Massacre em Alphaville

 

1 – Já com 10 anos de banda e muita história para contar, qual foi o aprendizado destes anos de underground?
Ví: Que o underground é você por você e por isso mesmo, cada coisa conquistada tem um puta valor incrível!

2 – Porque o nome “Massacre em Aphaville” ?
Massacre em Alphaville porque nós odiamos Alphaville em todos os seus sentidos; odiamos sua simbologia, sua ideologia, seu significado material e histórico, seus moradores ricos e suas ruas segregadoras. Massacre em Alphaville porque não queremos mais uma sociedade excludente que separa através de muros de concreto e dinheiro as pessoas com quem gostaríamos de estar. Massacre em Alphaville porque fomos nós quem construímos Alphaville, assim como toda(s) a(s) cidade(s), para agora nos impedirem de usufruí-la(s) com regras desiguais e injustas. Massacre em Alphaville porque anunciamos aqui a retomada das ruas da cidade e da história, da democracia (direta), da vida, da NOSSA vida. Enfim, Massacre em Alphaville porque nós não queremos nem precisamos dos seus carros e das suas mansões, mas o que seriam de vocês sem seus motoristas e empregadas domésticas?
3 – Em 17 de setembro do ano passado houve uma confusão com o Alto Teor de Revolta em um show no Luar Rock Bar. Você pode nos dizer o que realmente aconteceu? As duas bandas já se acertaram amigavelmente?
Douglas: só um mal entendido. Já está tudo certo.

4 – A banda já esta produzindo seu próximo cd, O que pode ser adiantado deste material?
Douglas: Com a entrada de novos integrantes a coisa ficou mais brutal, novas idéias que acrescentaram muito na questão de fazer novos sons (letra + música).
A produção total do “full” cd do M.A. está sendo sem pressa, desde arte gráfica e composições, de acordo com nosso tempo. Valerá muito a pena esperar por este rebento da desgraça que virá!!!

5 – “4 Way for destruction”, quais frutos a banda colheu deste lançamento?
Ví: Acho que não dá para medir totalmente. De vez em quando ainda surge novas matérias/postagens/links em blogs/sites de tudo que é canto do mundo sobre o material, fora os shows que surgiram pós lançamento, contatos, enfim, bons frutos ainda florescem desse material da destruição.
6 – Você pode nos detalhar quais os pontos mais importantes da turnê realizada no Chile?
A família que a gente ganhou (Juan e Josi), que são pessoas maravilhosas e fizeram de tudo por nós enquanto estávamos por lá. E as pessoas em geral que nos receberam muito bem e se empenharam pra fazer eventos com um puta padrão de qualidade.

7 – Jogo rápido:
4 bandas nacionais:
Douglas: Ratos de Porão / Armagedom / Sistema Sangria / Side Effects
Ví: Facção Central / Noala / Social Chaos / DER
4 bandas internacionais:
Douglas: MOTORHEAD / Discharge / Napalm Death / Black Sabbath
Ví: Motorhead / Ramones / Neurosis / Disrupt
1 cd:
Douglas: Brasileiro de verdade não tem medo não
Ví: Pleasant Dreams
1 livro:
Douglas: Canto dos Malditos
Ví: O Idiota
Crust and grind core:
Douglas: Great Noise
Ví: Disrupt and Assuck
underground?:
Douglas: D.I.Y
1 frase:
Douglas: “Fé é o que você tem em coisas que não é real, e sua habilidade é real.” (Homer Simpson)
Ví: A beleza redimirá o mundo (Dostoievski)

8 – A primeira demo da banda foi toda crust, mas hoje em dia o som da banda não se restringe apenas ao crust. Porque houve essa mudança no som?
Ví: Aos poucos a gente foi aprendendo a colocar umas pitadinhas de outras vertentes que a gente curte (stoner, sludge, trash), mas no geral as músicas se mantêm com uma estrutura mais voltada pro crust.
9 – O massacre seria algum tipo de poesia maléfica/pessimista?
Ví: O Guto deu uma resposta em alguma entrevista há tempos atrás e acho que encaixa perfeitamente aqui… Guto: O trabalho do Massacre é de poesias, no sentido mais físico delas, sabe? Poesias pessimistas, por vezes rudes, bem rudes, e o som é uma espécie de refém desse estado de espírito. Você poderia rotulá-lo de Crust, de Metal, de Sludge, de Punk, de hardcore… Em qualquer um desses que você escolher, esses quesitos nas letras e nos instrumentais estão presentes.
10 – Todos os integrantes da banda foram criados na periferia paulistana? Qual a importância disso na vida de vocês e qual a influência que isso acarreta na banda?
Ví: O Massacre (todos nós) segue a cartilha do “respeito é pra quem tem”. Mais do que crescer e ser criado nos guetos, nós vivemos a periferia, e o fato de “viver a periferia”, inevitavelmente influencia nossas posturas pessoais e coletiva (como banda).
É como dito há décadas atrás “tudo acontece na periferia”, e agente tá ligado e seguimos trilhando a cartilha, respeitando os de bem e se esquivando dos atrasa lado.

11 – Qual o sabor do Halls na história do Massacre em alphaville?
Ví: Sabor de aeroporto. Em Santiago, na volta ao Brasil, perdemos nosso vôo por causa de um halls. Mendigamos umas moedas em portunhol, jogamos nossas roupas suadas no lixo e tomamos um banho de gato na torneira do banheiro do aeroporto, passamos dois dias perambulando e dormindo por lá, até resolvermos as pendências de remarcação de embarque. Mas essa é só uma de tantas famigeradas histórias da banda e pode crer que já rolou umas enrascadas piores do que essa!

12 – Qual a importância das redes sociais pra banda?
Ví: Têm sido ferramentas úteis e gratuitas.
13 – Alguma turnê sendo agendada?
Ví: Estamos totalmente focados na gravação do novo cd, mas em seguida vamos engatilhar umas viagens pro ano que vem.
14 – Quem escreve as letras? De onde vem a inspiração para tanto ódio?
Ví: Quase todos os integrantes da atual formação, ou que já fizeram parte, escrevem ou escreveram pro Massacre. E nunca houve nenhum determinismo “do quê” ser exposto nas letras e nem acho que exista algo implicitamente velado. Mas eu, pessoalmente, posso citar dois motivos pra “tanto ódio”:
– O Massacre é onde me liberto, solto meus demônios, descarrego as porradas do mundo;
– Escrever sobre amor é infinitamente mais difícil, pelo simples fato de o amor ser infinitamente mais grandioso do que o ódio.
15- Contatos:
facebook.com/massacreemalphaville
16- Mensagem:
Cultura em Peso, valeu pelo espaço e parabéns pelo trabalho! E pra quem tem a moral de dedicar algum tempo lendo nossas entrevistas, colando em show, trocando ideia com a gente, o nosso muito obrigado

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Cremo é idealizador e fundador do Cultura em Peso, Asatrú, amante incondicional da fotografia e da cena underground, na qual vive intensamente há 16 anos. Formado em Redes para Computadores, é ex-vocalista das bandas La Tormenta (Grind) e Dead Bush (Punk), ambas de Minas Gerais. Ouve de Punk Rock a Metal Extremo, tendo como principais bandas na sua playlist Ratos de Porão, Napalm Death, Extreme Noise Terror, Circulo Activo, Amon Amarth, Elluvetie e Lacerated and Carbonized. Literalmente um Viking que não marca território: o mundo é sua morada. Lê constantemente sobre política, religião, história das guerras e a autodestruição humana que não aprendeu até hoje a viver com as diferenças. Some com a cena ou suma dela mesmo, agora!

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