Pavilhão 9 dá entrevista e fala sobre sua história

Conversamos com Rhossi líder do grupo e você confere abaixo como foi.

 

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11 ou 5 anos? Quanto tempo a banda considera estar parada?

R: Consideramos 11 anos, pois ficamos esse período sem produzir um disco novo. Em 2012, não tínhamos planos para a volta da banda.

Como foi o processo de escolha para a nova formação?

R: Eu já conhecia todos os integrantes. O Heitor já havia ensaiado com o Pavilhão 9, em 2012, e eu participei de alguns shows do projeto dele, chamado Gomes do 8. Conheci o Leco num show do Suicidal Tendencies em que o Tolerância Zero, nossos parceiros de longa data, também se apresentou. O Rafael tocou no meu projeto solo e também já sabia tocar algumas música do Pavilhão 9. Assim, todos nós já estávamos próximos e tudo aconteceu de forma natural, então fiz o convite para eles fazerem parte da nova formação do Pavilhão 9.

O que os novos integrantes agregam a essa nova fase do Pavilhão?

R: Além de trazerem uma nova energia para o som, cada um deles teve um papel importante. O Heitor, por exemplo, foi importante para a conclusão do trabalho, nos trazendo bases para músicas, como "Antes Durante Depois", "Boca Fechada", "Tudo por Dinheiro". Vale destacar a música "Na Malandragem", em que ele toca uma baixo acústico e o resultado foi incrível! O Rafael tem a precisão nas guitarras, soube tirar o melhor timbre que precisava para as músicas, e o Leco trouxe o peso e as viradas de bateria. Sem esquecer do DJ MF que arrebentou nos scratches e nas colagens do álbum.

A banda tem “cotidiano da periferia”, o que mudou as comunidades nesses 11 anos? Piorou a situação?

R: Falamos na música "Ante Durante Depois" - "O que mudou, tudo ou nada", porque acreditamos que houve uma melhora ilusória. Hoje, eu diria que ficou caro ser pobre. Os jovens não se interessam em estudar, estamos vivendo uma explosão social. O que mudou na periferia? Antes eram ruas de terra, hoje são de asfalto, antes eram casas de maderite, hoje são casas de alvenaria, mas na essência não mudou muita coisa. Acho que ainda é muito pouco perante a roubalheira e a pouca vergonha em que estamos vivendo no Brasil. Nem tudo que brilha é ouro.

O Pavilhão 9 mesmo com todo esse hiato permanece entre os grandes nomes da música nacional. Isto inspira a banda a seguir criando e inovando?

R: A música corre nas nossas veias, gostamos de fazer música, talvez seja essa vontade de criar e fazer que nos mantêm até hoje e resultou na volta e no lançamento do novo disco.

Quais são os planos este ano para o P9?

R: O foco agora é a "Tour Antes Durante Depois". Queremos levar o novo show para todo o Brasil e quem sabe para fora do país.

O que vocês pensam sobre essa garotada nova que vem criando e mantendo rock, hardcore e rap de pé?

R: Achamos essencial para manter a cultura viva. A gente não pode esquecer o que passou, nem ignorar o que está acontecendo agora, temos que unir o novo ao antigo pra manter a cultura em pé.

 Jogo rápido:

4 bandas nacionais: Pirâmide Perdida, Planet Hemp, Felipe Ret, Haikass.

 4 bandas internacionais: Kendrick Lamar, Future, Prophets of Rage, Kodak Black, Joey Bada$$.

1 cd: Fear of a Black Planet - Public Enemy

1 livro: "Casa Grande e Senzala", Gilberto Freire

Família: É tudo.

Favela: Realidade.

Estado: Quebrado.

Honestidade: Está faltando.

Pavilhão 9: Arte.

 Uma frase: “Ninguém é dono da sua felicidade, por isso não entregue sua alegria, sua paz, sua vida nas mãos de ninguém, absolutamente ninguém."

Como foi o processo de criação do álbum? É perceptível que vocês inovam sem perder a sua essência.

R: Tudo o que queríamos era manter a identidade da banda. Demos início às criações com o produtor Daniel Krotosynsky, no DNAudio, e ele foi fundamental para captar as ideias. Posteriormente levamos as produções para o Mix Studio (antigo Mega) para a gravação final e mixagem com o Helio Leite. Ficamos internados no estúdio durante 15 dias finalizando as gravações e mixando. Enviamos o trabalho para a masterização do Randy Merril na Sterling Sound, em New York. O processo foi pura positividade, como vocês poderão acompanhar em breve no lançamento do making-of no nosso canal Pavilhão 9 TV, no YouTube.

25 anos de carreira, 25 anos falando da situação social, e parece que a banda vai continuar muito tempo falando sobre isso. Há esperança?

R: Gostaríamos de falar sobre outros assuntos, porém é necessário fazer um contraponto e aguçar o pensamento. A produção desse álbum foi realizada de forma positiva e queríamos, ao máximo, levar nossa mensagem com essa energia para o disco. É difícil ter esperança diante de tudo que está acontecendo, mas nossas letras são sempre pensando no melhor para o país e para as pessoas.

 Como a banda vê a atual situação política nacional?

R: Péssima, vergonhosa.

O que acontece hoje é um reflexo do passado?

R: Politicamente, falando sim. O país foi saqueado e hoje sofremos as consequências. Causa e efeito.

Em “Os Guerreiros” a banda fala sobre a educação. Qual o segredo pra educação realmente vencer?

R: Os políticos brasileiros não estão interessados em ver a população educada e informada. Realmente a educação é a saída, e o povo precisa se conscientizar disso para abrir novos horizontes e buscar mais conhecimento e cultura. O acesso à cultura e à educação é limitado a poucos porque dá poder, se a gente não correr atrás, ainda que seja difícil, esses poucos detentores do poder acabam nos engolindo.

Pavilhão pensa em levar essa mescla de sons ao solo Europeu?

R: O foco nesse momento é no Brasil, posteriormente, quem sabe a Europa, Estamos Unidos, Chile, Argentina.

Contatos?

R: Facebook/Pavilhao9.Oficial Twitter: @bandapavilhao9 Instagram: @bandapavilhao9 YouTube/Pavilhao9TV E-mails: [email protected] e [email protected]

Mensagem final:

"Ninguém é dono da sua felicidade, por isso não entregue sua alegria, sua paz, sua vida, nas mãos de ninguém, absolutamente ninguém. Somos livres, não pertencemos a ninguém e não podemos querer ser donos dos desejos, da vontade ou dos sonhos de quem quer que seja. A razão da sua vida é você mesmo. A tua paz interior é a tua meta de vida, quando sentires um vazio na alma, quando acreditares que ainda está faltando algo, mesmo tendo tudo, remete teu pensamento para os teus desejos mais íntimos e busque a divindade que existe em você..."

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Cremo é idealizador e fundador do Cultura em Peso, Asatrú, amante incondicional da fotografia e da cena underground, na qual vive intensamente há 16 anos. Formado em Redes para Computadores, é ex-vocalista das bandas La Tormenta (Grind) e Dead Bush (Punk), ambas de Minas Gerais. Ouve de Punk Rock a Metal Extremo, tendo como principais bandas na sua playlist Ratos de Porão, Napalm Death, Extreme Noise Terror, Circulo Activo, Amon Amarth, Elluvetie e Lacerated and Carbonized. Literalmente um Viking que não marca território: o mundo é sua morada. Lê constantemente sobre política, religião, história das guerras e a autodestruição humana que não aprendeu até hoje a viver com as diferenças. Some com a cena ou suma dela mesmo, agora!

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