ENTREVISTA – NW77 Por: Manu “Joker” Henriques

Demorei mas tô de volta  rapaziada! Dessa vez bati um papo com o Marcel “M.I.L.” Ianuck  , baixista e vocalista da banda brasiliense NW77 (Nuclear Weapon 77) que faz um crossover/thrash da hora, saca ai Joe!

1)   Salve Marcel e toda crew.! Primeiramente gostaria de você nos desse uma geral da história do NW77 pra quem não conhece sacar a banda:

Marcel: Salve Manu! Primeiro obrigado pelo espaço! N.W.77, ou Nuclear Weapon 77, começou como um simples projeto meu para voltar a fazer música autoral, depois de uns anos afastados da cena daqui de Brasília, por questões pessoais. Fui fazendo umas músicas em casa e mostrei pro meu velho amigo Rodolfo de Goiânia (o manda-chuva da One Voice Records) que me pilhou a gravar e lançar. Meu outro grande amigo Márcio Reis (guitarra) também ouviu e logo quis fazer parte da jogada . Os primeiros EPs foram gravados com bateria eletrônica mas logo deu vontade de tocar ao vivo e nos juntamos ao PC Montalvão (inicialmente no baixo) e o Rodrigo Pinto (bateria). Depois de uns poucos shows, eu troquei com o PC e fui para o baixo, já que ele  toca muita guitarra. O som é influenciado por metal, hardcore, crossover das antigas, que a gente gosta bastante. De Suicidal Tendencies a Slayer, de Excel a Napalm Death, de Ratos de Porão a Sarcófago. As letras são ácidas, geralmente com humor mas sem soar gratuito. Pelo menos na minha opinião. (risos)

 

2)   Vocês já lançaram dois trabalhos Doomsday Countdown (2011- One Voice Records) e o Split com o Agamenom Project em 2013 também pela One Voice. Comente por favor esses trabalhos:

Marcel: O primeiro EP saiu no fim de 2011, contendo 8 músicas, sendo 6 composições minhas, uma regravação da minha velha banda Lemon Squeezer do meio dos anos 90 (Frustration) e um clássico do crossover brasiliense da banda Swankers com a música Do the Right Thing, mais conhecida pela gravação no primeiro disco do DFC. Em seguida, eu e o Márcio trabalhamos algumas músicas juntos, o que deu um salto de qualidade nas composições, principalmente nas letras. Queríamos lançar um 7”, mas na hora de lançar tínhamos pouco recurso financeiro para fazer cópias físicas. Daí optamos em fazer um split com o Agamenon Project, que é uma ótima one-man band de crust/grind/hardcore do meu amigo Arthualisson. As poucas cópias voaram, mas ambos EPs continuam disponíveis em formato digital no iTunes, Amazon, Spotify, Rdio, Bandcamp, etc… Se ganhasse na mega da virada, eu ia lançar tudo em vinil, mas só acertei dois números, vamos ver ano que vem (risos).  A One Vo!ice Records ajudou na produção do primeiro EP e na divulgação de ambos. O segundo EP foi mixado pelo Daniel Iasbeck em São Paulo. As duas capas foram criações do nosso camarada Túlio, vocal do DFC.

 

NW77 2013
NW77 2013

3)   Que por falar nisso mandou muito bem, o traço do Túlio casou perfeitamente com a proposta de vocês! O som do NW77 a mim soa primordialmente crossover na pegada de D.R.I., Excel e tantas outras bandas maravilhosas, mas sinto também influencias do NYHC e do punk brasileiro da década de 80 em algumas partes . Li no release de vocês que tem influências inclusive de bandas de metal nacional mais extremas dos anos 80 como o Sarcófago que você mesmo citou. Como equacionam essas influências na hora de compor e quem são os compositores na banda?

Marcel: Não tem uma fórmula. Simplesmente acontece porque a gente ouve isso desde moleque. Na minha adolescência sempre curti tanto Kiss, AC/DC, quanto Slayer, Kreator e Napalm Death. Mas o que me levou a ter banda em primeiro lugar foram bandas de punk/hardcore como Sick of it All, D.R.I. e principalmente a cena de Venice (Suicidal, Excel, No Mercy). Então é uma coisa natural que minhas músicas tenham essas influências. Mas desde a entrada do PC e do Márcio, nós dividimos as composições, o que na minha opinião vai fazer o nosso próximo lançamento ser muito mais legal que os EPs. Sobre o Sarcófago, é uma banda que eu gosto muito! Rotting, The Laws e o clássico I.N.R.I. me iniciaram nesse lado extremo do metal, mas gosto de toda a discografia. E justamente por causa de discos como o Hate, The Worst e o EP Crust que tive o incentivo de começar um projecto com bateria electrónica. O Márcio gosta e conhece bastante também. O PC e o Rodrigo conhecem e curtem mais a fase clássica do Rotting e The Laws. Inclusive, adiantando aqui em primeira mão, fizemos duas músicas para o nosso primeiro disco em homenagem ao Sarcófago! Espero que o Wagner, GG, você (esse eu garanto!) e todo pessoal que passou pela banda curta e sintam-se homenageados.

 

4)   Opa mano, que legal, tenho certeza que todos os caras vão curtir a parada, eu já curto o som de vocês então não tem erro ! Falando de Brasília, a cidade  sempre teve uma tradição forte na cena hardcore. Como andam as coisas hoje em dia?

Marcel: Hardcore e Metal, na verdade. Também tínhamos bandas de metal/rock pesado muito legais como P.U.S., Restless, Dungeon, Deja-vú, Elffus, Abhorrent, Slug, Dark Avenger… Alguns inclusive continuam na ativa até hoje! O hardcore/punk continua vivo com os veteranos velhos de guerra Death Slam, DFC, A.R.D., Os Cabelo Duro, BSB-H, Seconds of Noise e a turma um pouco mais nova como o Macakongs 2099 (que já tive a honra de fazer parte), Violator, Suicídio Coletivo, Crushed Bones, The Squintz, John No Arms, Cidade Cemitério entre muitos outras. O hard rock, heavy metal, death/thrash deu uma renovada e o pessoal tá mandando ver… bandas como Sound N’Rage, Moretools, Deceivers, Omfalos, Totem, entre outros, estão sempre ativos e tocando por aí!

 

M.I.L.
M.I.L.

5)   Com certeza! Assim como o hc o metal do DF sempre foi forte e digno de respeito! Cito além das bandas que você mencionou 3 das antigas com quem já dividi palco nos anos 80: Torino, Disgrace e Roasting!  Marcel, você já rodou bem pela cena underground dai antes de formar o NW77, fale um pouco das bandas por onde passou e de seus projetos mais recentes

Marcel: Como dizemos, somos sujeitos mal-encarados de alta periculosidade experimentados na arte do rock metal (risos). Eu já toquei no citado Lemon Squeezer (hardcore), que foi minha primeira banda “séria”. Depois passei pelo Deceivers (metalcore), Macakongs 2099 (hardcore/crossover), Sapatos Bicolores (rockabilly), Bolacha e os Torradas (punk rock and roll) e até dei uma de Gene Simmons na banda tributo Dressed to Kiss (risos)! O resto do pessoal também é rodado: Rodrigo Pinto tocou no Peter Perfeito (Funk Rock), Osqueotomia (hardcore estilo Brasil anos 80)e  Capotones (psychobilly). O Márcio tocou no Deceivers (metalcore) e tá com uns projetos doidos aí com o Fábio Marreco (Totem) e outro com o Túlio (DFC). Já o PC toca ainda com o Sapatos Bicolores e tem um avassalador projeto HC que, qualquer hora dessas, aparece por aí. Apesar de algumas bandas em comum, a primeira vez que tocamos juntos foi no N.W.77 e está sendo ótimo estar rodeado de amigos fazendo um som que a gente ama!

 

NUCLEAR WEAPON 77 (BRASÍLIA - DF)
NUCLEAR WEAPON 77 (BRASÍLIA – DF)

6)    Vocês já tocaram em MG? Algum plano de shows por aqui?

Marcel: Eu, pessoalmente, já toquei em BH com o Deceivers em 97 ou 98 junto com o Unfashion do brother Davi Zaidan. Depois num fest da 53HC do mano Bart com o Macakongs 2099, que foi fodaço também! Acho que o PC já tocou com o Sapatos Bicolores por aí … O Márcio nos seus anos de Deceivers também. Por essas experiências, com certeza queremos tocar em Minas! Ir na Cogumelo, comer no Bolão, gravar uma música com o Gauguim, conhecer pessoalmente você, o Cláudio David, Jairo Guedz e o GG Minelli… Todas essas lendas “from the depth of Minas” (trecho de uma das músicas em homenagem ao Sarcófago). Aliás, eu e o Márcio já curtíamos Sepultura, Overdose (principalmente Circus of Death), Sarcófago, Chakal, Holocausto, etc.. Quando saiu o Ruído das Minas a gente enlouqueceu!! Decoramos até os extras!! Dito tudo isso para deixar bem óbvio que seria uma honra tocar em Minas! Quando sair o próximo disco vamos armar coM certeza!

 

7)    Da hora mano, espero que voltem agora todos junto e que além de BH caiam aqui pelo Triângulo Mineiro também pois a parada  tá massa por essas bandas.  Bom Marcel, é isso, gostaria de agradecer pela entrevista e pedir que falasse quais os próximos passos do NW77, abraço irmão!

Marcel: Nesse momento estamos gravando de 14 a 16 músicas que vamos lançar em CD e em formato digital. Está ficando uma desgraceira só!! Lá pro meio do ano, estará disponível pra galera! Obrigado Manu pelo espaço e pela brodagem!!! A todo mundo que está lendo, obrigado pelo apoio. Adicionem a gente nas redes sociais e conheçam nosso som! Grande abraço a todos!

 

NW77 2011
NW77 2011

 

Formação NW77:

Marcel Ianuck – Voz e Baixo (Guitarra nos EP’s)

Márcio Reis – Guitarra e Voz

PC Montalvão – Guitarra

Rodrigo Pinto – Bateria

Contato: [email protected] / http://nw77.bandcamp.com/

Vídeo:

 

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Vocalista da banda Uganga!

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