Gerações Perdidas – Goiânia

 

A banda Gerações Perdidas foi gestada no início de 2010 e teve seus primeiros ensaios em um galpão de fábrica nos arredores do bairro Vila Nova em junho deste mesmo ano. Porém, apesar de ter sido iniciada efetivamente neste bairro, seus integrantes são, na verdade, do subúrbio da Zona Noroeste da cidade e, justamente por isso, suas letras refletem seu dia-a-dia revoltante, como Gerações Perdidas, retratando o extermínio da juventude ocorrida, exatamente, neste bairros de periferia e contra esses jovens que ousam lutar. Falam também sobre a situação atual do país, abordando desde a construção de uma usina hidrelétrica à situação dos trabalhadores e críticas ao governo. Mas não há somente crítica na banda Gerações Perdidas, em suas letras é apontada também uma perspectiva de superação a este sistema, com temas que falam – e impulsionam – a necessidade de organizações sociais que o combatam a exploração do homem, o militarismo, as guerras, o extermínio da juventude, a devastação do meio ambiente, a grande mídia e a manipulação exercida por esta e contra o massacre dos povos indígenas. Gerações Perdidas é, enfim, um crust/punk/hc anticapitalista.

1- Opa, é sempre bom entrevistar amigos e pessoas que consideramos. O gerações Perdidas tem sido a banda emergente do cenário  punk goiano,  como vocês vêem isso?

 

(DIEGO) Obrigado! É sempre bom discutir e compartilhar idéias. Bom, não consideramos que sejamos a banda “emergente” do cenário goiano. Mas o cenário punk goiano, ele mesmo, vem sendo renovado. Somos então uma banda emergente no e não do cenário goiano.Não somente renovado, mas algumas bandas que tinham se enfraquecido se recolocaram no cenário nesses últimos anos e outras tantas foram formadas, se fortaleceram, apareceram. Não acreditamos que a Gerações Perdidas tenha sido o motivo dessa renovação, reanimação, mas sim uma banda que neste contexto todo se colocou no cenário com atividades intensas, o que, então sim, pode ter dado uma balançada nesse cenário. Principalmente quando lançamos a nossa DEMO, que foi totalmente DIY (mas no sentido de façamos juntos!): gravamos, fizemos a arte com a ajuda das nossas companheiras, imprimimos, gravamos CD’s, compramos capinhas, botamos tudo junto e distribuímos pra galera. Isso, impressionou muita gente que até então acreditava ser impossível a gravação de uma DEMO por aqui. Desde então algumas bandas fizeram também o registro de suas músicas como a Tarja Preta (da Insetu’s produções) a ExOxDx que logo lançará seu CD.

 

(FRED) Acho que a coisa fluiu mesmo depois que fui convidado pra tocar, pois já tinha dois projetos que nunca foram tão sérios como o Gerações Perdidas, percebi que tanto o Matheus, Diego e Paulin, estavam realmente querendo fazer as coisas acontecerem, e com isso o compromisso e um pouco de dedicação fez isso que vocês estão vendo hoje, e depois do nosso rolê em João Pinheiro-MG, voltamos com mais força de vontade, e isso tem dado bons frutos pra todos da banda. Mas não vejo esse lance de emergente tanto assim não, estamos na correria como todas as outras bandas que existem aqui, acho que nossa evolução e idéias que estamos passando é o que vale a pena.

 

(PAULIN) Todos tem reconhecido o nosso esforço de passarmos a informação através do som,como nas letras..E fora isso temos contribuído com zines, stencils, e isto influencia bandas novas que estão começando… Ficamos felizes de ver que nossos esforços estão sendo recompensados…ficamos muito felizes de ver o quão cresceu goiana hoje com as bandas novas e principalmente por estarmos influenciando outras bandas e pessoas.

 

 

(MATHEUS) O lance é que a partir de 2010 (ano também que foi formada a Gerações Perdidas) veio surgindo várias bandas e fortalecendo as bandas que já existiam antes. Podemos afirmar que está rolando agora em Goiânia um segunda geração da cena punk/hc/underground, tanto da galera que antes era público, agora atua com bandas e zines, quanto, também, o pessoal que veio do interior pra estudar e trabalhar, que com o contato com a cena veio trilhando esse caminho.

 

2- Recentemente vocês lançaram o primeiro cd, e pela TBNTB, como foi feita essa parceria?

 

(DIEGO) Na verdade lançamos pela TBNTB e pala Massive records. Nós já tinhamos a vontade de lançar esse CD desde a DEMO, de produzir algo mais, digamos, bem feito, mais bem gravado, tal. Depois que gravamos, O Glauco e o Segundo, da massive e da TBNTB respectivamente, nos procurou e propôs a parceria, dividimos o custo entre todos nós (a banda e as duas distro, e dentro da banda). Fizemos uma tiragem de 300 cópias. A arte do CD e da capa foram feitas pelo Glauco e o encarte foi feito pelo Glauco, e por nós e nossas companheiras que mais uma vez nos deu apoio nessa parte. O CD e a capa foram silkadas pelo próprio Glauco e com a ajuda do Segundo. o encarte foi impresso em forma de jornal (a4 dobrado no meio). Além disso o CD vem com um patch, silkado também pelo Glauco e um adesivo. Como foi tudo feito por nós mesmos desde a gravação até o lançamento do CD demoramos por volta de 5 meses. Foi tudo uma correria e uma loucura, mas que chegamas a esse resultado ai!

 

(PAULIN) Já tínhamos visto o trabalho dos amigos da TBONTB e eles curtiram e viram em nossa banda algo a mais e trocamos ideias e eles na hora aceitaram fazer esta parceria com nós. Foi muito produtivo!

 

(MATHEUS) Desde que lançamos nossa demo, o Segundo (da TBONTB) deu ideia pra lançarmos a demo pelo selo dele, mas como era apenas um registro inicial das nossas músicas viemos mantendo contato para um futuro lançamento, que quase um ano depois veio a ser nosso cd. Lembro também que o Glauco entrou em contato, tínhamos tocados juntos com a banda dele Death from Above, a partir daí ele nos motivou a lançar o nosso cd e nos ajudou com a parte das silkagens, artes e também dando um toques na mixagem da nossa gravação.

 

3- Com uma visão e postura claramente libertária a banda resolveu lançar o encarte com um zine impresso junto. Como realmente é isso? E como foi a idéia?

 

(DIEGO) Na verdade, todos da banda sentem falta de ter o encarte das bandas, ver umas fotos dos shows, e principalmente poder ler a letras que a banda está cantando e poder entender a mensagem da forma mais “eficiente” possível. A ideia da banda é poder divulgar a ideias, as mensagens, por isso então do encarte como zine. Queremos que as pessoas compreendam o que estamos querendo dizer com isso tudo que fazemos.

 

(FRED) Essa ideia do Zine na verdade, vem com a intenção de mostrar o que falamos, fazer algo diferente do usual, pois até hoje aqui, não vimos bandas que fizeram desta forma, e nesse pacotão vem tudo o que se precisa, CD, ZINE com letras de todas as musicas, o patch da banda e um adesivo….e por aí vai!!!!!

 

(PAULIN) É algo novo e gratificante pra nós… Até porque alguns integrantes já tiveram outras bandas mas desta forma de fazermos os corres é diferente, prazeroso e no mesmo tempo importante pra cena.

 

(MATHEUS) O nosso cd saiu com o encarte em formato Zine, mas também acompanha um patch e um adesivo… Todos esses itens se inserem em uma proposta de ir além de um mero cd, mas também de vários elementos que são da cultura punk (como os patches e zines) e um forma de divulgação, com baixos custos e sem perder a qualidade e mensagem por de trás do material.

4- Todos na banda são anarquistas? Como vêem a anarquia dentro do capitalismo em que somos obrigados a viver?

 

(DIEGO) Justamente, somos todos obrigados a viver neste sistema. O que vejo é que temos várias formas de agir sobre esse capitalismo. A banda, a música, nossas profissões, são uma forma de ação sobre esse sistema. Daí a importância de um movimento articulado. Várias pessoas, de grupos diferentes, lutando juntos por uma transformação.

 

(FRED) Pra mim é ainda pior, pois trabalho dentro de uma casa, mais conhecida como sistema, porém me sinto muito ruim com isso ás vezes, mas como todos precisam sobreviver e alcançar seus objetivos, fica complicado poder sobreviver fazendo somente o que você gosta ou pelo menos podendo viver com a banda, e infelizmente dentro de um campo de trabalho existem as hierarquias e deveres, a gente se submete mas subverte de vez em quando; quando vê que realmente não vale a pena passar por isso!

 

(PAULIN) Nem todos assumem a postura como anarquistas… A anarquia começa em pequenos coletivos, grupos de estudos e afinidades.. Temos que trabalhar porque temos uma vida, esposas, mas não significa que nos entregamos ao sistema…A anarquia começa dentro de cada um primeiramente, não de forma globalmente já querendo destruir tudo.

 

(MATHEUS) Nenhuma banda que atue no meio underground, produz seus materiais de forma DIY e toca em pequenas gigs vive em função disso, até porque é um espaço em que não envolve o lucro, logo todos nós somos obrigados a vender nossos trabalhos em troca de salários! Nenhum homem é uma ilha, todos nós vivemos integrados a esse sistema de exploração… Acredito na mudança e na transformação, em toda a história vimos isso! Luto pela superação do capitalismo e pela criação de uma sociedade sem a exploração dos homens e de animais, sem um sistema que lucra em cima da destruição de vidas e da natureza! A banda é uma espaço que eu jugo ser importantes para construirmos isso, mas não somente ela e não somente nós vamos dar conta dessa jornada anticapitalista! Se faz necessário que toda a sociedade reconheça que estamos em um mesmo barco, que no momento está guiando para a devastação ecológica, social e humana! É isso que temos que combater a partir dos coletivos, ocupações, movimentos sociais… Que não fique no altruísmo revolucionário individualista pequeno burguês, mas que também não seja enrijecido por uma militância institucionalizada pelo partidos.. Acho que esse é o caminho, uma mediação entre a ação direta com um compromisso organizativo que vá além do “porra louquismo”, mas que contemple que as transformação somente virão através de um revolução social, que não serão somente a “vanguarda” ou os “escolhidos” que a farão, mas todos aqueles que são diariamente explorados.

 

5- Sabemos que a policia goiana é uma das mais combatentes do brasil. Existe muita repressão na capital goiana?

 

(DIEGO) Temos alguns integrantes do interior, entre os quais, eu. Acredito que no estado de GO exista um coronelismo muito forte, bem na cara mesmo. O que acontece é que toda a forma de ação da polícia vem vinculada com uma política de interesses vigente. Além disso, os estereótipos se mantêm, ver motos paradas por policiais é frequente, ver uma cara de visual abordado também etc.

 

(FRED) Eu posso dizer com certeza, ando de moto pela cidade e ás vezes á noite sempre passo por situações constrangedoras, mas Goiânia tem se tornado um pouco perigosa existe  muito malandro fazendo maldade nas ruas e a droga tem destruído muita gente (o crack), mas os policiais daqui acham que abuso de poder são seus cartões de visita, te batem primeiro pra depois ver quem realmente você é.

 

(PAULIN) Aqui se não me engano é uma das policias mais fascistas e autoritárias do Brasil… Afinal aqui é estado de coronéis… Existe sim muita repressão… Até mesmo ao sairmos de casa não sabemos se voltamos vivo, trabalhadores, estudantes, mulheres e moradores de ruas..Todos são vitimas constante da policia fascista daqui.

 

(MATHEUS) Não somente em Goiânia, mas em várias cidades estamos vivendo um extermínio declarado da juventude, legitimado pela mídia e o Estado pela polícia. Estamos vivendo aqui uma suposta guerra contra o crack, que no fundo é mais um desculpa da ROTAM para invadir as periferias para torturarem e matar todos aqueles que cruzam o seu caminho. No atual momento estamos vivendo um momento em que vários mendigos estão sendo mortos diariamente, que eu suspeito muito que é mais um campanha de higienização como ocorre em São Paulo, em que grupos de extermínio da polícia atuam para “limpar” e “apagar” a histórias dos indesejados pela sociedade.

 

6- Até uns anos atrás Goiânia tinha coletivos anarquistas. E hoje como anda tudo por ai?

 

(PAULIN) Existem pequenos grupos ,mas hoje a luta está voltada mais pra causa animal…Mas tudo dentro do estudos anarquistas…É bem interessante, pois as pessoas novas que chegam não percam o foco do estudo que sempre envolveu o anarquismo.

 

(MATHEUS) Hoje em dia temos o pessoal do grupo de libertação animal. Temos também o pessoal do Indygesto, que tem uma casa que promovem eventos culturais libertários, como saraus e encontros de discussão (como foi sobre as ocupas no Rio e em São Paulo), nesse espaço sempre rola rango vegano e também agora uma cerveja artesanal (a Klandestina) feita por eles. Sei que tem uma galera anarquista na UFG do RECC (Rede Estudantil Classista Combativa) que tentam atuar como oposição ao DCE que ocupa a anos a mesma entidade. Além disso tem um grupo feminista chamado Starfish, onde mesmo não sendo declaradamente anarquistas, se utilizam dos espaços libertários (gigs, zines e etc.) para promoverem o debate sobre o machismo na cena goiana, bem como denunciar os abusos, estupros e os crimes de homofobia que vem ocorrendo cada vez com mais frequência.

 

7- O “studio old” já e uma casa pra banda, que sempre toca por lá, como vocês viram a aparição deste espaço para shows menores?

 

(DIEGO) O old realmente é praticamente nossa casa. Principalmente nos primeiros shows, tocamos por lá frequentemente. Ele foi muito importante pois os lugares que geralmente rolavam shows por aqui estavam fechados. Um que posso citar desde que acompanho a cena por aqui é o capim pub que por problemas de vizinhos e com certeza por causa do som que rola no lugar, diminuiu e muito as suas atividades. Então os shows migraram tudo pro Old. Hoje, já vemos uma melhor distribuição, alguns lugares tem aparecido, algumas pessoas às vezes fazem nas suas próprias casas, com toda aparelhagem emprestada, juntada de quem tem, quem pode emprestar….Mesmo assim, o Old ainda tem abrigado vários shows.

 

(FRED) Aqui nossos esforços são pessoas e bandas que lutam pra sobreviver nesse meio underground, o Old é realmente nossa casa, pois é um dos poucos locais que nos aceitam pelo tipo de som e publico que frequenta, apesar de rolar muita coisa chata ás vezes, se vc tem uma banda seus amigos vão lá vêem vc tocar e vão embora, não ficam pra ver todas as bandas, as vezes fica desanimador, mas eu sempre toco como se fosse a última vez….

 

(PAULIN) Goiânia é muito escasso de lugares pra fazermos um som ou uma gig… O OLD abriu a porta pra muitas bandas e é uma grande satisfação estar fazendo parte deste momento…Hoje a maioria das bandas de Goiânia de punk, hardcore e etc. são todas lançadas no old…é uma grande alegria.

 

(MATHEUS) O Old foi o espaço mais democrático para as bandas e para os organizadores movimentarem a cena. Várias bandas surgiram e tiveram suas primeiras apresentações por lá, como o nosso caso. Mas não há somente o Old, também temos aqui o Capim Pub um pub adequado a residência do Afonsinho que sempre abre as portas para os eventos underground e agora acaba de abrir um novo espaço que é o Ilha Studio, com um ótima qualidade do som e acessível a todos aqueles que queiram organizar os seus eventos.

 

8- No inicio do ano vocês tocaram no “Cultura em Peso – Goiânia”, que foi uma mescla Goiânia – Minas Gerais. Como você vê essa proximidade dos dois Estados?

 

(DIEGO) É sempre bom trocar ideias com outras pessoas, fazer parcerias. A proximidade é muito positiva, isso tem que ocorrer em todos os sentidos. Essa proximidade permite um movimento mais unido e fortificado. No show em especial que tocamos em João Pinheiro – MG, pudemos ver a repressão policial, que como disse se assemelham. O comportamento das pessoas etc. Isso também nos motiva a continuar fazendo o que fazemos. Vemos as bandas de lá lutando ao nosso lado e acredito que seja a mesma coisa quando vemos shows de bandas de fora por aqui. Isso nos incentiva.

 

(FRED) Essa ideia poderia se tornar mais frequente, temos muita vontade de voltar a todas em Minas, essa proximidade é muito positiva e sempre rende alguma coisa boa, amizade

novas bandas e surgimento de iniciativas como essa que o Cultura em Peso faz, parabéns aí pela iniciativa!!! e contem sempre conosco.

 

(PAULIN) É muito importante esta coligação, pois sentimos a necessidade de expormos nossas ideias fora daqui de Goiânia… Aprendermos com outras bandas…é algo muito produtivo e esperamos fazer isso em todo o canto do mundo.

 

(MATHEUS) Foi um puta prazer podermos dividir os palcos com as bandas de Uberlândia e Araguari aqui em Goiânia. Espero que essa conexão ocorra mais vezes, se precisarem estamos sempre aqui para dar o apoio a esse tipo de empreitada… Tenho muito amigos em Uberlândia, espero muito que um dia a gente toque por ai..

 

9- Como vocês vêem a participação/ colaboração do “Natal” e do “Segundo” na cena punk de Goiânia? Não  é nenhuma tentativa de “pagação de pau”, vide que mesmo estando longe percebo que os dois sempre estão fazendo algo pelo movimento ai na area.

 

(DIEGO) Cada qual com seu papel. O Segundo tem sido muito importante, e acredito que juntamente com o Glauco, para a divulgação e registro das bandas que estão aí, nosso CD só foi

possível com a  ajuda dos dois. O Natal organisa vários shows. Na verdade, muitodos shows dos quais falei que rolavam no Old, foi organisado por ele, e quem nos deu inúmeras oportunidades. Mas além desse tem muita gente nos corres aí pra organizar o movimento. Como a galera da Insetu’s, O Júlio: batera do WC, a Aurora e o Urbano: do Entre os dentes, o Gilcélio: do Livre?

 

(FRED) O natal, é um cara que está no cenário a bastante tempo, era vocalista de banda e sempre faz coisas pro underground goiano e tem pouco reconhecimento, o Segundo é um cara que também faz diversas coisas divulga, abre portas pra novas bandas e sempre tem algo interessante pra dizer, e conhece diversas pessoas, o que ajuda na hora de ser convidado pra tocar em algum lugar…..Pra dizer a verdade os dois são os caras que tem feito muito pelo Hardcore Punk Goiano.

 

(PAULIN) Sim é satisfatório estarem com eles, pois eles sempre nos deu força, pra outras bandas sem esta panelinha q rola em outros selos e espaço… Estamos aprendemos muito com os dois e todo dia aprendemos mais e mais… Eles tem contribuído não só pra nós,mas pra todos envolvido na causa.

 

(MATHEUS) O Segundo é uma figura importante para a cena, há cerca de 15 anos ele, juntamente com a TBONTB e todos as pessoas que o ajudam, organizam não somente shows, mas motivam e apoiam as bandas a registrarem suas músicas e os ajudam a lançar e distribuir seus materiais. Acho que sem a TBONTB muita coisa desapareceria sem nenhum registro. O Natal foi muito importante para a Gerações Perdidas, mas também a todas as bandas novas que vem surgindo, basta somente você ter uma banda no meio underground que ele com certeza abrirá as portas, não se importando se você é enturmado ou “considerado” por outros da cena. Não posso deixar de lado a galera da Insetus Produções, essa galera conseguiram organizar shows clássicos aqui em goiânia como: Atack Epiléptico, Agrotóxico e Olho Seco, sem contar as inúmeros gigs que os caras fizeram para ajudarem as bandas locais nesses últimos 10 anos. Temos também o caso do Júlio, um cara que sempre curtiu e confiou na Gerações, ao ponto de nos chamar para vários shows ao qual tivemos oportunidades de tocar com bandas fora de Goiás e do país, esse cara não para, sempre organizando e escrevendo sobre a cena! Temos muito que agradecer a toda essa galera.

 

10- Matheus, você é professor de História, o que seu conhecimento na graduação é influênciado na banda  e vice – versa?

 

(MATHEUS) Graduar em história foi fundamental para eu ter uma visão mais crítica do mundo. Ajudou a amadurecer uma consciência crítica que eu já tinha! Isso foi crucial para a elaboração das letras e das intervenções de discursos, zines e faixas que fazemos em nosso show. Mas não foi somente o curso de história que me deu um olhar mais crítico sobre as coisas, foi o fato de eu ser professor: de crianças de 10 a idosos de 60 anos, de travestis a ex-presidiários, foi o contato com essas pessoas que fizeram eu ter um sensibilidade ainda mais acerca dos problemas que todos nós enfrentamos! A banda e a cena foi o lugar que eu tive pra falar sobre isso, foi o espaço que tivemos pra ter contato com essa galera e mostrar pra elas que existem outras vidas tiradas pela opressão, que se os estilos nos separam a classe e exploração sofrida nos une (parafraseando Autoras do Fato)!

 

11-  O que opinar sobre “Belo monte”?

 

(DIEGO) Interesse político-econômico. A realocação dos nativos não quer dizer adaptação ao novo lugar. Muitos deles preferem o suicido coletivo à sair de suas terras.Seus ancestrais estão enterrados ali. Diga a alguma pessoa que tenha um ente querido enterrado no cemitério que o governo irá  nundar aquele local, mas que irão transferir os túmulos. Os nativos  conhecem e se relacionam com aquele lugar há tempos. Todo um conhecimento  e funcionamento da natureza, de relação com animais e vizinhos adquiridos ao longo de inúmeras gerações. As pessoas tendem a pensar que a  e acomodação é fácil por pensar no seu próprio deslocamento. Mas que é sempre para uma cidade, em que temos: as mesmas lojas, os mesmos produtos, oeferecidos da mesma maneira. Já os nativos teram que aprender a caçar quem sabe um bicho que não ocorria na sua região. Terá que aprender a buscar agua de outra forma, em outro lugar, que não se sabe a qualidade etc. Além disso, os transtornos ambientais são incalculáveis. A quantidade de animais que morrerão e que poderão entrar em extinção etc.

 

(FRED) Belo monte de mentiras!!!!!!

 

(PAULIN) Belo Monte resumindo significa morte… Crianças, mulheres, homens, animais, natureza…Tudo vagando pela miséria….exterminados e tirados de suas terras por mero lucro do capital…então belo monte é uma atrocidade um genocídio… não ganharemos nada com isso… energia? água?…não não…ganharemos sangue derramado na porta de nossas casas… Contra belo monte!

 

(MATHEUS) Belo Monte não teria a necessidade de ser construída. Estudos mostram que somente com a manutenção das usinas já existentes conseguiríamos o ganho energético o bastante para não construí-la. Além do mais estamos lidando com um rio cheio de sedimentos, que pode entupir as turbinas e não produzir o montante de energia prometido. Tudo isso sem contar aos milhares de quilômetros perdidos de área verde em uma das poucas florestas tropicais que ainda existe no mundo, a morte de várias espécies de animais e a expulsão dos povos do Xingu, que milenarmente já ocupavam a região. Em sentidos práticos, sociais, ambientais é inviável a construção da barragem, mas pra que construí-la? A resposta é clara: atender as grandes empreiteiras que lucram com obras superfaturadas, sem contar a corrupção, e, não devemos esquecer, que a barragem vai priorizar o desenvolvimento do agronegócio que desde a Ditadura Militar penetra a selva amazônica, destruindo a mata, instaurando o latifúndio, expulsando os índios e massacrando os camponeses.

12- Jogo rápido:

 

(DIEGO)

4 bandas goianas: Tarja Preta, Entre os Dentes, Dejeto HC, Vítimas da Injustiça

4 bandas nacionais: Cólera, Agrotóxico,

4 bandas internacionais: Fugazi, La société elle a mauvaise haleine, Nation Suicide, Les sales majestés.

1 livro: 1984, Geroge Orwell

1 cd: Steady Diet – Fugazi

Gerações perdidas: Forma de ação sobre todo o sistema que nos é imposto.

Punk: Movimento que reúne várias pessoas que lutam por certas idéias juntos.

Anarquia: Mais uma forma de ação sobre o capitalismo.

Uma frase: “Ensemble, tous solidaire, il est possible de gagner.” (Todos juntos e solidários, podemos vencer.) – CRS, Mauvaise Haleine

 

(FRED) 4 bandas goianas: Dejeto HC, Entre os Dentes, WC Masculino, Livre

4 bandas nacionais: Ratos de porão, Paura, Agrotóxico, Mukeka di Rato

4 bandas internacionais: Schifosi, Napalm Death, Terrorizer, Cannibal Corpse

1 livro: Zine Starfish Nº 1

1 cd: Black Sabbath-Vol.4

Gerações perdidas: Uma coisa boa, minha alegria de viver!!!!!

Punk: O Paulin de cara….

Anarquia: Um projeto á longo prazo!!!!

Uma frase: ” Cuidado pra não ser enganado, a mídia coorporativa que controla sua vida!”

 

(PAULIN) 4 bandas goianas:vitimas da injustiça,livre,desastre,death from above

4 bandas nacionais:execradores,couro e osso,defy,sub terror

4 bandas internacionais:aus rotten,shifosi,astenix,disrupt

1 livro:crônica de um amor louco…Charles Bukowski

1 cd:gerações perdidas

Gerações perdidas:família

Punk:amor

Anarquia:vida

Uma frase:”somos o que transmitimos”

 

(MATHEUS)

4 bandas goianas: Corja, Descarga Negativa, Pertinácia, Sociofobia.

4 bandas nacionais: Dischaos, Execradores, Operação 81, Mito da Caverna..

4 bandas internacionais: Los Crudos, Youth Against Fascism, Aus Rotten, Disrupt

1 livro: Não devemos nada a você!

1 cd: O primeiro filho não esquecemos – Gerações Perdidas

Gerações Perdidas: minha energia, esperança e sonho de fazer algo pra transformar o mundo que vivemos.

Punk: forma de luta.

Anarquia: alternativa?

Uma frase: “Quando não tivermos mais o que protestar e não ter o que lutar, estaremos lá pra gritar!”

 

 

13- Vocês acreditam em união entre punk e skinheads?

 

(DIEGO) Acredito na união entre pessoas que compartilham um mesmo ideal. Isso seria possível somente no momento em que os dois chegassem a um consenso de ideologia. Devido à grande divergência de ideias entre os dois grupos, acredito que seja difícil.

 

(FRED) Acho que são ideais totalmente diferentes e que pregam uma cultura que jamais andaram juntas!!!!!

 

(PAULIN) Não! Nem Oi, nem sharps, nem rashs, nem streets… Não acreditamos e não temos ligação com tais grupos que consideramos fascistas, machistas, sexistas e homofóbicos…

 

(MATHEUS) Olha pra mim não existe um possibilidade de união entre punx e skins! Pois mesmo os skins trad que defendem que são apolíticos, ainda tem aquele coisa de “hooliganismo”, de uma veneração exacerbada ao futebol, do vínculo com torcidas organizadas e o apego a violências e as tretas. Isso parece que está presente em todos os segmentos dentre os skinheads. Acho que as pessoas que tentam aplicar isso aqui meio deslocado e fora do tempo que isso rolou, forçar algo que não existe hoje em dia (como grupos de skinheads não fascistas) é algo retrógado, pois vemos que a expressão do movimento hoje em dia está ligado ao nacionalismo (que pra mim tem um ligação íntima com o fascismo) e ao nazismo, que espancam gay e travestis, violentam mulheres e matam mendigos, punks e outras minorias! Então tentar provar ao contrário e defender algo que não existe não encobre a veia latente de intolerância que assola tal movimento.

 

14- Quais as influências musicais e literárias da banda?

 

(DIEGO) Gerações Perdidas tem uma peculiaridade mito interassante. Cada um dos integrantes tem suas influências em um estilo diferente. Eu caio mais pro lado do Punk rock. Fui muito influenciado por cólera, anti-flag, dead kennedys, Fugazi etc. Mas tudo que já escutei, troquei idéia, etc está nas inflências da banda. A banda é um grito de tudo que contruimos juntos.

 

(FRED) Sou um cara formado em Educação Física e leio muita coisa ligada á lazer e qualidade de vida no trabalho, pois trabalho com isso, além esporte para formação de cidadãos em projetos para filhos de trabalhadores da indústria…. Minhas formações musicais estão sempre dentro do Hardcore (bandas como RDP, Agrotóxico) mas gosto de novas linhas de hc também como algumas bandas de goiânia, mas fui criado dentro do Death Metal antigo ainda escuto muito (Benediction, Carcass, Korzus, Cannibal Corpse, Claustrofobia, Obituary, Torture Squad e por aí vai)..Gosto também de algumas bandas novas dentro do cenário metal e metal core (Lamb of god, the Black Dahlia Murder, The Berzerker, Necrophagist, Impaled Nazarene, e tudo que tá dentro de coisa porrada mesmo, além de ser um cara muito fã de Napalm Death.

 

(PAULIN) Geralmente parto muito do crust, metal e hardcore… Estudamos desde marxismo a Bakunin, Malatesta e Emma Goldman…

 

(MATHEUS) É difícil dizer se temos uma influência literária, pois penso que a música transcende a literatura nesse aspecto, ela consegue dizer coisas que não entram em palavras, poesia ou algum livro de teoria que os acadêmicos veneram. Os ruídos, o barulho, a distorção e os gritos expressam algo que vão além das letras, expressam emoções e uma energia que só aqueles que escutam, observam e intervêm nos shows sentem! Sobre as influencias musicais, é como o Diego falou: na Gerações Perdidas rola um conflito muito sadio de influências musicais, pois a banda não foi formada pra seguir somente um vertente do punk como uma cartilha, ela foi formada por aqueles que foram influenciados pelas mais distintas vertentes do punk.. É muito sadio porque todos da bandas fazem arranjos para as letras (menos eu que não toco nada) e isso mostra a diversidade de influências que temos.

 

15- Em qual studio foi gravado o cd e como foi feita a produção?

 

(DIEGO) O CD foi gravado no Estúdio Volt. Tivemos que lidar com algumas coisas chatas, mas no final das contas, deu tudo certo. Gravamos o nosso CD em 4 horas. O dono do estúdio mixou ele mesmo as músicas (mesmo após termos insistido várias vezes para que ele o fizesse conosco). Depois que ele mixou à sua forma, nós pegamos o CD, ouvimos, e voltamos lá para fazer uns retoques. Aumentar uns volumes, abaixar outros, mudar equalização, etc. Só depois é que, como disse, fomos procurados para lançar essa gravação.

 

(PAULIN) Foi meio correria, pois estávamos meio quebrados de grana e cansados…Teve alguns stress na produção,mas nada que tirasse nosso foco…

 

16- Qual foi o melhor show da banda?

 

(DIEGO) Cada show é único. Sempre rola alguma coisa interessante. Acredito que o show em João Pinheiro tenha sido um dos melhores. Muita empolgação, lugar diferente, galera animada. Mas de lá pra cá muita coisa mudou. Todo show parece ter sido o melhor.

 

(FRED) O último Show “Despejo Fest” no quintal do Gilcélio…coisa de outro mundo, tocando no escuro e fazendo batalha com os queridos do Tarja Preta.

 

(PAULIN) Hmmm…todos…Porque todos os sons não deixamos de passar nossas informações, ideias e opiniões…

 

(MATHEUS) Teve alguns shows que me marcaram, como foi tocar em João Pinheiro-MG, Caldas Novas-Go e Gama-DF. Alguns sons que marcaram pela performance, mas pra mim foi memorável tocar junto com Execradores, Chicken´s Call da França e o pessoal do Life Lifters, que marcou não somente pelo som, mas pelas intervenções e debates que fizemos entre as músicas da Gerações, que pra mim realizou tudo aquilo que eu sempre quis nos shows: que a galera pegasse no microfone e debate as questões por nós levantadas em nossas músicas.

 

 

17- Alguma turnê sendo agendada para divulgação do cd?

 

(DIEGO) Não temos nada previsto. Se alguém quiser fazer uma parceria estamos abertos!

 

(FRED) Tenho muita vontade de tocar em Minas e São Paulo em 2013…

 

(PAULIN) Estamos esperando um momento pra irmos pra São Paulo e se possível Rio Grande do Sul… Temos muita vontade de irmos pro nordeste…Um sonho!

 

(MATHEUS) Não tivemos nenhum lançamento, mas fizemos diversas apresentações em que vendemos e divulgamos nosso cd, sempre buscamos trocar materiais com as bandas que tocamos e o pessoal que temos contato! O sonho de todos é conhecer outras cenas, trocar ideias e conhecer novas pessoas que estão na mesmo situação que nós: lutando dentro de suas bandas, zines e coletivos por uma proposta musical e política anti-capitalista.

 

18- Contato:

 

facebook.com/geracoesperdidas

[email protected]

geracoesperdidas.bandcamp.com

ouça nosso cd: https://www.youtube.com/watch?v=rfKAcG-1Da8

 

19- Mensagem:

 

(FRED) Vamos ajudar a fortalecer nossa cena underground e o Hardcore Goiano, existem muitas bandas e poucos locais de divulgação e shows, estamos sendo alvo da AMMA que sempre tem ido nos locais que rolam shows e acabado com a Festa, nesse ano de eleição aqui, tava meio complicado tocar em algum lugar, parece marcação…. Vamos unir e fazer a coisa acontecer!!!!! contra o extermínio da juventude, se organize e Lute!!!!!!!

(PAULIN) Que estamos plantando em cada lugar nossa semente revolucionaria… Para que um dia possamos no amanhecer acordarmos e sentirmos o gosto da liberdade…

(MATHEUS) Valeu a todos envolvidos no Cultura em Peso, temos que valorizar todos aqueles que dedicam seu tempo, esforço e energia em movimentar o underground, seja organizando shows, fazendo zines e ajudando as bandas terem um espaço de divulgação! Todos que fazem isso sem interesses corporativos, mesquinhos e capitalistas, visando se enriquecer ou ajudar uma panela de amigos, merecem minha admiração e respeito e podem contar que a Gerações Perdidas sempre apoiará as pessoas envolvidas nessas ações.

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Cremo é idealizador e fundador do Cultura em Peso, Asatrú, amante incondicional da fotografia e da cena underground, na qual vive intensamente há 16 anos. Formado em Redes para Computadores, é ex-vocalista das bandas La Tormenta (Grind) e Dead Bush (Punk), ambas de Minas Gerais. Ouve de Punk Rock a Metal Extremo, tendo como principais bandas na sua playlist Ratos de Porão, Napalm Death, Extreme Noise Terror, Circulo Activo, Amon Amarth, Elluvetie e Lacerated and Carbonized. Literalmente um Viking que não marca território: o mundo é sua morada. Lê constantemente sobre política, religião, história das guerras e a autodestruição humana que não aprendeu até hoje a viver com as diferenças. Some com a cena ou suma dela mesmo, agora!

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