Entrevista com Atomic Fear

 

atomic fear death metal

1- Quando a Atomic Fear diz que foge dos lugares comuns em suas composições, oque vocês realmente desejam expressar?

Que não nos preocupamos em seguir determinadas tendências, ou sermos algo como “representantes” de um estilo.
O som soa extremo por que a gente gosta de música extrema, soa death metal por que foi nossa “escola sonora”.
Não ficamos pensando demais se vamos “misturar isso com aquilo”, a gente simplesmente toca do nosso jeito mesmo.
É obvio que as influências vão aparecer, mas a gente procura se expressar ao máximo com a nossa cara,
não tentamos imitar ninguém seja no som, no comportamento, enfim. Somos sinceros com nosso som.
2- Como é ter uma banda em Timóteo? fale-nos da cena de sua cidade e região.

Hugo: Cara, é osso!! Somos carentes de bons festivais na região, mas ultimamente a década de batalha tem dado frutos!
Vemos a cena cultural alternativa crescendo. Não temos um “bom público headbanger”, embora sempre exista essa galera
que a gente sabe que é fiel demais, mas o que tá rolando são os festivais independentes que sempre reúnem um bom
público, bons artistas, e isso agrega valor e respeito ao nosso trabalho frente a um publico que não é acostumado
a ouvir som pesado, e bandas como a nossa, que se predispõem a tocar nesse espaço, acabam conquistando um público
que não é headbanger, mas se interessa por boa música e se rende ao pesado! Tem acontecido isso aqui.
Entretanto, a gente já tá se mobilizando com as bandas resistentes da região para dar uma crescida aqui de novo!
O Mamuthe, de Coronel Fabriciano, voltou! Eles já tão com mais de 10 anos de estrada. Tem a galera do HC/Metal de
Ipatinga, o pessoal do Hasta Quando tá com um álbum novo matador, e a gente respeita muito o trampo e correria
desses caras. Essa galera é que sempre mantém a cena viva, e a gente tá aí pra somar.
O resto da história todo mundo sabe, é correria, altos e baixos, devagar e sempre!

David: Na região tem muita gente que curte rock/metal, mas poucas apoiam o underground.
Felizmente podemos contar com o apoio de amigos e familiares. É gratificante tocar nem que seja pra 25 pessoas.

Diego: a cena na nossa regiao é de fraco o movimento. Oque me motiva a tocar death metal sao as pessoas com quem toco.
Mas nao posso deixar de mencionar que mesmo pequeno, o vale do aço ainda tem um publico fiel.

Carlinhos: Ter uma banda de metal em Timóteo, e creio que em tudo o pais, é uma tarefa complicada e com muitos corres,
mas mesmo com toda luta e dificuldade temos um resultado satisfatório que é tocar pra quem realmente gosta.
A cena continua underground como sempre e não é por falta de bandas competentes que ela vai acabar.
3- Em que ano surgiu a banda e como vocês se conheceram?

Começamos a ensaiar em 2006 e tocamos por um ano. Daí, nos dedicamos a outros projetos, outras bandas.
Fomos eu e o Carlinhos (Guitarra) que começamos a banda, mas embora tenhamos o mesmo nome de 2006, nem tocamos
as poucas musicas próprias dessa época. Estávamos pensando em refazê-las, mas deixamos de lado, estamos
com outra cara, não tem jeito mais! Então, foi isso, eu e o Carlinhos voltamos com a banda em 2011, desde
2006 não tocavamos juntos, porem, chamamos o David (guitarra) e o Diego (batera) por que eles ja tocavam comigo
em outras bandas (Gungnir e Infarto) e com o Carlinhos (SoulBurning e Nesuferit), somos todos amigos a muito tempo
todos da mesma cidade, melhoramos nossa técnica e equipamento, e a formação não poderia estar melhor.
Certa vez o David deu um tempo na banda, cogitamos outros guitarristas para entrar, mas não cabia mesmo,
fizemos uma campanha para o cara voltar. Ele voltou e até no casamento dele a gente tocou!

4- Quem produziu o ep “Globaritarian” ?

O EP foi produzido pela própria banda, do jeito que a gente quis e como pudemos fazer na época.
Foi feito meio que na pressa, mas é isso mesmo, sem problemas! Gravamos em um estudio daqui mesmo.

5- A mixagem foi feita por quem ?

A mix foi feita pelo nosso irmão Jeff Brito, da InApostasia, de Governador Valadares.
É o cara que mais apoia a gente, apoia mesmo. E sempre que eu tenho uma oportunidade
publica eu agradeço esse sujeito. Vamos regravar as musicas do EP e mais algumas,
dessas vez com o áudio captado por ele mesmo e a mix vai ficar a cargo do próprio, mais uma vez.
SEM DÚVIDAS. E ouçam o trampo da InApostasia, sem pagação de pau pela amizade, mas é uma banda de
Black Metal das mais fortes que tá rolando pelo país. Ele participa na música “God, Don´t Bless My Life”,
a voz que faz o trecho antes do solo é dele.

6- Em quais temas a banda aborda no EP?

Em “High On Inconformity” discutimos a questão do comércio de drogas, como isso faz parte do sistema, enfim.
É mais poético do que explicativo (rs), mas é um som que levanta questionamentos sobre qual a real intenção
em se legislar sobre psicoativos, regular ou reprimir os comércios, por aí. Em “God, Don´t Bless My Life”
ha uma alusão sobre o que está escrito nas notas do nosso dinheiro (“Deus Seja Louvado”) e é esse Deus que
questionamos na música.
A música Anarcosindrome só tem uma frase consciente, “Caiam Todos os Governos”, e é a mais tosca do EP.
A intenção é gravá-la com a participação de diversos vocalistas na versão para o full.
Cada uma fala de uma coisa muito específica. Latrocínio fala sobre a desapropriação de terra indígena
há quinhentos anos, Globaritarian é a faixa título do album e do EP, é um personagem que representa a
globalização na sua pior forma, ela tem uma intro chamada LAW (lei em inglês), que na verdade é uma sigla para
Lie At Will (minta à vontade) e fala dos conflitos belicosos gerados por legislações que só existem
para regular interesses econômicos, gerando miséria, escravidão, a megalomania dos poderosos, dos donos
do capital, dos recursos e das armas. Ainda bem que você não perguntou sobre as músicas do álbum inteiro!
Mas não tem nada de mais no discurso das letras, as letras são simples.

7- Jogo rápido:
4 bandas nacionais:

Are You God
Krisiun
Silent Cry
InTorment

4 bandas internacionais:

Vader
Obscenity
Amon Amarth
Job For A Cowboy

1 cd: InApostasia – Symbol of Disgrace

1 livro: A Desobediência Civil (Henry David Thoureau)

Death Metal:
É a nossa vida! Fora as nossas obrigações, compromissos,
é a única coisa que fazemos juntos a anos sem necessariamente viver disso!
A gente não cansa, nesse ritmo a gente so vai parar quando morrer mesmo,
então, é a nossa vida!

8- O que vocês podem nos adiantar sobre o FullLenght que tem previsão para 2015?

É aquilo mesmo que está no EP, será gravado no mesmo esquema, canais separados porém ao vivo no estúdio,
exceto os solos e voz. Todo equipamento de banda será analógico, mas o esquema de captaçao será mesmo digital
simplesmente por questões financeiras mesmo, mas tudo bem, nada de bateria digital, nada de pedais digitais,
nada de simuladores de amps, e a produção será a mais clean possível – limpeza de ruídos, volumes…
– no mais, a tendência é soar o mais próximo possível do nosso som ao vivo.
Regravaremos as 6 músicas do EP, e entrarão mais 6 ou 7 músicas, por aí.

9- Voces irião tocar no CarnaRock em Coronel Fabriciano, qual a expectativa?

É um festival que tá colocando uma pá de banda do cenário alternativo atual, bandas novas e uma
galera que já toca junta por aí, inclusive fora da região, há muito tempo. Tem um pessoal do rap também,
hoje tá todo mundo colando muito junto, isso sempre rolou, mas agora tá mais intenso que antes.
E é de graça, na rua e no carnaval! É um gatilho para novos acontecimentos importantes,
não é nem uma epectativa, é uma certeza. Estamos muito afim de tocar de graça na rua pra galera,
com nossos amigos, estamos ensaiando muito e que a galera já sinta a preção do que vai rolar
no Grito Rock em Timóteo em Março, onde vamos tocar também. Finalmente vamos tocar de graça, na rua, em casa!

10- Contatos e Merchan:
Os contatos são feitos pela página da banda no facebook


Podem baixar nossas músicas no reverbnation.com/atomicfear
Aceitamos encomendas de camisas

11- Considerações finais:

Agradecemos o Cultura Em Pesso pelo interesse em divulgar nosso trabalho, nossas ideias e o nosso corre!
A cena depende disse, somos pioneiros nas mídias alternativas, e é isso que sempre fez nosso movimento existir.
E por mais que as pessoas tendam a ser nostálgicas e saudosistas, pra nós a cena tá só melhorando.
Não interessa se cresce ou não, o que interessa é ela existir, é fortalecermos o nosso meio,
é tocar o que quisermos, como queremos, com quem queremos, para quem queira ouvir! E hoje a galera tá mais esperta,
isso vai exigir mais de nós e de quem mais se meta nesse ambiente caótico! Também existe harmonia em meio ao caos!
Só fortalece, Cultura em peso! É noisE.

 

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Cremo é idealizador e fundador do Cultura em Peso, Asatrú, amante incondicional da fotografia e da cena underground, na qual vive intensamente há 16 anos. Formado em Redes para Computadores, é ex-vocalista das bandas La Tormenta (Grind) e Dead Bush (Punk), ambas de Minas Gerais. Ouve de Punk Rock a Metal Extremo, tendo como principais bandas na sua playlist Ratos de Porão, Napalm Death, Extreme Noise Terror, Circulo Activo, Amon Amarth, Elluvetie e Lacerated and Carbonized. Literalmente um Viking que não marca território: o mundo é sua morada. Lê constantemente sobre política, religião, história das guerras e a autodestruição humana que não aprendeu até hoje a viver com as diferenças. Some com a cena ou suma dela mesmo, agora!

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