She Hoos Go Punk Feminista e o resgate do movimento Riot Grrrl no Brasil

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Hoje a vez é delas, a banda feminina de Punk/HC do Rio Grande do Sul “She Hoos Go”

1)É um imenso prazer, garotas, estar podendo trocar essa ideia com vocês; banda que conheci e de cara já gostei tanto pela música quanto pela ideologia. Gostaria que vocês se apresentassem e falassem um pouco de vocês para nós.

O prazer é todo nosso de poder estar dividindo aqui com vocês um pouquinho da historia como banda.

A She Hoos Go é uma banda de punk rock, da cidade de Pelotas/RS, que busca unir a subversão e a luta contra a opressão social, fazendo o resgate do movimento Riot Grrrl. Atualmente a banda é composta por Lídia True Love (Vocal), Simone Del Ponte (Bateria), Ariane Behling (Baixo) e Wayner Gear (Guitarra).

2) Como surgiu a She Hoos Go? E porque a banda tem esse nome?

A She nasceu da vontade de ter uma banda composta apenas por mulheres e que pudéssemos tocar covers de nossas bandas favoritas. O nome veio da teimosia que eu (Simone) tenho e sempre tive desde que comecei a tocar, em montar banda composta apenas por gurias, originando o nome da banda. É como um Girls to the Front, é nós podermos dizer que agora nós vamos para a frente, agora vamos à luta.

3) A banda já está com 5 anos, né? Como foi a estrada de vocês durante esse tempo? A banda permanece com a formação original?

A estrada foi e continua sendo árdua. Não é nada fácil compor uma banda Feminista, com letras tratando do nosso cotidiano, formada na maior parte dos anos apenas por mulheres, em uma cidade pequena, com uma quantidade bem grande de caras (e também gurias) machistas. Foi bem complicado.

A banda, nesses 5 anos, mudou sua formação várias vezes. Mas a cada mudança é um novo aprendizado, é uma nova experiência. Atualmente a formação conta com Lídia no vocal, Ariane no baixo, Simone na bateria e Wayner na guitarra.

4) Meninas, uma coisa que me chamou a atenção é a ideologia da banda, além, é claro, da música. Vocês passam a mensagem feminista em suas músicas e isso é muito bacana e uma raridade dentro da cena musical. Qual o principal tema das letras de vocês? Qual a mensagem que vocês querem deixar para quem ouve vocês?

A letras são sobre situações do cotidiano dxs integrantes e sobre o universo feminino.

A principal mensagem é o empoderamento feminino, tentar através da música, encorajar outras minas a lutarem contra uma sociedade que nos desfavorece e que nos desrespeita em vários aspectos.

5) Outra atitude que admirei na banda de vocês é se relacionarem ao movimento Riot Grrrls. Até então, eu acreditava que era um movimento extinto e então vocês levantam essa bandeira. Pra quem não conhece,nos explique o que é o movimento Riot Grrrls? Vocês fazem parte desse movimento? Como ele está atualmente? Existem outras bandas também mantendo vivo o feminismo do Riot Grrrls?

O Riot Grrrl foi um movimento que abrangeu fanzines, festivais e bandas de hardcore e punk rock feminista. A intenção do movimento era informar às mulheres de seus direitos e incentiva-las a reivindica-los.

O movimento Riot foi popularizado por bandas de garotas como Bikini Kill e Tribe 8, que reverenciaram antecessoras roqueiras de visual e verbos agressivos: a poetisa Patty Smith e o humor cínico de Deborah Harry.

A She Hoos Go sempre levantou a bandeira do Riot Grrrl, por ter pensamentos coniventes com o movimento, a ideia de que toda mulher pode sim pegar seu instrumento e fazer bonito no palco, buscando seu espaço e falando o que quer.

Acreditamos tanto no poder do Riot Grrrl, que idealizamos o festival REAGE! Que é um evento dirigido ao movimento feminista, onde convidamos bandas que se encaixam e que lutam conosco. O nome do festival foi inspirado na nossa música de mesmo nome.

Atualmente ainda existem muitas bandas que seguem o movimento, inclusive aqui no Brasil, onde temos exemplos clássicos de bandas Riots, como Dominatrix, Trash No Star, Anticorpos, Catilinárias, Bertha Lutz e mais um tanto de bandas.

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6) A banda já possui álbum lançado” Go Grrrls”. Como foi produzido o álbum e qual foi a feedback que tiveram em relação a ele? Quais os frutos que a banda já colheu ao longo desses 5 anos de carreira?

 Na verdade foi um EP. Ele foi gravado com nossa antiga vocalista e guitarrista, e quando iríamos lança-lo, por motivos pessoais, ela saiu da banda. Ou seja, não focamos no EP como deveríamos, devido a essa troca brusca e repentina de integrantes, mas mesmo assim, resolvemos lançar as músicas e colher os frutos desse trabalho.

Puxa vida, nestes 5 anos, podemos dizer que os frutos colhidos foram vários, como shows em locais que nunca achávamos que poderíamos tocar (como no RJ), muitas amizades feitas devido a sororidade entre as manas. Alguns festivais com o intuito de mostrar o trabalho de mulheres, festivais com cachês (sim, isso para nós é um baita feito – risos).

7) Eu pude conferir 6 sons na página de vocês do mais puro punk/ Hc. Como é tocar esse estilo tão agressivo na cena musical como uma banda de mulheres?

Hahahahahhaha normal. É um estilo que nós nos propusemos em tocar, então tentamos dar nosso máximo e tentamos caprichar nos berros, guitarras nervosas, baixo pegado e batida rápida.

8)Quais os planos da banda para o futuro?

Os planos para esse ano é tocar o máximo possível e gravar as músicas novas.

9)Qual a inspiração que vocês usam na banda? Suas influências?

A maior inspiração é o Riot Grrrl e bandas como L7, Fabulous Disaster, Babes in toyland, Hole, The Distillers, Lunachicks e Joan Jett.

10) Como vocês se dedicam à seus instrumentos?

Acho que cada um de nós tenta se dedicar conforme o tempo disponível, já que, infelizmente, a banda não é nossa única ocupação.

11) Fora dos palcos, como são suas vidas ? O que vocês gostam de fazer? Trabalham ou apenas vivem da música?

Cada um de nós trabalha em uma área diferente, temos nossas famílias, nossas atividades, não vivemos de música. A banda é o nosso “lazer”, onde a gente se diverte e se liberta.

12)Quais os melhores e piores momentos que já tiveram com a banda? Quais as dificuldades que enfrentaram e as conquistas?

Para mim (Simone) um dos melhores momentos com a She foi o prazer de poder dividir o palco com bandas fodas do Brasil, no Festival Roque Pense. Tocar com gurias fodásticas nos festivais feministas aqui do RS e conhecer muita gente bacana durante esse tempo.

A maior dificuldade sempre foi enfrentar as caras curiosas e de desaprovação em shows, mas que com o tempo foi se tornando um foda-se e tiramos isso de letra.

13) A família de vocês lhe apoiam?

Sim, por ser algo que elxs sabem que é importante para cada uma de nós. E também se não apoiar, vai ter que aceitar anyway!

14) Nestes anos todos de estradas quais os melhores frutos que já colheram do seu trabalho?

Já foi respondido na pergunta 06.

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15) Conte-nos como é a relação de vocês na banda, como se conheceram?

A relação entre nós é de família, pois é isso que a banda significa. A Ariane entrou na banda devido a saída da ex baixista e ficou comigo (Simone) durante nossa pior fase, que foi a saída da ex vocalista/guitarrista.

E por uma sorte ou quem sabe, destino, a Lídia assumiu o vocal, nos deixando super felizes em poder fazer um trabalho coeso, de qualidade e com uma super responsabilidade, que é característica marcante dela. E completamos o time com o Wayner (companheiro da Lidia) que atualmente está nos dando aquele gás na guitarra. Ou seja, uma família realmente.

16) Para terminarmos a entrevista, farei algumas perguntas sobre você (s):

Idade- Signo- Banda Preferida – Trabalho – Futuro – Relacionamento- Religião- Livro preferido- Filme Preferido- Um citação:

Preferimos não responder. O que importa é o nosso som. =]

 

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Sara Lilith de Anápolis Go, tenho 29 anos, graduada em Direito, produtora, vocalista de gutural. As coisas mais importante na minha vida é minha família e meu namorado Fred Maverick. Amo música, gatos, tatuagens, natureza, me divertir e me entregar de corpo e alma a tudo que acredito valer a pena.

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