SubCut – Entrevista

 

 

1- SUBCUT é uma das bandas de grindcore mais antigas em atividade no Brasil. Referência para todas as bandas no estilo e ja tem um certo respeito mundial, qual a visao do grupo em relação a tudo isso?

Afonso – Primeiramente, valeu pelo espaço… Cara, obrigado pelas palavras ae… Em se tratando do tempo de atividade, ja se vão 17 anos de atividades ininterruptas, é logico que sabemos da nossa posição em relação a cena punk/crust/grindcore e ficamos muito felizes de ainda estar participando ativamente deste contexto, mas para nós é natural, cara… Sobrevivemos todos esses anos, porque acreditamos em nossos ideais, em nossas convicções e não esperamos nada alem do que acontece conosco. Simplesmente, continuamos em frente e posso lhe dizer que ainda temos muita lenha pra queimar.

2- Afonso você e considera um sobrevivente, vide que é o unico integrante da formação original?

Afonso – Rsrsrsrsrs… Na verdade sou um cara insuportável…rsrsrsrs… Tenho a felicidade de encontrar, nesses anos todos, algumas pessoas que compactuam com o que acredito e levam comigo esse barulho pra frente.

3- Mais de 10 splits no histórico, essa foi a melhor forma de sempre estar lançando um material?

Afonso – Cara, quando começamos em 1995, a intenção será gravar algo o mais rápido possível e em um ano já estávamos com nossa primeira demo. De la pra ca, a vontade de registrar em material físico nossas musicas foi uma das motivações para continuarmos.  O lance do split, acredito que ajuda a divulgar mais seu material tb, pois terá mais pessoas envolvidas ajudando na propagação do material…etc. Mas não nos limitamos a nenhum formato, seja vinil, cd, cdr, tape.

4- Quais as diferenças do underground de 1995, para o underground de 2012? O que mudou?

Afonso – Não vejo diferenças nos períodos citados, pois a essência do underground permanece intacta. O que muda é a forma que você analisa as situações. Ainda tocamos com aparelhagem precária, falta de equipamentos, falta de estrutura decente para tocar, mas a vontade de fazer ainda esta em nossas veias, então o sentimento continua o mesmo. Se de um lado, hoje temos mais pessoas na cena, do outro, nem todas são atuantes, são poucos ainda que fazem a maquina andar e, no passado, praticamente todos queriam fazer parte da engrenagem, fazer a coisa acontecer, saca…  Talvez ae esteja uma mudança.

5- Ontem crust, hoje grind core, como ocorreu essa mudança?

Afonso – Naturalmente cara…. berrávamos em inglês no começo e desde 99 berramos em português.  No começo de tudo, a intenção era fazer um punk  toscão, tipo tum-pá-tum-pá ,  basicão, saca… A coisa foi acelerando, acelerando e esta nisso que esta hoje….

6- Jogo rápido:

4 bandas nacionais: NOISE, DESNUTRIÇÃO, ROT, RDP

4 bandas internacionais: BLACK SABBATH, RAMONES, DISCHARGE, MOTORHEAD

1 cd: Master of Reality – Black Sabbath

1 livro: atualmente só lendo zines, ultimo Visual Agression Zine e catalogo de distros….

SUBCUT: grindcore esfola crânio

politica: infestada de sangue-sugas e corrupção

Punk:  resistência e subversão

Grindcore: o underground dos undergrounds

Lula: mais um individuo formado pela Universidade Federal dos Politicos

Underground: cooperação e sinceridade

Uma frase: “ Na vida simples, os caminhos para a vitória”

7- Concorda que Grindcore é anti-musica? Pra tocar grind core o sujeito tem que saber tocar bem, entender de musica?

Afonso – Qualquer manifestação sonora é musica, não importa se bem tocado ou simplesmente barulho. Em relação a saber tocar ou não, no meu ponto de vista, não importa. Dou valor à aqueles que, mesmo não sabendo tocar, fazem a coisa acontecer. Tem muito Zé Ruela “musico” que se julga o maioral, mas na verdade é um frustado, porque não consegue atingir aquilo que esperava e logo some, com o tempo… Tocamos com a nossa bandeira no fundo que é uma nota musical cortada. Ela não representa somente a anti-musica, com ela expressamos todo nosso inconformismo, nosso ódio, nossa descrença perante a hipocrisia humana, aos valores impostos pela sociedade, a essa farsa chamada humanidade.

8- Conte-nos sua relação com o Bar SQUATT:

Afonso – Ahhh o Squatt Rock Bar…., foi um sonho que botei em pratica e me fudi por vários anos. Durou cerca de 1 ano e meio e suas dividas por mais 5 anos. Não me arrependo do que fiz, faria tudo de novo, mas com algumas modificações. Apesar da batalha todos os dias, a satisfação maior foram as amizades que fizemos nesse período.

9- Antigamente as trocas eram de fitas k7, cartas, hoje é tudo pela internet, você sente falta daquela época anos atras?

Afonso – As boas e velhas CARTAS SOCIAIS… Todo dia recebia cartas e todo dia mandava varias.. Quem realmente viveu nessa época, sabe qual era a dureza em trocar correspondências e materiais.  Olhando pra trás, o sentimento nostálgico se sobressai, mas a praticidade e rapidez que temos hoje em dia com a internet não se compara.

10- O que vem para 2013?

Afonso – De cara, acho que esse ano ainda, ta saindo um splitape com o MASHER, temos um split EP pra fazer com os manos do DERANGED INSANE, uma 4wayEP com o EXPURGO, NECROSE e mais uma banda ae… E pro ano que vem soltar nosso segundo full…espero!!!!

 

11- Com tantos anos de estrada, tem muita coisa para contar, nos revele alguma história do SUBCUT que nunca foi dita nos meios de comunicação:

Afonso – Tantas paradas ae já aconteceram e foram contadas. Nosso ultimo perrengue foi agora em setembro desse ano, que fomos fazer três shows na região metropolitana de São Paulo e a primeira seria em Barueri. Resolvemos descer na Rodovia Castelo Branco, na altura de Barueri e descer a pé com os equipos e tals… Foda que o motorista do busão parou 2 kilometros depois daonde desceríamos e tivemos que voltar a pé na contra-mão da rodovia as 05:30 hs da manha… Imagina carregando instrumentos e traias no acostamento de uma rodovia movimentadissima de madruga… Caminhões, carros à mil por hora. Passamos por um viaduto duns 30 metros de altura… cú na mão né….rsrsrsrs…. só nós mesmos…..

12- Existe a vontade de lançar algum dvd marcando a trajetoria da banda?

Afonso – Todo material lançado é um registro daquele momento. Seria massa poder fazer isso. Quem sabe quando completarmos 20 anos…..

13- Em novembro vocês vão tocar com o Dead Infection, que assim como vocês tem uma história enorme. Qual a expectativa para essa gig?

Afonso – A melhor possível veiio… Pois alem de tocar com esse ícone mundial, tocaremos com vários amigos. Só por isso já vale muito a pena. Sempre frissamos isso, o melhor de tocar em uma banda são as amizades que conquistamos durante esse caminho… Não tem preço.

14- Qual o peso de ser referencia musical para os mais novos?

Afonso – Rsrsrsrsrs…. Boa essa hein!!! Não se espelhem em nós, senão ficarão iguais….velhos, chatos, barrigudos e ranzinzas…..hahahaha!!!!

15- O SUBCUT é uma banda grind com postura libertaria?

Afonso – Cara, não adotamos nenhuma postura ideológica. Seguimos naquilo que acreditamos e sentimos durante nossos dia-a-dia. Alguns ideais libertários fazem parte do nosso pensamento sim, pois adotamos a contra-cultura como forma de expressão. Mas não fincamos bandeiras não….

16- Quais as influências musicais e literarias?

Afonso – Ouvimos desde Jimmy Hendrix à Last Day of Humanity, Dick Dale à 7Mon,  bandas crust´s, punk´s e grind´s em geral….  Literatura – cotidiano humano.

 

17- “SUBCUT / PRETTY LITTLE FLOWER – split EP” foi o ultimo lançamento, conte-nos mais detalhes sobre a produção/gravação/bastidores:

Afonso – Cara, você acredita que compramos duas copias??? Esse material já saiu há um ano e não recebemos nenhuma copia sequer do selo que lançou. Saiu nos USA pela Rescued from Life, de inicio seria um split com o DISPEPSIAA, ao qual eles pularam fora e daí o Clay da RFL conversou com o Dave (PLF) e ele topou na hora.  Nossas musicas foram gravadas em dez/2008 e só saiu ano passado…  Pelo que nos foi passado, foram feitas 400 copias, rotação 45 e algumas em vinil branco. O detalhe foi que só ficamos sabendo que saiu, quando o TEST foi para a Europa ano passado e tocaram com o PLF. Dae, quando voltaram,  o João Kombi me chamou no msn e disse que havia pegado uma copia…

18- O underground não é levado a sério por muitos, qual a mensagem que você para as pessoas que acham que esse estilo de vida é brincadeira?

Afonso – Que fiquem o mais longe possível do underground… Aqui não é lugar para vocês. Vivam suas vidas de plásticos e tornem seu mundinho mais hipócrita…. Fodam-se!!!!

19- Contatos:

Endereço – Rua Vicente Mele, 622 – P.Prudente/SP – CEP 19064-200

Email – [email protected]

20- Mensagem:

Afonso – Novamente obrigado pelo espaço aqui cedido. Mantenham suas mentes limpas e conscientes. Os oportunistas estão ae para arrancarem seus órgãos e vende-los na feira de domingo. Vivam o presente e deixem o futuro chegar e principalmente, busquem a felicidade, não importa como, mas encontrem-na. …

Valeu!!! Resistencia….. sempre!!!!

 

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Cremo é idealizador e fundador do Cultura em Peso, Asatrú, amante incondicional da fotografia e da cena underground, na qual vive intensamente há 16 anos. Formado em Redes para Computadores, é ex-vocalista das bandas La Tormenta (Grind) e Dead Bush (Punk), ambas de Minas Gerais. Ouve de Punk Rock a Metal Extremo, tendo como principais bandas na sua playlist Ratos de Porão, Napalm Death, Extreme Noise Terror, Circulo Activo, Amon Amarth, Elluvetie e Lacerated and Carbonized. Literalmente um Viking que não marca território: o mundo é sua morada. Lê constantemente sobre política, religião, história das guerras e a autodestruição humana que não aprendeu até hoje a viver com as diferenças. Some com a cena ou suma dela mesmo, agora!

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