Facada: Entrevista sobre sua história

1- Direto do nordeste para a indigestão nacional, definam como tudo começou?

Eu (james), Ari (guitarra) e o Dangelo (bateria) já nos conhecíamos de shows e das outras bandas que tocávamos. E sempre queríamos formar uma banda de grindcore.

Depois de um show do Subtera aqui em fortaleza, decidimos botar pra frente mesmo: ensaiamos no outro dia. E estamos até hoje. Só colocamos o Danyel pra tocar a outra guitar.

 

 

2- O Facada consegue ser uma banda estilo mistério muita falada e pouco conhecida. muita gente ouve, curte , gosta, mas não conhece de fato a história da banda. vocês podem contar um pouco da trajetória da banda, e como foi estourar para este público muito exigente?

Bem, legal saber que somos uma banda Estilo Mistério. É bom manter um pouco de parcimônia nesse tempo de ultra exposição. E não sei se realmente queremos estourar, até por que isso não existe mais e quem acredita nisso é muito inocente. Talvez termos um maior reconhecimento, melhores condições de tocar e sermos cada dia mais respeitados importe mais. Bem, o Facada ano que vem completa 10 anos. Já tem 1 demo e 2 discos (Indigesto e O Joio), nosso 3º disco chamado Nadir já está sendo mixado e masterizado na Suécia. Já tocamos em quase todo Brasil em vários Festivais e shows nossos e ano que vem temos planos de fazer uma tour europeia.

 

 

3- Dá demo, para “Indigesto” chegando em “O joio” o grupo subiu degraus importantes diante do público. Qual a evolução que vocês podem citar de um lançamento para o outro?

A evolução foi no sentido de fecharmos mais nossas características. Apesar de tocarmos grindcore, achamos que temos algo único, nosso e isso (ainda) está ficando bem mais evidente. O Indigesto e O Joio são disco diferentes, mas quem escuta sabe que é o Facada, há algo ali que dá a liga. Melhoramos como músicos e letristas e tem muita gente que curte a gente desse jeito. Tem os detratores, claro, mas a maioria gosta do que a gente faz e isso reflete nos shows, que ficam cada dia mais lotados e ficamos bastante felizes com isso. Um lance pessoal nosso que acaba transpondo essa barreira.

 

4- O facada ja é um icone do grind core brasileiro. Como é ser refêrencia de um estilo num país tão grande?

O lance do “ícone’ é muito forte. Acho muito massa quando nos falam isso, mas a gente é também reflexo de outros ícones do passado. Fico feliz de nos falarem isso e acho melhor ainda vendo bandas que se dizem influenciadas por nós. É legal porque o grindcore é um estilo bem extremo e muito pouca gente dá a verdadeira atenção a ele na verdade. Tem gente que pensa que é apenas uma brincadeira passageira, mas tem gente que acredita VERDADEIRAMENTE naquilo que fazem. Somos um desses poucos aí. O mais legal é a gente tocar em lugares e eventos em que seria inimaginável bandas nesse estilo e a gente vai lá.

 

5- Quais as principais influências tanto literárias quanto musicais?

É muita coisa para ser citada. Cada cosia que você escuta e lê pode te influenciar

 

 

6- Falando abertamente, o Brasil todo sabe, que a terra mais castigada no país é o nordeste. Partindo deste pressuposto você acredita que os problemas deste região não foram solucionados por descaso das autoridades?

Vamos pôr assim: os problemas de TODAS as regiões não são resolvidas pelo descaso das autoridades. Na verdade, não só o Nordeste, mas o Brasil TODO é sofrido. Aqui, talvez por ser uma região grande em extensão e ter o problema da seca torne isso mais evidente, mas vejo descaso em todos os lugares. A questão indígena, das enchentes em todo país, de pobreza, fome está presente em todo o país. E nós fazemos parte disso obviamente. Realmente aqui não vejo algum problema que eu não veja em outro lugar até do planeta. A incompetência, a cegueira e o esquecimento dos problemas estão em todo lugar.

 

 

7- Viver do underground é para poucos, nem todo mundo que tem talento chega lá. E o Facada ja vive de música ou cada integrante tem sua profissão separada?

A gente não vive da banda e nem pretende. Cada um tem sua profissão. Até por que temos a opinião que quando uma BANDA vira profissão, ela perde a sinceridade e a gana de se fazer música. Eu realmente não pretendo me sustentar do Facada nunca. Foi legal que, logo após o Indigesto, a banda teve um hiato por conta da ida do Ari p/ Alemanha, mas muita gente continuou acreditando. Depois que saiu O Joio, a gente ficou meio cismado se as pessoas realmente iriam gostar e foi uma surpresa que MUITAS pessoas gostaram. Gente que nunca tinha prestado atenção na banda, gente de outros meios e vínculos deram uma chance de pelo menos ouvir o disco e conseqüentemente ir aos shows e conhecer os outros trabalhos. Com ele fizemos muitos shows importantes em todo Brasil como o Ponto Ce, Feira da Música, Abril Pro Rock, Dosol, Suiça Bahiana, Verdurada, Até o Tucupi e outros tantos convites.

 

 

8- Jogo rápido:

 

4 bandas nacionais:

Sarcófago | Necrobutcher | Subtera | Patife Band

 

4 bandas internacionais:

Carcass | Dismember | Repulsion | Ramones

 

1 cd

Worship Him, Samael

 

1 livro: Kama Sutra

 

 

Nordeste:

Potencial

 

Facada:

Amizade

 

Familia:

Casa

 

Dinheiro:

Queria

 

Politica:

Nada

 

Uma frase:

“Se eu soubesse que iria viver tanto, tinha me cuidado mais” Marcelo Appezato

 

9- Quais bandas vocês destacariam no nordeste que não são tão ou nada conhecidas fora da região?

O James não tem tempo de responder então vou continuar a entrevista (Ari). Não moro no Nordeste faz anos, não sei responder, mas tem um monte de banda velha e boa.

 

 

10 – Das dificuldades em que se tem para manter uma banda underground de pé, qual foi ou é a mais difícil de vencer diariamente?

No caso do Facada pelo que tenho escutado é ensaiar regularmente. O Dangelo (batera) é músico “profissional” (tira o sustento da música) toca em outras bandas, faz show em barzinho, o caralho a quatro, então as vezes fica difícil ensaiar regularmente. Mas nada que planejamento não resolva.

 

 

11- A cena ja foi mais unida, hoje existe muita confusão e um tentando derrubar o outro (Fato que todo mundo vê e faz questão de negar), como o Facada lida com isso? O que vocês pensam sobre isso?

O brasileiro é megalomaníaco, tem mania de grandeza e uma percepção bem distorcida da sua realidade. Já me estressei muito com isso, hoje em dia tô tranqüilo, mas se mexerem,vai ter troco. Tem um monte de gente frustrada que faz música ruim pra um público ínfimo ou inexistente. Não tem castigo pior que esse.

 

 

12- O underground ainda não se profissionalizou de fato (Exceto excelentes produções por alguns lados do país), em sua opinião o que faltava para o underground ser um lugar estruturado para as bandas  realmente aprofundarem mais seus trabalhos?

Espero que não se profissionalize, se profissionalismo significar burocratização, se espelhar no pior do mainstream, ter que participar de concurso de calouro, virar puxa-saco etc. A desvantagem no Brasil é o gigantismo do país, passagens caras e equipamentos que custam 4, 5 vezes mais do que nos EUA e Europa, isso fode qualquer um. O que nosso querido e fudido país precisa é de uma gigantesca rede DIY, onde a cooperação entre bandas e pública fosse real, efetiva, auto-sustentável, sem precisar de apoio privado ou de governo, sindicato, burocrata,tecnocrata,burrocrata, apadrinhamento, “nepotismo”, enfim, que fosse tudo regido pelo amor à música.  Sei que é meio utópico, ma pode ser que daqui umas décadas melhore ou piore.

 

13- Quais os planos para este fim de ano?

Esperamos muito ter em mãos o disco novo em vinil e cd, vai SAR também um relançamento da demo em 7’ .

 

 

14- Um sonho/ Objetivo que o Facada corre atrás de conseguir?

 

Duas semanas tocando na Europa não seria nada mal. Outra coisa seria poder gravar um disco com calma e sem preocupações financeiras.Pro último disco só ensaiei duas vezes 1:30 com o Dangelo, nos reencontramos em 15 dias e ele gravou a batera. Seria foda poder se reunir com a banda completa e se concentrar 3 dias na gravação, quem sabe um dia.

 

 

 

15- Shows, discos, camisetas, onde conseguir ?

Acabou tudo, em breve chegando mais. Escrevam aqui pra saber: [email protected]

 

 

16- Contatos:

Pergunta pro camaradas, busca no Google ou [email protected]

 

 

17- Mensagem:

“O Povo tem fome de sangue e excremento” Odorico Quintela.

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Cremo é idealizador e fundador do Cultura em Peso, Asatrú, amante incondicional da fotografia e da cena underground, na qual vive intensamente há 16 anos. Formado em Redes para Computadores, é ex-vocalista das bandas La Tormenta (Grind) e Dead Bush (Punk), ambas de Minas Gerais. Ouve de Punk Rock a Metal Extremo, tendo como principais bandas na sua playlist Ratos de Porão, Napalm Death, Extreme Noise Terror, Circulo Activo, Amon Amarth, Elluvetie e Lacerated and Carbonized. Literalmente um Viking que não marca território: o mundo é sua morada. Lê constantemente sobre política, religião, história das guerras e a autodestruição humana que não aprendeu até hoje a viver com as diferenças. Some com a cena ou suma dela mesmo, agora!

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