Entrevista com Deise do portal revoluta

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Deise Santos é fundadora do Portal Revoluta, destinado a cena Underground, e atua fortemente no eixo RJ-SP. Amante da cena ela sempre esteve envolvida em diversos projetos como produção de shows, tours, assessorias, e claro seu portal.

 

Primeiramente muito obrigado por conceder essa entrevista pra nós, e sem muitas diretrizes e termos técnicos é bom poder bater esse papo contigo fora dos bastidores, já são 10 anos que a gente troca bastante idéia.

 

1- Deise você mantém viva uma chama intensa no cenário underground do Rio-SP e de outras tantas partes do país, diga para nós como é manter em pé um projeto por tantos anos?

Acima de qualquer coisa, é gratificante. Nos últimos anos me dediquei muito menos ao Revoluta por conta de um trabalho de verdade, pra pagar as contas e etc. Mas nestes quase dez anos do revoluta.com, fora os projetos anteriores, como o Informativo Revoluta, Noise Fest e demais apoios e organizações de shows aqui no Rio de Janeiro, sem nenhuma alcunha ou identidade definida (digo em relação a não existir o Revoluta), foram anos de muito esforço, dedicação e amor no que acredito: a cultura underground. Fiz muitos amigos (alguns inimigos também) e às vezes me surpreendo em quanto as pessoas respeitam e admiram o que foi feito até agora por mim, que o fiz pelo simples fato de amar cultura.

 

2- Antes de falarmos do revoluta, você poderia nos dizer mais sobre estes outros projetos e se eles ainda existem?

Tudo sempre começou como pretexto para ter um lugar para os amigos tocarem e eu , inclusive, quando me aventurei a tocar contrabaixo. Eu escrevi por um tempo na revista impressa Rock Press e isso me abriu portas, janelas e o que mais fosse possível no cenário underground, principalmente no eixo RJ-SP. Com isso, conheci muita gente e isso acabou por me colocar numa posição de responsabilidade (sem ser pesado) em fazer a ponte entre bandas das duas capitais. Acabei por organizar junto com amigos, alguns shows com bandas locais e depois foram surgindo as oportunidades de organizar shows com bandas estrangeiras. Um dos projetos, feitos com amigos, foi nomeado como Noise Fest (nome genérico para o mundo do rock não é mesmo?). Desse projeto rolaram três edições onde tocaram diversas bandas, entre elas Cólera, Rattus, Periferia S/A, Lacrau, Protesto SUburbano, Uzômi, How The Gods Kill e Subcut. Infelizmente esse projeto ficou pelo caminho e, inclusive, outras pessoas produzem shows aqui no Rio de Janeiro, utilizando o nome Noise Fest.Fora isso, tiveram vários shows em parceria com os queridos amigos que administram a Áudio Rebel, na zona sul do Rio de Janeiro, incluindo aqui um insano show em plena segunda-feira, num espaço que cabiam 80 pessoas e tinha mais de 120. Esse show fazia parte do Vans Zona Punk Tour, projeto do querido Wlad (Zona Punk) e que resolvi abraçar para ter uma edição, mesmo que insana na capital carioca. Teve também o Janeiro Infernal, ele teve 5 edições e foram feitos com o propósito de comemorar meu aniversário, juntando amigos em um show.

A edição mais memorável foi em homenagem ao Redson e aconteceu em janeiro de 2012. Reuni integrantes de diversas bandas do Rio de Janeiro e alguns de SP, para subirem ao palco com os integrantes da Cólera para tocar as musicas da banda, num tributo ao Redson. Foi lindíssimo!!!!

 

3- Esse legado do Noise Fest então ficou, ao menos o festival ainda vive. Você ainda tem alguma participação nesses eventos ou simplesmente passou adiante com o tempo?

 O Noise Fest não existe mais com as propostas que tínhamos desenvolvido. Só usam o nome mesmo, mas não tem nenhuma ligação com a a produção que fazíamos.

Que fique claro que os outros Noise Fest não tiveram origem nas edições que organizei com o Thiago Schubert, Cristina Lopes e Heron.

 

4- Mesmo com a correria infinita que é produzir, você sente saudade das produções de evento?

 hahahaahah claro que sim. Esse lance de produção entra no nosso sangue e não sai nunca mais.

Vez ou outra me aventuro a organizar um show, até porque não consigo dizer não pros meus amigos rsrsrsrsrsrs.

Sempre digo que, se você quiser ganhar uma gastrite, organize shows hahahaahaha.

É uma adrenalina que contagia e ainda não adquiri minha gastrite. Logo, ainda tenho que organizar alguns shows.

 

5- Isso é uma grande verdade, eu já ando me coçando pra fazer algo hahaa,  2017 tem previsão de alguma produção? Conta ai pra gente …

 Não posso dizer nada de concreto, mas tem alguns amigos querendo tocar no Rio de Janeiro ano que vem, além de alguns amigos estrangeiros que querem pisar nas terras tupiniquins, veremos o que acontecerá…

 

6- Isso soa muito bom, visto que não será a única novidade né? Fala ai, como esta sendo a produção para o novo revoluta entrar no ar?

 O Revoluta tem tentado se manter de pé, mas acho que agora ele vai tirar as rodinhas da bicicleta e vai ganhar força. O layout deve ficar mais clean, mas as postagens serão mais dinâmicas e frequentes. Material é que não falta, porque existe muita banda precisando de espaço.

 

7-  Pra quem não conhece o Revoluta.com, ele abre espaço para todo o tipo de bandas? Ou é para um determinado estilo especifico ?

Tá produzindo? Tá no Revoluta. Revoluta cultiva a cultura em todas as suas formas. Punk, Hardcore, metal, rap, teatro, literatura, cinema, rock… Tem o que questionar e externar culturalmente? O Revoluta quer conhecer e propagar. Qualquer manifestação cultural, que venha pra somar e provocar o crescimento positivo das pessoas, provocando questionamento, reflexão e mais movimentos, isso tem a cara do Revoluta.

 

8- Pra te colocar numa saia justa hahaha vamos fazer um jogo rápido:

4 bandas nacionais: Cólera, Agrotóxico, Ratos de Porão e Dead Fish

4 bandas internacionais: Ramones, Bad Religion, Stiff Little Fingers e MDC

1 cd: Pela paz em todo mundo – Cólera

1 livro: Cem anos de solidão – Gabriel Garcia Marquez

Rio de Janeiro: para turistar

São Paulo: para viver e respirar a cultura

Revoluta: minha paixão

Punk: minha vida, my lifestyle

Politica: uma droga

Brasil: jovem e inconsequente

Uma frase: “Faça você mesmo, faça pra entender.”

 

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9-  Como você falando antes, o Revoluta esta aberto pra todos estilos, inclusive fora do rock. Como você vê esse cenário hoje no  Rio de Janeiro, punk … metal .. hardcore?

 Tem muita coisa acontecendo, mas por mais incrível que possa parecer, uma cidade como o Rio de Janeiro, pequena, consegue se segmentar demais. Temos alguns lugares para shows mais alternativos e, infelizmente, os estilos não se misturam muito e isso acaba por enfraquecer o cenário. mas temos boas bandas, antigas e novas, lutando para manter a cena viva.

 

10- Destes lugares quais são os principais que você pro pessoal conhecer no RJ?

 Coletivo Machina, Subúrbio Alternativo, Áudio Rebel, Estúdio Hanoi, Teatro Odisseia, Planet Music. O Circo Voador é o pai de todos os espaços, mas hoje em dia ele é para banda maiores, mas ainda o vejo como um palco democrático e testemunha de momentos históricos da cultura alternativa.

 

11-  E destes locais e anos todos que o Revoluta soma e fomenta a cena, quais foram os principais shows que você pode atuar com o revoluta, que você poderia destacar?

Caramba, todo show teve sua importância.

Força Macabra (Finlândia), no Garage, com Sick Terror, Jason, Confronto.. foi lindo!

a banda Rattus (FInlândia), tive a oportunidade de organizar dois shows deles aqui no Rio de janeiro e foram ótimos e emocionantes, até porque sou uma grande fã da banda.

Os suecos do Dr Living Dead, que tocaram junto com Farscape, Bandana Revenge, Uzômi e Confronto, foi lindo!!!!

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12-  FM sempre é pegado, banda ótima, esta sempre no play rsrsrsrs e Rattus é Rattus né, clássico punk. Se você pudesse elencar grandes feitos do Revoluta (Sei que tu nunca parou pra pensar essas coisas), quais seriam eles?

Nossa, sempre penso na emoção que foi pra mim, ter o privilegio de organizar o shows.

Cólera tocando na minha cidade – Nova Iguaçu – foi épico.

Rattus vir pro Rio de Janeiro com 30 anos de carreira foi uma puta responsabilidade. Até policial, fã de Rattus, tinha no show.

Colocar uma banda de Ska, da republica Tcheca, chamada Fast Food Orchestra, pra tocar em plena segunda-feira, num pico lotado (Audio Rebel), que tinha limite de horário pra terminar (22:00) e o show rolou até 23:20, foi mágico demais.

No primeiro show do Rattus no Rio, o Periferia S/A também tocou. O palco tinha cerca de 30 cm de altura e o público era de quase 600 pessoas, num domingo à tarde, sem treta, sem invasão do palco. Simplesmente lindo!

 

13- Já pensou alguma vez em parar? O que é mais cansativo em manter um portal por tantos anos? Já são 9 ou 10 anos que você esta no ar … Quais são as maiores dificuldades?

 Parar? Não. Dei pausas, por questões pessoais, mas parar eu não consigo. E mesmo se quisesse, me sinto responsável. As pessoas me cumprimentam e falam do site. Os integrantes de bandas vão pra estúdio e depois me mandam a prévia pra ouvir e querem feedback. Nem sempre publiquei resenhas ou fiz entrevistas com essas bandas, mas sempre ouvi e dei os feedbacks. É dificil sair depois que você é picado por esse bichinho.

O Revoluta, como portal está no ar há 8 anos, antes dele fiz blogs menores, fiz informativos que enviava por email para uma seleção de produtores, músicos e pessoas envolvidas com a cultura alternativa. As dificuldades são muitas. é tudo no esquema DIY. Escolher layout pro site, mudar códigos, aprimorar as formas de publicar e alcançar os leitores, a falta de grana para fazer coberturas de shows e eventos… Mas quem disse que essas dificuldades me fazem parar?!?!??

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14- Muda o estado, o pais, e as dificuldades são sempre parecidas, mas isso é underground, são quase duas da manhã e a gente falando sobre cena. O novo Revoluta tem data pra entrar no ar?

Ainda não. queria colocar no ar agora, mas ainda preciso fazer umas pesquisas e colocar em dia uma pauta bem atrasada: entrevistas, resenhas… Mas em breve acredito que o novo Revoluta estará no ar.

 

15- Quem quiser te enviar material, como é feito? Você recebe material online? Deve ser físico? Quais são os contatos?

 Por email [email protected] ou pela página do Revoluta no Facebook.

https://www.facebook.com/portalrevoluta/

 

 

16- Pra deixar mais especifico, o Revoluta cobre eventos, entrevista bandas, publica noticias, oque mais tem ai nesse faz tudo?

Hahahahhhahaha

Cobre eventos, resenhas, entrevistas, agendas e noticias sobre bandas, eventos, peças, livros, filmes…

sem contar na parte de assessoria de imprensa e produção, que talvez sejam reativadas em breve.

 

17-  É  muita coisa …. quero te agradecer por ter tirado um tempinho pra nós nessa entrevista online, e claro e qual a mensagem final para todos aqueles que acreditam na cena, estão espalhados ai lendo, fomentando, curtindo ou produzindo?

 Minha mensagem é baseada na frase que deixei acima, na tal saia justa. A frase faz parte da música “Era” do Cólera. Ela diz sobre se colocar no lugar do outro: “Faça você mesmo, faça pra entender.” e a continuação dela, pra quem não conhece a letra, é um desafio:

“Crie um mundo novo”. 

Penso nisso, todos os dias. Fazer eu mesma, pra poder entender, respeitar e realmente criar um mundo novo. Pra mim, pra você, pra quem estiver nessa jornada. “Era de criar um mundo novo”

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Cremo é idealizador e fundador do Cultura em Peso, Asatrú, amante incondicional da fotografia e da cena underground, na qual vive intensamente há 16 anos. Formado em Redes para Computadores, é ex-vocalista das bandas La Tormenta (Grind) e Dead Bush (Punk), ambas de Minas Gerais. Ouve de Punk Rock a Metal Extremo, tendo como principais bandas na sua playlist Ratos de Porão, Napalm Death, Extreme Noise Terror, Circulo Activo, Amon Amarth, Elluvetie e Lacerated and Carbonized. Literalmente um Viking que não marca território: o mundo é sua morada. Lê constantemente sobre política, religião, história das guerras e a autodestruição humana que não aprendeu até hoje a viver com as diferenças. Some com a cena ou suma dela mesmo, agora!

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