Conversa franca com Torture Squad, confira a entrevista

 

torture

1- Um dos grandes ícones da cena nacional, o Torture Squad desembarcará em Santa Catarina pra levar uma multidão de Bangers ao delírio. Qual é a expectativa?

Castor: A expectativa é grande, pois essa será a primeira vez no Otacílio Rock Festival!

Amilcar Christófaro: Máxima com certeza. Santa Catarina é a terra dos fests de Metal e sempre que tocamos a receptividade é animal, espero ver todos os Bangers lá.

André Evaristo: Expectativa de muita diversão ao lado de nossos amigos catarinenses.

 

2- Headbanger é Headbanger em qualquer lugar do mundo, mas cada canto tem suas particularidades. O que vocês veem de diferente no cenário catarinense?

AC: Os Bangers catarinenses sempre fizeram questão de deixar claro o quanto eles gostam da banda e isso pra gente é muito gratificante, por isso esperamos todos no show para somarmos todas as energias em uma, bangueando até não poder mais!

Castor: Isso é exatamente o que sempre falamos! “Headbanger é Headbanger em qualquer lugar do mundo”. Santa Catarina é um dos berços dos grandes festivais de Metal daqui do nosso país, sem sombras de dúvidas! A cena catarinense é muito foda!

 

3- Recentemente durante as campanhas eleitorais membros de bandas com história nacional publicaram suas visões políticas e tiveram uma enxurrada de compartilhamentos e críticas. O T.S. preza em zelar pela sua imagem, como por exemplo, naquilo que seus integrantes publicam na internet?

AE: Como banda priorizamos sempre a divulgação do nosso trabalho, mas, pessoalmente, penso que cada um tem o direito de expressar o que bem entender. O mais difícil pra maioria das pessoas é lidar com as diferenças e ideias divergentes, mas entre nós isso não é problema.

Castor: O bom senso é o principal na vida do ser humano, em minha opinião. Acho que temos que saber expor nossas opiniões sem menosprezar ninguém. Hoje em dia, com as redes sociais disponíveis pra todos, tem muito nego que quer holofotes e chamar a atenção através dela. Cada um é cada um, o TS sempre se preocupa com a arte e a musica e é isso que sempre queremos passar e mostrar para as pessoas!

AC: Não é nem por prezar a imagem, é porque eu não sinto a necessidade de esboçar uma opinião política mesmo. De vez em quando eu falo alguma coisa na minha página do facebook, ou conversando numa roda de amigos, mas para ser sincero, de um bom tempo pra cá, tá muito difícil de falar de Brasil, porque cada vez que converso sinto que minha pequena parcela otimista vai diminuindo cada vez mais. Percebo que com o passar do tempo tem cada vez mais coisas ruins de se falar do que de boas, o que deveria ser o oposto, por isso, me mantenho antenado em tudo que está acontecendo mas com o foco mais na minha vida, ou seja, nos trabalhos da banda, música, bateria, aulas e etc..

 

4- O que os fãs podem esperar do show de vocês no Otácilio Rock?  A apresentação será baseada no “ESQUADRÃO DE TORTURA”?

AC: Sim, mas ao mesmo tempo temos a atenção de tentar tocar músicas de todos os álbuns. É difícil você tocar tudo em um set de 1h20, mas a gente tenta. O set está bem nervoso.

Castor: Estamos na turnê do Esquadrão e naturalmente uma boa parte do setlist é calcado nele. Também é o album que representa essa nova fase do Tortura e estamos curtindo demais isso! Mas claro que terá também muitos sons da discografia do TS!

AE: Podem esperar muita energia! Particularmente, sempre fui fã do TS e curto muito tocar tanto os clássicos da banda como o material recente.

 

5 A crise que vem se agravando nos últimos meses no Brasil, poderá afetar o cenário underground?

Castor: Acho que a crise não vai apagar a chama e o amor que nós Headbangers temos pelo METAL!

AC: Só se mexer no bolso do brasileiro, porque assim ele terá que escolher entre fazer uma coisa ou outra, e nessa daí q a cena brasileira poderia ser afetada, mas caso contrário, acredito que os Bangers sabem viver e sabem curtir sua vida indo ver as bandas que gostam e assim apoiando a cena.

AE: Crise? Eu não vejo crise alguma. O Brasil foi, é e será por muito tempo uma colônia. Quem tem muito vive bem, quem tem pouco ou nada vai viver assim pra sempre. A cena Underground só se beneficiou com a tecnologia e as mudanças no estilo de vida do mundo todo. Não há dificuldade política que interfira na vontade e na garra dos Headbangers.

 

62015 está começando, e como é de praxe, o pau só começa a pegar mesmo depois do carnaval. Quais são os projetos para este ano?

AC: Continuar divulgando o “ESQUADRÃO DE TORTURA”, continuar compondo o novo álbum que já está praticamente pronto, temos um projeto que queremos para o final do ano que é fazer um show com uma orquestra, mas isso depende de muita coisa e não sabemos ainda se irá rolar. Lançar em junho o DVD “COUP D’ÉTAT LIVE” que gravamos no final do ano passado. Tivemos o lançamento do disco novo na Rússia e por isso estamos tentando marcar uma tour por lá esse ano também.

 

7 Jogo rápido.

4 bandas nacionais:

AC: Claustrofobia, Kanvas, Fanttasma e Nervosa;

Castor: Krisiun, Nervosa , Korzus e RDP;

AE: Mythological Cold Towers, Nervosa, I-ARC e Disciples.

 

4 bandas internacionais:

AC: Philm, Grip Inc., Mercyful Fate e Los Jaivas;

Castor: Kiss, Iron Maiden, Black Sabbath e Coroner;

AE: Kreator, Dream Theater, Candlemass e Morbid Angel.

 

1 livro:

AC: “Ghost Rider” de Neil Peart

Castor: “O Livro Perdido” de Enki de Zecharia Sitchin

AE: “O Jogo das Contas de Vidro” de Hermann Hesse

 

1 cd:

AC: Los Jaivas – Alturas de Machu Picchu

Castor: Killers – Iron Maiden

AE: Rush – Clockwork Angels

 

Metal:

AC: Meu estilo de vida

Castor: Minha vida!

AE: Anjo mal, invasor, devastação!

 

Torture Squad:

AC: Momento máximo de flutuar com a alma e ter contato com um lugar que não sei explicar.

Castor: Perseverança, batalha e conquista!

AE: Paixão pelo Metal e escola de vida.

 

Família:

AC: O porquê de você ser quem você é… Amo minha família.

Castor: Gratidão

AE: Uma cidade em miniatura.

 

Uma frase:

AC: A maior contribuição da sua existência é ser você mesmo

Castor: Espere o melhor, prepare-se para o pior, aceite o que vier, sendo você mesmo!

AE: Vou citar duas do senhor Saramago: “No fundo, o problema não é um Deus que não existe, mas a religião que o proclama. Denuncio as religiões, todas as religiões, por nocivas à Humanidade. São palavras duras, mas há que dizê-las.” e “Não sou pessimista. O mundo é que é péssimo.”

 

8Todo mundo na banda é corintiano, além disso, o que vocês têm em comum nas influências musicais/literárias ?

AC: Já passou um palmeirense, um santista e um são-paulino pela banda… Já era hora de chegar um Corintiano (risos). Com certeza as coisas em comum são muito maiores do que as em que discordamos e estamos passando por um momento muito especial entre nós e a música é um reflexo disso.

Castor: Sim, vai CORINTHIANS! Hehe… Nosso gosto musical é praticamente o mesmo, nossos heróis são os mesmos! Literárias creio que sim também, eu particularmente curto muito temas ufológicos e civilizações antigas!

AE: Todos curtimos cinema, literatura fantástica. Há músicas do TS inpiradas em filmes como Conan, A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça, livros sobre Jack, the Ripper e assim por diante. Estamos sempre trocando “figurinhas” e curtindo arte, em geral, juntos.

 

9Como a banda lida com o download gratuito? A venda de CDs, num modo geral, diminuiu bastante. Isso afeta as bandas?

Castor: A meu ver, quem está sofrendo mais com os downloads são as gravadoras. Acho que eles têm que arrumar maneiras de amenizar isso com preços mais acessíveis, por exemplo. Para as bandas, o trabalho está atingindo mais facilmente qualquer um na face da Terra, e isso abre mais portas pra elas fazerem shows, turnês, etc… O verdadeiro fã de Metal tem o instinto de apoiar as bandas que ele gosta, e com isso preza por ter os produtos oficiais dela. Quando o material de uma certa forma não é acessível, ele vai fazer download pois ele quer prestigiar o trabalho da banda que ele curte de alguma forma. É isso que eu vejo!

AC: Afeta até certo ponto, mas a banda não pode se sentir afetada. Nós, por exemplo, somos de uma geração que quando compomos, pensamos em um álbum mesmo, pensamos em qual será a primeira, a mais rápida, a mais lenta; tentamos dosar as músicas no álbum para que quem escute sinta algo legal e por isso nem pensamos na possibilidade de não lançarmos mais álbum, sempre iremos lançar nesse formato, foi assim que nós fomos criados e influenciados a ter uma banda e fazer a nossa música. Claro que também usando as ferramentas modernas como a internet para ajudar nisso tudo.

AE: Particularmente, não vejo problema pra nós com essa situação. Acredito que todo Headbanger de verdade faz como eu: faço o download de um álbum novo, por exemplo, e se gostar, vou comprar o físico original, merch da banda e assim por diante. Afinal, era o que fazíamos nos 80 com fitas cassette, não é mesmo?

 

10Como foram feitas as pesquisas para o “ESQUADRÃO DE TORTURA”? E por que este tema foi escolhido?

AC: Foi uma pesquisa bem ampla. Vimos vídeos, lemos livros, textos de reportagens, conversamos com o escritor e jornalista Roniwalter Jatobá, com o historiador Alexandre Rossi. Eu entrei numa espécie de obsessão com o assunto, porque eu definitivamente não queria escrever alguma bobeira e sim tudo com conhecimento de causa. Teve momentos em que conversei com familiares, amigos e nessas conversas que conheci pessoas que nem viram o regime militar passar e outras que sofreram com a repressão, por isso a nossa ideia foi colocar as partes mais significantes dos vinte e um anos do regime nas onze músicas do álbum.

Castor: Foram muitas, conversamos com o historiador Alexandre Rossi e o escritor Roniwalter Jatobá que nos orientaram bastante com textos e alguns livros sobre o assunto. Assistimos também muitos documentários e filmes relacionados ao tema assim como alguns relatos de conhecidos nosso e até mesmo alguns familiares que tiveram algum tipo de experiência durante esse período.

esquadrao de tortura

11Haverá merch do Torture no festival Otacilio Rock?

Castor: Sim! Estamos levando toda discografia da banda, inclusive a nova versão do “Esquadrão de Tortura” em digipack com 2 bônus incluídos que foi relançado recentemente pela gravadora Metal Maximus! Fora a discografia, terá também camisetas, adesivos, buttons, etc..

 

12Vocês acreditam que falta uma reciclagem nas produções no Brasil?

AC: De um tempo pra cá eu noto que está bem meiado os produtores de shows. Meiado no sentido de que 50% são produtores que já trabalham com a gente há algum tempo e os outros são de novos produtores. Nossos shows tem aumentado graças ao belíssimo trabalho do Rafa Galbes que trampa como meu roadie desde 2008 e hoje é nosso produtor e booker também. Todas as bandas deveriam ter uma pessoa para marcar os shows, além de que aumentaría mais as profissões de booker e produtor na cena, ao meu ver profissionalizando mais a cena, faz também com que as bandas pensem mais na sua própria música.

Castor: Não acredito. Estamos numa ótima fase em termos de estúdios e produtores aqui no Brasil que não deixa nada a desejar a nenhum outro país!

AE: Sobre produção musical, vejo um problema, não só no Brasil mas no mundo todo, que é uma “pasteurização” na sonoridade das bandas. Mesmos timbres de bateria, mesmo sons de guitarra… acabaram com a arte! Sem dúvida, precisamos reciclar nossas ideias e nossa visão da música pesada.

 

13Contatos/Merch?

Castor: Estamos com a nossa loja oficial que é administrada pela empresa ZN Store, que vem desenvolvendo e vendendo muitos itens relacionados ao TS. Aqui vai o contato pra vocês poderem conhecer todos os nossos produtos oficiais disponíveis:
www.znstore.com.br/torture-squad

 

14Considerações finais:

AC: O prazer é nosso em fazer a entrevista, valeu a oportunidade e espero ver os Bangers de Santa Catarina em massa no nosso show. Metal na cabeça!

Castor: Agradecemos demais à produção do Otacílio Rock pela oportunidade de nos apresentarmos nessa edição de 2015 e também  a vocês do Cultura em Peso pela entrevista que foi um prazer ter feito! Abraço a todos vocês!!!

AE: Abraço a todos do Cultura em Peso e a seus leitores. Prestigiem nossa cena, indo aos shows e adquirindo o material oficial das bandas que vocês curtem. Nos vemos na estrada!

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Cremo é idealizador e fundador do Cultura em Peso, Asatrú, amante incondicional da fotografia e da cena underground, na qual vive intensamente há 16 anos. Formado em Redes para Computadores, é ex-vocalista das bandas La Tormenta (Grind) e Dead Bush (Punk), ambas de Minas Gerais. Ouve de Punk Rock a Metal Extremo, tendo como principais bandas na sua playlist Ratos de Porão, Napalm Death, Extreme Noise Terror, Circulo Activo, Amon Amarth, Elluvetie e Lacerated and Carbonized. Literalmente um Viking que não marca território: o mundo é sua morada. Lê constantemente sobre política, religião, história das guerras e a autodestruição humana que não aprendeu até hoje a viver com as diferenças. Some com a cena ou suma dela mesmo, agora!

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