Malvinas ou Falklands – parte 1

 

Malvinas ou Falklands

 

 

As ilhas Malvinas, chamadas pelos britânicos de Falklands, são um arquipélago de dezenas de ilhas ao sul do Oceano Atlântico. O território pertence à Grã-Bretanha, e a grande maioria da população das ilhas é de origem britânica.

As Malvinas estão a 500 quilômetros da costa argentina. Duas ilhas se destacam no arquipélago pelo tamanho. A capital está na ilha ao leste, a mais desenvolvida.

 

Capital: Porto Stanley

População: 2.379 (2001), 1.989 na capital

Taxa de crescimento populacional: 2,43%

Área: 12.173 km2

Localização: 640 km ao leste da costa sul argentina; 12.800 km ao sul da Grã-Bretanha

Religião: Maioria da população é anglicana, com presença de outros cultos protestante e também de católicos

Idioma: Inglês

POLÍTICA

Status: território dependente da Grã-Bretanha

Executivo: governador indicado pela Grã-Bretanha

Legislativo: oito conselheiros eleitos

ECONOMIA

Principais atividades: pesca para exportação, turismo, lã

PIB: US$ 67 milhões (2000)

Renda per capita: US$ 29.736

Exportações: US$ 67 milhões

Importações: US$ 27 milhões

Principais parceiros comerciais: Espanha, Grã-Bretanha e Chile.

 

A guerra

A guerra da Malvinas durou 74 dias, porém em combate militar foram apenas 33 dias, morreram 255 britânicos  e 649 argentinos.

Os  ingleses contaram com apoio de chilenos e norte americanos.

 

O conflito teve início no dia 2 de abril de 1982, quando os argentinos ocuparam as Malvinas. A guerra acabou no dia 14 de junho, quando os militares britânicos tomaram Porto Stanley, depois da rendição argentina.

A Argentina reivindica  a soberania das ilhas desde o século 19. Negociações para resolver a disputa política começaram em 1965,  porém sem resultados, principalmente pelo fato de a população local ser contra a transferência da soberania para a Argentina. Em 1982, o governo militar argentino resolveu tomar as ilhas à força, o que provocou a reação militar britânica.

As forças  armadas da Grã-Bretanha, mais poderosas do que as da Argentina, tiveram de cruzar o Oceano Atlântico para retomar o controle das ilhas. As tropas desembarcaram na ilha ao leste, na costa oposta à capital Porto Stanley. O avanço terrestre britânico até Stanley teve apoio das artilharias aérea e naval. Até o desembarque, a Argentina conseguiu resistir, afundando navios britânicos com os mísseis Exocet. Depois, a tarefa dos argentinos ficou muito mais difícil. O conflito durou 74 dias. Morreram em combate 649 argentinos e 255 britânicos. Três habitantes das ilhas morreram durante os bombardeios.

A argentina argumenta que os britânicos expulsaram  os moradores argentinos em 1833 para iniciar a colonização atual. Antes e ao mesmo tempo, britânicos e espanhóis tiveram assentamentos no arquipélago, mas as ilhas estavam abandonadas quando os argentinos chegaram. A Argentina também acredita que herdou o território da Espanha.

Em contra partida os britânicos disputaram a soberania do arquipélago no século 18 com a Espanha. Os dois países chegaram a estabelecer colônias paralelas na região. Os britânicos abandonaram seu assentamento, mas nunca desistiram da soberania. O principal argumento hoje é que a população das ilhas é britânica e quer manter os laços coloniais.

O regime militar argentino entrou em colapso, e o país realizou eleições democráticas em 83. O plano do general Leopoldo Galtieri, presidente da Argentina, de ganhar apoio popular com a invasão, teve, no final, efeito inverso. Do lado britânico, a vitória consolidou o governo da primeira-ministra Margaret Thatcher. Para a comunidade das ilhas, a guerra acabou trazendo efeitos positivos, já que a Grã-Bretanha renovou seu compromisso com o arquipélago e passou a investir no lugar.

A Europa ficou do lado da Grã-Bretanha. Os Estados Unidos, no início, tentaram mediar o conflito, mas depois apoiaram os britânicos, impondo sanções à Argentina. O regime argentino contava com a neutralidade americana, pois na época ajudava militarmente os Estados Unidos na América Central. Entretanto, o então presidente americano, Ronald Reagan, preferiu respaldar o tradicional aliado, no momento em que as tensões da Guerra Fria aumentavam. O Brasil, que considerava justa a reivindicação argentina, não apoiou a ocupação militar e defendeu uma solução pacífica para a crise. A ONU condenou a ação e pediu negociações diplomáticas.

Argentina e Grã-Bretanha têm hoje boas relações diplomáticas. Os argentinos continuam a reivindicar a soberania das ilhas, mas aceitaram engavetar a disputa para não atrapalhar outros aspectos da relação. Os britânicos não aceitam negociar a soberania. Os habitantes das ilhas voltaram a aceitar a entrada de argentinos no lugar em 1999, mas a relação entre o arquipélago e o continente ainda é ruim.

As batalhas …

Em 2 de abril de 1982… Centenas de soldados argentinos ocupam as ilhas. O governo britânico corta relações diplomáticas com a Argentina e aprova o envio de força naval para o Atlântico Sul.

3 de abril: A Argentina também toma a ilha de Geórgia do Sul. População celebra nas ruas de Buenos Aires. O Conselho de Segurança da ONU aprova a resolução 502, que pede a retirada de todas as tropas das ilhas e negociações de paz. No Parlamento britânico, o governo de Margaret Thatcher é duramente criticado por não prever a ação argentina.

5 de abril: As primeiras das 40 embarcações britânicas que comporiam a força naval partem para o Atlântico Sul. No total, a Grã-Bretanha envia 20 mil homens. Sob críticas, o ministro de Relações Exteriores do país, Lord Carrington, se demite e é substituído por Francis Pym.

7 de abril: O governo britânico anuncia que pretende impor uma zona de exclusão ao redor das ilhas de 320 km no dia 26 de abril.

12 de abril: A zona de exclusão marítima imposta pelos britânicos começa a vigorar.

14 de abril: Após visitas a Buenos Aires e Londres, o então secretário de Estado americano, Alexander Haig, encarregado de mediar o conflito, retorna para os Estados Unidos para reunião com o presidente Ronald Reagan.

17 de abril: Haig apresenta um plano de paz ao governo militar argentino.


22 de abril: Submarinos, porta-aviões e outras embarcações de guerra britânicas entram nas águas das Malvinas. Pym chega a Washington para reunião com Haig.

25 de abril: A Grã-Bretanha retoma a ilha de Geórgia do Sul. A primeira-ministra Margaret Thatcher diz para britânicos “festejarem”.

26 de abril: Thatcher diz que o tempo para diplomacia está se esgotando.

27 de abril: Militares apresentam ao gabinete de guerra britânico a operação planejada para liberar as ilhas. Haig envia a Londres uma proposta final para evitar o conflito.
O avião Super Entender com  mísseis Exocet

1º de maio: Aviões britânicos atacam a pista de pouso de Porto Stanley. Três aviões argentinos são derrubados. Pym volta a Washington, agora como aliado dos Estados Unidos.

2 de maio: O submarino britânico HMS Conqueror afunda o navio cruzador argentino General Belgrano, fora da zona de guerra. O ataque resulta na morte de 323 argentinos; 680 são resgatados. Francis Pym se econtra com o secretário-geral da ONU, Javier Perez de Cuellar.

3 de maio: Barcos de patrulha da Argentina são atacados.

4 de maio: Avião Super Etender argentino afunda o destróier britânico HMS Sheffield, com um míssil Exocet. Vinte britânicos morrem. Caça britânico é derrubado. A Grã-Bretanha inicia o bombardeio de Porto Stanley.

6 de maio: O governo militar argentino rejeita segunda proposta de paz apresentada pelo governo do Peru.

7 de maio: A ONU entra nas negociações de paz. O governo britânico amplia a zona militar de exclusão, cujo o limite passa a vigorar a 20 km da costa argentina.

8 de maio: As ilhas são bombardeadas do mar e do ar. Caças britânicos afundam barco de pesca argentino.

11 de maio: O navio de suprimentos argentino Isla de los Estados é afundado pela fragata britânica HMS Alacrity. A Argentina declara zona de guerra todo o Atlântico Sul.


14 de maio: Três aviões argentinos são derrubados. Thatcher afirma que um acordo de paz pode não ser possível. Britânicos destroem 11 aviões argentinos que estavam estacionados em uma ilha próxima.

18 de maio: Britânicos e argentinos rejeitam proposta de paz do então secretário-geral da ONU, Javier Perez de Cuellar.

20 de maio: Margaret Thatcher anuncia ao Parlamento que as negociações de paz fracassaram.

21 de maio: As forças britânicas desembarcam nas ilhas, na Baía de San Carlos, há 80 km de Porto Stanley. Na operação, a fragata britânica HMS Ardent é afundada. Dezesseis aviões argentinos são também derrubados.
O navio Belgrano, afundado  pelo submarino britânico  Conqueror

 

23 de maio: A fragata britânica HMS Antelope é afundada. Sete aviões argentinos são derrubados em dois dias. O Ministério da Defesa anuncia que a Grã-Bretanha tem 5.000 soldados em terra na ilhas.

25 de maio: O destróier HMS Coventry é bombardeado e 19 marinheiros britânicos morrem. O Atlantic Conveyor, navio de transporte de equipamentos, é afundado por um Exocet, e 12 britânicos morrem.

28 e 29 de maio: Usando pesada artilharia, tropas de 500 soldados britânicos tomam as posições em Goose Green e Darwin, defendidas por 1.500 argentinos, depois de um dia inteiro de batalhas. Dezoito britânicos morrem, entre eles o comandante da operação, coronel Herbert Jones. Do lado argentino, 250 são mortos. O Exército britânico prende mais de mil soldados argentinos. Os corpos dos argentinos são sepultados no local em uma cova comum.

29 de maio: Sob bombardeio, as tropas britânicas continuam a avançar em direção a Porto Stanley. O Super Etender argentino dispara o quinto e último dos Exocets disponíveis no Atlantic Conveyor, que já estava afundando. Por horas, as Forças Armadas argentinas pensaram ter atingido o porta-aviões Invincible.
O navio britânico Sir Galahad,  atingido pelos argentinos

4 de junho: A Grã-Bretanha veta no Conselho de Segurança da ONU uma resolução para o cessar-fogo.

8 de junho: Skyhawkers argentinos bombardeiam tropas que desembarcavam na Enseada de Bluff. A fragata HMS Plymouth é atingida. Os navios de logísticaAche os cursos e faculdades ideais para você. É fácil e rápido. que realizavam o desembarque, o Sir Galahad e o Sir Tristam, são atingidos. O primeiro afunda. No total, 51 britânicos morrem e 55 ficam seriamente feridos.

11 de junho: Começa a batalha por Porto Stanley.

12 de junho: As tropas britânicas tomam a posição argentina no Monte Longdon, nos arredores de Porto Stanley, depois de longa batalha. O confronto resulta em 50 mortes entre argentinos e 29 entre os britânicos. O Monte Harrier também é tomado. O destróier britânico HMS Glamorgan é atingido na região, matando 13 britânicos.

13 de junho: No Monte Tumbledown, também posição estratégica para Porto Stanley, 40 argentinos e nove britânicos morrem durante combates. A Grã-Bretanha vence a batalha.

Soldado argentino rendido

14 de junho: As tropas argentinas em Porto Stanley são derrotadas. A Argentina se rende. Cerca de 9.800 soldados entregam suas armas.

 

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Cremo é idealizador e fundador do Cultura em Peso, Asatrú, amante incondicional da fotografia e da cena underground, na qual vive intensamente há 16 anos. Formado em Redes para Computadores, é ex-vocalista das bandas La Tormenta (Grind) e Dead Bush (Punk), ambas de Minas Gerais. Ouve de Punk Rock a Metal Extremo, tendo como principais bandas na sua playlist Ratos de Porão, Napalm Death, Extreme Noise Terror, Circulo Activo, Amon Amarth, Elluvetie e Lacerated and Carbonized. Literalmente um Viking que não marca território: o mundo é sua morada. Lê constantemente sobre política, religião, história das guerras e a autodestruição humana que não aprendeu até hoje a viver com as diferenças. Some com a cena ou suma dela mesmo, agora!

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