Cobertura Garage Rock Festival II

Folder Oficial Garage

Uma  semana que começava tranquila, devia terminar tranquila?

Uma vez que tem festival underground, a chuva tem que dar o ar da graça, e compareceu em peso na sexta feira, primeiro dia do festival.

A pista ate o Camping sofreu danos sérios, segundo informações a prefeitura tentou corrigir o problema durante a semana, mas apenas agravou o drama, pessoas atolaram seus carros, ou quase ficaram atoladas, quem não conhecia o caminho alternativo, sofreu …

O festival estava marcado para iniciar as 19:00 da sexta feira e a promessa da produção era ser impecável na questão de horários,  mas oque aconteceu, foi  que a primeira banda a tocar na noite, subiu ao palco por volta das 23:30, deixando público e bandas impacientes.

A produção do evento se virou como pode para contornar os (graves) problemas apresentados para o inicio daquele festival, bandas canceladas de última hora por motivos pessoais , entre outros motivos e situações.

O som principal para o evento não foi montado pois o caminhão não entrava  no local , e a equipe de som se recusou a carregar o material da entrada até o pavilhão, o que ocasiou em não ter dois equipamentos de som para o festival (informação da produção), e de fato havia dois caminhões na porta do evento indo embora quando eu estava chegando.

O evento só teve um palco, não teve a mini ramp (e não teria como ter com tanta água), isso fez do festival ruim?

Não, o festival teve um grande aprendizado com os erros, com os infortúnios, e com o improviso, mas a raça da produção fez o festival seguir em frente e se manter em pé.

Bizibeize de Florianópolis  foi a primeira banda a tocar na noite, sofreu bastante com a regulagem de som, que a produção se esforçava ao máximo para colocar na linha para o bom andamento do festival.

Apesar das vozes baixas do vocalista e back vocal, os microfones inicialmente não estavam bem regulados. Enfim quem inicia o evento nas condições que estava, esta propenso a passar por problemas, mas a estrada e o caminho nem sempre é fácil.

Os punk rockers fizeram um um som sujo, reto e cadenciado, lembrando o punk dos anos 77, muito bem executado, apesar das dificuldades iniciais.

 

Esquadrão Marte mudando a tonalidade por completo, mostrou que o festival seria bem eclético, saiu da linha  punk da Bizibeize e nos trouxe rock!

Rock do mais limpo, com vocais muito bem executados.

Alternando entre covers e autorais a banda se destacou e empolgou de verdade quando focou em suas próprias músicas, que diga-se de passagem, são muito bem elaboradas e estruturadas.

A esta altura da noite o som já estava muito bem regulado  e com qualidade desejável para o evento, que banda nenhuma poderia reclamar.

A chuva caia, e pessoas ainda chegavam ao festival.

 

Com os horários andando pontualmente no inicio do dia, o sábado teve Boca Braba HC  que veio de Viamão no Rio Grande no Sul, para trazer músicas de protesto,  atitude e muito hardcore.

Os gaúchos não decepcionaram, e soltaram toda sua energia no palco.

Seu hardcore, com influencias de punk rock e um estilo punk skate, o grupo demonstrou que a cena gaúcha tem muito a agregar. Novos eles mostraram que o punk nunca morre, com apenas um ano de estrada eles se mostraram maduros no palco, sem deixar a peteca cair, mesmo com a bateria desmontando, o grupo soube lidar com as adversidades e trazer HC para os ouvidos sedentos de peso …

Fuck U.S.A ao vivo …

Entrevista após a aprensetação da banda, confira:

Seguindo a dica do nosso amigo Bruno Parrot, agora usando um gravador.

Doctor Jimmy:

Não há necessidade de falar da banda, eles sempre dispensam comentários… Ah mas nós vamos falar sim, é claro.

Surpreendendo já de entrada,  a banda colocou a intro de TWD e emendou um set  variando entre covers e próprias.

“Thriller”  e “you shook me all night a long”  foram alguns dos covers,  mas uma banda do porte da DJ não precisa mais de covers pra embalar a noite. Musicas como “Não tenho pressa”,  “ela sabe das coisas” e “Homens fardados” que são composições próprias do grupo, agitaram mais que os grandes clássicos de outrora, demonstrando que a DJ tem o respeito e admiração do público local  e simultaneamente quando toca consegue angariar novos fans.

 

Eletromotriz

Banda de Garopaba, tocou mais uma vez em casa, depois de muitas apresentações pelo estado de SC. Publico já procurava adquirir o EP antes da apresentação, mas somente 2 exemplares foram adquiridos e a banda decretou primeira prensagem esgotada! Então camisetas com a estampa clássica se tornaram o alvo da galera! Os integrantes chegaram mais cedo para poder interagir com todos e dar atenção ao evento, pois o foco que é o show eles já sabem bem como desempenhar em cima do palco. Chegou o momento com 2 horas de atraso, mas o pessoal não reclamou, as músicas conhecidas do EP e a música ‘alma gêmea’ foram apresentadas em 40 minutos de energia entre a banda e o público.

 

Cherry Ramona

Banda de Criciúma, pegou estrada para sua primeira apresentação fora da cidade e lançando oficialmente o seu primeiro álbum ‘soco na bexiga’ em formato físico. O frontman Naldo Arraes apresenta um Rock N Roll safado e engraçado, uma mistura de Raimundos/Velhas Virgens. Durante a apresentação observou-se muita empolgação e afinação em cima do palco, mas ao redor algumas rejeições pela ‘diferença’ do som (relatada pelo publico ao próprio vocalista pós show) e isso que é interessante, o roqueiro é observador e fala na cara. As músicas próprias receberam aplausos e risadas, ao fim a banda salientou que a música ‘verão do sul’ foi selecionada como tema do ‘Garage Rock Festival 2’ e o vocalista cantou só de samba canção!

 

Alkanza

Banda de Laguna, chegaram cedo, passaram o dia curtindo o festival, ouvindo som, interagindo. A noite veio e Alkanza estava louca para mostrar suas novas composições do novo álbum ‘Colonizados pelo sistema’ lançado recentemente de forma virtual e disponível para audição e download. O momento chegou e o lado ‘trash’ aflorou, não somente no som (que é muito bom no segmento) ao ver policiais adentrando o local do Festival, tomaram a atitude de parar o som e discursar contra o que havia de errado acontecendo no Festival, no palco com a sonorização e ao redor na hora da apresentação da banda.

 

Antitese :

Com Talita Oliveira no comando, a Antitese, fechou a noite de sábado.  Com muita gente já cansada, deitada pelas altas horas da noite, poderia ser desestimulante subir no palco, mas não pra eles …  Isso não impediu que o talento de sua voz ecoasse no local, mostrou o profissionalismo da banda ao tocar fechando a noite e fazendo um excelente show, sem erros, com muita energia e disposição, mostrando que os criciumenses não estão para brincadeira.

 

Panaceia

Um dos destaques do festival, uma das belas surpresas do domingo, pela humildade, pelo jeito simples, e pelo tremendo som que tocaram. Rock N Roll para agradar qualquer alma presente. O timbre do vocalista recordava o bom e velho Lemmy, e as músicas inspiravam um misto de nolstagia da velha guarda do rock n roll oitentista, sem perder a magia da nova geração. Composições dignas de clássicos …


Texas Funeral

Banda de Tubarão, domingo pela manhã havia um pequeno numero de rockers acampados em suas barracas (de Lages amigos da banda Blood Eyes, de Jaraguá do Sul da Panacéia e Viamão da Boca Braba Hc) e integrantes de outras bandas também chegavam. Texas Funeral com nova formação (somente um remanescente) e apostando em novas composições mais rock e menos blues, mas mesmo assim o vocalista Xandy da banda Made in Porão (que tocou na sexta-feira) foi convidado a subir no palco para cantar na segunda música ‘hoje eu vou beber!’, público que aguentou até 16 horas do terceiro dia aprovou, camisetas foram adquiridas e vestidas na hora!

Durante o festival outras mídias de grande importância estiveram presentes e vale muito a pena conferir oque cada uma delas disse, oque cada uma delas tem a mostrar.

A hora hard: https://www.youtube.com/user/AHORAHARD

Subsolo:  http://www.osubsolo.com/2015/12/resenha-2-garage-rock-festival.html

 

O festival teve um cast quase que completo de bandas catarinenses, e provou a força do estado, o talento dos músicos daqui, e das perolas que batalham dia a dia em fazer musica autoral, em lutar pelo seu próprio espaço sem ser apenas mais uma cópia. Serviu para mostrar que três dias regados  a shows,  acampamento, cerveja e novas amizades podem sim, ser feitos com oque há de melhor aqui, sem a extrema necessidade de se trazer grandes nomes de fora, parabéns a iniciativa do festival em valorizar o que é daqui.

 

As resenhas  de Cherry Ramon, Eletromotriz, Texas Funeral Blues e Alkanza foram realizadas por nosso parceiro, guerreiro de cena e amigo Daniel Russo do Canal “A hora Hard”.

 

Não guarde este grito dentro de você, leve adiante, curta, compartilhe, espalhe a mensagem, a mensagem das bandas, dos músicos , do público e das mídias.

As mídias dependem de vocês, a mensagem tem que ser lida e escutada por alguém, e vocês podem ajudar a levar muito mais longe do que ela pode chegar sozinha ….

Você apoia ou se apoia na cena underground?

Eu … vivo o underground!

 

Confira as fotos do festival:

(Pedimos educadamente que não retirem a logo do site ao postar em suas redes sociais)

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Cremo é idealizador e fundador do Cultura em Peso, Asatrú, amante incondicional da fotografia e da cena underground, na qual vive intensamente há 16 anos. Formado em Redes para Computadores, é ex-vocalista das bandas La Tormenta (Grind) e Dead Bush (Punk), ambas de Minas Gerais. Ouve de Punk Rock a Metal Extremo, tendo como principais bandas na sua playlist Ratos de Porão, Napalm Death, Extreme Noise Terror, Circulo Activo, Amon Amarth, Elluvetie e Lacerated and Carbonized. Literalmente um Viking que não marca território: o mundo é sua morada. Lê constantemente sobre política, religião, história das guerras e a autodestruição humana que não aprendeu até hoje a viver com as diferenças. Some com a cena ou suma dela mesmo, agora!

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