Entrevista com Janaína Melo e Daniela Serafim da banda Autopse

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1 ) Primeiramente gostaria de agradecer a todos da banda Autopse pelo ótimo trabalho que vem fazendo e a se dispuserem a dar esta entrevista para coluna Mulheres do Metal, a banda atualmente conta com duas mulheres Janaína Melo (bateria) e Daniela Serafim (vocal), gostaria que se apresentassem e falasse um pouco sobre vocês.

Janaina Melo, 24 anos, baterista da banda, estudante de psicologia. Toco bateria desde 2005, foi o único instrumento pelo qual obtive interesse e partir disso procurei saber e aprender mais sobre ele. O fato de ter em casa um irmão baterista me influenciou de certa forma, mas o aprendizado eu corri atrás, foi por conta própria, paciência e muita determinação. Ao decorrer desses anos passei por várias bandas e foi através disso que adquiri experiência, e atualmente toco na Autopse.

Daniela Serafim, 23 anos, vocalista da banda, formada em Recursos humanos. Sempre gostei muito de cantar; na escola, em casa, até na igreja quando criança. Desde que comecei a curtir rock, logo me apaixonei por bandas que tinham mulheres na formação e isso só me motivou mais ainda a ter uma banda também!

2) Como surgiu a banda? Há quanto tempo estão na estrada? Todos os integrantes são os mesmos desde o inicio do grupo?

Dani – Então, a banda surgiu a partir de mim e da Janaína que já éramos amigas antes da formação da banda, nós duas sempre gostamos muito de bandas de metal com mulheres na formação, principalmente nos vocais, a Janaína já tocava bateria, mas eu não sabia nem cantar, mas mesmo assim tínhamos a vontade de fazer acontecer e a Jana chamou dois amigos o Rapha (guitarrista) e o Guga (baixista), no qual ela já tinha havia tocado com eles em outras bandas, marcamos um ensaio e tiramos um cover da banda ETHS, e para nossa surpresa o som ficou muito foda e pouco tempo de banda já começamos a tocar sons próprios.
A banda se deu início mesmo em Agosto de 2009 e nosso primeiro show foi em Dezembro de 2009.
Na formação aconteceram algumas modificações de baixistas ao longo da nossa trajetória, começamos com o Guga no baixo, mas que em 2010 por motivos pessoais precisou sair da banda, depois do Guga ainda tivemos mais dois baixistas a atualmente Christian David assume essa posição, e vem mostrando um ótimo trabalho, desempenho e se destacando cada vez no baixo.

3) Como a família reagiu ao saber que escolheram estar no mundo do Metal?

Jana – No começo houve certa resistência tanto por ter escolhido bateria como instrumento musical e pelo estilo de musica também por ser um som pesado, mas com o passar do tempo perceberam que era isso que eu queria e era disso que eu gostava e acabaram aceitando. Hoje em dia há um grande incentivo e apoio.

Dani – A minha família não é muito a favor não rsrs… Na verdade no começo foi bem pior, porque eu nunca fui uma menina estilo “revoltada” ou nada desses estereótipos que a sociedade cria pra quem gosta de rock, sempre fui muito na minha, sempre ouvia meus sons com fone de ouvido, então meus familiares quase nunca sabiam o que eu estava ouvindo ao certo, poderiam até saber que era rock, mas não metal pesado, a não ser meu pai que gostava de rock e sempre que podíamos a gente ouvia no carro. No começo foi bem tenso mesmo, hoje em dia é mais tranquilo, nada que seja um paraíso, mas hoje já se conformaram mais com a ideia de que não era apenas uma “fase” como costumam falar. Não me apoiam, mas também não me impendem de fazer o que gosto.

4) A Banda já possui um álbum lançado “Descontrole Mental” como foi o processo de produção? Porque a banda escolheu lançar o álbum em português e como o publico corresponde ao trabalho de vocês? Planejam lançar outros materiais?

Dani e Jana – Nosso primeiro álbum lançado foi o Descontrole Mental, que pra nós da banda foi surpreendente, pois lançamos um álbum total em Português, por uma escolha nossa mesmo de começar diferenciando nosso estilo do comum, mas a aceitação foi incrível, as pessoas me paravam e falavam; – Poxa! Nunca pensei que metal daria certo cantado em Português, mas com as letras da Autopse se encaixaram perfeitamente. Isso nos deixou bastante satisfeitos e felizes com o CD, uma banda que estava começando e já estava quebrando esse tabu de que metal tem que ser cantando em Inglês, foi algo bem positivo pra banda. Este ano de 2014 trabalhamos bastante para a produção do novo CD, estamos trabalhando nas composições e gravações intensamente, para que tudo saia perfeito e bem do jeitinho que nós queremos, este ano será divulgado um single desse novo álbum, mas o lançamento se dará apenas em 2015.

 

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5) O que motivou vocês a tocar no Metal? Vocês já tocaram em outras bandas além do Autopse? Como vocês se dedicam ao seus instrumentos.

Jana – Primeiramente o som, o peso a agressividade! Eu particularmente gosto de sentir a pegada do som e o metal passa muito isso, uma forte pegada, o som de bandas que gosto e acompanho também influenciou bastante nessa escolha de estilo musical.
Sim, eu já passei por várias bandas, já perdi até as contas rsrs todas as bandas pela qual passei foram formadas por pessoas próximas, amigas e isso motivou bastante pra ir a diante.
Tô sempre arrumando tempo, sempre procurando aprender cada vez mais sobre bateria, separo algumas horas do dia e pratico exercícios de resistência, velocidade, precisão entre outros, o importante mesmo é não ficar parado se não enferruja rsrsrs

Dani – O que me motivou foi a paixão pelo som, pela música, o metal é algo inigualável, é o estilo de música que gosto, os vocais guturais também me chamam muito a atenção.
Nunca fiz parte de outras bandas, a Autopse é minha primeira e atual.
Meu instrumento é minha voz, procuro cuidar dela direitinho, mas não me privo de nenhum alimento ou bebida, só procuro usá-la corretamente para não sofrer danos futuros.

6 ) Qual foi o melhor e o pior momento que já viveram no Autopse?

Jana – Especificamente não me recordo do pior momento já do melhor tem vários mais especificamente quando a Autopse foi selecionada pra tocar no Palco do Rock em (Salvador-BA), um dos melhores festivais que tocamos pelo nordeste foi um grande conquista.

7) Qual a canção da banda vocês mais gosta?

Jana e Dani – Rancor, esse som marcou muito a história da banda, aonde chegamos todo mundo canta junto.

8)Quais suas influências musicais?

Jana – Sepultura, Lamb of god, Arch enemy, Eths, Kittie, The agonist, In this moment entre outros…

Dani – Eths, Arch Enemy, Orphan Hate, Kittie, Sepultura, Soulfly, Cavelera Conspiracy, Ektomorf, Claustrofobia e Krisiun.

9)  Qual a formação atual da banda? Gostaria que todos os integrantes da banda falassem um pouco sobre si, sobre o que autopse significa para cada um e os planos para o futuro da banda.

Dani e Jana : A formação atual; Daniela Serafim: Vocal – Janaína Melo: Bateria – Raphael Felipe: Guitarra – Christian David: Baixo.

A Autopse pra gente significa primeiramente uma família, amigos que compartilham da mesma ideia e que estão na luta pelo mesmo objetivo.
Não tem preço você tocar um som que gosta, com seus amigos, fazer viagens, divulgar trabalho mundo a fora e perceber a cada dia que passa que estamos sim conquistando nosso espaço e sendo reconhecido pelos nossos esforços, é uma imensa satisfação.

10) Acompanho a banda há algum tempo e estão sempre com intensa atividade musical já participaram de vários festivais, vocês tocam mais na região de vocês ou já tocaram em outros lugares do Brasil? Como tem sido a experiência da banda em relação aos shows?

Dani – Sim, tocamos em vários festivais e em shows pela região nordeste. Em cada um deles conhecemos muita gente e fizemos muitos amigos que mantemos contato até hoje, em nossa jornada fizemos amizades com muitas bandas que sempre que nos cruzamos pelos shows ou estrada trocamos figurinhas. Para 2015 está prevista uma nova tour de lançamento no novo álbum explorando outras regiões no nosso país e inclusive fora dele.

11) Qual o maior sucesso de vocês ?

Dani e Jana– Ódio.

12) Qual a maior dificuldade que enfrentaram?.

Jana– Qualquer Banda sempre passa por problemas e dificuldades principalmente no começo mais nada como paciência, experiência e união para resolver. O importante mesmo é não desistir nunca apesar de qualquer dificuldade.

Dani– Ao longo do nosso trajeto passamos por algumas situações que não foram legais, mas acredito que enfrentamos desafios e não dificuldades e isso só fortaleceu mais ainda a união da banda.

13) Qual sua opinião sobre a cena Metal em sua cidade Maceió e do Nordeste?

Jana– A cena pelo nordeste vem crescendo cada vez mais, acontecem grandes eventos pelo qual já passamos por muitos deles, vejo o nordeste como “a casa do metal” a galera valoriza muito as bandas locais e as bandas que vem de fora, há uma forte união pra organizar eventos e fazer de fato acontecer.

Dani– A cena do nordeste está cada dia mais foda, digo isso porque fizemos muitos shows pela região e não tenho o que falar de negativo, a galera sempre comparece, compra material, curte e apoia as bandas, sejam elas novas ou já com tempo de estrada. As bandas de fora ou de outras regiões procuram muito o nordeste pra fazer shows, porque sabem que a cena aqui não para de evoluir, eu me orgulho muito disso.

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14) Quais os planos do Autopse para o futuro?

 Dani–  Autopse vem por aí com novidades, além do nosso selo Inglês fechado com a produtora SECRET SERVICE RECORDS, temos previsto pra 2015 a turnê do novo álbum que terá uma pegada bem diferente do álbum DESCONTROLE MENTAL, estamos em uma linha Thrash e com uma pegadas de Death Metal, as letras desta vez será cantadas em inglês.

15) Conte-nos sua experiência como Mulher musicista de Metal, como você vê a atuação feminina neste estilo que você toca, os bons e os maus momentos que enfrentou e que conselho você deixa para as Mulheres do Metal?

Jana– Atualmente não é muito difícil ver mulheres no posto de guitarra, baixo, batera, vocal, principalmente quando se trata do metal. Não posso também afirmar aqui que não há machismo hoje em dia, infelizmente há, mas as mulheres vêm mostrando e provando que entendem muito bem do assunto.
É um espaço que vem sendo conquistado e respeitado pelos admiradores do metal.
Particularmente, eu fico muito feliz de ver que essa cena ta aumentando e isso é um bom sinal de que as mulheres estão sendo valorizadas cada vez mais nesse estilo.

Maus momentos; quando comecei a tocar, nenhuma banda de fato dava muito certo, alí eu achava que não ia muito longe, mas com minha persistência e insistência consegui ir além e Autopse tá aí pra afirmar isso, nenhum motivo foi forte o bastante pra fazer eu desistir dessa paixão de ser baterista.

Bons momentos; Vários, mas um deles foi quando eu pude perceber que eu podia sim me tornar uma boa baterista e tá numa grande banda, reconhecida, valorizada e respeitada.

Conselho
Não deixe passar o momento, não deixe de acreditar em você, machismo e preconceito vai sempre existe mais mostre que você e capaz, mete a cara e faz teu som, monta tua banda.
Temos que incentivar essa cena de mulheres no metal a crescer cada vez mais e fazer acontecer.
Não desista do seu objetivo que no final o reconhecimento do público e das pessoas que te incentivaram e apoiaram é algo gratificante.

16) Vocês são muito vaidosa ou mais simples? Antes do show como vocês se concentram e se preparam para enfrentar o palco?

Jana– Sou sim um pouco vaidosa, como toda mulher é ne?! Mas nada ao exagero rsrs.

Dani– Considero que somos vaidosas sim, tanto eu como a Jana, nós gostamos sempre de estar arrumadas e maquiadas por mais simples que seja… Gostamos de nos arrumar, mas sem neura sabe? Rsrsrs

17) Para terminar-mos a entrevista farei algumas perguntas sobre você:

Jana
Idade- 24
Signo- Virgem
Banda Preferida – Arch enemy
Trabalho – Estudante de psicologia e baterista da banda autopse
Futuro – Batalhando e lutando todo dia por ele e fazendo o possível pra ser o melhor, profissionalmente com a banda e profissionalmente com a psicologia.
Relacionamento- solteira
Livro preferido- Mentes Perigosas – O Psicopata Mora ao Lado – Ana Beatriz Barbosa Silva e Psicologia Jurídica No Brasil – 3ª Ed. 2011
Filme Preferido- Uma mente brilhante
Um citação: O sucesso é uma consequência e não um objetivo.
Gustave Flaubert

Dani
Idade- 23
Signo- Peixes
Banda Preferida – Arch enemy
Trabalho – Vocalista da banda Autopse, entre outras atividades.
Futuro – Determinação para que todos os objetivos sejam alcançados.
Relacionamento- Casada.
Livro preferido- Quem sou eu? E se sou, quantos sou?
Filme Preferido- Ilha do medo
Um citação: “O sonho é a satisfação de que o desejo se realize”. – Sigmund Freud

Para finalizar gostaria de parabenizá-las pela atitude e pela dedicação à música e deixe um recado para seus amigos e fãs do Autopse.

Só temos que agradecer a todos os nossos fãs e amigos que sempre nos apoiaram nessa jornada, a todos que acreditaram e acreditam no nosso potencial. Um grande abraço da família AUTOPSE.

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Sara Lilith de Anápolis Go, tenho 29 anos, graduada em Direito, produtora, vocalista de gutural. As coisas mais importante na minha vida é minha família e meu namorado Fred Maverick. Amo música, gatos, tatuagens, natureza, me divertir e me entregar de corpo e alma a tudo que acredito valer a pena.

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