Resenha Crônica – Odin’s Krieger Fest segundo Barba-Ruiva

odin's krieger fest

Um Hail para você, leitor do Cultura em Peso !

Agora eu vou contar uma “saga”, puxem uma cadeira, que a história vai ser longa…

Tudo começou quando cismei de ir para São Paulo novamente… ia ter um evento bacanudo lá, esse tal de Odin’s Krieger Fest… nunca tinha ido e já estava na 3ª edição… ia ser na Newz Club, uma casa de show na Rua Augusta que eu também não havia ido… e logo eu que adoro uma presepada (risos), pensei “Ah demorou, bora ver se tenho cascalho”…

Muito bem, contei as moedinhas, juntei as notas de cinquenta reais que a avó dá de presente todo ano, comprei uma passagem de ônibus e parti…

Cheguei no Anhangabaú no dia 06,  umas 18 horas mais ou menos… encontrei uns colegas meus de uma banda de São Paulo, a Hävittäjä, uma banda que pelo que ouvi do som que eles me mostraram umas gravações improvisadas ali na hora, vai ter um futuro promissor… tomei umas cervejas com eles e depois fui buscar uma colega minha no metrô.

(Uma cerveja consumida)

Aí parti em direção a Newz Club, localizada na Rua Augusta.

Cheguei lá, por volta das 22 horas… logo na entrada, já ganhei uma garrafa de cerveja artesanal marota (risos), trombei com mais pessoas conhecidas e com o pessoal do Clã Heidnir.

(3 cervejas consumidas)

Legal, não conhecia a Newz… o estabelecimento tinha dois lugares… no andar superior, Viking Metal, com toda a pompa que o estilo pede, saudando os Deuses e cantando em verso e prosa as gloriosas batalhas (tá, parei com o Shakesperianismo).

O palco inferior… cara, no palco inferior estava um calor digno de um vulcão… lá tocaram as bandas de música medieval.

O Open Bar estava legal, tinha uns gorós ótimos (Goró = Drink… é que chamar de Drink é coisa de fresco), mas também, qualquer coisa para mim estava aceitável, eu queria ficar bêbado. Só não fiquei contente pelo fato da dose de hidromel ser muito pouca.

(Nessa hora que fiquei pobre e minhas veias começaram a pegar fogo, esqueci a quantidade de bebida consumida *risos*)

Aí começou a bagunça…. palco de cima, banda Brave, som definido por eles como “Brutal Power Metal”. O visual deles lembra muito o Manowar, só que eles fazem umas pinturas celtas no rosto, som legal pacas. Mas confesso que não fiquei vendo muito, fui para o palco inferior.

Pois é, lá estava rolando Olam Ein Sof, som deles bastante melancólico, estilo bem medieval mesmo… não tinha ouvido eles ainda, a sensação que dá é bem de estar em um castelo mesmo.

Olam Ein Sof
Olam Ein Sof

Da hora, peguei mais bebida… nessas horas já tinha perdido de vista a moça que mencionei ter buscado no metrô… mas meus instintos de pagão nórdico me diziam que ela estava por lá, então, tudo suave…

Fui para o palco superior, ia ter Hugin & Munin, banda de Santos/SP sempre presente desde a 1ª edição do festival. Eu já havia visto apresentações deles antes… a cada uma eles evoluem o som. E sempre no final, rola aquele Wall of Death… pois é, aí precisa fazer as honras e dar uma “agitada”.

No palco inferior estava o Taberna Folk, banda de música medieval lá de Cosmópolis… olha, ali que a casa caiu… normalmente eles ainda tocam alguma coisa mais lenta, mas foram só aquelas canções de taverna agitadas… Dançei, dançei até ficar tonto… minhas pernas estão doendo até a presente data na qual escrevo esta heroica saga.

Ainda no palco inferior, a banda Krieg… essa eu conheço o pessoal desde que eles estavam começando, tocaram em uma festa de aniversário minha comemorado juntamente com um evento do grupo de estudos de paganismo “Paganus Aeternus” lá no Ibirapuera (orgulho). Admito que fiquei surpreso, desde que havia visto a primeira vez, o pessoal está firme e forte na empreitada e com um som muito estiloso, que remetia a tempos da Antiguidade, das aldeias celtas e germânicas.

"Faz uma pose legal aí cambada"
“Faz uma pose legal aí cambada” – Banda Krieg

Enquanto eu não voltava ao palco superior, por estar em estado deplorável graças a bebedeira, o Heidnir se apresentava. Já havia visto apresentações deles antes, já estava ciente que a porrada ali não tinha limites (risos). Apesar do chão estar “ensebado” segundo ouvi do pessoal, a luta ficou legal, até desci ao andar inferior onde estava o stand do Heidnir e do pessoal da Valkyria Artes, ambos vendendo umas “bugingangas vikings legais pra c*lho que eu queria comprar e não tinha dinheiro” troquei uma idéia com eles e peguei uma cerveja.

Ok, voltei ao palco superior, e finalmente, após tempestuosas batalhas contra feras selvagens, evangélicos tentando me converter, estradas periogosas e bebidas que destruíam meu fígado aos poucos, pude conferir o som dos meus amigos da Sigfadhir ! Conheço o André (André Maziero, vocalista da banda), o Dubh (Douglas Mota, baterista) e o Vítor (Vitor Maldonado, guitarrista) faz tempo já, como o próprio André diz “Muita rockeiragem e paganismo, Brasil!”. Pois bem, não sabia que tinha amigos rockstars (Orgulho +2), o som deles, definido como Pagan Folk-Metal não deve em absolutamente nada para bandas estrangeiras. E ainda mandaram uma música no nosso bom idioma tupiniquim, “Lobos”, que vai estar no cd que eles vão lançar ainda esse ano.

Sigfadhir
Sigfadhir

Enquanto isso, rolava no palco inferior a banda “The Leprechaun”, fazendo aquelas tradicionais melodias de bebedeira irlandesa, ainda tiveram a manha de tocar um cover da música “Girls Just Wanna Have Fun” da Cyndi Lauper. Até fizeram uma dancinha lá no meio… e bêbado, fui incentivado a participar da dancinha (vergonha +1).

Enfim, última banda… minhas pernas moídas, minha cabeça girando… mas que se dane, viajei 540 km, queria aproveitar a bagunça. Aí veio a apresentação da Thunder God, cover da famosabanda de death metal Melódico Amon Amarth, também de outros dois amigos meus (Sim, eu sou pior que candidato a prefeitura de cidade pequena, conheço todo mundo) o Rubstein (vocalista da Thunder God e de uma banda cover de Sepultura a  No Fucking Name) e o Gustavo Abreu (baterista).

Banda Thunder God no Final do show
Banda Thunder God no Final do show

Depois de toda essa bagunça, encontrei a guria que mencionei, tão cansada quanto eu… meus instintos de pagão nórdico não estavam errados, ela não havia saído de lá.

Para quem não foi, só procurando vídeos pelo Youtube da vida para entender como foi um evento mítico… Digo mais, se continuar como está, o Brasil vai ficar mais legal que a Escandinávia em matéria de eventos, principalmente por termos celebrado não só nosso gosto, mas também a amizade. Ainda mais agora que posso dizer que tenho amigos rockstars (orgulho +10)

Saldo final: Umas fotos, sorrisos largos como pneu de caminhão, pescoço dolorido e cheio de torcicolo, braços roxos e as lembranças de uma viagem memorável até o próximo festival. E principalmente, o fato que é sempre bom se reunir com os amigos.

(Fotos por minha conta hehehe)

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Cremo é idealizador e fundador do Cultura em Peso, Asatrú, amante incondicional da fotografia e da cena underground, na qual vive intensamente há 16 anos. Formado em Redes para Computadores, é ex-vocalista das bandas La Tormenta (Grind) e Dead Bush (Punk), ambas de Minas Gerais. Ouve de Punk Rock a Metal Extremo, tendo como principais bandas na sua playlist Ratos de Porão, Napalm Death, Extreme Noise Terror, Circulo Activo, Amon Amarth, Elluvetie e Lacerated and Carbonized. Literalmente um Viking que não marca território: o mundo é sua morada. Lê constantemente sobre política, religião, história das guerras e a autodestruição humana que não aprendeu até hoje a viver com as diferenças. Some com a cena ou suma dela mesmo, agora!

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