição atribulada. No sentido em que a banda sofreu várias baixas numa época conturbada e tivemos muitos problemas com a realização deste novo longa duração.
Mas para dizer a verdade, o que interessa é que no final de contas, ele está cá fora e pronto a ser ouvido. Relativamente à mudança de som, pois bem. Com a mudança nas pessoas, muda tudo o resto. É bom saber que não foi de todo uma viragem que acabou por parecer um desastre e que gostaste do que ouviste.
E sim, procurei um tipo de som mais ambiental e down-tempo. Admiro bastante o género de música e achei que para representar o que sentia, não haveria nada melhor.

2- Sim. ficou muito bom. A busca nesta mudança de um som mais metal – Gotico para algo mais melancolico e doom, foi essa a real intenção deste material?

Grato pelo elogio. Depende de que fase estiveres a falar. Numa fase inicial a ideia sempre foi dar-lhe um toque mais progressivo e ambiental, mas depois acabou por culminar nessa sonoridade que também demonstra muito essa abordagem, mas mais a nível do doom e melâncolico.

3- Sim, digo da fase em que conheci a banda, onde a sonoridade era mais pesada, mais rápida. E qual o titulo desde album? Quais criterios para escolher o nome do material?

Lembro-me bem que chegámos a falar na altura! O título é Xenogenesis . Bem não sei, acho que foi apenas achar um nome que identificasse bem aquilo que queria transmistir com este álbum e que desse algum espaço para interpretação do ouvinte.

4- Muito bom. E o que significa Xenogenesis para você?

É uma palavra que faz alusão a um estado de transcendência na espécie humana. É a evolução de um estado mais primitivo a um estado mais complexo espiritual e moral.  Segundo o filme de onde tirei o termo, significaria o florescer de uma determinada espécie, em hospedeiros de raças diferentes – foi esse o nome que deram a esse fenómeno.
Em jeito de metáfora, achei extremamente delicioso usar esse nome para descrever a mutação que vai havendo no ser humano e na sua presciência colectiva, à medida que Sophia (uma entidade metafísica) se vai apoderando de nós como um vírus e vai espalhando os seus saberes pela terra fora. Fazendo com que cheguemos à tão aguardada singularidade.

5- E qual o nome do filme em que você se inspirou para tal?

Village of the damned.

6- Todos nós acompanhamos a situação de Portugal, mesmo que a distância seja enorme. Há algum tempo atrás a crise estava muito forte, e hoje como estão as coisas por ai? Afetou bastante o underground português?

Mas não vi baixas a nível de bandas por aqui…e o pessoal continua a lançar registros!

7- E quais são os planos para a Dark Of Innocence para 2012?

Para já é promover Xenogenesis até não mais ser possível. Temos tido o apoio da Infektion Records e esperamos aproveitar a boleia para fazer a banda alcançar um ponto de maior destaque. Tenho em mente organizar e dedicar-me a outro projecto, que se tudo correr bem, estará a andar em 2013.

8- Seria um projeto paralelo? Ja tem nome ? Ja tem algm evento em mente para tocarem o lançamento do album?

Seria um projecto totalmente diferente dos Darkside of Innocence, que visa reflectir a maturidade que atingi após estes anos todos ligados à música. Os Darkside of Innocence, terão de ficar em stand-by, logo não penso que será paralelo. Actualmente com a falta de membros, não me parece que algum evento esteja planeado. Quem sabe no final do ano, possa fazer um espetáculo
que visite todos os nossos trabalhos.mas isso é uma ideia ainda muito embrionária, já que tenho de ponderar algumas coisas primeiro. A ver vamos.

9- Sem membros atualmente, qual o motivo maior para lançar um material?

Preciso de me expressar artisticamente e a música é uma das áreas predilectas! Tenho necessidade de criar mundos que façam a reflexão de tudo aquilo que imagino e não tenho como explicar. Preciso de dedicar os meus pensamentos a memórias, a pessoas ou a sensações. Preciso de fantasiar e de fazer os outros delirar com aquilo que sonho. No fundo não consigo deixar-me cair na inércia.

10- Nesta produção teve musicos convidados? quem fez parte dessa gravação?

O Rui Santos, produziu metade do álbum e gravou as guitarras dos temas em questão.

11- Você pode citar o nome destes músicos ?

Sim, foi o André Reis e o David Silva na guitarra. O João Arcanjo no baixo e o Pedro Bandeira na bateria. Ainda tive o apoio da Sara Henriques e da Sandra nas vozes.

12- Ja pensou na ideia de fazer uns concertos com estes musicos , apenas como comemoração do trabalho feito?

Como gostaria que isso pudesse ocorrer, pois estes músicos são realmente excelentes. É uma hipótese que talvez eles considerem, ainda que me pareça muito pouco provável para dizer a verdade.

13- Qual a mensage que você deixa para os leitores?

*Oiçam o álbum e continuem na companhia da Cultura em Peso.

Que Sophia esteja convosco.

14- contatos?

facebook.com/darksideofinnocence

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Cremo é idealizador e fundador do Cultura em Peso, Asatrú, amante incondicional da fotografia e da cena underground, na qual vive intensamente há 16 anos. Formado em Redes para Computadores, é ex-vocalista das bandas La Tormenta (Grind) e Dead Bush (Punk), ambas de Minas Gerais. Ouve de Punk Rock a Metal Extremo, tendo como principais bandas na sua playlist Ratos de Porão, Napalm Death, Extreme Noise Terror, Circulo Activo, Amon Amarth, Elluvetie e Lacerated and Carbonized. Literalmente um Viking que não marca território: o mundo é sua morada. Lê constantemente sobre política, religião, história das guerras e a autodestruição humana que não aprendeu até hoje a viver com as diferenças. Some com a cena ou suma dela mesmo, agora!

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