Entrevista com Ape X and The Neanderthal Death Squad

 

ape x

1- Qual a razão do nome Ape X and The Neanderthal Death Squad?

David: Pelo fato da temática ser centrada em filmes de horror e sci-fi, eu queria um nome que capturasse esse clima de uma forma bem kitsch. Como várias ofensas raciais aos brasileiros

tem alguma relação com macacos e símios, decidimos “vestir a camisa” do nosso país de uma forma meio pejorativa. Fora o fato de que também eliminamos a hipótese de bandas homônimas ao redor do mundo.

Seabra: Na verdade o David, que é o Captain Ape X, nos escravizou e criou uma seita que nos obriga a matar chimpanzés inocentes.

 

2- Por que abordar apenas letras baseadas em filmes de terror?

David: Eu e boa parte da banda curtimos bastante cinema e quadrinhos, em especial, de ficção científica e filmes de terror. Muitas das nossas letras também fazem à obra do escritor que, em minha humilde opinião, é o pai do horror moderno: H.P. Lovecraft.

Eu sempre fui um grande fã do Rob Zombie, e a idéia de escrever letras um pouco mais descompromissadas com o mundo cão em que vivemos, cria um ambiente mais lúdico, teatral e nos permite concentrar melhor na sonoridade.

 

3- Como a banda descreve sua sonoridade?

David: Algo entre experimental e perdido. Cada membro da banda tem um background musical muito peculiar, do groove da motown ao brutal death metal, do new metal ao black metal.

O nosso primeiro disco (Grooves From The Grave, disponível para download gratuito no bandcamp da banda) tem muitos elementos de thrash e groove metal, mas também tem momentos bem experimentais, chegando até mesmo a soar meio perdido.

Foi um processo meio traumático, desde que as músicas foram compostas até a finalização da gravação, foram quase 3 anos. Houve um grande intercâmbio de músicos, e cada hora mudava algo. Hoje em dia, pelas músicas que devem entrar no próximo disco, nosso som está mais pesado, agressivo

mais centrado no thrash/groove metal moderno.

Lucas: Eu creio que o Ape tem um diferencial na temática, o que nos permite experimentar um pouco mais pois a idéia central é sinestética e não só sonora, queremos passar a fotografia e sensações de nossos temas a partir da música.

Seabra: Barulho.

 

4- Como foi ser a banda revelação do Marreco’s, que é um  dos maiores fests da região?

David: Para nós representa um puta reconhecimento do nosso trabalho. Ser reconhecido como revelação por um cara que além de guitar hero é um dos maiores artífices do heavy metal do centro-oeste é sinal de que estamos no caminho certo.

Lucas: Sem contar, como já citado pelo David, que nessa época nós estávamos passando por uma fase muito complicada na banda, onde o prêmio veio pra lavar a alma e a partir disto decidir os passos futuros. Tanto que após o ocorrido chamamos o próprio Marreco pra fazer participação especial num solo no disco “Grooves from the Graves”.

Seabra: Não somos a banda Revelação, acho que você está enganado. Somos o Ape X and The Neanderthal Death Squad.

 

5- Jogo rápido:

David:

4 bandas nacionais: Sepultura, Ratos de Porão, DFC, Korzus

4 bandas internacionais: Impossível falar só quatro…melhor nem tentar

1 cd:Load (Metallica)

1 frase: “Clássico é clássico e vice-versa.” Jardel (ex-atacante do Vasco da Gama, Grêmio e Porto)

1 livro: Horror em Red Hook – H.P. Lovecraft

 

Lucas:

4 bandas nacionais: Galinha Preta, Projeto Macaco, Worst, Titãs e Frank Aguiar

4 bandas internacionais: Suicidal Tendencies, Alamailmaan Vasarat, Biohazard, The Dilinger Escape Plan e Nicky Minaj

1 cd: Groove Family Cyco (Infectious Grooves)

1 frase: “Try not. Do or do not, there is no try.” – Mestre Yoda

1 livro: O Pequeno Príncipe.

 

Seabra:
4 bandas nacionais: HUEY, Far From Alaska, Hellbenders e Os Dinamites
4 bandas internacionais: Faith No More, Tool, Pantera, Incubus
1 cd: One Hot Minute – Red Hot Chili Peppers
1 frase: Senilidade n‹o tem idade – jarg‹o de fam’lia
1 livro: Demian – Hermann Hesse

 

Vinicius:
4 bandas nacionais: Elma, Labirinto, Are you god? e Ratos de Porão
4 bandas internacionais: Isis, Intronaut, Tool e Converge
1 cd: Jane doe – Converge
1 frase: Uma citação na verdade – “Se você tem uma laranja e troca com outra pessoa que também tem uma laranja, cada um fica com uma laranja. Mas se você tem uma idéia e troca com outra pessoa que também tem uma idéia, cada um fica com duas.” – Confúcio
1 livro: Um que mudou minha vida – Análise Real Volume 1 – Elon Lages Lima

6- Nesse 4 anos em que banda atua, quais podem ser os pontos a se destacar tanto positivos quanto negativos?

David: Aprender a lidar com frustração e seres humanos difíceis. Somos todos chatos pra cacete, cheios de maneirismos e é impossível não ser frustrado tentando fazer música autoral no Brasil.

Lucas: Banda é um casamento sem sexo, cara, o que torna ainda mais difícil. Apesar de tudo, somos amigos, não um projeto musical. Aprendemos a lidar bem com nossas limitações, somos grandes amigos e de todos os membros anteriores que passaram pela banda. Creio que o sucesso dependa desse tipo de postura e quando digo sucesso eu falo dinheiro mesmo, é tudo mentira dos caras, a gente ganha muita grana fazendo metal no Brasil.

Seabra: Ponto cruz e ponto frio são pontos positivos. Levar ponto e ponto final são pontos negativos, né? E vice-versa.

Vinicius: pontos positivos: uma turma do barulho aprontando as maiores confusões. Pontos negativos: Enrolados, pra caralho!

 

7- Qual foi a experiência adquirida destes fatos?

David: Acho que foi uns 150XP, mas não sei se deu pra sair do nível 1. Preciso urgentemente de mais pontos de beleza e destreza!

Lucas: Que precisamos entrar em contato o mais rápido possível com o figurinista do Slipknot.

Seabra: A única coisa adquirida foi a síndrome auto imune símia, que eu peguei numa suruba goy entre os membros da banda, mas como era bareback consensual, vou morrer sem saber.

David: Eles que são goy que se entendam. Eu sou judeu.

 

8- Os membros tem projetos paralelos? Todos os membros vieram de outras bandas, o que cada um agregou em relação ao grupo?

David: Na praia do rock estou com um projeto paralelo chamado Mudstomper, que é algo mais grunge/stoner, com batidas mais arrastadas, vocais menos “gru gru” e letras mais pessoais. Em breve devo ter algo concreto pra expor.

Também tenho um projeto eletrônico/industrial chamado Blood Fever Club, com o grande sound designer/produtor Francisco Raupp (a.k.a. Mono Reaction) que flerta muito com Nine Inch Nails e Depeche Mode.

Lucas: Xiiiiiii, prefiro n comentar. Mas só pra fazer o merchan, o Horta Project vai lançar cd e dvd em breve, confiram!

Seabra: Já toquei numa banda meio punk industrial, na onda do Refused, NoMeansNo, NINÉ obviamente não serve de nada pro ApeXaTNDS. Estou montando um projeto instrumental chamado Pesadelo, mas ainda tá no começo.

Vinicius: Eu praticamente fiquei uma década sem tocar. A única experiência que eu posso agregar a banda é com a quantidade de porcaria que eu já ouvi na vida. No mais, to ‘participando’ do Pesadelo com o Seabra e tenho um outro projeto numa linha mais arrastadona. Ainda sem nome com algumas músicas feitas, mas nada oficial.

9- Contatos merchan:

site: www.apexatnds.bandcamp.com

e-mail: [email protected]

facebook: www.facebook.com/ApexATNDS

 

10- Mensagem da banda:

Um beijo pra minha mãe, pro meu pai e pra você.

 

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Cremo é idealizador e fundador do Cultura em Peso, Asatrú, amante incondicional da fotografia e da cena underground, na qual vive intensamente há 16 anos. Formado em Redes para Computadores, é ex-vocalista das bandas La Tormenta (Grind) e Dead Bush (Punk), ambas de Minas Gerais. Ouve de Punk Rock a Metal Extremo, tendo como principais bandas na sua playlist Ratos de Porão, Napalm Death, Extreme Noise Terror, Circulo Activo, Amon Amarth, Elluvetie e Lacerated and Carbonized. Literalmente um Viking que não marca território: o mundo é sua morada. Lê constantemente sobre política, religião, história das guerras e a autodestruição humana que não aprendeu até hoje a viver com as diferenças. Some com a cena ou suma dela mesmo, agora!

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