Sick Sick Sinners: Entrevista concedida após tour no exterior

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1- Boa noite Vlad, cara um prazer voltar a falar contigo aqui depois de tantos anos. De lá pra cá aconteceu bastante coisa na Sck Sick Sinners. Eu lembro que naquele dia vocês estavam estreando um baterista, ou era o segundo show dele, algo assim hahaha.  Como você a banda hoje depois de tantos anos?

Prazer é meu Iuri, de la pra cá a gente lançou o EP Hospital Hell e o Full Unfuckinstoppable, e fizemos algumas tours de divulgação deste discos assim como clipes. A banda esta muito bem, acabamos de voltar de uma tour norte americana que aconteceu em Novembro do ano passado e esse ano fizemos 3 shows no Brasil que deixou a gente bem feliz. Temos uma oferta de tour européia este ano, e a vontade de gravar o nosso próximo álbum. Então a banda esta indo legal.

2- É muito bom saber disso cara, esse álbum já tem algo sendo preparado?

Temos alguma coisa escrita, riffs, bases, mas ainda esta no estagio embrionário.

3- Falando sobre o Full Unfuckinstoppable, ele teve uma repercussão muito boa, foi exatamente oque a banda esperava dele?

Nós gostamos muito do Unfuckinstoppable, eu particularmente gosto demais, acho que é um disco mais punk do Sinners, mais direto, realmente tivemos ótimos reviews, não sei se alguma banda fica 100% satisfeita com todos os discos que gravam, mas acho que no minimo 80% nós ficamos.

4- Hoje se você pudesse mudar algo nele pra chegar aos 100%. Oque seria?

Talvez colocar mais algumas musicas para não ficar tão curto hahaha não sei, eu gosto muito do disco, talvez se em alguns anos você me perguntar isso de novo eu consigo te responder melhor…

5- A pergunta foi difícil mesmo hahaha. Cara hoje vocês são um símbolo do psychobilly no Brasil, vocês acreditam ter revolucionado este cenário no país?

Eu acho que não, acho que tem uma cena aonde tem várias bandas importantes ocupando o seu espaço, bandas como Ovos Presley, As Diabatz, The Brown Vampire Catz, Krappulas, Crazy horses, e o Sinners esta junto com todas elas, acho que por exemplo o kães Vadius foi muito mais revolucionário.

6- Jogo rápido:

4 bandas nacionais: Ovos Presley, Ratos de Porão, Garotos Podres e Kães Vadius

4 bandas internacionais:  The Cramps, Demented Are Go, Batmobile, Toy Dolls

1 cd: A Date with Elvis – The Cramps

1 livro: Estou lendo um livro do Oliver Stone – A história não contada dos Estados Unidos, recomendo.

Família: Família é o que te molda, tua primeira percepção do mundo, mas também pode vir a ser quem vc escolhe, o importante sempre é você estar feliz.

Psychobilly: Psychobilly é o que mantém a origem do rock até hoje, a transgressão, a rebeldia, o impuro, um chute no saco do conservadorismo.

Uma frase: Cabeça vazia oficina do diabo.

7- Como foi a tour ano passado? Passaram por muitas cidades? Quais foram os principais shows?

Acho que foram 11 datas, Los Angeles, San Diego, em Phoenix e Santa Ana foram os shows principais, sempre são shows legais para aqueles lados.

8- Das viagens a Europa/America, qual  foi  experiência que a SSS trouxe na bagagem?

Na europa fizemos desde shows em pequenos bares, squats até festivais legais de psychobilly, para 3 mil pessoas, tocamos na Finlândia, Russia, Espanha, Suiça etc… então são várias experiencias de culturas diferentes de modos de organizar shows, tours, tudo diferente, comidas, bebidas, público … então a experiencia que você  acumula de tocar em aparelhagens completamente diferentes em espaços completamente diferentes é muito grande. Tem situações diversas que você acaba  se virando em qualquer lugar do mundo em qualquer situação. Mas acho que o mais importante é conhecer diversos países e culturas que acabam mostrando muito um mundo muito diferente, acho que é muito importante para uma maior compreensão do mundo.

9- Os temas abordados pela SSS e pelo estilo em si, ainda são um tabu na sociedade.Um estilo que realmente não se deturpou com suas origens. Você crê que o Psychobilly sempre sera um estilo underground pela temática que possui?

Nem tudo é tão tabu mais nas letras do psychobilly, acho que se até o punk rock em algum momento foi vendido como um produto e popularizado, o próprio metal, quer dizer, a partir o momento que decidirem que o psychobilly pode ser comercializado, tem gente que vai apostar nisso.

10- Você acredita que esse momento esta distante ou próximo?

Tem muitas bandas que flertam com o pop, ou fazem um psychobilly muito próximo do pop, muitas bandas que ja tem esse apelo, Tiger Army é uma delas, Bones, Brains, Living End, então acho que depende muito do mercado achar que é hora de uma delas estourar, muitas delas tem mais de um milhão de views nos vídeos do youtube, mas hoje não é tão fácil de “estourar” como era no mundo pré internet.

11- Isso é uma verdade. Em fevereiro rola o Psycho Carnival vocês irão tocar, qual a expectativa para o evento? Haverá alguma novidade da banda ?

Bom além de tocar organizamos o evento, então a expectativa é a melhor possível, o evento continua firme e forte na sua decima oitava edição, estamos preparando um set list diferente, quem sabe até musica nova vai entrar, mas o importante é sempre estar em contato com o público e fomentando a cena.

12- Pra finalizar, deixa os contatos da banda e a mensagem final:

A cultura hoje em dia esta sob ataque, estamos vivendo um momento de retrocesso cultural e civilizatório, então é um momento de união e de ficar esperto para realizar seus objetivos.

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Cremo é idealizador e fundador do Cultura em Peso, Asatrú, amante incondicional da fotografia e da cena underground, na qual vive intensamente há 16 anos. Formado em Redes para Computadores, é ex-vocalista das bandas La Tormenta (Grind) e Dead Bush (Punk), ambas de Minas Gerais. Ouve de Punk Rock a Metal Extremo, tendo como principais bandas na sua playlist Ratos de Porão, Napalm Death, Extreme Noise Terror, Circulo Activo, Amon Amarth, Elluvetie e Lacerated and Carbonized. Literalmente um Viking que não marca território: o mundo é sua morada. Lê constantemente sobre política, religião, história das guerras e a autodestruição humana que não aprendeu até hoje a viver com as diferenças. Some com a cena ou suma dela mesmo, agora!

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