Entrevista e cobertura de coletiva de imprensa Ratos de Porão

O último full-length do RDP foi em 2006, e só agora 8 anos depois

Vocês estão lançando outro material na integra, o “Século Sinistro”,

como é se manter como referência ficando tantos anos sem lançar algo?

 

Jão: Eu acho que é assim, o esquema é estar na atividade, independente do disco novo ou não, a própria discografia da banda já suporta o show que muita gente… puta…, é que é assim né cara, tipo, o Ratos é uma banda com mais de 30 anos, então assim, tem gente com disco importante na vida do cara tipo o Brasil, o Anarkophobia… então dentro daquelas coisa antiga ali a gente já tem um set legal pra tocar ao vivo, mas porra, uma banda na atividade tem que tá fazendo coisa nova, então apesar  dessa lacuna que teve aí, a gente fez 2 DVD’s, fez o Split, e assim, eu acho que se manter na atividade, estar por aí tocando, fazendo show é a parte mais legal.

 

 

O Ratos com o passar dos anos se profissionalizou muito, e de fato é

uma das grandes bandas do cenário nacional dentro e fora dos palcos.

Isso se deve também a estabilidade do time, que já esta junto há 11 anos?

 

Jão: Eu não tenho dúvidas de que isso somou o fato é que assim: essa formação, com o Juninho desde 2003, já tem 14 anos de banda, é a formação mais estável do Ratos da história, e assim, apesar de não ter feito muita coisa de estúdio, fez muita coisa de estrada, então no quesito show eu considero essa formação do Ratos de hoje em dia a melhor formação na questão de apresentação, tá muito mais agressivão, e o Juninho tem a pegada dele que é straight edge hardcore, então ele casa muito bem com a banda e tem a parte de energia ao vivo soma muito e assim, eu acho que esse disco Século Sinistro veio pra coroar essa formação porque a gente tava afim de fazer um disco que todo mundo saísse contente do estúdio e a gente conseguiu.

 

 

 

Qual foi o critério para a escolha do “Family Mob” para ser o estúdio

de trabalho da banda nesta gravação?

 

Jão: A principio não seria, a gente ia gravar no Da Tribo e aí teve uns problemas que não ia acontecer, sacou? Assim, eu vou me limitar aqui a não falar mal de ninguém. Eu não participei da situação financeira, mas foi uma bosta, e porra, aí começou o pergunta daqui, pergunta dali e caiu no Family Mob… que tem o Jean lá, que era do Sepultura, e aí aconteceu uma negociação boa do Gordo com ele, e a banda foi ver o estúdio e porra… tinha uma mesona foda, então a gente falou, porra é aqui que a gente vai fazer, fora que o espaço era bom tinha uma certa tranqüilidade, porque assim, como foi músicas feitas através dos últimos anos que a gente não gravou, a gente compôs, porque tinha musica que já tinha sido composta fazia um tempo, tava composta mas não tava ensaiada nem terminada, então assim, a gente pegou a pilha de ‘’se não for fazer um disco agora, vai fazer quando’’? Foi bom porque deu aquela pilha do ‘’vamo fazer, vamo fazer’’, e isso é bom.

 

“falado na coletiva”:

Gordo: Na verdade a gente ia gravar o disco num estúdio de um amigo nosso, que eu não vou citar o nome, as pessoas sabem quem é mas não vou citar o nome aqui, só que eu dei uma grana pro cara, e o cara fumou a minha grana ta ligado? Porra aí fudeu, eu falei: “caralho o que vai acontecer agora?” Aí fiquei correndo atrás e fui indicado o Family Mob estúdio, que é o estudio do Jean Dolabella e do Estavam Romera, aí cheguei lá e disse que a gente tava fudido, precisava gravar se não vai ser foda, aí ele pegou e liberou o estudio lá pra gente de um jeito bem classe A e rolou. E pra nossa surpresa o estúdio do cara é de fita, porque a gente é uma banda do século passado e a gente gosta de gravar do jeito analógico, a gente não consegue se acostumar com Pro Tools, e esses sons metálicos de alumínio que existe hoje, e a gente conseguiu gravar lá.

 

 

Qual o segredo pra misturar punk, hardcore e metal e continuar

agradando os exigentes fãs? Há bandas que com o passar dos anos

entram na mesmice e se perdem, e isso não acontece com o RDP.

 

Jão: Puta cara, eu acho que isso é um bagulho que no Ratos a gente já tem isso embutido ali sem ter sido imposto por ninguém, porque o disco não pode parecer com o anterior, seja por bem ou por mal, memo que nego vá falar ‘’porra que bosta’’, mas tipo assim, tentar fazer uma coisa que você surpreenda até a você mesmo, pensar nuns desafios assim, eu acho bom pro Ratos por que dá uma rejuvenescida, então eu acho que isso pro Ratos é bom.

 

 

Sua faixa preferida deste disco?

 

Jão: Cara, é assim, a primeira faixa do disco que é a Confronto Violento, que a gente já toca ao vivo, a base ali é minha, e assim, quando eu imaginei, quando eu criei os riffs da música,  eu imaginei um pouco daquilo que foi o resultado final, e como muita pouca coisa mudou desde que eu criei os riffs e ela foi gravada, teve é lógico uns pitaco de um e de outro, porque  no Ratos sempre teve, tipo “ó mano, e essa parte aqui? Muda isso aqui’’, então assim, ela ficou do jeito que eu idealizei. E tem umas favorita ali também, tipo a Grande Bosta, que eu participei da composição, com as bases do Juninho, criei solo e tal, a gente fez aquele ajuste necessário pra ficar Ratos de Porão… e também gosto daquela que o porco do Gordo participou que ficou mol doidera.

 

Essa era minha próxima pergunta, de onde veio a idéia de usar um porco nas gravações?

 

Jão: Porra é uma analogia aqueles gore-grind, os caras que cantam com voz de porco, aí a gente tinha essa musica que foi uma musica que todo mundo compôs, eu o Boka o Juninho, e ela tinha ficado meio esquecida, e a gente começou a lembrar no estúdio, aí o Gordo disse, ‘’pega essa parte que eu vou cantar em cima dessa’’,… mas ai ficou um começão da musica e a gente não sabia o que ia acontecer nessa parte, aí pensamo: ‘’ e se a gente pegar o Atum, trazer aqui pro estúdio pra ele fazer aquelas voz de porco igual os gore-grind… mas com porco de verdade, e ficou animal, fechou a parte do começo, e no dia de gravar o porco, a gente deixou o microfone na entrda do estúdio… não foi nem dentro, tipo, tem um hall no estúdio e a gente deixou o microfone ali, e a mulher do Gordo chegou com o porquinho no carro e ele já chegou gritando pra caralho, aí a gente gravou uns 20 minutos de porquinho gritando ate selecionar um pedaço e adaptar no pedaço da música.

 

Gordo: eu gosto de umas banda de gore-grind ta ligado? E eu tava com esse porco em casa e o bicho cresceu e ficou gigante, aí eu falei: ‘’porra a gente podia levar ele lá pro estúdio pra fazer uns backing vocal’’ aí ele fez.

 

 

O que foi mais complicado durante todo processo de desenvolvimento do CD?

 

Jão: Olha cara, pelo tempo que ele demorou, porque assim, tem musica que quando a gente foi gravar já devia ter dois anos que já deviam ter sido compostas e não ensaiadas, e eu acho que a parte mais difícil foi conseguir juntar repertorio, porque assim, se a gente não tentasse juntar os quatro integrantes no memo dia na mesma hora e todo mundo pudesse cada um com seus “afazer”, a gente num ia ter feito nunca. A gente desmembrou, o Juninho fez umas musicas com o Boka, eu fiz umas com o Gordo, a gente fez umas em grupo e tal, ai fluiu melhor… mas a parte mais difícil foi falar ‘’ essas são as músicas que a gente vai gravar no disco’’.

 

 

Vocês se preocupam em fazer algo diferente do que foi feito antes na

hora de criar as musicas, ou não olham essa parte e apenas criam?

 

Jão: A gente tem a preocupação de tirar a sonoridade pro momento que a gente quer, e como a gente grava analógico, a gente sabe que o timbre que você vai puxar ali é mais ou menos o que vai ficar de resultado final, fora a mixagem e masterização… mas assim, a idéia é fazer tipo, microfonar a batera, montar tudo deixar o som foda, e sair gravando.. aí pega uns take bom, deixa ele valendo e trabalha em cima.

 

 

E a agenda como está agora, já tem tour marcada para divulgar o novo material? Ratos toca muito na Europa, rola Europa ainda esse ano?

 

Jão: Cara, a gente ta sempre tocando, né meu, amanha é o lançamento oficial do CD no Sesc Pompéia, e domingo também, e porra, a gente até o fim do ano tamo com umas agenda aí.. fazendo uns show louco aí.. Mas turnê europeia acho que não, mas tem uns Bolívia aí marcado pra outubro ou novembro, no Brasil tem vários, mas Europa acho que so ano que vem.

 

 

 

 

 

Falando em turnê, o que aconteceu com o esquema dos Estados Unidos, qual foi a merda que deu com o lance do visto?

 

Jão: Mano, fui tirar o visto lá, fui direcionado pelo despachante e a única merda que eu fiz foi falar a verdade. Porque assim, se você ta com um vôo no seu nome e descobrem que o Ratos vai tocar lá em Maryland…. ia ser visto de turista né? Óbvio… a banda entrou La como turista, sem instrumento nem nada, só com uma mochila nas costas, aí foi isso, os caras falaram: ‘’o visto que você ta pedindo não serve’’… mas eu tinha uma carta do festival falando que eu não ia receber nada pra tocar lá… eu tinha as passagens paga e a estadia, e que não tava rolando cachê por exemplo,… mas ai o cara falou ‘’esse visto não’’. Mas aí também o cara lá do festival não ia correr atrás com advogado, ia dar muito trampo, aí deu essa merda. Fuck you USA!

 

 

E como foi tocar agora esse mês lá no Maryland Death Fest?

 

Gordo:  cara eu fiquei impressionado com a quantidade de metaleiro satânico no memo lugar… era muita gente 666 com cruz de cabeça pra baixo e pentagrama e porra, eu assisti o show do Dark Angel com a formação original e foi foda cara e nós fechamos o palco hardcore no domingo e foi do caralho, foi a ultima banda e todo mundo foi ver.. era a banda que todo mundo conhece e nunca ninguém viu então tava cheio e foi do caralho.

 

 

O Jão não pode ir, o Estevam foi no lugar dele, você sentiu diferença da pegada, depois de tocar a vida todo com o mesmo cara?

 

Gordo: Ah… é diferente pra caralho mas o Estevam representou bem. E já teve show sem mim já: um que eu perdi o vôo e outro que eu quase morri. E o Boka outro dia não conseguiu chegar em Santo André e o cara que era do Nitrominds tocou no lugar dele.

 

 

Em 2000 vocês tocaram no CBGB’s, como foi tocar no templo punk?

 

Jão: Ah, aquilo foi muito foda né? Eu acho que a gente tinha que fazer um DVD daquilo, um dos melhores shows do Ratos, não como som, mas como historia, toda a importância. A gente ate lançou aquele ao vivo no CBGB’s e a gente imaginou aquele lance meio Agnostic Front que tinha uns coturno, só que a gente pôs uns havaiana, tirou o vermelho e branco e colocou o verde e amarelo.

 

 

E futuro do Ratos, os planos os shows como vão ser?

 

Gordo: Ah.. futuro a gente vai tocando até a gente agüentar… não tem futuro, no future!

Por Cesar Chiozzo

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Cremo é idealizador e fundador do Cultura em Peso, Asatrú, amante incondicional da fotografia e da cena underground, na qual vive intensamente há 16 anos. Formado em Redes para Computadores, é ex-vocalista das bandas La Tormenta (Grind) e Dead Bush (Punk), ambas de Minas Gerais. Ouve de Punk Rock a Metal Extremo, tendo como principais bandas na sua playlist Ratos de Porão, Napalm Death, Extreme Noise Terror, Circulo Activo, Amon Amarth, Elluvetie e Lacerated and Carbonized. Literalmente um Viking que não marca território: o mundo é sua morada. Lê constantemente sobre política, religião, história das guerras e a autodestruição humana que não aprendeu até hoje a viver com as diferenças. Some com a cena ou suma dela mesmo, agora!

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