[VIDA DE BATERA] Entrevista: Leandro Silveira

Chegamos ao segundo episódio de “Vida de Batera” neste, resolvi trazer alguém mais próximo, que sei que tem uma história dentro da música de dar inveja (no bom sentido) a muitos instrumentistas. Leandro Silveira é baterista das bandas: Mary’s Secret Box, Don Capone e Creendence Cover, fora isso tem um projeto acústico com sua esposa, projeto este denominado “Nós”, atualmente reside em Laguna, litoral catarinense e é uma figura carimbada nos eventos da região, destaque para o carisma, amizade e o talento que só evolui a cada dia.

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Pô cara, quero agradecer tua disponibilidade de estar dando essa entrevista para que sigamos com essa coluna “vida de batera” feito de baterista para baterista, o bacana de escolher quem eu entrevisto é poder fazer algumas perguntas que sempre tive vontade. Para a galera sacar um pouco da tua história nos conte, quem é o Leandro Silveira e como começou a tocar bateria?

Leandro Silveira: Po primeiramente quero dar um salve a vocês do Cultura em Peso, em especial a você Maykon, também aos leitores do site e agradecer por essa oportunidade. Me considero um cara extrovertido, determinado que respira e vive música. Então.. minha história com a bateria surgiu a muito muito tempo atrás, começou quando eu tinha meus 6 para 7 anos, no quarto do meu tio Anselmo que é um rockeiro nato, um dia ele resolveu me levar ao quarto dele para me apresentar ao mundo do rock and roll, então começou a me mostrar muitas músicas, contar histórias e etc, na hora já me apaixonei pelo tal rock and roll, e sempre que ia na casa da minha vó eu ia direto pro quarto dele para ouvir musica. Teve um dia que ele apareceu com uma fita K7 do Nirvana que a namorada dele tinha deixado lá, ele nem curtia tanto o som mais resolveu colocar para que eu assistisse, e logo de cara começou com a clássica Smells Like Teen Spirit ao vivo, e no início lembro perfeitamente que rolou um a imagem do Dave Grohl esmurrando a bateria e cara, ali eu pensei, ‘‘Eu quero ser igual esse cara” ali eu pirei totalmente com o lance de ser baterista.. os anos foram passando até que um dia consegui dois pares de baquetas e passei a tentar imitar os baterista tocando no ar mesmo e tals e sempre tentando convencer meus pais a me dar uma bateria, por mais que eles sempre me apoiaram em tudo que faço eles ficavam com um pé atrás, mas lá com meus 15 pra 16 anos com uma pequena mesada que ganhava da minha vó e mais uma ajuda de meus pais, eu consegui adquirir minha primeira bateria, e depois desse dia minha vida mudou completamente e sigo nessa aventura até hoje e não pretendo parar nunca mais.

Cara, gosto de falar sobre as dificuldades no começo e acho bacana todo baterista falar. Qual foram tuas primeira dificuldades e como foi ver vence-las?

Leandro Silveira: Então cara, no início durante toda carreira todos passam por diversas dificuldades, elas fazem parte da nossa evolução.. até porque se tudo fosse fácil não teria o mesmo valor. Eu tive e tenho muitas dificuldades até hoje, no início antes mesmo de ter minha primeira bateria eu já enfrentava a dificuldade de não poder adquirir minha bateria, e essa foi uma das maiores dificuldades que tive, e quando chegou o dia que sai da loja, com minha primeira bateria toda encaixotada e depois em casa abrir e monta-la foi uma grande realização fruto de muito esforço e persistência, mas dai em diante surgiu muitos e muitos outros obstáculos que tive que passar por cima, mas tudo isso levo como novas experiências e aprendizado para minha carreira. Há uma das dificuldades que passo hoje em dia é ter que carregar essa bateria pra tudo que é lado, não é fácil não cara… kkkk

Te acompanho algo em torno de quatro ou cinco anos, te vi em shows na Don Capone, Marys Secret Box, Bunker, Anarchaos, MR8 e diversas participações. Em todas elas eu sempre vi que você adiciona o teu toque de classe e maneira de tocar nas músicas, como é dividir o palco com tanta gente boa e ao mesmo tempo compor e colocar a tua cara na música?

Leandro Silveira: Cara, muito bom saber que sempre estais acompanhando meus passos, me sinto honrado por isso. Sempre levo todos meus companheiros de banda como professores pois sempre que divido palco ou ensaio com eles aprendo algo novo e isso acaba me ajudando demais. Desde que comecei a tocar em banda eu sempre tive vontade de compor musicas, eu vejo que é um lance que tem que partir do musico naturalmente, sem pressão e tals, eu sempre procuro soar simples e penso sempre naquela velha frase ‘‘Menos é mais” e penso também, “Se eu fosse ouvinte, será se eu gostaria disso?”. Sempre ao ver minha linhas de batera você pode ver que sempre faço algo simples e procuro sempre deixar a bateria encaixada com a musica, algo meio que as duas fiquem em sintonia, e nunca verá viradas absurdas cheias de técnicas e etc, sou um batera vamos dizer que simples.

Você ganhou um prêmio recentemente pela Marys Secret Box, como melhor instrumentista da música autoral imbitubense, já que a MSB é natural de Imbituba. Como foi tua reação ao ganhar o prêmio e saber que todos os anos dedicados ao autoral foi reconhecido com um prêmio?

Leandro Silveira: Nossa cara eu fiquei realmente impressionadíssimo ao receber o premio como melhor instrumentista, fui ao premio com a intenção de mostrar nossa nova musica de trabalho que era “Magnus Ingni” e ver a apresentação de outras bandas autorais que ali estariam para celebrar a nossa cena que vem crescendo cada vez mais. E quase não fiquei pra premiação pois tinha compromisso com uma outra banda que toco, mas acabei ficando, na hora que eles foram anunciar o ganhador do premio eu estava na fila para pegar um chopp, e do nada o cara anunciou “O premio de Melhor Instrumentista vai para Leandro Silveira da MSB” eu fiquei meio que sem reação mas sai correndo que nem um louco para receber kkk. Fico muito feliz em ver que meu trabalho e o trabalho da Mary’s Secret Box foram reconhecidos no PRIMA, mas o que posso te dizer é que todos ali que participavam mereciam muito, por toda correria, empenho, esforço e bom trabalho que fazem, até penso que não existe um que seja melhor, todos são bons e merecedores.

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Por falar em prêmio, tu já esteve duas vezes no Prêmio Catarinense de Música, com a Vermelio em 2014 e agora com a Don Capone em 2016. Com a Vermelio vocês venceram, como foi estar entre as melhores bandas do estado e faturar um prêmio?

Leandro Silveira: É uma experiência bacana demais, estar presente ali no prêmio é um evento muito bem estruturado e que visa divulgar todos os artistas e bandas que temos em nosso estado, e ter concorrido duas vezes foi gratificante de mais, em 2014 a Vermelio banda que eu tocava levou o premio de Artista Revelação, o que deu uma força para a banda, e dois anos depois ter ficado entre as 5 da categoria de Melhor banda com a Don Capone foi incrível também pois estávamos ao lado de grandes amigos e bandas autorais do nosso estado, como Ponto Nulo, Skrotes, Blame e etc… Mas como disse lá em cima para mim não existe o melhor e sim todos são vencedores, até porque musica não é competição e sim união.

Eu te vejo em todos os festivais que vou, sim, exageradamente em todos pouquíssimas exceções. Como você vê a cena de hoje? Compare com a cena de quando tu começou.

Leandro Silveira: Eu sempre procuro ir em todos shows que rolam em nossa região, não só para curtir mas para dar uma força também, a cena do rock n roll tem seus altos e baixos, e hoje em dia sinto bastante falta de lugares que apresentam noites com som autoral, ultimamente oque tem rolado mais são tributos, especiais e tals. É um pouco triste pois nosso estado tem muita banda autoral boa, que acaba perdendo espaço para as de tributo, mas vejo que também isso acontece porque o publico acaba preferindo curtir mais do mesmo, e não dar atenção para as bandas que tem o seu próprio som. Na época que comecei era praticamente como hoje, uma cena de altos e baixos, algumas épocas era cheias de festivais que a galera organizava e de repente tudo morria e assim continua até hoje.

Com a Bunker vocês arrecadaram toda a grana em uma vaquinha online, como foi ver que mesmo “sem conhecer a banda” o povo ajudou vocês a gravarem seu trabalho?

Leandro Silveira: Poxa foi muito massa cara, a gente queria muito gravar o ep “Refúgio” e queríamos fazer algo foda, porém na época todos nos estávamos meio quebrados financeiramente, e o guitarrista Mário teve a ideia de fazermos uma “vakinha” on line, e conseguimos juntar praticamente toda grana que precisávamos para gravar o ep, e isso nos deu mais inspiração para deixar o trabalho legal, que resultasse em um agradecimento nosso a todos aqueles que nos ajudaram.

Tu deve ter história para caramba, conta uma história cômica de algum show para nós! hahaha

Leandro Silveira: Cara tem tanta história, vamos lá, essa foi la pelo ano de 2011 por ai, a MSB foi fazer um show em Braço do Norte.. até o show estava tudo ok, mas na volta começou a encardir, chegando perto de Tubarão o carro do nosso baixista resolveu pifar e não funcionar, nossa sorte(ou não) é que estávamos bem perto de um posto, isso era em torno de umas 2 da manhã, ai lá tentamos arrumar o carro e nada, ai nisso o dono do carro chamou seu pai pra nos ajudar, e nesse tempo até o pai dele chegar rolou uma situação, bastante Thrash e engraçada demais, estávamos lá e do nada apareceu um cara na conveniência dizendo que tinha brigado com um cara e que esse cara teria sido espancado por ele e mais uma galera.. depois de alguns minutos um outro carro em alta velocidade entrou no posto e dele desceu um cara todo arrebentado, sem camiseta, só de calça descalço todo ensanguentado e sujo, berrando “fulano onde tais, eu vou te matar FD*’’, com um pedaço de pau na mão, nossa, ai começou uma correria louca no posto pra segurar o cara, e tals e começou uma discussão. Resumindo no final os dois se abraçaram começaram a chorar e foram embora juntos pra casa kkkkk. Ah! E detalhe, enquanto o pau fechava um amigo nosso, tava todo cabreiro quase chorando de medo.

Quais os planos “do Leandro” musicalmente falando para 2017?

Leandro Silveira: Então tenho muitos planos cara.. Um deles é ver o lançamento do novo CD da Don Capone, pois antes de fazer parte da banda eu sempre fui muito fã, e ter gravado o cd com eles foi mais do que foda, foi incrível e posso dizer que estou ansioso demais pra ouvi-lo, cair na estrada com eles e levar nosso som o mais longe possível. Um outro plano meu é dar continuidade as minhas aulas de bateria e melhorar o espaço que uso para as aulas.. Também dar inicio a gravação de um EP com musicas autorais com a minha parceira musical e esposa Julia Mauricio, to estudando, fazendo coral para aprender a cantar, e também iniciar meu projeto de um Studio/Pub. São esses alguns dos meus planos, mas com certeza apareceram mais e mais.

Meu irmão, obrigado pelo papo, sabes que te admiro pra caramba e tenho orgulho de ser teu amigo e de sempre que possível estamos batendo um papo no whatsapp ou no facebook. Deixa uma mensagem pros bangers do Cultura em Peso ai. \o/

Leandro Silveira: Po meu amigo, eu que agradeço cara, eu que agradeço pelo convite e oportunidade de poder falar um pouco sobre mim e sobre minha vida com a música, e saiba que considero você pra caramba, quero agradecer também a toda a equipe da Cultura em peso e também a todos vocês que tiraram uns minutos do seu tempo, para curtir essa entrevista, e quem quiser conversar, trocar ideias, sinta-se bem vindos, que estou aqui sempre a disposição!
Um abraço a todos até mais!

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Catarinense de 24 anos, Capricorniano de 31 de Dezembro de 1991, Gremista fanático e um novo colecionador de CDs e LPs de Rock/Metal. Baterista a quase uma década, seu primeiro contato com o Rock'n Roll foi em seus primeiros anos de vida, quando seu pai lhe apresentou a sonoridade do Scorpions, desde então eleita como banda favorita. Sentindo que apenas tocar em bandas não era o suficiente, por incentivo da mídia A Hora Hard, criou o blog/site O SubSolo, que hoje é uma das referencias em mídia independente sobre bandas undergrounds. É também colaborador da A Hora Hard, Fanzines Punks, Mundo Metal, Cultura em Peso, Heavy and Hell e baterista da banda Doctor Jimmy.

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