Resenha Metal Days 2014

 

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Diogo Ciampolini se aventurou na europa e credenciado pelo Cultura em Peso nos trouxe boas fotos e um ótimo texto sobre o festival, Metal Days. Confira:

 

Realizado em uma paisagem espetacular, contando com rios, florestas e montanhas, ao lado de uma linda e pacata cidade européia e com um excelente cast de bandas, o Metal Days, na Slovenia, deve ser seriamente considerado caso você pretenda viajar até a Europa pra curtir festivais de metal!

CIDADE

O festival acontece durante 5 dias (mas a galera chega um dia antes), na cidade de Tolmin, no interior da Slovenia, uma cidade com menos de 12 mil habitantes, bastante pacata, aconchegante e que se encaixa perfeitamente em nossa idealização sobre cidades européias: tudo muito limpo, arrumado, ruas largas e bem cuidades, todas as casas sao bonitas e coloridas com telhado escuro e flores nos berais das janelas. O comércio é composto por lojinhas pequenas e atendentes sempre com um sorriso no rosto. Tudo é bonito por lá.

CLIMA

Nos dias em que permanecemos em Tolmin, o clima se mostrou um tanto parecido com o do sul do Brasil durante o verão, temperaturas entre 30~35 graus (apesar dos relatos de no ano passado ter feito até 42º), chuvas esporádicas no decorrer do dia, mas sem prejudicar o sol e o clima alegre. Apesar do festival acontecer em um vale, o sol aparece cedo, as 5:30 da manhã, e só vai embora por volta das 21h!

LOCAL

A paisagem local já vale a viagem por si só. Um vale em meio a cadeia de montanhas, com dois rios de água cristalina vinda do degelo das montanhas, juntando-se em forma de Y. E claro, é bem nessa junção, que o festival acontece! Impagável!

ACAMPAMENTO

Em meio a essa paisagem espetacular, o que não falta são sombras para acampar. Apesar de bastante gente montar as barracas na clareira central, de baixo do sol e mais próximo do estacionamento. Muitos montam suas barracas e tendas em meio aos bosques, e pequenas clareiras. Mas a melhor vista mesmo, fica pra quem consegue acampar na beira do rio, e ver a névoa ao amanhecer.

Bandeiras são o que não faltam! Diversos países, bandas, grupos, eventos, e claro, a do Brasil, Santa Catarina e Rio Grande do Sul se fizeram presentes esse ano!

PESSOAS

O pessoal é muito animado, tudo é sinônimo de festa! Chega a parecer uma espécie de carnaval metaleiro! Dizer que são amigáveis, chega a ser pouco! É só parar na frente do acampamento, puxar uma conversa em instantes estará sentado ao lado deles bebendo e aprendendo sobre algo novo. Com sorte, ainda ganha uma cerveja (quente, claro). Além da animação, outra constante são as fantasias e apetrechos, muitos, de todos os tipos, o que acaba reforçando o aspecto de carnaval e alegria. O empenho é tanto, que chega a parecer uma competição, onde um tenta ser mais inusitado que o outro! Pantera Cor-de-Rosa, Lutador de Sumô, urso de peúcia, Pikachu…. se parecer ridículo, ótimo! Fará mais sucesso! Se for uma roupa verde limão de lycra que cobre 100% do corpo (inclusive nariz, boca e olhos), você é o cara! ….Se não tiver grana, sem problemas! Pegue umas latinhas, fita adesiva, e invente algo! Ou faça um capacete de melancia e saia por aí!

Toda essa brincadeira torna o festival muito divertido, e deixa bastante claro que ao contrário dos festivais brasileiros, ninguém está preocupado em “pagar mico” ou parecer atraente para pegar alguém. Esqueça isso! Apenas divirta-se!

BANHEIROS

O festival é lotado de banheiros móveis, por todas as partes, higienizados e lavados todos os dias ao amanhecer. Mas se for fazer um nº2, tente ir logo de manhã, pois no decorrer da tarde e noite, a coisa já estará encrespando! O festival também conta com chuveiros a céu aberto com água direto do rio, pra quem quiser tomar um banho grátis (e muito gelado, 5º aproximadamente). Quem não tiver essa disposição, pode pagar pra usar o banheiro “vip”, disponível em 2 pontos do festival, com banho quente (que quase nunca está realmente quente, mas já é melhor que o outro), e vasos convencionais.

MATERIAL DE APOIO

Ao entrar no festival, você paga alguns euros por um saco de lixo grande e um cartão de débito a ser usado no comércio do festival. Interessante notar que ao devolver o lixo cheio, você recebe de volta o valor que pagou no saco. O mesmo acontece com o cartão, ao devolve-lo no final do festival. Interessante também que a cada compra, você recebe um pequeno um comprovante, indicando seu saldo, quantos copos você precisa devolver (assim como o lixo e o cartão, você também “paga” pelos copos que usa) e se você já entregou o lixo. Ao final do festival eles te dão um saldo geral do que foi gasto.

APLICATIVO

O aplicativo do festival foi um show a parte, certo dia até notificou com antecedência para fechar as barracas que uma tempestade se aproximava! Fora as outras funções mais óbvias como: mapa, horários de bandas e alarme para quando for tocar a banda que marcaste de ver.

PALCOS

O festival conta com 1 palco principal, no final da clareira central clareira, um palco secundário, no meio de um dos bosques, além de um terceiro, logo na entrada do festival. Em todos os palcos, a qualidade sonora é ótima, e no principal além do telão, ainda se tem a vantagem de um barranco lateral, que acaba se tornando uma grande arquibancada de grama pra quem não quer se juntar na multidão.

BEACH PARTY

Outro grande diferencial do Metal Days é a Beach Party. Um bar com um pequeno palco bem onde os rios se conectam. Lá rola Karaokê, campeonatos de voley (de tanga fio-dental para os homens, e de top less para as mulheres), fora as apresentações de pirofagia e strips diários no after show do festival.

ESTRUTURA GERAL

Além do guarda-volumes, algo bastante comum nos festivais europeus, é uma barraquinha para carregar celular, baterias e afins. No caso do Metal Days, o próprio evento disponibiliza, pelo preço de 2 Euros a recarga.

Para facilitar a vida do pessoal, também é montado um pequeno mercado dentro da área do evento com produtos essenciais para o dia-a-dia de acampamento.

Algo que chamou bastante a atenção, foi a preocupação com detalhes, como a de jogar serragem imediatamente em todas as áreas de grande circulação do festival, após as chuvas. Assim, nunca havia muito barro e ninguém se sujava.

O festival também disponibiliza wi-fi grátis, que não costuma pegar muito bem devido a quantidade de pessoas usando. Mas caso você realmente precise usar, uma boa dica é conectar a partir das 5 da manhã!

A organização incentiva bastante a coleta de lixo. Além do saco que você “ganha” ao entrar, existem pontos específicos para coleta diária de lixo. O que torna o festival bastante limpo e agradável.

TURISMO

Outra exclusividade desse festival, é a possibilidade de fazer alguns passeios turísticos durante os dias se segue. Os shows começam apenas no período da tarde, então, basta acordar um pouco mais cedo, e sair conhecer algum lugar, seja com ajuda de um guia ou por conta própria. Durante nossa estadia lá, visitamos uma pequena igreja construída por soldados entre as montanhas, no período da primeira guerra mundial. E em seguida para uma espécie de Canyons, onde passava um dos rios. Uma paisagem gigante, espetacular, e praticamente indescritível. Melhor deixar apenas em fotos!

Outro passeio bacana e super fácil de se fazer, é cruzar a cidade a pé e subir até o alto da montanha mais próxima, onde existe um castelo (na verdade mais parece um forte), e aproveitar uma impressionante vista de 360º da cidade, dos rios e do evento todo. Detalhe que esse castelo pode ser visto do próprio acampamento!

Quem quiser ir mais longe, ainda pode visitar a caverna de Postojna, após o termino do festival, a aproximadamente 3 horas dali.

PONTOS POSITIVOS

Impossível não destacar o próprio local e o turismo ao redor como o principais motivos pra se ir lá! Algo que não se encontra em outros festivais (que costumam ser feitos em locais isolados, ou em fazendas sem nenhum atrativo extra). O fato do festival não ser tão grande quanto o Wacken por exemplo, torna tudo mais relaxante e praticamente sem fila. A Beach Party também é outro diferencial que tornava o after show algo bastante divertido, em uma festa com clima de praia, durante a madrugada toda! O acampamento também é outro ponto a se destacar, sem dúvidas, muito animado! A ducha grátis, apesar de gelada, só existe no Metal Days, todos os outros festivais contam apenas com ducha paga. E por último o cartão de débito, que tornou o modo mais comodo de usar o dinheiro interno, sendo muito melhor que as malditas fichinhas, usadas em outros festivais.

PONTOS NEGATIVOS

O tal “chuveiro quente”, deixou bastante a desejar, quase nunca tinha agua quente, e as vezes era temporariamente fechado para reesquentar as caldeiras. A Beach Party, acaba sendo uma faca de dois gumes, no primeiro dia é o máximo, no segundo dia em diante, repara que apenas as stripers mudam! O deprimente DJ não se dá o trabalho de trocar as músicas, tocando sempre a mesma playlist todas as madrugadas, inclusive deixando repetir a mesma música até 3 vezes na mesma noite!

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Sem sombra de dúvidas, dos 4 festivais (Metal Days, Wacken, Brutal Assault e Summer Breeze) visitados nessa viagem, este, ao lado do Wacken, foi o que mais impressionou. Apesar de muito menor que o WOA, em diversos aspectos, o festival sloveno se mostrou imperdível numa viagem dessa. Com o maior número de dias, ótimas bandas, ótima estrutura, público divertido e uma paisagem inigualável, o Metal Days termina a 4 dias antes do Wacken, o que o torna ainda mais convidativo, permitindo fazer uma viagem dedicada a com essa dupla de festivais inesquecíveis!

Fotos:

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Cremo é idealizador e fundador do Cultura em Peso, Asatrú, amante incondicional da fotografia e da cena underground, na qual vive intensamente há 16 anos. Formado em Redes para Computadores, é ex-vocalista das bandas La Tormenta (Grind) e Dead Bush (Punk), ambas de Minas Gerais. Ouve de Punk Rock a Metal Extremo, tendo como principais bandas na sua playlist Ratos de Porão, Napalm Death, Extreme Noise Terror, Circulo Activo, Amon Amarth, Elluvetie e Lacerated and Carbonized. Literalmente um Viking que não marca território: o mundo é sua morada. Lê constantemente sobre política, religião, história das guerras e a autodestruição humana que não aprendeu até hoje a viver com as diferenças. Some com a cena ou suma dela mesmo, agora!

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