Resenha “Vivendo de absurdos – Os Maltrapilhos”

 

Escutar os Maltrapilhos  é sentir o vento da estrada, a sensação de estar na rua, é viajar entre o protesto, a rebeldia, e a liberdade.

Para quem acompanha o grupo, e conhece todos os sons da banda, sabe do que estou falando, hoje muito em primeira pessoa. Os Maltrapilhos são um som puramente punk rock, simples e bonito de se ouvir.

Com 20 anos servido o punk rock, situados em Brasília, talvez o lugar mais inspirador para uma banda de punk rock, posso dizer não tão inocentemente que classifico os caras como uma das 5 melhores bandas de punk rock brasileiras, sem querer desmerecer outras grandes bandas.

Vivendo de absurdos é o terceiro cd da banda dando sequência aos excelentes  trabalhos anteriores “ Desemprego – Desespero ”  e “Descaso”.

Contemplado com 11 faixas de letras curtas, de puro feeling protestador habitual do punk, mas não é um ódio juvenil feito atirador sem direção, é raiva pura e concentrada que sabe muito bem os seus alvos e destinos.

A primeira faixa “Vivendo de absurdos” carrega o nome do cd, é um alerta “Seus filhos vão viver de que?”, seguida por “A quem possa interessar” relatando a vida candanga não muito diferente da realidade em muitos pontos brasileiros, pra não dizer todos, destacando o trecho “ O desemprego já faz parte da rotina, pais de família embriagados nas esquinas”, na sequência temos “A falsidade quando quer sorrir procura um otário” título que fala por si mesmo. Radicalismo é a quarta faixa, uma das melhores faixas, deixo a letra abaixo:

Só sabe falar mal. Criticar

Policiar a cena querendo os seus gostos

Analisa as bandas de um modo superficial

Pensa que é o foda. Não ajudou em nada

Frustrado e sem valor não faz porra nenhuma,

Longe de ser um entendedor, um exemplo de pessoa sem valor, um exemplo de pessoa sem valor

Limitado em seu grupinho mendigando para entrar no show não soma em nada seu radical de merda

Do que adiantou seu radicalismo? Não levou em nada.

Letra típica para os sangue suga da cena, que ficam bebendo na porta de um evento, mas não pagam uma entrada, que criticam sentados atrás do computador, mas não se mexem para fazer melhor, ou não contribuem em nada para o crescimento e criatividade da cena.

 

Na sequência “ Preciso dar um rolê” soa mais como um desabafo, mostrando que as pessoas estão cada vez mais distantes. O egoísta é a sexta música, e fala das pessoas que só se mexem em busca de vantagem própria, logo na sequência vem “Eu não acredito em mais nada” que o nome fala por si só.  A vida pede socorro e decadência social abordam temas parecidos e falam que as pessoas vivem oprimidas e devem agir.  A próxima faixa leva o nome de “Condenado” e aborda o tipo de pessoa que já se entregou a derrota e não quer mais lutar. A faixa numero 11, comenta a vida do drogado viciado, que fica descontrolado quando não tem suas drogas ao alcance. E  pra terminar um bônus em homenagem a uma das maiores bandas punks brasileiras o Inocentes, eles tocam a canção “Garotos do subúrbio” um super clássico.

Aos que dizem que punk rock não sai do “tupa tupa” vos convido a ouvir mais esta obra punk dos Maltrapilhos, que sabe a hora certa e o momento certo de colocar o acorde certo!

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Cremo é idealizador e fundador do Cultura em Peso, Asatrú, amante incondicional da fotografia e da cena underground, na qual vive intensamente há 16 anos. Formado em Redes para Computadores, é ex-vocalista das bandas La Tormenta (Grind) e Dead Bush (Punk), ambas de Minas Gerais. Ouve de Punk Rock a Metal Extremo, tendo como principais bandas na sua playlist Ratos de Porão, Napalm Death, Extreme Noise Terror, Circulo Activo, Amon Amarth, Elluvetie e Lacerated and Carbonized. Literalmente um Viking que não marca território: o mundo é sua morada. Lê constantemente sobre política, religião, história das guerras e a autodestruição humana que não aprendeu até hoje a viver com as diferenças. Some com a cena ou suma dela mesmo, agora!

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