Psicodália 2017 – 20ª Edição.

Inicialmente quero agradecer, em nome do Cultura em Peso, ao Psicodália pelo convite para cobrir o festival e agradecer, pessoalmente, ao Cultura em Peso por ter passado para mim a tarefa de cobrir esse festival tão grande e importante para a cultura alternativa do Brasil. Quero agradecer também a acolhida do pessoal de Chapecó e a todas as pessoas maravilhosas que eu conheci durante os quase 6 dias de festival incluindo o pessoal da assessoria de imprensa.

O Psicodália, nesse carnaval, completou 20 edições e 17 anos de estrada. Isso por que em alguns anos foram realizadas mais de uma edição. A história do festival começou em um sítio em Angra dos Reis a muito tempo atrás e durante essas quase duas décadas passou por alguns outros lugares até chegar a Fazenda Evaristo, localizada em Rio Negrinho- SC. O festival apesar de ser um dos mais ricos e expressivos eventos multiculturais do Brasil segue independente. Talvez o Psicodália seja a prova de que a cultura não é nem de longe uma das prioridades de nossos governantes. Enquanto o “mais do mesmo” é subsidiado em valores multimilionários, um lugar que junta centenas de artistas e pessoas de todo Brasil em uma explosão de expressões artísticas e ainda o faz sem ocorrências de violência, do modo mais sustentável possível e de forma totalmente voltada para a disseminação da cultura segue sem apoio de nenhum órgão público e de nenhuma instituição privada.

O Dália simboliza um sopro de cultura, de valorização da arte, do amor e da liberdade. Por si só é capaz de mostrar que com respeito, todos podem ser tudo o que quiserem, fazer tudo o que desejam e viver em harmonia. O grande diferencial talvez seja a forma como as pessoas se relacionam dentro das dependências da fazenda e o fato de que pra qualquer direção que você olhe é possível ver arte. Além das dezenas de shows que ocorrem nos palcos principais do evento, há cinema, teatro, oficinas e incontáveis intervenções artísticas independentes. Escritores, poetas, atores, malabaristas, músicos e artistas de outros segmentos fazem com que o ambiente seja repleto de encanto e amor.

O Alexandre Osiecki, organizador do festival, disse em uma entrevista que o Psicodália tem como objetivo dar público para os artistas e artistas para o público, a feliz colocação se concretiza durante o evento. As pessoas vão a procura da beleza e da magia que que só a arte pode proporcionar e lá a encontram em cada esquina, desde bandas como a Oito de Criciúma que montou um palco independente e com a colaboração de anônimos fez com que o rock’n’roll rolasse o dia todo todos os dias, até as pessoas fazendo malabares por todos os lados. Desde os grandes shows, que mostram o quanto há musica de qualidade a ser descoberta no Brasil, as peças de teatro que conseguem reunir um público maravilhoso. Vê-se arte nos corpos pintados, nas flautas e violas espalhadas pelos campings, vê-se arte nos corpos nus que desfilam sem julgamento e nas gentilezas trocadas gratuitamente por desconhecidos. O Dália possui um espirito que encanta quem já esteve lá.

Apesar de tudo e da minha passagem pelo mesmo ter sido perfeita, como a de muitas pessoas, algumas coisas precisam ser levantadas. Houve nessa edição alguns problemas  e perrengues e vou cita-las da menos grave, ao meu ver, à mais grave.

-Cozinha
O Psicodália é um evento de grandes proporções, todos os números são grandes : Público, duração, atrações e orçamento. Considerando-se um fest com público alternativo e dizendo não ser comercial é fácil fazer os cálculos. As pessoas pra passarem 6 dias lá dentro precisam muitas vezes baratear seu Psicodália levando coisas do mundo exterior. A organização proibiu em cima da hora fogaréus e isso sobrecarregou a cozinha coletiva que é pequena e sem muita estrutura e não chega nem perto de atender todas as pessoas lá presentes, a praça de alimentação também também é pequena e o restaurante não comporta todos, além dos itens para lanches mais rápidos como pizzas e salgados saírem caros. Minha ideia seria fazer pontos de fogo pra que com maior segurança as pessoas possam cozinhar perto de seus camps e tirar a carga da cozinha coletiva.

-Banheiros
Os mesmos que antes possuíam monitoria quase 24 horas, que estavam praticamente todo tempo limpos e funcionais foram deixados um pouco de lado. Alguns chuveiros ficaram dias queimados, bacios fora de uso e diversos cortes de água devido o consumo abusivo da galera. Particularmente não ligo de tomar um banho gelado, mas não encontrar um chuveiro quente durante dias é bem complicado, pois nem todos são obrigados. Há pessoas com problemas respiratórios, há quem vá parar no chuveiro a noite ou de madrugada e há também quem não goste de água fria e pagando o valor cobrado pelo passaporte, querer um banho quente não é querer muita coisa. Deem uma atenção maior nos banheiros, por favor e incentivem mais o uso dos banheiros secos e de banhos conscientes para resolver o problema da água.

-Lago
O esgoto aberto ao lado do lago estava em uma situação bem ruim, crianças e adultos pegaram virose segundo a própria enfermaria do festival. Apesar disso não ser um problema do fest, que é extremamente focado em questões ambientais e seríssimo quando se trata de gestão de resíduos, meio ambiente e sustentabilidade, mas sim da Fazenda Evaristo fica difícil ignorar o fato, o lago chegou a ser interditado durante uma manhã. Situação complicada, principalmente pelo lago ser um dos lugares mais agradáveis e frequentados do festival, cobrem isso da Fazenda Evaristo, pois isso pode inclusive complicar o andamento dos eventos que acontecem ali, vigilância sanitária pode cair matando.

-Sistema
Eis um dos maiores problemas do Dália, da abertura dos portões até o sábado meio dia o sistema esteve totalmente instável, chegando a ficar horas fora do ar. Filas quilométricas se acumularam e mesmo quem chegou na madrugada de quinta para sexta teve, em alguns casos, que esperar quase duas horas para entrar. Não bastando, o sistema algumas vezes cobrava em duplicata e alguns balconistas não se davam ao trabalho de estornar ou mesmo não percebiam o erro. O resultado são muitas pessoas levantando o fato pós dália, o grupo na rede social possui diversas pessoas dizendo que foram lesadas e causando dúvida em  quem sentiu suas dálias acabar muito rápido e agora não sabe se foi lesado ou não. Creio que não tenha sido um erro em massa e sim pontual, pois acredito piamente na organização e sei que jamais aconteceria isso de forma intencional, toda via é uma situação delicada e o pior de tudo é a desconfiança. A verdade é que não ficamos conferindo a cada cerveja ou refeição feitas lá o quanto ainda temos de saldo nos cartões. Minha sugestão são dois monitores, um pro atendente e outro pro público, isso daria mais segurança e tiraria qualquer dúvida. Vale lembrar que aconteceu duplicata comigo ao menos duas vezes e o atendente estornou.

-Galera

Antes de mais nada quero dizer que o Psicodália tem o maior número de pessoas de bom coração por metro quadrado que eu já vi na minha vida, as pessoas são respeitosas, gentis e educadas. O espirito do fest é de amor e de respeito. O Achados e Perdidos por exemplo, devolveu mais de 50 cartões, que é equivalente a devolver dinheiro. No entanto, ouvi alguns casos de pessoas foram furtadas, gente que teve objetos de valor pegos de suas barracas ou de suas bolsas durante um minuto de distração. Vi gente demorando 20 min no chuveiro coletivo, pessoas mal educadas furando fila, gente largando cooler e cadeira na frente da área de show, o que inclusive resultou em dedos quebrados, e uma sujeira inexplicável na frente do palco após o término das apresentações.Vi atitudes que não cabem ao Psicodália, em 2014 poderia deixar meu celular em cima da mesa e voltar 15 min. depois, na pior das hipóteses teria que resgato-lo no achados e perdidos já em 2017 ouvi relatos oposto. Os fatos chocam e chateiam, pois mais encantador que tudo no fest era o público e tudo isso não é culpa da organização. O Psicodália é feito pra quem sabe respeitar o próximo e sabe viver no coletivo, a nova geração de frequentadores que chega ao Psicodália não pode deixar isso morrer.

As críticas são antes de mais nada construtivas não só de alguém que foi com muito empenho cobrir o fest mas de quem é adora o lugar, posso tranquilamente dizer que os melhores dias da minha vida aconteceram ali e esse ano ao invés de sair de lá com a ânsia de voltar, sai pensando em como vai estar a próxima edição. Soluções para o Psicodália e uma 21ª edição de ouro é o que eu espero.

Antes de começar a resenha das bandas, quero dizer que foi fisicamente impossível assistir e fotografar todos os shows, peço desculpas as bandas as quais eu não pude acompanhar, nada foi seletivo. Simplesmente em alguns momentos precisei me ausentar.

Grupo Aroeira

Eram 19 horas quando o grupo Aroeira, de maracatu, puxou o trio que iniciou o Psicodália, na batida envolvente do ritmo os caras percorreram as ruas da fazenda e puxaram a galera pra fora das barracas, a apresentação que finalizou-se na frente do Palco Lunar (palco principal do evento) foi intensa, o grande grito de Axé que finalizou a apresentação foi um dos momentos mais fortes que participei no Psicodália. Vi lágrimas e sorrisos em muitos dos rostos ali presentes e foi  dessa forma que o carnaval  mais psicodélico de 2017 começou, com um grande grito de boas energias.

Dingo Bells

Na hora marcada, oito horas cravadas, a primeira banda do festival subiu no Palco Lunar,  inclusive a pontualidade foi uma das marcas do festival. A Dingo Bells, veio de POA, a banda já tem estrada e já ganhou alguns prêmios. A sonoridade é pop rock, misturando jazz com brasilidades e consegue um ar bem original. As letras falam sobre pessoas, relações, fragilidades e cotidiano. O show é calmo e rolou pra um público reduzido.

Sá & Guarabyra

Na sequência o Sá & Guarabyra se apresentou. A Dupla que se apresentou com mais dois músicos tem 40 anos de estrada, 30 discos lançados e é um dos principais e mais antigos representantes do Rock Rural. A mistura de ritmos caipiras mostram-se não só na musicalidade mas como nas letras. O Dalia apostou em um começo mais cometido e com ritmos mais calmos. As duas bandas de abertura deram esse ar introspectivo e intimista, no entanto acredito que devido a este fato acabaram se apresentando pra pouca gente.

Casa das Máquinas

A banda dos anos 70 que retornou as atividades especialmente para a edição de 2008 do Psicodália eram a atração mais esperada de sexta-feira, à meia-noite o grupo de Rock’n’Roll começou o último show do Palco Lunar. O público que ainda estava um pouco tímido foi pra frente do palco e agitou durante a apresentação cheia de energia da banda que já ganhou até camping batizado em sua homenagem. Os praticamente residentes do festival descarregaram o melhor de si no palco e fizeram uma boa apresentação.

Black Papa

A segunda banda do Palco dos Guerreiros ( que de dia funcionava como Palco do Sol) foi o Black Papa. Particularmente uma das coisas que eu mais gosto no Psicodália é a oportunidade de assistir bons, trios, quintetos ou mesmo septetos de metais atuando. E que trio! Os caras fazem um funk de primeira, letras em português com diversas mensagens de alegria e histórias sobre o Brasil e ainda misturam elementos de música brasileira a sua sonoridade. O show é bem empolgante, o vocal mantêm um bom contato com o público e é um frontman carismático, a banda puxou o pessoal pra pista e não dançar era desafiador.

Pompeu e os Magnatas

Seguindo o ritmo, na sequência do Black Papa, Pompeu e os Magnatas. O funkzão dos caras e seu groove mantiveram o ritmo dançante e a galera empolgada na frente do palco. As letras falam muito sobre a sociedade e experiências de vida. A banda tem uma sonoridade mais psicodélica e alguns metais fizeram falta no conjunto. Apesar da ausência dos mesmos a qualidade da banda é boa e considerando o pouco tempo de estrada tem muito potencial. O sol já começava a clarear o horizonte quando a banda acabou e encerrou as atrações de sexta.

Grand Bazaar

O grupo paulista que abriu ou Palco do Sol no dia de sábado agito a galera pra caralho, a banda que mistura diversos elementos musicais, tendo forte influência Balcã é muito dançante e é instrumentalmente muito rico e original. Fez do palco um baile de carnaval e tirou o pessoal do chão ainda cedo, um show muito divertido e com um ótima qualidade musical foi o que os caras ofereceram.

Di Melo & Trombone de Frutas

Era começo da noite quando o Trombone de Frutas começou sua apresentação no Palco Lunar, a banda que já tem tradição no Psicodália tem uma qualidade musical inquestionável, um som extremamente psicodélico e é uma das minhas descobertas favoritas nos palcos do Dália. O álbum lançado em 2016 ficou excelente e ouvir algumas das músicas ao vivo foi satisfatório, no novo trabalho o Trombone alcançou um maturidade musical muito alta. 5 ou 6 músicas após o começou o show o Trombone abriu palco para o Di Melo, com sua tradicional carisma o jovem que beira os 70 anos levou o público a loucura e fez um showzaço, mas que no entanto foi um pouco curto.

Liniker

Na sequência a Liniker se apresentou, com uma entrada iluminadíssima e esbanjando a voz que lhe sobra na garganta o cantor pareceu bem emocionado com a reciprocidade e o calor do público do Psicodália, tocou muitas a maioria de suas músicas. Os Caramelows, sua banda, não fica atrás na qualidade, o show ganhou uma pegada funk em alguns momentos e foi outra senhora apresentação que o palco principal do evento recebeu nessa edição.

Metá Metá

A última banda do Palco Lunar no sábado foi o Meta Meta, com um groove inexplicável e uma sonoridade que consegue superar ao vivo o que se ouve no CD o Meta Meta fez pra mim o show mais empolgante, emocionante e intenso de sábado além de um dos melhores do evento. A originalidade do som junto com a energia entregue pela banda quando se apresenta resulta em um espetáculo de encher os olhos e ouvidos da platéia. Muitas pessoas elegeram como o melhor show do Dália nas conversas ao longo do festival e quem estava lá e perdeu a apresentação pisou e feio na bola.

Orquestra friorenta

A banda curitibana, que tem músicos de varias regiões do nosso país, deu sequencia as apresentações de sábado, já no Palco dos Guerreiros. O som deles é uma miscelânea de ritmos brasileiros e junta-se ao grupo de atrações do Psicodália que ultrapassam estereótipos musicais e enquadra-los em qualquer estilo vai além da minha capacidade. O show tem um apelo visual bem grande e muitas coisas acontecem em cima do palco a todo instante.  O figurino e as interações dos músicos enriquecem visualmente o show enquanto que musicalmente proporcionam um ritmo envolvente e que fez sucesso com o público.

Charlie e os Marretas

Na sequência voltamos ao Funk, a banda paulista começou em 2009 como cover e apenas em 2014 lançaram seu primeiro trabalho autoral e desde então outros trabalhos apareceram sendo o mais recente tendo cerca de 6 meses. O som é bem sintetizado e a apresentação bem descontraída, misturando o melhor do estilo setentista com elementos contemporâneos a banda faz um show honesto, apesar do público já começar a se retirar devido ao cansaço o presentes se jogaram.

Vulcanióticos

A banda, se é que pode ser chamada assim, começou sua apresentação tarde e creio que devido a seu aspecto teatral atrelado ao horário o público se dispersou. Na verdade não da de saber se é uma peça de teatro acompanhada de músicos ou uma banda acompanhada de atores. O grupo transpõem qualquer definição a qual possa tentar se dar, em um ritual que propõem uma realidade alternativa, repleto de mensagens hermetistas, sexualidade e magia, além de contar com muita interação com o público, eles fizeram a apresentação mais louca que eu vi no Psicodália e talvez que já tenha visto na minha vida e o esforço de amanhecer para acompanhar os caras valeu muitíssimo a pena.

Francisco, el Hombre

Eram 20:00 de domingo quando a banda subiu ao Palco da Lua, com integrantes de origem mexicana e brasileira a Francisco, el Hombre faz um rock que leva nos arranjos influências de ritmos latino americanos e reencarna a tropicalia. O show cheio de cores, de elementos estéticos e de calor pode contar com um público que cantou muitas das músicas da banda. Ainda houve as participações especiais da Luiza Lian, que havia aberto as apresentações do dia e do Tagore, que foi quem finalizou o domingo. Suas letras são politizadas e falam sobre a situação atual da politica, cultura brasileira e feminismo. Particularmente não conhecia a banda e gostei da sonoridade e da presença deles ao vivo, muita energia e muita alegria é o que os caras transmitem no palco.

Ney Matogrosso

A principal atração do festival, devido as alterações que fez no palco foi o único a se apresentar no Palco Lunar no Domingo, com sua performance, brilho e seus clássicos ele fez um show para um público que beirava a intransitabilidade e reuniu a maior quantidade de público em uma apresentação nesse ano e provavelmente na história do evento. Tocando seus clássicos além de fazer interpretações de músicas do Cazuza e outros clássicos brasileiros fez com que a multidão que se juntou pra ver o seu show se emocionasse. O espetáculo foi curto e apesar da histeria da platéia pedindo “mais uma” o Ney não quis voltar ao palco, o que gerou criticas por parte de quem queria mais do artista.

Los Pirañas

A banda colombiana que reside na cidade de Bogotá pode ser definida por uma palavra: Lisergia. O som é definido por eles próprios como ‘tropical noise” e se acelera a velocidade das mentes mais estimuladas. O trio desafia o cérebro de quem ouve e chega perto da barreira do inteligível, sendo apenas instrumental a fusão de ritmos latinos tocados em alta velocidade é sensacional e foi outra descoberta interessante nessa edição do Psicodália.

Perota Chingó

AS 18:00h de segunda-feira quando eles começaram. Dolores Aguirre, a vocalista do Perota Chingó é dona de uma voz linda e de uma simpatia impar e conquistou o público. A proposta da banda são músicas viscerais que muitas vezes lembram as canções ouvidas em rituais indígenas. A sonoridade é simples e bonita e entra no hall de bandas com ricas influências de ritmos latino americanos, foi outro show que vi lágrimas e que apesar de ter acontecido no Palco do Sol tinha muita gente esperando. A apresentação foi carregada de emoção e tanto  da parte dos artistas como do público.

Iconili

A Iconili é uma banda de jazz com personalidade e identidade própria, sua música se encontra em um ponto o novo e o velho convergem. Conseguem misturar a raiz do jazz com elementos contemporâneos e o resultado é um som dançante, psicodélico e muito agradável aos ouvidos. Fizeram um baita show com uma qualidade musical impecável mesmo com dois de seus metais terem sido substituídos em cima da hora para a apresentação e nunca tendo ensaiado com a banda. A Iconili levou a galera em peso pra frente do Palco Lunar e entrou pra lista de bandas que eu conheço no evento e virei fã.

Erasmo Carlos

Sendo um dos mitos da música brasileira, como não podia ser diferente, reuniu um número de pessoas quase tão grande quanto o Ney Matogrosso para a sua apresentação, o “Tremendão” fez um abertura no telão com animações gráficas e tocou seus maiores clássicos levando seus fãs a extasie.

Confraria da Costa

Já bem conhecidos no Psicodália a banda curitibana Confraria da Costa  era um dos shows que eu mais aguardava no dia, como sempre os caras fizeram jus. Quem já viu seus shows sabe que é cerveja para todos os lados, canto, sorrisos, abraços e uma anarquia generalizada. Com o seu rock pirata eles conseguem levar o público ao ápice da loucura, o ritmo é contagiante e a temática da banda inspira e convida a sair do chão e a virar o caneco. No fim do show havia perdido minha caneca, minha camisa, minha cerveja e meu folego.

Centro da Terra

Do interior de SP o power trio faz como eles mesmos descrevem um ritual elétrico. Com um instrumental afiado, riffs pesados e muito groove o show é pesadíssimo é de primeira qualidade. Creio, que deveria ter sido colocada em um horário diferente, bem como algumas outras apresentações do Dália. Toda via, foi uma paulada e pra muita gente que sentiu falta de um pouco mais de peso e distorçam nas guitarras, nessa edição do Psicodália, Centro da Terra foi um prato cheio.

 

Cadillac Dinossauros

As 17:00h no Palco do Sol o Cadillac Dinossauros, que lançou a muito pouco tempo seu 4º trabalho, nomeado de PRETOBRANCO e com a temática do EP que os caras se apresentaram, inclusive sendo esse o primeiro show da turnê. Tocaram todas as músicas do novo material além de algumas outras já conhecidas. Apesar de terem  feito seu show pra um público mediano, deram o melhor de si no palco, com direito a solos dos integrantes do trio e animaram bastante a galera que já familiarizada com a banda já que os mesmo também já tem tradição no fest.

Recordando o Vale das Maçãs

A banda de rock progressivo formada nos anos 70, já teve muitas o formações, hiatos e fases e devido a esse fato caiu no esquecimento com o passar dos anos. Tendo como único membro original o guitarrista Fernando Pacheco, hoje eles se tornaram uma banda de instrumental. Com composições muito bonitas e um alto nível de qualidade técnica, além de muito feeling e carisma eles fizeram uma apresentação memorável e marcante, muito elogiados e com um show muito bem recebido pelo público a banda deixou o palco o palco com gosto de quero mais.

Céu

Com muita expectativa e com um público grande a Céu começou sua apresentação, apesar de ser considerada uma cantora de MPB é difícil prender ela a um estereotipo comum de música, é o tipo de artista que você precisa ouvir pra entender. O show é ameno e não é tão envolvente assim pra quem já não acompanha a banda, no entanto, a cantora parece colecionar fãs e tem muito carisma com as pessoas.

Central Sistema de Som e Gerson King Combo

A Central faz um som descolado, que mescla com elegância o rap, o hip hop, o funk, o rock e outros ritmos da música negra, com muita politização, groove e qualidade eles fazem um show que mexe com quem está na frente do palco e com essa edição já participaram de 3 edições do Psicodália, de quebra convidaram o Gerson King Combo que é uma referencia na história do Soul e do Rap brasileiro. Em conjunto com esse icone eles fizeram uma apresentação muito foda, com muita intensidade e com muita interação com o público.

 

Excelentes apresentações, felizes descobertas musicais e muita qualidade técnica foi o que eu vi no Psicodália de 2017, confesso que senti um pouco de falta de mais rock’n’roll e também do Saloon que animava as noites do festival. Achei que alguns horários no line foram um pouco fora da casa como colocar o Tagore e o Vulcanioticos como últimas apresentações de seus respectivos dias, pois por se tratarem de apresentações com ritmo reduzido, muitas vezes, acabavam mandando os esgotados para cama e os que se encontravam acelerados,  para outro lugar. Toda via são muito mais elogios que críticas, a organização está de parabéns por tudo que consegue fazer, pelo amor e dedicação que realizam o evento, ambas  perceptíveis para quem vai apenas curtir.

Diogo Gutierres.

 

A baixo algumas fotos para relembrar o festival:

Confiram as fotos do evento:

Fotos por: Diogo Gutierres

 

 

 

 

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23 anos, bacharel em adm., santista de berço e camisa, varguista, ex promoter do Agosto Negro Produções e do Pirate Cover. Viciado em vícios e em música.

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