Entrevista com Eridanus

 

02 Eridanus com Efeito

 

1- A banda surgiu em 2005 fundada por Roger Feilstrecker. Qual foi a ideia inicial da banda?

Roger: Desde o início, o intuito sempre foi ser o mais original possível, tentar extrair algo novo dentro do Heavy Metal, bem na época em que o Eridanus foi formado houve o “boom” de bandas de vocal feminino, e também houve uma maior exposição deste estilo de bandas e do Power Metal em geral nas mídias do Brasil, e de alguma forma eu pensei que seria o diferencial tentar unir essas duas fórmulas: um Power Metal Tradicional com os vocais femininos. E desta forma tudo funcionou muito bem até mais ou menos 2010 quando vimos que essa formula não era mais o caminho certo, e decidimos trocar o vocal feminino pelo vocal masculino e direcionar a banda para uma linha mais tradicional, apostando na mescla de influências.

 

2- O que vocês destacam de melhor dentro dos cinco primeiros anos de banda?

Roger: Com certeza os shows. Quando começamos a cena estava ainda em alta e haviam muitos lugares para se tocar. Houve épocas em que tocávamos de 3 a 4 dias seguidos em cidades distintas, e ali a gente podia sentir o que é a vida de uma banda na estrada. Houve uma vez em que tocamos nos 4 dias de feriado do Natal, e isso foi demais!

Outra coisa que eu acredito que era legal, é que no início éramos mais ingênuos, tudo ainda tinha uma certa “magia”, uma coisa quase adolescente. Não haviam preocupações extra musicais que uma banda profissional tem.

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3- Em 2010 a banda abandonou o “female vocal”, para dar nova cara à formação, quais foram os motivos pesaram nesta decisão?

Roger: Chegou um ponto onde o vocal feminino não atendia mais nossas expectativas, pois em um determinado ponto as possibilidades se esgotam e não há mais o que fazer. Durante um tempo nós ainda insistimos com a ideia do vocal feminino, mas o cena também estava escassa de boas alternativas para o posto, e queríamos ter mais opções, mais agressividade, e concluímos que no vocal masculino nós teríamos exatamente isso. Nesse mesmo momento, víamos que o mercado musical já estava saturado de bandas com vocal feminino, e isso não era mais um diferencial, começou a ser comum a ponto de virar quase um clichê para bandas novas dentro do Heavy Metal.

4- Em 2013 foi gravado o CD “HellTherapy”. Onde foi produzido, gravado e quais foram as maiores dificuldades para o lançamento do mesmo? Quem ficou a cargo da arte da capa?

Roger: O álbum foi gravado em Caxias do Sul – RS, no Estúdio Nitro, e a produção ficou a cargo do Roger Fingle. A maior dificuldade foi exatamente que era o primeiro álbum, nosso primeiro registro, e até as pessoas conhecerem o trabalho, e criarem uma empatia com ele demandou um bom tempo e muita divulgação.

A arte da capa foi feita pelo Designations Jean Michel.

 

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5- Quem são os modelos da capa de “HellTherapy”? O que esta arte deseja passar ao público?

Roger: Na verdade a capa é uma foto montagem, não há modelos específicos. A capa é um símbolo, queríamos que ela pudesse ilustrar o que era o álbum, algo meio insano, inspirado em coisas no estilo ‘freak’, lembrando em algo os cenários do Tim Burton. Acho que conseguimos esse resultado. Além disso, a imagem também é recheada de “easter eggs”, elementos descritos nas músicas e até alguns para os nossos trabalhos futuros. Você deve ficar atento para decifrar o que está acontecendo.

6- Quais temas abordam as letras do disco?

Roger: Os temas são diversos, mas a inspiração maior é realmente nossas vidas, as dificuldades que passamos. Todas as músicas formam uma biografia do Eridanus, tudo que está escrito já aconteceu de uma forma ou outra, claro que, em músicas exageramos um pouco e fazemos coisas mais caricatas, mas tudo em “HellTherapy” tem relação com a realidade.

 

7- Jogo rápido:

4 bandas gaúchas: Hibria, Nenhum de Nós, Engenheiros do Hawai e Tequila Baby.

4 bandas nacionais: Sepultura, Angra, Shadowside e Zaltana.

4 bandas internacionais: Helloween, Motley Crue, Ratt e Gotthard.

Rio Grande do Sul: Orgulho de ser dessa terra, apesar de ter parado no tempo.

Metal: Mais que um estilo musical, um estilo de vida, uma ideologia que só quem é do meio pode entender.

Underground: Cheio de talentos incríveis, mas precisa de mais união.

Eridanus: Um sonho que fica maior a cada dia.

 

8- Fugindo um pouco do metal, ontem tivemos o resultado das eleições, e entre muitos protestos dos eleitores de Aécio, surgiram propostas no twitter e facebook de dividir o país (pela milésima vez), o que a banda pensa sobre essa tal independência do sul?

Roger: Política, assim como futebol e religião são assuntos realmente complicados de se discutir, pois isso mexe com o emocional de cada indivíduo, que acaba falando mais alto que a razão. Tenho minhas posições políticas, mas não costumo discutir isso publicamente para não ser mal interpretado, pois principalmente as redes sociais são uma fonte de ódio gratuito por qualquer opinião que é contrária a dos demais.

O Brasil é gigantesco, um país continental, onde cada estado e região tem sua própria particularidade e identidade, a ponto de que cada um poderia ser um país diferente, e essas diferenças são tão extremas e diferentes umas das outras, que muitas vezes geram esse tipo de conflito. Mas isso muito se deve a própria colonização do país, onde temos a região sul mais colonizados por alemães e italianos, que em sua natureza são povos mais rígidos em suas ideias, e por outro, temos a região do norte e nordeste, que em sua maioria foram colonizados pelos Portugueses, que são um povo menos presos a convenções rígidas. E isso gera essa luta constante, que a bem da verdade, é somente em torno dos meios para se chegar ao objetivo comum que todas as regiões do Brasil querem, que é ter uma vida melhor e ver o país crescer.

E essa desunião das regiões se reflete no estado em que nosso país está atualmente. O fanatismo e extremismo de ambos os lados estão fazendo nosso país ir para baixo, e isso é culpa de todos, e não de uma ou outra região especifica.

9- Toda banda quer ser independente em relação a autonomia de seu som. Diga-nos quais são as principais referências e influências da banda?

Roger: Nossas influências são diversas, pois gostamos de tanta coisa, e uma tão diferente da outra que torna tudo muito aberto. Temos influências desde o Metal mais Extremo, passando pelo Power Metal, Heavy Metal clássico e também Hard Rock, Glam, AOR e etc. E também não nos restringimos somente ao Heavy Metal, todos nós escutamos outros gêneros musicais também, pois como músicos, apreciamos a boa música de outros estilos e isso também acaba tendo uma influência grande nas nossas composições. Se a música é boa, não importa o estilo.

10- “Set it on fire”, clipe publicado em 06/04/2014, e até o momento dessa entrevista tinha 4.353 visitas. Como foi o processo de gravação deste video? Quem produziu? As ideias foram inteiramente da banda?

Roger: Começamos trabalhando a questão visual juntamente com possíveis locais para gravação, e o fogo foi um dos primeiros elementos a serem pensados para o clipe, e saiu exatamente da maneira que queríamos. Em todas as nossas decisões, sempre tentamos planejar o maior número de detalhes possíveis, isso foi reforçado com o trabalho sem igual do Thiago Tavares da “Balboa Filmes” e a colaboração de grandes amigos, que nos ajudaram a fazer tudo da maneira que queríamos, e resultou nessa grande produção de “Set it on Fire”.

11- Fale-nos sobre o contrato com a gravadora britânica Raptors Music:

Roger: O contato surgiu em Maio deste ano, eles haviam nos encontrado ouvindo nossas músicas na internet, e se interessaram em fechar um acordo conosco. Isso foi demais, e nos abriu muitas portas, principalmente na Europa. A Raptors tem investido nas bandas da nova safra do Heavy Metal e viram no Eridanus o potencial para voar mais alto.

 

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12- No mês de novembro vocês farão uma mini tour na Argentina, por quais cidades vocês irão passar e em que datas? O que esperam por lá? (O cultura em peso tem leitores na Argentina)

Roger: Estamos realmente ansiosos por esta tour, já que será nossa primeira vez na Argentina, tocaremos em Carlos Paz, Cordoba e Mayu Sumaj.

Temos muitos amigos por lá, e nos deram ótimas referências do que esperar. Sabemos que o povo Argentino é um apaixonado por Heavy Metal e é muito participativo nos shows, e queremos fazer um show incrível para eles. Levaremos algumas novidades para tocar em primeira mão, então acredito que serão shows realmente especiais.

13- Está sendo preparando algum material para os 10 anos de banda?

Roger: Sim, definitivamente. Estamos nesse momento trabalhando em um material especial para celebrar os 10 anos da banda. Não posso dar muitos detalhes por enquanto, para não estragar a surpresa, mas será algo muito bacana. Aguardem.

14-  Contatos, links e merchan:

Website:  http://www.eridanusofficial.com

Facebook: http://www.facebook.com/eridanusofficial

Twitter: http://www.twitter.com/EridanusBand

YouTube: http://www.youtube.com/EridanusOfficial

Soundcloud: http://soundcloud.com/eridanusofficial

Reverbnation: http://www.reverbnation.com/eridanus

Google+: http://plus.google.com/+Eridanusofficial01/

Shows e Contato: [email protected]

15-  Considerações finais:

Roger: Gostaria de agradecer o espaço cedido pelo Cultura em Peso para divulgar nosso trabalho, agradecer imensamente a todos os nossos fãs que nos apoiam e divulgam o nosso trabalho e convidar a todos que ainda não conhecem o Eridanus a conhecer, acredito que vocês irão curtir bastante.

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Cremo é idealizador e fundador do Cultura em Peso, Asatrú, amante incondicional da fotografia e da cena underground, na qual vive intensamente há 16 anos. Formado em Redes para Computadores, é ex-vocalista das bandas La Tormenta (Grind) e Dead Bush (Punk), ambas de Minas Gerais. Ouve de Punk Rock a Metal Extremo, tendo como principais bandas na sua playlist Ratos de Porão, Napalm Death, Extreme Noise Terror, Circulo Activo, Amon Amarth, Elluvetie e Lacerated and Carbonized. Literalmente um Viking que não marca território: o mundo é sua morada. Lê constantemente sobre política, religião, história das guerras e a autodestruição humana que não aprendeu até hoje a viver com as diferenças. Some com a cena ou suma dela mesmo, agora!

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