“Ui, ele é nazista” – Uma crônica do porque Odinismo e Nazismo não tem nada a ver um com o outro

“Ui, ele é nazista” – Uma crônica do porque Odinismo e Nazismo não tem nada a ver um com o outro

Aos olhos dos deuses, não ha povos escolhidos e nem raças superiores.”

Vamos lá ! Quem vem tema polêmico !

Todos os praticantes de qualquer vertente do que se define por paganismo nórdico de alguma forma sofrem com essa associação com o nazismo.

Você, lendo o site, deve estar se perguntando “Mas o que um texto desses faz em um site sobre heavy-metal ? ”

Bom, algumas bandas de viking metal (durante um festival-turnê chamado Paganfest que ocorre todo ano na Europa) já foram impedidas de tocar em alguns países, como a Alemanha, por “fazerem apologia ao nazismo nas letras de suas músicas”

O Týr, banda de Progressive/Viking-Metal das Ilhas Faroé,  foi uma dessas (memória do próprio autor desse texto, teve uma outra, mas eu não me recordo com precisão), daí que nasceu uma conhecida música da banda “Shadow of the Swastika” do cd The Lay of Thrym (2011, Nalpalm Records)

Não que algumas não façam, mas essa no caso nunca fez !

Para melhor entendimento, expliquemos o que é Nazismo…

Entendendo o nazismo rapidamente

“Nazismo” é um conjunto de ideologias político-sociais praticada entre 1933 e 1945 pelo Partido Nacional-Socialista Alemão dos Trabalhadores (nazista é uma abreviação aportuguesada de Nationalsozialist).

O partido foi criado em Bremen, Alemanha por Anton Drexler, um serralheiro de Munique, formou uma ala deste comitê em 7 de março de 1918, em Munique. Em 1919, Drexler, com Gottfried Feder, Dietrich Eckart e Karl Harrer, mudaram o nome desse comitê para Deutsche Arbeiterpartei (Partido alemão dos trabalhadores, abreviado DAP).

Este partido foi o predecessor oficial de NSDAP, e tornou-se um dos diversos movimentos populistas que existiam na Alemanha após a derrota na Primeira Guerra Mundial. A fim de investigar o DAP, o Serviço de Informação do exército alemão enviou um jovem cabo, Adolf Hitler, para observar as atividades do partido. Ao expor sua opinião sobre tal assunto que estava sendo discursado,Hitler impressionou vários membros do partido pois o modo como afirmava e defendia sua ideia, era capaz de deixar qualquer pessoa ao seu lado (ele era muito bom em oratória e extremamente carismático). Posteriormente, ele foi convidado a voltar a outras reuniões, e logo filiou-se ao partido, como membro número 55 (embora Hitler mais tarde afirmasse ser o “Membro número 7 do partido” para dar a impressão que tivesse sido um dos fundadores).  

Brasão do D.A.P, a primeira formação do partido Nazista já com uma suástica.

Resumindo a história, Adolf Hitler tornou-se o chefe do partido nazista em 29 de julho de 1921, e em seguida começou um programa mediante o qual o partido nazista se transformou numa organização radical e revolucionária e posteriormente, Águas rolaram e rolaram e em 1934, Hitler assumiu como chanceler da Alemanha.

Basicamente, deu para entender a história do Partido Nazista e sua ascenção ao poder por cima, eu acho (risos) Não é esse o objetivo do texto, por isso, fui bem breve no que se diz “explicar a origem”

O foco do texto no caso é explicar porque relacionam símbolos antigos dos povos nórdicos e germânicos com o nazismo.

As cabeças do partido Nazista eram grandes estudantes de misticismo, fissurados por assim dizer. Muitas ideias racistas, arianas e essa porra toda, desses malucos vieram de 3 filósofos,  Arthur de Gobineau, Guido von List e Jörg Lanz von Liebenfels. Esse amor e entendimento por misticismo foi claramente expressado no uso da Suástica como símbolo máximo da Alemanha Nazista (Seria para tornar algo que durasse eternamente, tendo em vista que uma suástica girando seria um círculo, círculos são associados com eternidade) e no uso da runa Sowilo (a runa que representa o Sol), correspondente a letra S no alfabeto romano, como símbolo da SS, a Schutz-Staffel (Tropa de Proteção, no nosso bom português brasileiro).

Símbolo da SS

 

(Nota: As runas são um conjunto de símbolos usados como alfabeto para os povos do norte da Europa, tendo função mística para sortilégios e feitiços ou simples uso como escrita, este último e muito encontrado em pedras rúnicas, nome dado a monumentos espalhados pela Escandinávia com inscrições desses símbolos).

Aí é uma questão de juntar os fatos… A Alemanha estava detonada devido a derrota na primeira guerra mundial, várias pessoas desanimadas com o país, um governo central fraco… cenário perfeito para instaurar ideias nacionalistas e propagar suas ideias como uma esperança para uma população desesperada…

E assim nasceu a Alemanha Nazista e toda sua ideologia…

A Igreja Católica da década de 30 tinha relações bastante controversas com o regime nazista. Chegou em um ponto que em 1936, o ministro da Propaganda de Adolf Hitler e grande responsável pelo sucesso do regime, Paul Joseph Goebbels, declarou que o nazismo era uma nova fé a defender. Enquanto isso Baldur von Schirach, o comandante da Juventude Hitlerista, tentava imbuir no pessoal dele a admiração pelas antigas tribos pagãs, o Movimento da Fé Germânica (Deutsche Glaubensbewegung, DGB) fazia o grosso da propaganda. O DGB tinha como profeta Jakob Wilhelm Hauer (1881-1962),professor de Teologia em Tübingen, que pregava a ideia de uma fé ariana dos alemães. No livro Deutsche Gottschau, Hauer defendia que a história da Alemanha era mais do que mera sequência de factos, havendo na sua base  Divindades que encarnava o espírito da raça ariana representada pela antiga fé das tribos germânicas, ou seja, aproveitaram o embalo já que estavam rompendo com a igreja e criaram até mesmo uma nova fé para a Alemanha Nazista, colocarando Odin (Wotan), Thor (Donar) e todos os outros Deuses como representantes divinos do regime, criando assim, mais fanáticos e dominando mais ainda a mente do povo alemão.

Aí que deu a merda…

Entenderam que eles só usaram a doutrina nazista e os elementos do paganismo para dominar todos os aspectos de vida do povo alemão inclusive o religioso ?

As coisas que as vertentes do paganismo nórdico ensinam

Uma das coisas que prezo por ter aprendido com o paganismo nórdico (eu chamo de Ásatrú, estou usando “vertentes do paganismo nórdico” para generalizar, mas chamem como quiser) foi essa frase que mencionei logo no início do texto (povo já deve estar de saco cheio de ler por causa do tamanho do bicho).

É do livro Odin Brotherhood (A Irmandade de Odin), do professor de história européia da Universidade Estadual de Shawnee, Mark Mirabello (tem uma edição brasileira traduzida pelo meu bom amigo Marcos Rogério Estevam).

No paganismo nórdico, aprendemos que igualdade é um direito para todos, não é porque você é negro, branco, ou o que quer que seja que você tem direitos especiais. Você é um ser humano primeiramente e todos tem o mesmo direito de serem protegidos igualmente e sem discriminação, principalmente dentro do país a que pertencem por obrigação dos governantes.

Afinal de contas, os Deuses medem seu valor e a sua coragem, e não a cor da sua pele.

Entendem como não tem nada a ver com nazismo? O partido nazista usando símbolos antigos foi como uns pré-adolescentes escolhendo nome para a banda “Ah esse aqui é legal e tem um significado foda, vamos usar que é da hora” aí ainda usaram isso para dizer “Olha, temos até religião”. Só propaganda…

Usar ou portar qualquer coisa relacionada a suástica hoje em dia no Brasil é um crime da porra, constitui crime, de acordo com a lei 9.459, de 1997, como dispõe o parágrafo primeiro do seu artigo 20:

§ 1º Fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada, para fins de divulgação do nazismo.

Pena: reclusão de dois a cinco anos e multa.

Culpa desses malucos… Bom, simplesmente, não há porque lutar contra isso, sempre vão lembrar que é coisa de nazista… então, foda-se só não usar e já evita muitos problemas.

Pois bem, agora que fique bem entendido, bandas de folk/viking metal não fazem apologia ao nazismo e sua doutrina.

Sem mais delongas, até a próxima cambada !

 

 

Referências Bibliográficas
http://www.sociedade-thule.8m.com/
 (Sim, isso mesmo, fala um monte de coisa sem noção, mas dá pra ter uma base)
No Bunker de HitlerJoachim Fest –  Editora Nova Fronteira, 2005. (Li só uns trechos, bem interessante esse livro).

Odinism and Christianity Under the Third Reich. London: Odinic Rite, 1993

The Religion of Odin, Irv Slauson, Asatru Free Church Committee, 1978 (Um dos meus livros  favoritos, aborda justamente essa fase de adoção do paganismo como parte do regime nazista).
A Irmandade de Odin. Quinta Edição (Primeira pela Mandrake of Oxford) Copyright 2003

de Mark. L. Mirabello e Mandrake of Oxford, Tradução, notas e prefácio à edição brasileira: Marcos Rogério Estevam. Copyright © 2009.

A História da SS “O Implacável Esquadrão da Morte de Hitler”, Nigel Cawthorne – Edição Brasileira pela Editora Madras, 2012.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Nazismo (Sim, eu fuçei na wikipedia para poder escrever imparcialmente como se formou o partido nazista, acho que ali foi bem escrito essa parte e sem influências de opiniões pessoais).

 

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Cremo é idealizador e fundador do Cultura em Peso, Asatrú, amante incondicional da fotografia e da cena underground, na qual vive intensamente há 16 anos. Formado em Redes para Computadores, é ex-vocalista das bandas La Tormenta (Grind) e Dead Bush (Punk), ambas de Minas Gerais. Ouve de Punk Rock a Metal Extremo, tendo como principais bandas na sua playlist Ratos de Porão, Napalm Death, Extreme Noise Terror, Circulo Activo, Amon Amarth, Elluvetie e Lacerated and Carbonized. Literalmente um Viking que não marca território: o mundo é sua morada. Lê constantemente sobre política, religião, história das guerras e a autodestruição humana que não aprendeu até hoje a viver com as diferenças. Some com a cena ou suma dela mesmo, agora!

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